Um pedaço de fotografia internacional – Leste Asiático

Ontem eu li uma dissertação que falava sobre história da fotografia porque eu estava procurando referências sobre história né, afinal. Já que tinha a palavra-chave de fotografia internacional fiquei buscando algo sobre Ásia – sabendo que provavelmente não teria. E não tinha mesmo.

Também apesar de pesquisar uma coisa aqui e ali percebi que nunca escrevi sobre o assunto neste blog. Desde uma palestra em 2005 comecei a pesquisar timidamente algo sobre processos históricos no Japão e Coreia – mas naquele momento não tinha muito acesso a material sobre o assunto. (vou comentar e apresentar mais sobre o contexto da palestra depois, já que preciso procurar minhas anotações da época)

Esta imagem na palestra foi atribuída a Felice Beato, achei hoje num site que diz que é cópia em albumina, cerca de 1880. Outro site dizia ser de 1900.

Muitos elementos me fizeram pensar sobre a imagem. É uma cena quase teatral, nesse período histórico algumas imagens eram produzidas no Japão para serem vendidas a estrangeiros. O recorte é típico de imagem estereoscópica, mas talvez não fosse esse o caso, com o arco acima. Lembro-me que na palestra foi comentado sobre o registro da chuva serem riscos na própria imagem o que aplica mais ainda a noção de algo teatral. A colorização sempre me confundiu um pouco. Até que ponto a ideia de aplicar cor em cima de uma fotografia ajuda ou não na leitura da imagem, sendo que cores nesse momento histórico deviam ter uma carga social, no sentido de que muitos tecidos eram caríssimos devido ao tingimento especial e às vezes até associado a um tipo de status (não pesquisei isso muito a fundo ainda). Também, não sei até onde a colorização ajuda a distrair sobre uma realidade e história fotográfica, tenho pensado sobre isso.

Mas essa foi uma das primeiras imagens que me levaram a refletir sobre as imagens especialmente do leste asiático.

Quero só iniciar uma pequena conversa e apresentar algumas imagens, já que tem sido importante para mim apresentar que houve uma história da fotografia neste contexto geográfico, mesmo que trazida pelos europeus. E que de certa forma algumas leituras sobre a Ásia têm me incomodado. Mas isso vou deixar para uma próxima postagem.

Aqui no Brasil eu sempre me senti fora do ninho – como qualquer asiático-brasileiro se sente – para os brasileiros somos o outro, para os asiáticos somos o outro – uma vez na Europa o europeu achou estranho que eu era brasileira e ficou inconformado. Ou seja não somos nada para alguns outros, então me reservo no direito de me considerar bem brasileira. Sempre vai ter aquele que te exclui. Assim como sempre vai ter aquele que te agrega. Acredito que o modo como te tratam diz muito como a própria pessoa inquisidora se enxerga.

Como não tive muitos familiares, agreguei minha família de outras formas, justamente por aqueles que nunca me viram como o outro. (muito obrigada à minha família pernambucana e minha família cigana, não temos laços biológicos mas temos outros muito mais fortes)

Desde criança também as pessoas amigas mais próximas acabaram sendo em grande parte muitos descendentes de japoneses. Talvez por causa da escola, muitas vezes, muitos amigos sempre foram eles. Os descendentes de japoneses me ajudaram e foram pela minha família ajudados. Por isso vou misturar um pouco as etnias aqui.

Por todos esses fatores fica difícil para mim somente falar de imagens de um país ou outro. Ainda acho que a história da fotografia coreana tem pouco alcance para mim. Nesse sentido comecei a refletir sobre algo que tenho estudado faz alguns anos mas que ainda estou engatinhando nesse assunto.

Na área do fotojornalismo, tem uma imagem que quero compartilhar. Esta abaixo, é uma foto histórica, tirada pelo jornalista canadense Frederick Arthur MacKenzie em 1907 que mostra o Exército dos Justos da Coreia – momento histórico lindamente retratado de modo ficcional baseado em fatos históricos na série do Netflix “Mr. Sunshine” – que era composto por civis e lutavam nesse momento para defender o país. Na história do país sempre surgia um momento em que os civis entravam como exército adicional e o jornalista buscou apresentar a história de luta.

Digitalizado do livro do jornalista Frederick Arthur MacKenzie. Wikipedia

Claro que estou só fazendo uma pequena introdução sobre algumas das imagens que me levaram a fazer essa pesquisa e por isso não estou obedecendo temas ou períodos históricos específicos, todas essas imagens merecem mais atenção e pesquisa ( que é o que eu estou fazendo mas estudar com próprio patrocínio requer tempo e organização)

Pilot, 1952 – da fotógrafa chinesa Niu Weiyu

Tenho pesquisado mulheres fotógrafas e admiro muito o trabalho desta fotojornalista. Ela inicia seu trabalho na década de 40.

E um fotógrafo mais ou menos da mesma época que Niu Weiyu, Han Young Soo.

Numa aula esse mês foi colocado o trabalho do Robert Frank e o pós guerra nos Estados Unidos. Eu fiquei pensando muito nas imagens de pós guerra do Japão e nessas imagens do mesmo período na China e na Coreia. Por isso resolvi postar algo sobre imagens do Leste Asiático.

Fotografia do fotógrafo japonês Daido Moriyama. também desse período histórico.

Só uma pincelada sobre o que tenho estudado e tenho reunido material sobre. Me desejem sorte nessa empreitada.

Curso 2º Semestre 2025 – Sesc Pompéia

O curso do Sesc Pompéia inicia em agosto – agora – e as inscrições serão no dia 6/8 para credencial plena e 13/8 para público geral. Sempre a partir das 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/anthotype-lumen-print-e-cianotipia-processos-fotograficos-artesanais

O curso vai ser um pouco diferente neste semestre. Serão 8 aulas, resolvi fazer técnicas mais possíveis de refazer em casa. E o curso começa bem no dia da fotografia então estou pensando se consigo fazer algo para comemorar a data com o pessoal nesse dia 🙂

Aproveitando que tem dia mundial da antotipia e dia mundial da cianotipia logo mais, seria interessante pro pessoal praticar essas técnicas nesse momento do ano.