Câmera de madeira Roque com pola pinhole

sim! demorei pra fazer um post sobre essa câmera.

Na continuação das câmeras pinhole de madeira portuguesa, o próximo capítulo seria mostrar a reforma da Fá (a câmera para chassi 4×5) mas a verdade é que minha “oficina de marcenaria” inexiste e cada semana me deparo com algum desafio estrutural

Um belo dia eu olhei para a Roque, largada na minha bancada tentando respirar em meio ao pó e percebi que eu estava demorando muito para testar sua visão.

A Roque (Ro) foi feita para fotografar com polaroid, segundo a Fátima. Então como não deixa de ser uma homenagem que faço a ela, eu precisava terminar o projeto do jeito que deve ser. Para quem não leu os posts sobre a câmera de madeira portuguesa, essas câmeras eram de uma fotógrafa, Fátima Roque, que mandou fazê-las em Portugal e foram feitas por um artesão de lá. Mas elas nunca foram terminadas pois tinham alguns erro de projeto e a Fátima deixou as câmeras comigo e eu disse que ia consertar. Minha intenção era consertar para ela usar. Eu não imaginava que eu não ia conseguir retornar as pinholes para a Fátima, que faleceu alguns anos atrás e fiquei um tempo sem saber o que fazer.

Um dia achei que seria um desperdício ficar só na tristeza com as câmeras inacabadas e então tudo que faço com elas é uma intenção de continuar viva a memória dessa fotógrafa e prestar de algum modo uma homenagem.

ela é quase quadrada, o que dificulta um pouco o projeto

A dificuldade com essa câmera é que a proporção é muito diferente para um back polaroid. Eu teria que preencher um espaço de tal forma que não prejudicasse seu design de câmera artesanal. Coisa que eu ainda não consegui resolver.

Mas segui a mesma linha de pensamento para a Fa, de testar a câmera provisoriamente e ver se é necessário o ajuste de distância. Cortei uma parte dela, fiz uma parte de foamboard e encaixei o back com fita isolante. O furo feito na madeira é muito pequeno para uma parede tão grossa. Tive que aumentar a abertura de um jeito não muito bonito e fiz um pinhole provisório.

penso em cortar uma peça circular para a frente e fazer um furo em alumínio preto. mas por hora serve assim

Fiz o cálculo de distância entre o filme e furo, calculei a tabela de exposição e carreguei o chassi polaroid. Eu ainda tenho um Fp100C para back hasselblad. São meus últimos filmes. Depois disso acabou pra sempre provavelmente. Talvez eu converta para um back médio formato da mamiya ou para chassi de grande formato, já que a chance de conseguir mais pola é quase nula.

primeira foto

O dia estava nublado e o filme já está vencido. Por isso o desvio de cor eu já esperava ser grande. Conta também que pode estar entrando luz em alguma parte da câmera e isso pode afetar a cor. Deixei um minuto e meio e claro que eu não queria nem ficar com a cabeça parada esse tempo todo.

Temperatura 20 graus, a revelação é de 2 minutos. Só puxar a lingueta e esperar. Fiquei bem feliz com o resultado apesar de estar escuro, porque o dia estava bem escuro e chovendo muito. Eu precisava de algo pra me dar algum ânimo, já que esse ano não foi nada fácil.

fui no Parque Augusta para fotografar com ela.

Resolvi testar mais um dia. Mas novamente estava chovendo e nublado. Ainda assim quis testar e fui pra rua.

Parque vazio.
resultado.

Um minuto de exposição, 2 minutos de revelação a 20 graus. Agora vou testar com um filtro laranja ou magenta pra cortar um pouco desse azul e coloco mais fotos aqui. Eu queria colocar o passo a passo de como modifiquei mas ainda estou nesse processo de ao mesmo tempo não ter um lugar de trabalho definitivo e ficou com um projeto de câmera impreciso e bagunçado. Testando materiais e etc. Estou pensando em terminar com partes de aço ou alumínio. Uma indecisão sem fim