Estava escrevendo hoje para uma pessoa que conheci por causa da fotografia, o Fábio, que é advogado, estuda fotografia sozinho (por enquanto) Muita gente que entra em contato comigo ou faz algumas aulas não são da área da fotografia, muitas (muitas mesmo) vezes buscando essa área para dar um tempo ou sair um pouco da rotina do trabalho.
E ele me perguntou de bibliografia para fotografia preto e branco. Por isso resolvi colocar aqui minhas indicações.
Revelação em preto e branco: a imagem com qualidade. Millard Schisler – fotografias de Elisabete Savioli – sobre revelação, procedimento, um pouco sobre controle de tons. Tem fórmulas e recomendo para iniciantes, bem didático.
Trilogia do Ansel Adams: A Câmera, O negativo e a Cópia. – em inglês tem um dele que é sobre luz artificial. – eu adoro e indico muito. Para quem estuda música acho que é fácil entender como o Adams pensa na imagem, eu vejo assim. Tem gente que fala que ele é muito técnico, mas eu sempre tive a impressão dele ser mais poético para mim, não sei por quê.
El Revelado. C.I. Jacobson – em espanhol. Não terminei de ler, mas é uma referência que muitos amigos mais experientes na fotografia me indicavam.
Interpretacão da Luz: o controle de tons na fotografia preto e branco. João Musa e Raul Garcez – curtinho e bem interessante. Fora que eu acho as fotos dos dois autores muito lindas. Admiro muito o Garcez, que pouca gente conhece, maior parte conhece mais o Musa. Acho que o trabalho dos fotógrafos brasileiros podia ser mais estudado.
A World History of Photography – Naomi Rosenblum – minha musa. Sobre a parte histórica prefiro mesmo o livro dela a outros estudiosos anteriores a ela. Parte da minha preferência pode ser explicada na referência abaixo.
Na verdade sobre história da fotografia tem muitas questões relacionadas a historiografia. Para quem curte, recomendo buscar um texto da Ya’ara Gil Glazer – em inglês – The challenges of contemporary histories of photography.
Ontem eu li uma dissertação que falava sobre história da fotografia porque eu estava procurando referências sobre história né, afinal. Já que tinha a palavra-chave de fotografia internacional fiquei buscando algo sobre Ásia – sabendo que provavelmente não teria. E não tinha mesmo.
Também apesar de pesquisar uma coisa aqui e ali percebi que nunca escrevi sobre o assunto neste blog. Desde uma palestra em 2005 comecei a pesquisar timidamente algo sobre processos históricos no Japão e Coreia – mas naquele momento não tinha muito acesso a material sobre o assunto. (vou comentar e apresentar mais sobre o contexto da palestra depois, já que preciso procurar minhas anotações da época)
Esta imagem na palestra foi atribuída a Felice Beato, achei hoje num site que diz que é cópia em albumina, cerca de 1880. Outro site dizia ser de 1900.
Muitos elementos me fizeram pensar sobre a imagem. É uma cena quase teatral, nesse período histórico algumas imagens eram produzidas no Japão para serem vendidas a estrangeiros. O recorte é típico de imagem estereoscópica, mas talvez não fosse esse o caso, com o arco acima. Lembro-me que na palestra foi comentado sobre o registro da chuva serem riscos na própria imagem o que aplica mais ainda a noção de algo teatral. A colorização sempre me confundiu um pouco. Até que ponto a ideia de aplicar cor em cima de uma fotografia ajuda ou não na leitura da imagem, sendo que cores nesse momento histórico deviam ter uma carga social, no sentido de que muitos tecidos eram caríssimos devido ao tingimento especial e às vezes até associado a um tipo de status (não pesquisei isso muito a fundo ainda). Também, não sei até onde a colorização ajuda a distrair sobre uma realidade e história fotográfica, tenho pensado sobre isso.
Mas essa foi uma das primeiras imagens que me levaram a refletir sobre as imagens especialmente do leste asiático.
Quero só iniciar uma pequena conversa e apresentar algumas imagens, já que tem sido importante para mim apresentar que houve uma história da fotografia neste contexto geográfico, mesmo que trazida pelos europeus. E que de certa forma algumas leituras sobre a Ásia têm me incomodado. Mas isso vou deixar para uma próxima postagem.
Aqui no Brasil eu sempre me senti fora do ninho – como qualquer asiático-brasileiro se sente – para os brasileiros somos o outro, para os asiáticos somos o outro – uma vez na Europa o europeu achou estranho que eu era brasileira e ficou inconformado. Ou seja não somos nada para alguns outros, então me reservo no direito de me considerar bem brasileira. Sempre vai ter aquele que te exclui. Assim como sempre vai ter aquele que te agrega. Acredito que o modo como te tratam diz muito como a própria pessoa inquisidora se enxerga.
Como não tive muitos familiares, agreguei minha família de outras formas, justamente por aqueles que nunca me viram como o outro. (muito obrigada à minha família pernambucana e minha família cigana, não temos laços biológicos mas temos outros muito mais fortes)
Desde criança também as pessoas amigas mais próximas acabaram sendo em grande parte muitos descendentes de japoneses. Talvez por causa da escola, muitas vezes, muitos amigos sempre foram eles. Os descendentes de japoneses me ajudaram e foram pela minha família ajudados. Por isso vou misturar um pouco as etnias aqui.
Por todos esses fatores fica difícil para mim somente falar de imagens de um país ou outro. Ainda acho que a história da fotografia coreana tem pouco alcance para mim. Nesse sentido comecei a refletir sobre algo que tenho estudado faz alguns anos mas que ainda estou engatinhando nesse assunto.
Na área do fotojornalismo, tem uma imagem que quero compartilhar. Esta abaixo, é uma foto histórica, tirada pelo jornalista canadense Frederick Arthur MacKenzie em 1907 que mostra o Exército dos Justos da Coreia – momento histórico lindamente retratado de modo ficcional baseado em fatos históricos na série do Netflix “Mr. Sunshine” – que era composto por civis e lutavam nesse momento para defender o país. Na história do país sempre surgia um momento em que os civis entravam como exército adicional e o jornalista buscou apresentar a história de luta.
Digitalizado do livro do jornalista Frederick Arthur MacKenzie. Wikipedia
Claro que estou só fazendo uma pequena introdução sobre algumas das imagens que me levaram a fazer essa pesquisa e por isso não estou obedecendo temas ou períodos históricos específicos, todas essas imagens merecem mais atenção e pesquisa ( que é o que eu estou fazendo mas estudar com próprio patrocínio requer tempo e organização)
Pilot, 1952 – da fotógrafa chinesa Niu Weiyu
Tenho pesquisado mulheres fotógrafas e admiro muito o trabalho desta fotojornalista. Ela inicia seu trabalho na década de 40.
E um fotógrafo mais ou menos da mesma época que Niu Weiyu, Han Young Soo.
Numa aula esse mês foi colocado o trabalho do Robert Frank e o pós guerra nos Estados Unidos. Eu fiquei pensando muito nas imagens de pós guerra do Japão e nessas imagens do mesmo período na China e na Coreia. Por isso resolvi postar algo sobre imagens do Leste Asiático.
Fotografia do fotógrafo japonês Daido Moriyama. também desse período histórico.
Só uma pincelada sobre o que tenho estudado e tenho reunido material sobre. Me desejem sorte nessa empreitada.
Devia ter uns 8 anos quando vi esse documentário. Deve ter sido o primeiro que vi em minha vida, lembro da sala de algumas cenas. Acho que essas coisas tão cedo mudam e constróem a gente.
Fiz cinco oficinas de construir a câmera obscura com crianças nesses últimos meses e fico sempre imaginando como eles sentem isso e qual será a diferença no futuro de ter feito algo assim tão cedo. Imagino que seja mágico. Para mim ainda é.
E no Sesc Vila Mariana vai ter uma conversa com o diretor do documentário Entre Rios e algumas atividades especiais sobre buscar os rios esquecidos em SP. Legal para entender que alguns problemas na cidade poderiam ser evitados se não lutássemos contra a natureza, mas agir como se fizéssemos parte dela.
Gosto muito de pesquisar sobre o Anhangabaú, que no tupi significa rio ou água do mau espírito, pois os índios bebiam das suas águas e ficavam doentes. Ainda se vê água rolando pela cidade, ciclistas urbanos fazem o curso das águas, os caminhos mais fáceis de percorrer. A história está aí e continuamos errando..
Exposição de fotografias do Edison Angeloni na Galeria Olido – corredor térreo que liga a entrada da Avenida São João e a Rua Dom José de Barros. Com o apoio da Secretaria da Cultura, Prefeitura de São Paulo e da Galeria, oito imagens estão ali para quem percorre aquele espaço de rápida transitoriedade, buscando a reflexão sobre o tempo.
Quem quiser conferir, estará até dia 15 de agosto de 2012.
Passo um monte de referências de fotógrafos durante as aulas e achei legal deixar a lista aqui para compartilhar tanto com alunos como com demais interessados e ex-alunos.
– Flávio Damm
– Elliott Erwitt
– Philippe Halsman
– Henri Cartier Bresson
– Martin Parr
– Terry Richard
– Michael Kenna
– Miguel Chikaoka
– Richard Avedon
– Asa Sjostrom
– Arko Datta
– José Yalenti
– Luiz Braga
– Tuca Vieira
– Claudio Edinger
– Evgen Bavcar
– Duane Michals
– Cristiano Mascaro
– Haruo Ohara
– Geraldo de Barros
– Lynn Goldsmith
– Izis Bidermanas
– Jacob Riis
– Nadav Kander
– Steve McCurry
– Nadar
– Eugene Smith
– Corey Arnold
– Yann Arthus Bertrand
– Andreas Reinhold
– Joel Meyerowitz
– Francesco Zizola
– Marcelo Greco
– Pedro Vasquez
– Araquém Alcântara
– Annie Leibovitz
– David La Chapelle
– Henri Lartigue
– Patrick Demarchelier
– Michael Wesely
– Edward Muybridge
– Mario Testino
– Mark Seliger
– Robert Frank
– Paolo Roversi
– Horst
– Robert Doisneau
– Mario Cravo Neto
– Diane Arbus
– Vivian Maier
– Francesca Woodman
– Chuck Close
– Julia Margareth Cameron
– August Sander
– Hiroshi Sugimoto
– Alex McLean
– Anton Jankovoy
– Gjon Mili
– Ernst Haas
– Eric Staller
– Cassio Vasconcelos
– Gregory Wood
– Daniel Ducci
– Sergio Ferreira
– Nelson Kon
– Irving Penn
– Daniel Ozana
– Sam Wood
– Cecil Beaton
– João Musa
Essa é só uma parte dos nomes que cito durante o módulo I e II Do Sesc Belenzinho. Nem dá pra colocar todas as fotos aqui de uma vez, aos poucos vou postando.
Uma referência que vale citar, que também está entre um dos nomes que cito, Martin Munkacsi.
O tratamento digital pode tentar imitar as características de tal tipo de negativo, de cromo, de polaroid, mas não tem jeito. Pra mim é muito mais valioso aquele efeito que a luz confere aos materiais químicos e o resultado… o resultado é lindo.
Aqui uma foto de Brigitte Bardot na França no Festival de Cannes de autoria de Kary Lasch.
As cores e mesmo seu deterioramento é o que se baseia e são simulados por muitos aplicativos de fotografia, mas o princípio é isso. é analógico e não vamos ficar dando voltas. O digital fica bom porque é baseado no filme.
Não digo que a tecnologia é ruim, só que a película é superior.
Um livro que gosto muito é o Paisagens Urbanas de Nelson Brissac. Para refletir e pensar sobre a cidade, como a vemos, como sentimos.
Estava pesquisando sobre o Rio Anhangabaú e pensei em como os rios de São Paulo não são visíveis. Difícil enxergar rios, horizontes e gentilezas nessa cidade.
“O olhar hoje é um embate com uma superfície que não se deixa perspassar.Cidades sem janelas, um horizonte cada vez mais espesso e concreto. (…) Sobreposição de inúmeras camadas de material, acúmulo de coisas que se recusam a partir. Tudo é textura: o skyline confunde-se com a calçada; olhar para cima equivale a voltar-se para o chão. A paisagem é um muro.
Paisagens Invisíveis página 13 – Nelson Brissac Peixoto