Imagens em joias – ciano no PerséfoneLab

E a fotografia começou com um objeto que era algo parecido com uma joia.

E estou aqui esse mês inventando uma atividade relacionada a essas duas atividades que pratico: foto e joalheria. É uma ideia que eu e Camila do Perséfone Lab desde 2021 estamos pensando e conversando e tentando viabilizar.

Estudo joalheria desde 2018, fiz curso no Senai, na Espmix e no Atelier Marcia Pompei. Minha ideia inicial era de ter uma opção de atividade para a minha irmã na verdade, caso fosse necessário. Também fiquei com receio na época de não ter muito trabalho relacionado aos processos históricos (eu sempre busquei opções além da fotografia porque essa é meio que a realidade, ainda mais numa área tão específica como a minha) Mas a verdade é que eu amo metais. E curiosamente, desde o primeiro contato eu tive muita facilidade para lidar com o material. Com a cerâmica tenho meus problemas (não fica reto, eu sofro muito) mas o metal é preciso.

Acabou que achei muitas semelhanças de ser ourives e laboratorista.

E então vai rolar dia 23 de setembro o workshop de cianotipia em metais. Essa é a novidade que estou matutando faz um bom tempo.

detalhes aqui

A Camila Fontana conheço do Bacharelado de Fotografia, eu sabia que ela estava com a joalheria mas quando fui fazer um curso na Espmix em 2020 não sabia que era ela que daria o curso. Aí na aula descobri que era! Foi pouco antes da pandemia que a gente conversou. Depois ela fundou sua escola (perto da minha casa, o que achei incrível) e nesse ano havia conversado com um ex colega do Senai sobre a fotografia e a joia, porque ele queria aprender o anthotype. Por isso, fiquei pensando se a ideia era viável, até porque fiz curso de galvanização para fazer daguerreotipia (tentar fazer direito) e eu tinha feito o curso com a Cris Bierrenbach de dag, mas pra ideia da joalheria a galvanização necessária pra foto era algo meio incomum. Desde 2019 estava eu fazendo testes em placas de prata pura (bem pequenas) mas – pandemia – acabou com minha coragem por um tempo e voltei a testar só ano passado. Só não postei nada porque se não gosto eu apago a imagem (é, até hoje não gostei de nada)

Enfim, tem a ver com minhas pesquisas em materiais e objetos.

Vou dizer que não foi fácil chegar nessa ideia. Lidei com muitas inseguranças e ainda lido a respeito do que faço, se é prático ou não, principalmente depois desse 2020 que tirou quase toda minha vontade de fotografar. Parei de fazer fotos de arquitetura para dar conta dos cursos. Ainda estou num hiato de organizar a mente relacionada ao processo criativo com as imagens. Tenho fotografado menos pra conseguir entender o que eu quero. Me questionei por muito tempo se eu resistiria a isso.

Então hoje um rapaz me escreve perguntando se teria indicações de lugar para começar a trabalhar com fotografia. É advogado criminalista mas desistiu da profissão para manter a saúde e a sanidade. Lá no lab e em muitos lugares onde dei aulas recebi muitas pessoas que sofriam muito com o trabalho e os médicos recomendam alguma atividade ligada a arte ou cultura. (não passou da hora da gente pensar num mundo de trabalho que a pessoa não adoeça?) Pedi seu portfolio para passar a quem eu lembrasse que precisaria de algum assistente ou algum trabalho. Resolvi ajudá-lo porque no seu currículo ele faz trabalho voluntário. Ajudo a montar portfolio, aulas que eu dava no curso técnico. Por isso, lembrei de recomendar o curso da Etec de Artes, de Processos Fotográficos, que abre as inscrições perto de abril só. Se eu pudesse criaria uma escola de fotografia gratuita mas já existe essa 🙂

Enfim, não existe uma profissão certa. Parece que a gente faz o que o coração pede. 🙂

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