Em 2014 Luis começou a me escrever perguntando de químicos de cianotipia. Perguntou dos preços dos kits. Alguns meses depois disse que comprou os químicos por conta e tentou fazer muitos cianotipos com muita perda de papel e químico. Ele achava que não tinha preparado o material químico do jeito correto.
Do Rio Grande do Sul, parecia que os recursos para pagar uma aula em São Paulo devia ser inviável, comecei a perguntar como estavam suas produções de cian. Resolvi naquele momento, ensiná-lo à distância, desde que ele me mostrasse seu desenvolvimento. Minha vontade sempre foi conhecer todos os Estados do Brasil, então eu tinha a esperança de um dia conhecê-lo. Nunca imaginei que desde então se tornaria um dos meus melhores amigos.
Luis, 80 e poucos anos e muitas dúvidas sobre cians. Foi entre muitas ocupações, arte educador na periferia, correu dos 50 até os 70 quando foi atropelado, desde então nadava e me escreveu que seu maior acerto na vida foi sua esposa.
Sei que você é tímido e estou expondo um pouco a sua vida mas achei que valia contar de alguma forma.
Seus cians estavam realmente um tanto fracos, mas não era nada muito absurdo. Acredito que era porque o resultado que queria precisava de um material específico, ou seu olho já estava pedindo um resultado melhor.
Nos correspodemos por oito anos, parando um pouco depois que descobriu um câncer. Luis parecia desanimado mas estava sempre nadando. Eu também não quis insistir, quando percebi que ele parecia cansado de falar da saúde que junto com a pandemia o deixava um pouco mais ansioso.
Um dia perguntei a ele sobre ideias e nomes para seu projeto com a cianotipia. O título: Vôos e mergulhos. Na justificativa me deu uma resposta típica de alguém que parece ter depressão. Não faço ideia e nunca vi uma foto de seu rosto. Mas não era algo que me incomodava. Não imagino como ele aparentava mas nunca parei para pensar muito.
Ontem eu escrevi para ele para ver se ele ia querer me responder. Agora que eu percebi que a mensagem retornou. Você deve ter já uns 89 anos, meu amigo. Espero que a doença não tenha te machucado muito. Que ainda faça muito vôos e principalmente mergulhos, que parecia que era o que você mais gostava. E espero que esteja em paz.
aqui, a primeira imagem que me enviou nos nossos estudos.
No entanto é tão importante pra mim, que se eu tivesse que escolher novamente entre um processo mais famoso e outro pouco conhecido, definitivamente continuaria com este último.
E faz muitos anos que pesquiso e demora para juntar as coisas e tempo para trazer à luz alguma imagem.
E esse ano eu quis buscar o positivo direto de Bayard. Passaram-se alguns anos que pesquisei e já com alguma experiência em positivos com papel fotográfico, queria testar e quase não durmo pensando no que poderia acontecer. Fiquei um dia desses escrevendo sobre meus projetos e é isso. Positivos foram uma necessidade em atividades rápidas para retratar pessoas. Ao mesmo tempo em que estava cansada de gerar negativos para guardar. (eu sei é estranho) Explico. Quando eu faço retratos das pessoas gera uma quantidade enorme de negativos. Ora a pessoa me pede pra levar os negativos. Ok, eu posso entregar. Mas quando serão utilizados novamente? E mais importante, serão bem acondicionados? Ora eu ficava com os negativos para fazer meu arquivo. Mas com mudanças eu não consegui guardar tudo. O positivo resolve a situação porque retira a etapa de ainda fazer a cópia, ou seja, demora menos, não tem negativo matriz, um passo a menos. Eu reproduzo mesmo que seja digitalmente a imagem e tenho meu arquivo. E não fico triste pensando que o negativo estará jogado no armário, na maioria das vezes.
Então revisitei a pesquisa de Tania Passifiume que escreveu um artigo sobre o positivo de Bayard em inglês, cujo link não achei recentemente, mas eu tinha anotado.
Positivo em papel Marker
A captação em câmera ainda demora muito. Então fiz cópias de positivos para entender o contraste e o processo. Agora vou tentando ajustar a fórmula para tempos menores de exposição. Depois penso em desenvolver a ideia de algum retrato.
Sobre o título do post é uma brincadeira com a imagem icônica de Bayard. Gostaria que a história tivesse sido mais justa com esses inventores. Me parece que o mundo que buscava cada vez mais invenções comercialmente viáveis não parecia querer entender a genialidade de cientistas e artistas, ou simplesmente de alguém que pesquisa por amor ou seja lá como chama essa vontade de criar e descobrir.
Neste curso apresento um recorte da história de como as técnicas fotográficas surgiram e como algumas delas funcionam. A fotografia tem seu desenvolvimento a partir de diversos materiais e procedimentos desde o início do século XIX até o começo do século XX. E a respeito dos materiais são diversos mesmo. Desde plantas a ouro. A partir de materiais que reagem com a luz pelo escurecimento ou pelo endurecimento. Em metais, papéis, gelatina ou algodão solúvel.
E comento um pouco sobre a estrutura necessária para a produção do que hoje é mais conhecido como fotografia alternativa. A ideia é também mostrar algumas fórmulas e por isso também preparei um breve manual em pdf.
A possibilidade de captar imagens fez parte do imaginário de alguns muito antes da sua invenção. Isso é descrito por poetas e escritores desde o século V. (ah, os visionários poetas…)
Dentro dessa jornada foram muitas falhas e sucessos, muitos desconhecidos e alguns famosos. Como alguns aqui sabem, eu gosto das histórias daqueles que foram esquecidos e das técnicas igualmente de pouco sucesso.
Em 4 encontros vou abordar desde o princípio da formação da fotografia, como surgiu e quais as principais técnicas, ao seu desenvolvimento como negativos e cópias em técnicas de cianotipia, papel salgado, albumina, albumina em vidro, placa úmida e placa seca. Quais materiais são necessários para se produzir essas técnicas e suas referências e como montar um espaço para se trabalhar com a fotografia alternativa. Dentro do programa falo de anthotype, de daguerreotipos, calotipos, positivo de Bayard, a fotografia de Florence, entre outros. Vou falar sobre a fotografia colorida e a película de cinema, minha atual pesquisa. Comento também sobre como monto meus equipamentos e onde se encontra os materiais.
A Simone Wicca queria fazer uma imagem para o evento e me chamou. O tema desse ano foi Rejuvenecer. A ideia que ela deu era de fazer um tecido e expor ao sol como se ela estivesse nadando, porque era uma lembrança de sua infância e que nadar sempre remetia a esse tempo. Eu comentei com ela que quando criança não sabia nadar e que eu ia precisar de um barco para navegar nesse mar. Outra questão para mim é que não sou muito dos fotogramas, fico ligeiramente insatisfeita. Uma limitação minha. Quando posso, escolho pela imagem com negativos. Então coloquei uma foto minha com uns 7 anos de idade. Barcos de papel pra mim é muita da infância. A nossa proposta era fazer na praça, ela deitaria no tecido uns minutos e revelaríamos em seguida.
nossa imagem lá no site. 🙂
E nossa! Depois eu pensei como demorei para entrar em contato com o pessoal do alternativephotography.com . Como eu sou devagar… Foi incrível conversar com eles e logo mais teremos novidades a respeito disso.
eu demorei pra ter uma conta no insta, mas a vida social é isso, se não está lá parece que a gente nem existe.
E como fizemos o processo todo:
Eu tinha um tecido de 2 metros. Inicialmente a Simone achou pouco O.o
Mas tinha e foi esse mesmo.
Fazer cianotipia em tecido. Lavei o tecido para retirar qualquer camada anti fúngica e sujeira também né. Também tem uma questão de pré encolhimento, mas neste caso nem estava preocupada com isso.
Deixei secar para não ficar pingando, mas até eu terminar de preparar um químico, já tinha secado mais do que precisava. Separei um ciano e utilizei cerca de 150ml. Coloquei numa bandeja de 50x60cm. Deixei secando no lab. Tirei fotos mas não são muito bonitas com luz fraca. Depois pequei um saco preto e levei para casa.
O clima não ajudou muito os planos da Simone de fazer um flashmob na praça. Choveu, trovejou e caiu muito granizo. Eu disse que era pra testar nossa coragem. Então como estava tudo molhado, falei pra ela que seria melhor desenhar sua silhueta no papel, porque seriam horas de exposição e que seria melhor deixar na varanda e esperamos sentados. E foi melhor mesmo. Chuviscou várias vezes, vento, nublado… somente no final do dia apareceu aquele sol depois das 16h que não ajuda muita na exposição U.V. mas contou.
Depois da exposição de 4 horas vestimos nossos aventais e luvas e fomos ao lab.
A Simone tem umas bandejas e trocamos a água umas 4 ou 5 vezes.
até a chuva quis contribuir com umas “bolhas” no fundo do mar.
Eu fiz um teste com a câmera no Minhocão. Lembram que precisava ser reformada? Pois bem, para ter certeza do que era necessário ser feito, testei. Tinha uma chapa extra vencida de T64. E queria mostrar também o que a câmera enxerga, exatamente do jeito que recebi.
No dia do teste.
E o resultado:
Detalhes: a faixa branca e a vinhetona
Então a entrada de luz já era esperada. A faixa branca do lado direito já imaginava que teria. O que eu não sabia era o tamanho da vinheta. Essa aparência de olhando por um buraco se deu pela espessura da madeira onde está o furo.
Percebe a semelhança da vinheta?
Como a espessura é muito funda, ela limita a formação da imagem. O correto é ser mais fina. Então preciso ou aumentar o furo na madeira, ou diminuir a espessura ao redor.
O furo fiz com alumínio de latinha de bebida. Pode ser que seja trocado, já que provavelmente vou alterar um pouco a distância.
Tamanho da altura da câmera e da chapa.
E a reclamação da Fátima era de que a câmera não cobria o filme todo. Como está um pouco alta, parte do filme não recebe luz. Tenho que cortar. Além disso, arrumar o espaçamento para não ter uma entrada de luz.
E claro, farei um “obturador” de madeira ou metal. Para testar fiz um temporário de fita isolante e plástico preto.
Azul é o tema de hoje. Faz tempo quero escrever sobre o que ando lendo sobre azul. E Claro!! Cianotipia
Pra começar, o cianotipo é uma técnica que resulta numa imagem azul. No entanto seus reagentes são de cor marrom, verde e laranja.
São duas partes mais conhecidas: o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio. O primeiro é sintetizado como marrom e como verde, sendo este último mais sensível à luz. o ferricianeto é laranja.
Porém John Herschel ao pesquisar e inventar a fórmula a fez com o citrato marrom. A variação verde só foi inventada mais pra frente, como logo vou explicar. E como aqui nessas terras maravilhosas tupiniquins não encontramos mais o citrato verde a um preço razoável (pensar que o cianotipo seria o processo mais barato) eu tenho usado o marrom mesmo. De acordo com o papel utilizado ele acaba manchando mais portanto nem sempre é adorado. E realmente demora mais tempo na exposição então não é bom pra quem tem pressa ou pra quem está acostumado com o citrato verde.
Muitas vezes quando em contato com pessoas que vêem um cianotipo pela primeira vez ocorre um estranhamento pela imagem azul. No laboratório do Sesc já vi muito nariz torcido, porém muito encantamento por outros.
Por volta de 1998 eu procurei informações sobre fotografia e me deparei com um texto sobre cianotipia e queria saber mais. Na época não consegui e acabei deixando pra lá depois de um tempo, pois estava bem difícil. Mas acabei encontrando com ele novamente na faculdade e meu mundo estava lá, nessas fórmulas aplicadas em vidros e papéis estranhos.
Vamos aos dados interessantes? John Herschel descobre essa técnica em 23 de abril de 1842.
E o trabalho mais interessante e conhecido da época foi o livro de Anna Atkins
No século XIX muitos profissionais não aceitavam o ciano (vou chamar assim carinhosamente) e alguns eram bem críticos em relação ao processo azul.
No one but a vandal would print a landscape in red, or in cyanotype.”
E o azul é o que para você?
Alvin Langdon Coburn simplesmente não o aceitava.
Pra mim qualquer processo fotográfico me chama a atenção. E talvez seja uma questão de entender o que funciona melhor como imagem. Também a questão de custo seja algo a se considerar num processo criativo. Sempre foi uma questão para mim pensar no processo e imaginar que suas características podem conversar com a ideia da imagem. É algo que penso e sempre falo: o que é importante para você mostrar numa fotografia?
O azul já foi algo raro. Alguns o associam com tristeza, outros não. Eu escutava muito Billie Holiday e nas músicas dela o azul de “Blue Moon” me dava a sensação de tristeza. Eu sou apaixonada pelas suas músicas mas teve um momento que precisei parar de escutar tanto, já que sua vida foi rodeada de tristeza.
Assisti um curta francês Chien Bleu. A história é sobre um senhor que não sai de casa porque tem medo e ele se cerca de azul porque acredita que estará protegido. O seu filho de certa forma é a conexão com o lado de fora. O filho encontra uma moça com um lenço azul e a convivência com ela transforma o olhar da família. Depois uma pessoa que morou na França me explicou que o azul lá tem a ver com a tristeza também.
Escrevi “paran” no título porque é azul em coreano. Paransek. Nas roupas tradicionais se utilizam cinco cores. No caso do azul ele representa o leste, primavera, árvore, fígado, deleite e benevolência.
“ao” porque é o nome da cor em japonês. Na verdade eu coloquei pra eu lembrar que existem memórias tristes e felizes em relação a cor. E em relação ao Japão pra mim é a mesma questão. Acho que não cabe no tema agora explicar.
Já tive muitas roupas azuis mas percebia pelo espelho que não combinava tanto comigo, então parei de comprar roupas azuis.
Curiosamente, esses processos históricos são mais sensíveis ao azul.
A palavra ciano vem do grego Kyaneos que significa azul escuro.
O pigmento azul da Prússia já era uma cor importante cem anos antes do surgimento do cianotipo, segundo Ware.
O pigmento surge no século XVIII e é um dos primeiros pigmentos sintéticos da história.
Niepce antes de inventar seu processo fotográfico trabalhou com tingimento índigo.
Basicamente o que temos como resultado do cianotipo é azul da Prússia.
ions ferrosos + ions ferricianeto — azul da prússia
Segundo Ware, nas observações de Herschel existem cerca de quinze variações para produzir imagens com o azul da Prússia.
Durante essa semana, ops mês vou fazer uns vídeos sobre cianotipia e antotipia e vou colocar no youtube pra colocar aqui. E também para o curso que estou ministrando neste mês. Num curso de ciano não dá pra falar metade do que eu gostaria de cianotipia, mas vou tentar colocar pelo menos alguma coisa aqui e ali.
O que diferencia a fórmula com citrato marrom ou verde? Pois é, antes eu pensava que colocar mais citrato marrom era melhor mas errei completamente. Como o marrom tem mais ferro o correto seria colocar menos dele.
Como eu comentei, o processo de Herschel foi iniciado com o citrato marrom. Somente em 1897 que a substância verde surge por Eduard Valenta (1857-1937) O citrato férrico amoniacal verde é mais ácido e mais sensível à luz, portanto mais rápido. Mas além dessa diferença, Ware também apresenta alguns dados interessantes.
Em relação ao azul, o marrom seria um tom mais frio e o citrato verde seria mais brilhante. (por isso também que gosto do citrato marrom, esse tom frio acho bonito) Em relação à resistência da imagem o citrato marrom é mais estável, quando o verde tende a se apagar um pouco.
Quem gritou de alegria quando a cor azul surgiu?
Pablo Neruda 1904-1973 – citado por Ware 2020 – p122
Costumo chamar o ciano como processo de cópia. Não aprendi assim, com o tempo precisei de termos para explicar as diferenças até pra ficar mais fácil para mim. Porque não é uma técnica que comumente se faz em câmera. É mais utilizada para produzir cópias de um negativo.
Mas parando para pensar no uso do ciano, realmente uma paisagem não é tanto para ele. Lá em cima coloquei uma citação. Acho que o ciano pode ser muito mais profundo, realmente deep blue.
Dá pra refletir muito em relação a sua profundidade de azul, sobre a paisagem interna. Eu tenho realizado uma série sobre um sonho que tive, relacionado à pandemia. E para mim é esse azul que fala mais do que a gente pode enxergar.
HISTÓRIA DAS TÉCNICAS FOTOGRÁFICAS, com Elizabeth Lee
A proposta deste curso é apresentar a história das técnicas fotográficas. A busca pelo registro fotográfico envolveu a pesquisa de diversos materiais fotossensíveis. No século XIX a invenção da fotografia foi concretizada por cientistas, pesquisadores, artistas, desenhistas, entre outros. Técnicas como cianotipia, daguerreotipia, colódio úmido, papel salgado, goma bicromatada são alguns exemplos de nomes desses processos que iremos estudar.
Datas/horário: Sextas-feiras, dias 25/06, 02, (09/7 não haverá aula – feriado SP da Revolução Const.), 16, 23, 30/07, 06, 13 e 20/08, das 14h às 16h Vagas: 70
Hoje escrevo um pouco sobre duas portuguesas. As câmeras pinhole (que deveriam ser pinhole) que recebi da Fátima Roque. Vou começar pelas câmeras.
Esta é a Roque, da esquerda. Da direita é minha pinhole polaroid.Esta é a Fátima. Junto com o chassi de 4×5 para a qual ela foi feita.
Até onde sei ela não chegou a usar, porque as duas estavam com dois problemas de cálculo. E perfeccionista do jeito que era, acho que ela sofreu quando viu que estavam com problemas. Digo que deveriam ser câmeras pinhole (entre parênteses lá em cima) porque não foram completadas. Faltavam detalhes, ainda nem estavam pintadas por dentro, sem acabamento, sem obturador que funcionasse, sem vedação, sem teste. Câmera sem teste ainda não é câmera. A primeira era para polaroid mesmo, porém não sei se foi feita para um back pola específico. Resolvi adaptar para um back médio formato da hasselblad. Originalmente o back era para polaroid, mas de fato será usado com filme fuji fp100c.
A segunda câmera está linda mas o chassi ficou mais no alto, o que faz com que a câmera não alcance todo o filme no chassi. Parte dele fica “batendo” na parede de cima. Só que antes de fazer o ajuste necessário, achei melhor testar o ângulo de visão dela e depois fazer a cirurgia.
Para isso fiz um obturador temporário.
Como ela está como grande angular acho que vou fazer algum ajuste para ela ficar um pouco mais fechada, para um ângulo mais normal, com menor distorção. E fiz um pinhole para a distância que está agora.
Eu adoro agulhas de acupuntura para construir as câmeras
Essas agulhas são usadas para acupuntura das mãos, a acupuntura coreana. (Dói demais) Muito muito tempo atrás eu estudei um pouco, já que meu pai estudou e em muitos casos me ajudou bastante. Só que aplicar em mim mesma é difícil. Hoje só uso para fazer as minhas câmeras, meu tratamento artístico medicinal. 😀 mas para esta câmera usei as agulhas de costura por causa do tamanho. É um pinhole temporário. Quero arranjar um metal mais resistente para essas câmeras, para não correr risco de ficar amassado.
Até fiz um post rápido no Instagram mas para mostrar os detalhes vou colocar aqui.
Agora vou explicar um pouco sobre quem foi a Fátima Roque. Ela foi uma fotógrafa e tinha um trabalho com pinhole. A família era de Portugal, ela sempre viajava para lá e um dia encomendou para um artesão duas câmeras de madeira. Para um artesão que não está acostumado a construir câmeras é realmente difícil entender a lógica do que se precisa para realizar um trabalho desse tipo. Por isso que quando resolvi montar materiais para fotografia, fiz eu mesma. Porque mesmo explicando, desenhando, com projeto e tudo, achar alguém que tope e faça do jeito que você quer é uma tarefa árdua.
E também vai uma explicação de família. Meu papi sempre construía o que ele precisava. Eu, filha do meio e curiosa feito um detetive, perguntava de tudo. Até perguntei o motivo dele fazer e montar quase tudo o que ele precisava. Daí ele contava que a mãe dele fazia tudo. Pra ele não tinha empecilho. Se você quer algo é só ir atrás. A mãe dele fazia o tecido, costurava as roupas, fazia sapatos, fazia a comida, plantava a comida, medicava os filhos. Se não tinha remédio, coloca umas agulhas que dá certo. Então a teimosia passou de geração em geração.
Ele aprendeu assim, de certa forma eu peguei um pouco desse pensamento. Porque na época ela não podia pedir para alguém e mesmo se tivesse como pagar nem tinha quem fizesse. E a vida é esse acumulado de aprendizados enfim. Eu muitas vezes até conseguiria pagar alguém para fazer. Difícil foi achar alguém que quisesse. Por exemplo na costura. Já pedi encomendas que a costureira não queria fazer de jeito nenhum. Entendo. É fora do padrão e leva mais tempo pra entender e conseguir fazer. E muitas vezes quando faz o cliente diz que não era aquilo e volta a consertar e por aí vai. Daí fui eu aprender a costurar.
A melhor ferramenta é a que você tem nas mãos. Se você consegue achar alguém que faça ou se você mesmo vai tentar, o importante é ser teimoso e construir a câmera de madeira. As minhas não chegam perto do acabamento do artesão português. Pra eu chegar nesse resultado vai demorar muito. Mas as minhas funcionaram para fotografar, então isso é o que importa.
Agora vou testar e volto para mostrar os resultados.
Tem um curso de pinhole para o Pinhole Day com o Edison Angeloni. É online e está incluso material para construção da câmera, que será feita com filme preto e branco 35mm e caixa de fósforos. O envio dos materiais também está incluso.
O filme é rebobinado de 36 poses Agfa ISO 100. No material também vai uma bobina vazia já invertida para câmera pinhole, a caixa de fósforo do tamanho correto para montar, fita isolante, alumínio já com pinhole e mais pedaços para quem quiser tentar fazer o furo, e papel para reforçar a câmera.
No curso será ensinado como monta uma pinhole e como fotografar com ela.
O WWPD – World Wide Pinhole Day é celebrado em todo mundo sempre no último domingo do mês. Para participar é preciso fotografar no dia 25 de abril de 2021 com uma pinhole e postar uma imagem no pinholeday.org
São dois encontros, 21 e 22 de abril das 19h às 21h. As inscrições estão disponíveis até dia 14 para dar tempo de enviar os materiais para o participante.