Enquanto pesquisava sobre plantas e pancs e fazer algum trabalho que tivesse algum significado pra mim, resolvi utilizar plantas nativas do Brasil para a produção de antotipias. Vez ou outra comento nas aulas, nos cafés e encontros com as pessoas que para o processo cheguei a estudar um tanto de tingimento natural e acho que nessa pesquisa de procurar comida, cor e verdade com significado só fazia sentido pesquisar o nativo.
Então num curso online resolvi investir no pau-brasil. Até então tive mudas dele mas não tinha pensado em usar para o anthotype. Comprei uma serragem e fiz alguns testes. É tão bonito que dá vontade de sair colorindo tudo mesmo.
Não lembro se comentei que papéis diferentes dão cores diferentes. Tem a ver com ph do papel. Peguei dois papéis abandonados no lab e passei o sumo.
A parte desvantajosa de utilizar papéis abandonados é que depois pra fazer de novo é quase impossível. Os papéis não eram meus e ficaram pelo menos uns três anos numa gaveta. Essa questão do pH é algo que sempre comento na aula mas muitas vezes eu acho que as pessoas só percebem quando vêem o resultado, ou seja, a cor.
Então montei esses com imagens.
No estúdio não tenho sol direto. Então deixo na janela um tempo e quando lembro vou olhar.
Seis dias depois retirei a imagem da esquerda.
E o resultado
O outro papel ainda está no sol. Fotografei hoje pra saber como estava, só que ainda está em processo.
Esse mês de julho vai ter oficina, em breve volto aqui.
Fico me perguntando certas vezes sobre essa produção de antotipias quando alguém aponta a durabilidade da fotografia. Afinal foi uma questão pontuada no meu TCC de graduação. Nossas imagens efêmeras nos cercam todo dia. Nos stories de Instagram, daquelas que a gente nunca mais vai ver se não clicar naquele dia.
As imagens da cidade que se alteram constantemente e logo um graffiti ou luminoso pode ser trocado ou substituído. As nossas paisagens diárias mudam conforme mudamos de endereço. E todo dia não sinto que continuamos os mesmos.




