Materiais Fotossensíveis – o que tem rolado

Raramente consigo mostrar um pouco do que tenho feito nas atividades em curso. E no Sesc Paulista nem consegui tirar muitas fotos. A atividade vai até o final de abril, aos sábados a partir das 10:30h

Minha ideia inicial foi trazer um pouco do que é possível fazer num laboratório, para apresentar a quem nunca fez fotografia fotoquímica. Então sais sensíveis à luz – ferro, prata entre outros. Minha ideia inicial era trabalhar com o chromatype – só que ele é muito lento e não bate muito sol direto. Por isso tive que adaptar com técnicas similares, só que mais rápidos.

Olha, dá para ver o palco lá embaixo e as prensas esperando um sol 🙂

Eu fiz um percurso de pré-fotográfico até uma adaptação aos materiais atuais.

Acaba tendo cianotipia, algum outro processo químico – é que tem dias que eu me empolgo e levo algo mais legal – se o chromatype funcionar um dia seria legal, ou um van dyke, papel preto e branco.

Testo coisas diferentes se caso não houver sol.

Fiz Cianotipia, Gomas, Lumen prints. Se precisar de algo mais profundo acho que coloco um van dyke.

Sábados, de março até final de abril.

🙂

Materiais sensíveis no Sesc Paulista

Uma atividade livre no Sesc, sábado 10:30h a 12:30h retirada de senha 30 minutos antes

Começa 07/3 – atividade de um dia só, vai até 25/4

https://www.sescsp.org.br/programacao/experimentos-com-materiais-fotograficos-e-fotossensiveis

Para explicar um pouco desta atividade. Pensei em algo que fosse possível apresentar algumas propriedades dos materiais que utilizamos em laboratório, mesmo sem estar em um. É mais voltado a quem não teve nenhum contato com materiais fotográficos químicos. Apresento diversos materiais que reagem à luz e um pouco, como sempre, de sua história.

Como no primeiro encontro – dia 7/3 – não tinha nada de sol, utilizei a caixa de luz UV, mas a proposta é colocar algo no sol dentro do possível.

Devido à instabilidade climática atual, tive que adaptar para materiais um pouco mais sensíveis do proposto inicialmente, então neste próximo sábado 14/3 levarei outros tipos de reagentes.

Para esta atividade pensei muito numa introdução aos processos alternativos, já que trabalhamos com materiais pré-fotografia, do início da história da fotografia e do século XX.

Cianotipia, Van Dyke e Papel Salgado no Sesc Pompéia

Seguimos com mais uma atividade no Pompéia lindo.

Quintas-feiras, 19h às 22h.

26/3 a 02/07

Inscrições serão a partir do dia 13/3 para credencial plena

https://www.sescsp.org.br/programacao/fotografia-alternativa-cianotipia-van-dyke-e-papel-salgado-introducao-2

Mais um pouco sobre cianotipia, botânica e história

Eu tive e tenho muitas plantas. Hoje fiquei um pouco nostálgica dos meus pés de café, minha grumixama, meu lindinho pau-brasil, que tive que me desfazer durante a pandemia. (vou adotar tudo de novo)

Como alguém que sempre se viu meio sem raízes aqui, eu adotei de verdade as raízes brasileiras como minhas, com as plantas. Por isso acabo pesquisando tudo que é nativo, quero saber a história.

No mini curso desta semana no Sesc, trabalhei junto com a biológa Beatriz de Castro, com identificação das plantas dos arredores do Sesc e depois fizemos as cianotipias no laboratório do Pompéia. Bia mostrou como se faz a coleta adequada com materiais de fácil acesso e os cuidados necessários com as plantas. Levei todo o material na saída e organizamos lá mesmo os cuidados com as amostras.

Bia explicando sobre a coleta. Praça Cornélia – Pompéia

Eu sou devagar e quando fiz uma visita ao bairro no final do ano passado, demorei para me interessar nas plantas porque eu estava muito focada em espécies nativas. Sorte que o pessoal é mais rápido que eu e assim que chegamos, já foram buscando espécies para prensar. Se fosse eu fazer paisagismo ia achar muito mais bonito plantas frutíferas a esses arbustos que pinicam, mas sou eu.

Em praças bem pequenas senti dificuldade em encontrar espécies que não fossem de paisagismo, mas na Cornélia tinha uma boa variedade. Meu trajeto contava com rua Faustolo até a praça ao lado do Allianz, mas não deu tempo de andar até lá. Na rua Coriolano tem muitas árvores, só que achei que era tudo muito alto e não conseguiríamos coletar muito por lá.

Lembro de ter pesquisado a história do bairro, que assim como muitas regiões começaram com chácaras, que teve início em 1910. Uma pena que o modo como alteramos e construímos a cidade não deixe margem para o respeito com a vegetação. Como meu pai também teve seu crescimento com plantas, havia muitas árvores em casa, e ele tinha a hortinha, que acabei fazendo também. Cresci com meu pé de abacate gigante e tenho saudades dele, que em algum momento adoeceu.

Nos outros encontros, ficamos no laboratório do Sesc. Desta vez utilizamos a fórmula da cianotipia com o reagente marrom, porque como é o mais fácil de encontrar, achei que seria melhor experimentarem com algo que seja replicável sem muitas dificuldades.

importante destacar que nem todo citrato férrico marrom é igual. pode variar muito de lote para lote. usamos o mais claro.

O reagente mais escuro deve ser bem menos sensível. Eu lembro que quando recebi esse, já vi tempos muito longos de exposição. E não adianta pensar que um mesmo fabricante será sempre melhor, mesmo com os reagentes que utilizo para fotografia preto e branco, me parece que tem uma diferença considerável em alguns momentos. Para os de cianotipia com certeza será mais crítica a diferença possível.

Minha conclusão: acho que podia ter mais cereja-do-rio-grande, jabuticabas, grumixamas e goiabas (apesar de uma parte da Faustolo ser quase só de pata-de-vaca e goiabeiras) entre outras. Queria ter encontrado mais pancs (plantas alimentícias não-convencionais) e mais flores.

Acho que esse olhar para a cidade pelo recorte ambiental é bem importante para pensar nos espaços urbanos e na qualidade de vida. Apesar de até ter bastante praças onde eu morava na Lapa, eu tive muitas crises de laringite e sinusite naquela época e quando morei na Bela Vista. Voltando aqui para região do Butantã, nunca mais tive crises.

Eu falo que não tô pegando mais nada, nem resfriado. 🙂

Cianotipia e a Pesquisa Botânica – Sesc Pompéia

Teremos mais um curso no Pompéia, desta vez na programação do meio ambiente. Farei junto com a bióloga Beatriz de Castro a atividade de coleta de plantas do entorno da unidade e utilizá-las como matriz para cianotipias.

Dias 17 de janeiro sábado 14h, 21 e 22 de janeiro quarta e quinta-feira 19-22h.v

Inscrições a partir do dia 7/1 às 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/cianotipia-e-a-pesquisa-botanica

Basicamente é um estudo botânico e catalogação de plantas, o que considero uma grande e bonita lembrança do trabalho de Anna Atkins. Para isso, trabalharei em conjunto com a bióloga Beatriz de Castro e agradeço muito o pessoal do Sesc por permitir um trabalho como esse, que me permite olhar para a ciência e a fotografia, lembrando de uma botanista/fotógrafa, primeira a publicar um livro de fotografias.

Curso 2º Semestre 2025 – Sesc Pompéia

O curso do Sesc Pompéia inicia em agosto – agora – e as inscrições serão no dia 6/8 para credencial plena e 13/8 para público geral. Sempre a partir das 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/anthotype-lumen-print-e-cianotipia-processos-fotograficos-artesanais

O curso vai ser um pouco diferente neste semestre. Serão 8 aulas, resolvi fazer técnicas mais possíveis de refazer em casa. E o curso começa bem no dia da fotografia então estou pensando se consigo fazer algo para comemorar a data com o pessoal nesse dia 🙂

Aproveitando que tem dia mundial da antotipia e dia mundial da cianotipia logo mais, seria interessante pro pessoal praticar essas técnicas nesse momento do ano.

Exposição Suportes da Memória – MIS

Esta semana depois da aula no Sesc Pompéia fui ver a expo que acontece no Museu da Imagem e do Som. Já queria ir para ver a exposição permanente de câmeras e do German Lorca que estava adiando e dei uma corrida lá na terça-feira (que aliás é entrada gratuita neste dia da semana)

Eu sabia que teria a exposição de alguns itens do acervo e de processos históricos. Fiz stories no instagram e muita gente me perguntou onde era, apesar de eu ter marcado o Museu. (especialmente pela parte das câmeras) Pelo que entendi, fica até dia 22 de junho de 2025. Não consegui colar o link do site deles aqui – não permite visualizar por link incorporado. Segue endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa
São Paulo – SP – Brasil
CEP 01449-000

Adorei ver as imagens em albumina das represas da Cantareira – eu amo esse lugar – uma sala com a fala do Boris Kossoy sobre o trabalho do Hercules Florence, que acho que a gente devia dar mais atenção a ele. Os autocromos são necessários, as estereoscopias devem ser legais de ser vistas, gostaria de poder enxergar em 3D, minha mais nova mania.

a sala com o vídeo do Boris Kossoy

Os negativos em vidro

Tem a exposição permanente de câmeras

Breve História das Técnicas Fotográficas – Sesc Belenzinho

Em maio inicia um curso que eu gosto muito e dessa vez vai ser no Belenzinho.

As inscrições abriram ontem e é possível se inscrever pelo site ou app para credencial plena e para público geral será amanhã.

Datas: 29/05/2025 a 26/06/2025v quintas-feiras

Das 19h às 22h

https://www.sescsp.org.br/programacao/breve-historia-das-tecnicas-fotograficas

Eu tenho um carinho especial por esse curso porque história é muito legal.

Acredito que entender um pouco sobre o que se fez e como surgiu faz sentido para pensar em criar algo para o futuro. Ainda mais nesse país que teve um inventor da fotografia que ficou há muito tempo sem créditos.

Ciano, Antotipo e Foto PB no Belenzinho

Mês de abril tem mais um curso de fotografia no Sesc Belenzinho (Maio também tem)

Desta vez convidei o João Moreira pra falar um pouco sobre suas experiências e compartilhar o conhecimento sobre fotografia que ele têm pesquisado. O João é fotógrafo e ainda não trabalhava com fotografia até então, mas eu estou incentivando ele não somente como professora mas também porque vejo que ele é um pesquisador da fotografia. Vamos desenvolver quatro projetinhos neste curso: caderno com capa de ciano, marca-páginas a partir de antotipia, postal com lúmen print e fazer um retrato em papel PB.

Dia 24/4 a 22/5 – exceto dia 1º de Maio – das 19-22h

Sesc Belenzinho

https://www.sescsp.org.br/programacao/ciano-antotipo-e-fotografia-pb

ciano = a + b ou a ou b ?

Algum tempo atrás, enquanto eu preparava uma aula para o Sesc Pompéia e peguei um frasco de reagente para cianotipia, vi que tinha três frascos com datas de validade muito diferentes. Pra garantir que funcionaria naquele momento da aula, peguei o que sabia que estava bom mas surgiu a dúvida sobre os outros dois.

Aí num dia, enquanto aguardava os inscritos no curso chegarem provavelmente, resolvi preparar alguns mililitros de cada um para passar em um papel e fazer o teste. Terminou o curso, guardei o papel, esqueci na pasta. Virou o ano e ainda não tinha feito o teste.

Com a minha última mudança ficou um monte de material pra organizar. E sexta-feira estava organizando todos os meus resultados e papéis para utilizar. Achei esse papel e pensei – este final de semana é um bom momento para isso. Agosto e setembro começaram meio lentos de trabalho externo por aqui. Mas outubro mal começou e enfim tenho novos projetos que sei que tomarão mais dedicação minha.

Num papel neutro apliquei o reagente de 2014, 2003 e 2020. Coloquei um negativo qualquer e deixei exposto ao sol por um tempo.

pela diferença de tonalidade após a exposição parecia que ia dar diferença
acima 2014, meio 2003 e embaixo 2020

Ou seja, qualquer um dos três daria algum resultado. Então posso utilizar sem risco de não dar algo certo quanto aos seus funcionamentos. Levando-se em conta que foi um papel preparado na pressa e as quantidades em cada pedaço do papel não estão exatamente iguais.

Agora a explicação.

Muitos anos atrás eu ficava me perguntando algo que acredito que todo mundo que faz essa técnica há algum tempo deve ter se questionado. Precisa das duas partes? E se tiver só parte A? E se tiver só B? e se colocar mais de A ou mais de B?

E a esse respeito já explico faz um bom tempo durante as aulas. Existem várias formulações com proporções diferentes, existem variações de reagentes, fora o que já comentei sobre fatores externos que podem influenciar no resultado.

A verdade é que esta técnica pode ser realizada com os reagentes isolados, porém não funcionarão tão bem como da forma mais comum, parte A e parte B.

Neste teste utilizei apenas o ferricianeto de potássio (sim) que solo, vai demorar muitas horas mas forma o azul, de tonalidade talvez mais clara, tempo de exposição muito mais longo mesmo.

Então hoje eu acordei, vi o sol saindo e já coloquei lá fora. Voltei 18h para casa e processei a imagem.