Tudo se passa por ilusão especular

Escolhemos a fotografia por conta das coisas boas que ela oferece. Podemos guardar fotos de parentes e amigos, eventos dos quais queremos lembrar, acontecimentos importantes. Ela pode te chamar a atenção por ser tecnicamente incrível, com luzes super bem equilibradas, peles mais lisas que superfícies polidas. Deixa pessoas  bonitas, ou mais bonitas ou mais estranhas..

Lembro bem de ter visto uma foto publicitária e daí percebi que realmente era isso que eu queria. Queria entender como se controla a luz, e naquele tempo para se buscar uma boa foto não existia pós processamento massivo como hoje, então fui buscar esse conhecimento. Mas alguma coisa no meio do aprendizado me fez perceber que não era só isso que eu queria buscar.

Bons professores me verteram o olhar para o campo mais bonito da fotografia. O poético e a percepção da imagem.

Ministrar aulas é algo assim. A gente ensina porque quer aprender. Eu gosto de ver e acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e o processo criativo. De certa forma, gosto de acompanhar os alunos através de suas imagens.
Nisso, vemos como a pessoa pensa, como resolve, ou como ativa sua imaginação.

Eu buscava o conhecimento técnico. E fui surpreendida com as outras questões que a fotografia lança.

Certa vez me perguntaram se não há encontros sobre crítica de fotografia. Eu não sei. Não tenho o costume de procurar muitos eventos. Pensei que seria legal enfim deixar aqui uma lista de livros que gosto de ler, já que não tenho encontros para indicar, mas pensar em crítica de fotografia nos leva a fazer leituras, e no fim elas são necessárias para compreender o uso da imagem, perceber a ilusão que pode estar contida.

Um livro que foi reeditado agora – Finalmente! – é do Arlindo Machado – Ilusão Especular. Tipo de livro: necessário.

Gosto muito do O mundo codificado – Vilém Flusser. Este é mais associado ao design, bem sensorial, porém me serviu muito para pensar na época do TCC.

Paisagens urbanas – Nelson Brissac Peixoto. Só o título já explica tudo. Muitos trabalhos no início eram de paisagem, de cidade. O primeiro trabalho que me inspirou muito foi de Alexsander Rodtchenko, por isso a leitura desse livro se fez necessária.

E por conta de paisagens e cidades acabei me deparando com As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Pra quem não conhece, não é um livro de fotografia, é literatura. Tem tudo a ver com paisagens, sentir as paisagens com as palavras.

Eu dou aula de processos históricos, ou seja, tem a ver com o decorrer da evolução de técnicas fotográficas. Cada uma surge num momento da fotografia e cada vez ela se tornam mais definidas e de melhor qualidade.

Começo sempre falando de história da fotografia. Uma vez ouvi de uma participante que história da fotografia é chato. Essa provavelmente será a temática do próximo post.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A fotografia no Brasil

Estava escrevendo ( e consequentemente lendo) alguma coisa sobre fotografia e em algum momento eu precisava escrever sobre a fotografia no Brasil. Daí que me dei conta que não achava um bom texto sobre o uso da fotografia por aqui no século XIX. Uma coisa que preciso pesquisar mais profundamente. Está certo que há livros bons, como a pesquisa de Boris Kossoy sobre a fotografia de Hercules Florence, mas técnicas, empresas, uso, fabricação de câmeras ainda está em aberto para mim.

Vou procurando, um dia acho.

Até hoje temos dificuldades em acessar algumas coisas relacionadas a fotografia nestas terras. E isso é histórico, Florence sentiu desde lá atrás. Recentemente perdemos a fabricação nacional do filme gráfico da IBF, ou seja, novamente algum material que só podemos comprar lá fora. Ano passado fui comprar filmes da Fuji e assim me disseram que agora somente chegará o filme importado.

Gosto muito dos livros de Vilém Flusser. Esta semana fui tentar comprar o livro dele e não tem! Só nas Europas.

Ao menos de anthotype a produção pode ser nacional…

 

e assim o mundo me afeta..

 

minha casa, meu trabalho

minha casa, meu trabalho

Em mês de pinholeday me inspirei em fazer a imagem aparecer nas paredes de casa.

Daí fui colocar o tecido blackout na janela. Algum vizinho deve ter estranhado. “A moça colocou uma cortina furada?” Não não… não é para tapar toda a luz bonita daquela manhã inspiradora. Para organizar seus raios de forma que invadissem o escritório de um jeito que se pudesse perceber o que está lá fora. E que de certa forma me atinge e me faz entender o que é a essência.

Daí depois desse episódio sinto que o vizinho me olha meio incerto…

 

 

a fotografia e o poder.. da memória

Eu tinha um tanto de filmes para revelar e revelei compulsivamente semana passada. Daí digitalizei quase tudo, algo que tenho feito por muito tempo nesses últimos dias, com a intenção de organizar melhor meus arquivos.

E vi fotos que nem lembrava, obviamente. Foi duro ver as imagens do meu finado cão aparecerem, das alegrias de uma saída fotográfica na praia, de lugares que visitei que parecia outro país… e era o centro de SP, que lugar lindo… Revelei ao menos 3 praias diferentes, um rio, 3 saídas fotográficas, duas cidades do interior, e um monte de retratos.

Fiquei pensando se alguém gostaria de fazer isso comigo. Revelar filmes coloridos.

No ano de 2000 aprendi a revelá-los na mão. Dá um pouco de trabalho. Mas é uma felicidade só.

Quem sabe mais para frente aparece um curso desses por aí..

 

Foto: Paraty com Foco Flow! Pinhole 35mm revelado na unha!

Pinhole Paraty Beth Lee

 

 

Revelação Cor

Revelar o próprio filme sempre foi uma das minhas vontades. Revelar filme colorido então era algo como o caminho a se seguir, quase como uma filosofia de vida. Fazer o que faço com os processos históricos então, é a própria vida, que faz sentido para mim.

Recentemente surrupiaram minha câmera digital, mas nem fiquei tão triste como achei que ficaria. Triste foi perder as fotos de documentação das minhas aulas, que tinha tirado dois dias antes do acontecimento, e da palestra do mestre Kenji, que não consegui nem ver.
Mas isso me fez perceber que o mais importante nunca vão levar, que é justamente meu trabalho, os conhecimentos que acumulo.

Vou documentar minhas aulas com filme.

A revelação cor se diferencia em alguns pontos da revelação preto e branco. A química é bem diferente. Temos o Revelador C-41 para filmes negativos, em seguida o Branqueador e o Fixador. O processo é feito numa temperatura maior, 38 graus Celsius, e de preferência separamos tanques que não são utilizados para PB, para se ter maior controle.
Para revelar cromos usamos um banho chamado E-6, e são seis químicos para esse processo, que num próximo post pode ser mais bem descrito.

Esses químicos são mais tóxicos, deve-se tomar maior cuidado utilizando equipamento de segurança adequados. Máscaras preferencialmente com filtros de ar, luvas, óculos e avental, e manusear em local ventilado.

Podem ser comprados na Revela Photo na Barão de Itapetininga 216 e algumas vezes se encontra na http://www.dinashop.com.br os kits da Tetenal.

A agitação é bem diferente. Não se deve criar bolhas, como fazemos no PB, giramos o tanque para passar pelo filme.

E seguem os tempos:

Em banho-maria a 38 graus
Pré lavagem – 1minuto e 15segundos
Revelador – 3 minutos e 15 segundos
Branqueador – 4 minutos
Lavagem – 2 minutos
Fixador 4 minutos
Lavagem 4 minutos

Deve passar ao final um produto chamado Estabilizador, funciona como um Photoflo.

Existem algumas máquinas que fazem todo esse processo, a mais bonita é a Jobo.

Olha que linda... jobo do senac

Olha que linda… jobo do senac

Foto de Câmera Descartável:

Bom Retiro - 2012 - BethLee

Bom Retiro – 2012 – BethLee

Atualizações

Ontem abriu uma exposição sobre Fotogravuras de Paul Strand e do Camera Work, contendo imagens de Annan, Coburn, Meyer e Steichen no Instituto Tomie Ohtake. Fiquei sabendo pelo mestre Kenji e saí da mostra com a alma lavada. A alma e o corpo, pois chovia bem.

Legal é que saí da Sala de Ideias, tinha acabado de instruir sobre o anthotype para o Cidade Invertida. Peguei muita chuva, Fui ao Tomie e encontrei pessoas incríveis, fui para casa, estava passando um documentário sobre Annie Leibovitz na Cultura. Já tinha ficado a manhã inteira pesquisando meus processos “escondidos” difíceis de encontrar e de entender. Me deparei com o nome de L. Hill que em 1850 inventou o daguerreótipo em cor, foi acusado de ser uma fraude e só depois de muito tempo descobriu-se que era um gênio. Lá vou eu de novo, buscar esses processos que ninguém queria saber.

As atualizações dessa semana são: Só temos duas aulas de processos históricos no Pompéia restantes, vou postar algumas coisas que a gente tem feito durante as aulas. Queria ter postado mais, mas foi difícil. Estou atualizando no novo blog das oficinas que contém informações de todos os outros cursos do Sesc, então vale a pena dar uma xeretada, ver o que está sendo oferecido e acompanhar o desenvolvimento das aulas.

http://oficinas.sescsp.org.br/

E Amanhã começamos mais um módulo no Sesc Belenzinho, sobre “Leitura e Possibilidades da Fotografia” Achei interessante mostrar o que foi realizado durante a história da fotografia como técnicas e quais as possibilidades de hoje, experimentando um pouco de anthotype, quimigrama, foto scanner e pinhole, envolvendo o analógico e o digital, por que não?

Não vamos jogar todo o conhecimento que se construiu nesses últimos séculos né?

Vai aqui uma das minhas propagandas de papel fotográfico preferida. Porque é assim que a fotografia deve ser… 🙂

Felicidade é ter uma fotografia em Kodabrom... rsrs

Pinhole

Gosto muito de fotografia. Gosto mesmo.
Quando comecei a fotografar não sabia da técnica pinhole.
Se eu soubesse disso antes meu mundo seria muito mais colorido. Imagina só aprender desde criança que se pode fotografar com
uma lata? Teria feito horrores.
Demorei a aprender fotografia pela falta de grana para comprar uma câmera. Comprei a primeira, a segunda… gastei uma grana.
Depois de uns anos, só fotografava com pinholes. Nem precisava de tantas câmeras afinal…
Na época de TCC fiz umas 7 câmeras de caixa de fósforo. Tenho de caixa de madeira, de lata…
Não importa de qual material seja. Se uma 4×5, Hassel, de papelão… amo todas elas do mesmo jeito.

Imita a arte?

Lendo o jornal online, apareceu uma notícia de 2010 sobre o furto ao Banco Central em Fortaleza.
Um caso de amor que desmantela a quadrilha, tudo foi cinematográfico. São ações que facilmente dariam um filme. Esse encantamento com as imagens é curioso, e gosto de pensar nisso. Mas achei engraçado uma matéria de jornal começar assim, e terminar de um jeito meio Nelson Rodrigues, “Quando a PF teve convicção de que sete dos acusados de furtar o banco eram da cidade, Nicodemos, o forasteiro que chegou com a conversa de formar família, sumiu. Talvez até hoje a mulher abandonada não saiba que, na realidade, viveu um falso caso de amor.”