Este ano fui convidada para algumas atividades que nunca imaginei que começaria e por isso até fiz menos atividades relacionadas a cursos. Precisei me dedicar a leituras e acabo que sempre preciso repensar meu trabalho.
Eu sonhava há muitos anos trabalhar com cerâmica mas com o tempo desisti e fui seguindo dentro do que conseguia fazer. Acabei entrando um curso rápido em 2017 a 2018. Depois me envolvi com a joalheria, que para minha surpresa foi uma atividade que desde o início tive facilidade de lidar. Isso já faz uns cinco anos, na cerâmica, e uns 4 anos na joalheria. Depois da pandemia, voltei a trabalhar com a cerâmica com minha professora coreana. Sigo nessa onda, do barro ao metal.
Expo:
A Jornada – Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios 363. Bom Retiro
7 de julho a 29 de julho – Seg a sexta-feira -10h a 21h e sábados 10h a 17h
Sexta abriu mais uma exposição de cerâmicas na qual participo. (participei de uma ano passado mas não me senti à vontade para comentar aqui, porque eu tinha um trabalho muito pequeno) Está na Oficina Cultural Oswald de Andrade, chama-se A Jornada (amei o título). Meu trabalho lá é algo que nada tem a ver com a fotografia e de certa forma me intriga porque eu posso criar algo que eu não conseguiria fazer em imagens.
Minha professora de cerâmica é minha reconexão com a cultura da minha ascendência. Por isso o que eu tento fazer por lá de certa forma tem a ver com o que me conecta a Coreia e por isso tento fazer algo que me lembre do meu pai. Por isso, essa é a minha obra:

Meu pai pescava e ele gostava de libélulas. Quando ele falava de libélulas as descrevia com um tom que lembrava de uma criança. “Parecem helicópteros.”
Enquanto pensava em fazer algo na cerâmica um dia resolvi fazer o barco. Porque gosto de barcos e tudo relacionado a mar. Terminei o barco e fiz a baleia, tinha sobrado argila para fora do meu pacote e sem pensar muito fiz a baleia. Na verdade eu queria fazer um peixe mas a baleia é um ser misterioso pra mim. Terminei tudo e voltei outro dia, minha prof diz que minha obra está meio solitária. É, acho que eu penso assim mesmo. Então vou fazer uma libélula, mas teria que fazer de outro material. Eu pensei em fazer de titânio, com minhas técnicas de joalheria, que permite cores. Neste mês fiquei bem ocupada escrevendo um texto sobre fotografia e espero poder contar sobre isso logo mais, mas ainda não sei se vai para frente. Por isso não ficou exatamente do jeito que eu queria (a libélula), mas fiz.
Então entrego a última parte da minha obra e prof diz que falta o título. Demoro meio século pra pensar em título. Não consegui. Acho que como estava envolvida demais com o texto e com a ideia da libélula, de fazer uma, estava cansada demais. Estava sem minhas ferramentas, sem maçarico, sem politriz e não dava nem pra ir até onde eu poderia trabalhar, não daria tempo suficiente. Deixei meu trabalho de lado o dia inteiro, estava exausta e frustrada porque não consegui aplicar esmalte nessa peça. (esmalte de joalheria) Então vem o dia da abertura e minha professora pensa no melhor título. O sonho do pai.
Só posso dizer que é uma grande artista. Eu não teria feito nada sem ela.
Claro que o toque que mais lembra meu pai na obra é o durepox que cola a libélula no barco, já que ele colava tudo com durepox. Fica a parte cômica do meu melodorama. (melodrama com toques de Kdrama pra quem não entendeu)
Então não tem nada a ver com fotografia, desculpa se decepcionei alguém. Tenho me ocupado com o texto em que tento entregar um pouco da minha visão sobre a fotografia alternativa e ao mesmo tempo estudando história da cerâmica coreana (porque talvez eu dê uma aula sobre isso)
Mas para falar um pouco sobre a alternativa – por isso o título – é sobre esse tempo que a imagem que precisa. É criar algo sobre o real que não necessariamente descreve o real, que transborda o que você é.
Pensar que essas ferramentas (hoje estou chamando os processos de ferramentas, porque é algo que te faz construir algo, não sei se é certo, tem feito sentido pra mim) podem abrir criações que vão além do tecnológico atual, que pode ser que funcione melhor em cima de um papel, de um metal ou até mesmo de uma cerâmica e que pode despertar um gatilho no momento certo. A argila e o metal têm me mostrado esse jeito de pensar também, que precisamos de algo fora do instantâneo pra perceber o que te sensibiliza.
(cheio de trocadilhos, foi sem querer mas gostei) 🙂
E quando eu dava aula no curso técnico eu dizia aos alunos que falavam de marcas de câmera. “qual comprar qual usar essa lente é boa” era o que eu ouvia. Muito. Eu dizia assim: ” A melhor câmera é aquela que você tem na mão.” Então pra completar eu diria: ” o melhor processo é aquele que você pode fazer, faça seu melhor” – dentro das suas possibilidades, do jeito que você consegue. (como diria Cortella)
E logo mais pode ser que role outra exposição relacionada a arte e K-pessoas.
(todos os meus textos eu dedico aos meus pais. Desejo que tenham uma vida com menos dor e sofrimento, no além, em algum planeta ou seja lá onde for)