Mais um pouco sobre cianotipia, botânica e história

Eu tive e tenho muitas plantas. Hoje fiquei um pouco nostálgica dos meus pés de café, minha grumixama, meu lindinho pau-brasil, que tive que me desfazer durante a pandemia. (vou adotar tudo de novo)

Como alguém que sempre se viu meio sem raízes aqui, eu adotei de verdade as raízes brasileiras como minhas, com as plantas. Por isso acabo pesquisando tudo que é nativo, quero saber a história.

No mini curso desta semana no Sesc, trabalhei junto com a biológa Beatriz de Castro, com identificação das plantas dos arredores do Sesc e depois fizemos as cianotipias no laboratório do Pompéia. Bia mostrou como se faz a coleta adequada com materiais de fácil acesso e os cuidados necessários com as plantas. Levei todo o material na saída e organizamos lá mesmo os cuidados com as amostras.

Bia explicando sobre a coleta. Praça Cornélia – Pompéia

Eu sou devagar e quando fiz uma visita ao bairro no final do ano passado, demorei para me interessar nas plantas porque eu estava muito focada em espécies nativas. Sorte que o pessoal é mais rápido que eu e assim que chegamos, já foram buscando espécies para prensar. Se fosse eu fazer paisagismo ia achar muito mais bonito plantas frutíferas a esses arbustos que pinicam, mas sou eu.

Em praças bem pequenas senti dificuldade em encontrar espécies que não fossem de paisagismo, mas na Cornélia tinha uma boa variedade. Meu trajeto contava com rua Faustolo até a praça ao lado do Allianz, mas não deu tempo de andar até lá. Na rua Coriolano tem muitas árvores, só que achei que era tudo muito alto e não conseguiríamos coletar muito por lá.

Lembro de ter pesquisado a história do bairro, que assim como muitas regiões começaram com chácaras, que teve início em 1910. Uma pena que o modo como alteramos e construímos a cidade não deixe margem para o respeito com a vegetação. Como meu pai também teve seu crescimento com plantas, havia muitas árvores em casa, e ele tinha a hortinha, que acabei fazendo também. Cresci com meu pé de abacate gigante e tenho saudades dele, que em algum momento adoeceu.

Nos outros encontros, ficamos no laboratório do Sesc. Desta vez utilizamos a fórmula da cianotipia com o reagente marrom, porque como é o mais fácil de encontrar, achei que seria melhor experimentarem com algo que seja replicável sem muitas dificuldades.

importante destacar que nem todo citrato férrico marrom é igual. pode variar muito de lote para lote. usamos o mais claro.

O reagente mais escuro deve ser bem menos sensível. Eu lembro que quando recebi esse, já vi tempos muito longos de exposição. E não adianta pensar que um mesmo fabricante será sempre melhor, mesmo com os reagentes que utilizo para fotografia preto e branco, me parece que tem uma diferença considerável em alguns momentos. Para os de cianotipia com certeza será mais crítica a diferença possível.

Minha conclusão: acho que podia ter mais cereja-do-rio-grande, jabuticabas, grumixamas e goiabas (apesar de uma parte da Faustolo ser quase só de pata-de-vaca e goiabeiras) entre outras. Queria ter encontrado mais pancs (plantas alimentícias não-convencionais) e mais flores.

Acho que esse olhar para a cidade pelo recorte ambiental é bem importante para pensar nos espaços urbanos e na qualidade de vida. Apesar de até ter bastante praças onde eu morava na Lapa, eu tive muitas crises de laringite e sinusite naquela época e quando morei na Bela Vista. Voltando aqui para região do Butantã, nunca mais tive crises.

Eu falo que não tô pegando mais nada, nem resfriado. 🙂

Deixe um comentário