Digital e analógico

Este mês ministrei mais aulas de fotografia digital do que de fotografia analógica. Costumo dizer que gosto das duas igual – é verdade – muitas coisas e tipos de foto é mais fácil de fazer com um determinado equipamento (como eu gosto de infrared mas é difícil comprar filme então digital é minha felicidade nesses momentos)

Fico imaginando que o pessoal que fez curso digital comigo deve achar outro mundo esses processos alternativos e câmeras analógicas. Como finalizei o semestre dia 15, resolvi bater uma foto em 4×5 da última turma com papel PB porque queria mostrar pra ele a diferença de cálculo de ISO e os pontos necessários para o tipo de suporte que escolhi. aqui o vídeo da revelação da foto da turma.

finalização do curso com as fotos impressas (ou reveladas) engraçado como o ponto de maior felicidade foi ter as fotos em papel. Fez toda a diferença no curso.
foto com a turma no Oswald – só fiz essa porque alguém lembrou de tirar foto da turma (eu tô sempre ligada no 220V pensando no conteúdo que até esqueço de fazer fotos)

Tenho me perguntado por vezes se o digital é mais fácil pra ensinar, ou se o analógico. A questão pra mim é que eu tenho a sensação que com o digital, especialmente com celulares, fica difícil falar de alguns conceitos técnicos porque alguns modelos já corrigem luz, brilho do rosto, automaticamente. Daí parece que o que eu falei (que ficou escuro, distorção) era mentira hehehe. Ou seja, na tentativa de facilitar para o público que não sabe a técnica, o próprio aparelho controla cada vez mais a imagem. (Flusser iria adorar discorrer sobre isso)

Enquanto isso volto à minha realidade e me deparo com minhas próprias experiências. Recentemente adquiri uma câmera de madeira toda surrada, foi praticamente de bônus por ter comprado uma outra câmera mais inteira. Na hora eu não achei que ficaria com ela, mexi um pouco e o fole estava soltando todo. Mas algo nela, de formato semelhante a 13x18cm (que é minha proporção favorita), me fez pensar que posso colocá-la para enxergar de novo. Lembrei de uma objetiva que ficou largada, quase foi ao lixo, e vi que ela encaixava nessa cam. Senti como se criasse algo de volta à vida, ela me lembrou o Frankenstein de Mary Shelley, o ser que só queria ser amado. (muita gente se referencia como um monstro a esse personagem, mas no livro dela ele não é só isso) Tem um personagem do Dragon Ball que é um andróide inspirado no Franks (eu já dando apelido) que é o Andróide 8 e Goku o apelida de Hacchan (Hachi=8 chan=terminação carinhosa, quando se tem familiaridade, enfim, não vou conseguir explicar essa parte direito :))

Hacchan 🙂

Exposição Suportes da Memória – MIS

Esta semana depois da aula no Sesc Pompéia fui ver a expo que acontece no Museu da Imagem e do Som. Já queria ir para ver a exposição permanente de câmeras e do German Lorca que estava adiando e dei uma corrida lá na terça-feira (que aliás é entrada gratuita neste dia da semana)

Eu sabia que teria a exposição de alguns itens do acervo e de processos históricos. Fiz stories no instagram e muita gente me perguntou onde era, apesar de eu ter marcado o Museu. (especialmente pela parte das câmeras) Pelo que entendi, fica até dia 22 de junho de 2025. Não consegui colar o link do site deles aqui – não permite visualizar por link incorporado. Segue endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa
São Paulo – SP – Brasil
CEP 01449-000

Adorei ver as imagens em albumina das represas da Cantareira – eu amo esse lugar – uma sala com a fala do Boris Kossoy sobre o trabalho do Hercules Florence, que acho que a gente devia dar mais atenção a ele. Os autocromos são necessários, as estereoscopias devem ser legais de ser vistas, gostaria de poder enxergar em 3D, minha mais nova mania.

a sala com o vídeo do Boris Kossoy

Os negativos em vidro

Tem a exposição permanente de câmeras

Fundamentos da Fotografia Digital I e II – CultSP

Mais uma vez estarei nos cursos do programa CultSP neste semestre.

Desta vez a turma de curso introdutório se divide em 2; o primeiro é para quem não fez nenhum curso, a segunda é pro pessoal que terminou o Fundamentos I no mês passado.

Fundamentos I – Terças-feiras das 19h às 22h Dia 10/6 a 15/7

Fundamentos II – Segundas-feiras das 19h às 22h Dia 09/6 a 14/7

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos/fundamentos-de-fotografia-digital-i

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos/fundamentos-de-fotografia-digital-ii

Breve História das Técnicas Fotográficas – Sesc Belenzinho

Em maio inicia um curso que eu gosto muito e dessa vez vai ser no Belenzinho.

As inscrições abriram ontem e é possível se inscrever pelo site ou app para credencial plena e para público geral será amanhã.

Datas: 29/05/2025 a 26/06/2025v quintas-feiras

Das 19h às 22h

https://www.sescsp.org.br/programacao/breve-historia-das-tecnicas-fotograficas

Eu tenho um carinho especial por esse curso porque história é muito legal.

Acredito que entender um pouco sobre o que se fez e como surgiu faz sentido para pensar em criar algo para o futuro. Ainda mais nesse país que teve um inventor da fotografia que ficou há muito tempo sem créditos.

Fotografia Alternativa no Sesc Pompéia

Neste semestre o curso do Pompéia será terças na parte da manhã, a partir do dia 29/04 até 16/6 das 9:30h às 12:30h Serão 8 encontros e teremos 3 técnicas.

Para quem tem credencial plena a inscrição se inicia dia 09/04 a partir das 14h e público geral dia 16/04 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/fotografia-alternativa-cianotipia-van-dyke-e-papel-salgado-introducao

Ciano, Antotipo e Foto PB no Belenzinho

Mês de abril tem mais um curso de fotografia no Sesc Belenzinho (Maio também tem)

Desta vez convidei o João Moreira pra falar um pouco sobre suas experiências e compartilhar o conhecimento sobre fotografia que ele têm pesquisado. O João é fotógrafo e ainda não trabalhava com fotografia até então, mas eu estou incentivando ele não somente como professora mas também porque vejo que ele é um pesquisador da fotografia. Vamos desenvolver quatro projetinhos neste curso: caderno com capa de ciano, marca-páginas a partir de antotipia, postal com lúmen print e fazer um retrato em papel PB.

Dia 24/4 a 22/5 – exceto dia 1º de Maio – das 19-22h

Sesc Belenzinho

https://www.sescsp.org.br/programacao/ciano-antotipo-e-fotografia-pb

Exposição em Braga – Fotógrafas Experimentais 11.03.25

Dia 11/3 – abre a exposição na cidade de Braga – Portugal. Enviei minhas imagens de São Paulo em infravermelho.

Acho que essas imagens têm mais a ver com o que eu penso da cidade do que com qualquer outro tipo de técnica que eu possa inventar de fazer para representar esse lugar. Lembra um pouco sonho mas é a captação nesse espectro que não é visível aos olhos.

A convite do amigo Guilherme Maranhão, que aliás devo agradecer pelo carinho, cuidado e sempre seu profissionalismo a respeito da fotografia, que continua de alguma forma a olhar para o Brasil, mesmo estando em Portugal.

O Gui é aquela pessoa que mesmo estando muito longe sempre está perto de mim, já que por onde ando no meu estúdio tem parafusos, câmeras, filmes e peças dele ainda. 😀

Segue abaixo links e texto sobre o projeto, copiados do site a seguir.

https://braga25.pt/programa/fotografas-experimentais/

O projeto Fotógrafas Experimentais prevê a programação ao longo de 2025 no café anexo à padaria Amor&Farinha em Braga. De Fevereiro a Novembro, cada mês será dedicado aos experimentos de uma artista com uma exposição, uma conversa e uma oficina.
Fotografia é experimental desde o seu nascimento, pois é resultado de uma série de reflexões e descobertas, essas por sua vez experimentais, novas e transformadoras. Experimentar é apenas um estado de espírito perante o desconhecido e o que está prestes a se tornar novidade.
Na sua evolução, a indústria a conquistou para democratizá-la e torná-la um negócio, mas sempre existiram cientistas, artesãos e artistas criando de outra forma, a partir de outro patamar. Ao longos dos últimos anos as mulheres tem sido um expoente na Fotografia Experimental e faz sentido dedicar uma série de exposições para ressaltar esse protagonismo, especialmente numa cidade que tem uma relação tão antiga com a fotografia.
Braga hospeda o segundo festival mais antigo na Europa dedicado à Fotografia, essa programação pretende somar a ele e se espalhar pelo resto do ano.

Independente da fotografia ser digital ou analógica, o experimentalismo ainda é um caminho viável para criar novas visualidades com esse processo que existe desde o século XIX.
Os experimentos dessas 10 Fotógrafas Experimentais servem para nos mostrar sua dedicação ao processo fotográfico. Algumas optaram por ir buscar o estado da fotografia antes da indústria, outras se apropriam de ferramentas altamente refinadas por anos e anos de desenvolvimento industrial. Suas recombinações são gestos delicados e políticos. Afinal, não se render às facilidades da tecnologia atual por si só já é um gesto político.
Uma parte desse grupo de 10 fotógrafas já esteve junto em uma outra exposição com curadoria de Guilherme Maranhão, chamada Raros, Vintages e Inéditos. É dessa experiência anterior que nasce essa proposta. Os trabalhos escolhidos para ambos os momentos são pequenos de forma geral e adequados a um espaço pequeno e acolhedor como o desta proposta. Prezam pela delicadeza do gesto, convidam o observador a imaginar os gestos utilizados pela fotógrafa que fez aquelas imagens.

Amor & Farinha
Praceta André Soares 7 4715-122 Braga, Portugal

A Braga 25 é uma iniciativa cultural com a duração de um ano que decorre no concelho de Braga. A sua programação resulta da colaboração entre o Município de Braga e a Faz Cultura.

Cursos CULTSP PRO

É hoje! Abrem as vagas do programa CultSP Pro e com muita honra estarei com o curso de Fundamentos da Fotografia Digital.

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos/fundamentos-de-fotografia-digital#i

Segue link para o mapa geral de cursos.

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos

Pinhole e as maneiras de se enxergar

Vou dizer que pinhole pra mim é uma técnica bonita e sensível porque permite ensino com poucos materiais e pode ser tão boa quanto uma fotografia com a melhor lente. É, como digo nas aulas, algo que se usado bem e compreendido como qualquer câmera de qualquer fabricante, um equipamento de vasto alcance. Também, acho a técnica mais democrática, justamente pelo fato de podermos construir nosso próprio equipamento.

Resolvi escrever sobre isso porque dou aula particular para uma pessoa que afirmou esses dias que não vê graça na fotografia sem lentes. Eu entendo o ponto de vista dele, para alguns realmente não faz sentido construir uma câmera. Se o que se busca é a estética e o resultado de uma câmera industrializada, pinhole é algo meio fora do comum.

Por isso que eu, com meu Urano na casa 1, acabo naturalmente nadando contra a maré em muitos sentidos e apesar de eu tentar ser meio dentro da caixinha, nunca consegui muito.

Sei que fotografar com latas, por exemplo, deve parecer muito pouco prático para alguém que já está adaptado a um equipamento pronto para fazer o que precisa fazer, com todos os controles e ajustes disponíveis. Parar pra pintar, furar e adaptar uma singela lata soa cansativo e trabalhoso, para no final talvez gerar imagens pouco precisas e com a grande possibilidade de erros sem previsão de saber o que está no quadro. Eu não acho muito prático mesmo, tem que fotografar só uma e revelar, ainda vai ficar no papel fotográfico, que nem sempre é um resultado como poderia ser num filme com mais qualidade e tons de cinza.

E dá um ar de muito trabalho mesmo se pensar no imediatismo da fotografia digital que dá pra ensinar, dá pra fotografar… mas ainda me pergunto se o digital é mesmo acessível e se só tocar a tela é suficiente pra pensar em algumas questões e desenvolver a mesma proposta de uma fotografia que está conectada a essa materialidade do fotossensível. Acho bom também esse tempo lento pra desenvolver o tato, pensar no olhar e absorver informações sobre a luz, a prata, a distância entre o papel e a lente ou o furo de agulha. Dar pausa ao cérebro para conectar a possibilidade de usar a luz, o espaço e ter esse resultado palpável e possível de ser segurado com as mãos. Me parece que se deixarmos a indústria da tecnologia fazer tudo e consumirmos tudo que querem que a gente consuma, logo não vamos saber fazer o básico.

Fotografia Pinhole de participante (Sr. Mitsuo) no Sesc Pompéia – faz tempo que já publiquei essa imagem aqui. Essa distorção própria da lata.

Oras, vá que é bem o tipo de resultado de alguém que quer ir contra todo equipamento fabricado industrialmente, construído para ser a representação bidimensional da realidade, quase perfeita. Aquele tipo de câmera ótima pra quem é bem materialista e consumista, que custa caro e muitas vezes é exibido quase como um troféu. :). – tem dessas né, cada um é feliz com uma coisa.

Só que puxei do meu pai a curiosidade com tudo e eu preciso me segurar muito pra não querer aprender e fazer de tudo. Muitas vezes eu aprendo coisas porque eu preciso. Mas se eu pudesse estudaria mais um tanto de outras.

Reforço que a proposta da camera obscura e pinhole em consequência tem pra mim maior impacto mesmo no ensino. E vi coisas muito bonitas, que honestamente, valeram todos os anos de pesquisa.

Por exemplo:

Nesta foto que foi em Registro, acho que foi quando a unidade do Sesc inaugurou

O menino na foto fez sua câmera obscura e meio sem saber o que era a atividade na verdade, chegou quieto e meio apático. Quando fomos para a área externa e ele entendeu o que estava visualizando ele pirou. Pof! Começou a associar a várias coisas, a ligar com a luz, como forma a imagem, o que dá pra fazer. Filosofou sobre a vida, basicamente. (e ele tava com a camiseta das tartarugas ninjas, eu gostava muito quando era nova 😀 – acho que o meu preferido era o Raphael)

Foi quase como quando eu fazia as lentes de óculos, que não lembro se já comentei aqui. Eu comentei sobre isso numa palestra sobre fotografia analógica na Casa da Imagem (acho) e o Fausto Chermont até acordou na hora hehehe. Mas eu cortava lentes de óculos e éramos contratados para fazer óculos para muitas crianças. Uma empresa de seguros pagava tudo, eu só tinha que ir no mesmo dia que os médicos para fazer as medições e depois testar tudo nas crianças. Fiz isso também para empresas que cuidam de rodovias, muitos caminhoneiros com graus altíssimos… Enfim

Acontecia de crianças terem grau muito alto e a família nem sabia que precisava de óculos. Na fila tinha um menino com cara de sono, cansado. Não concentrava o olhar em nada. Ele sentou na minha frente e coloquei os óculos já ajustados no seu rosto, era um grau entre 5 a 8 graus talvez.. Ele finalmente me olhou naquele momento, bastante tempo me olhando, como se tivesse despertado e eu percebi que ele realmente começou a enxergar pela primeira vez na vida. E começou a scanear todo o ambiente com o olhar, percebia as formas, as pessoas, os objetos. A partir daquele momento eu sabia que todo aquele trabalho que eu não gostava de fazer, valeu a pena. E eu também sabia que eu precisava ir para outra área. Sem querer ou não, acabei trabalhando com os olhos e modos de ver em muitas atividades hehehe.

A reação do menino da foto e do menino dos óculos foram muito parecidas para mim.

Quando aprendi pinhole não tive esse encantamento, sei lá porque, mas queria ter aprendido antes. Vejo técnicas como ferramentas, não importa pra mim muito o tipo, o preço. Tento entender como funciona e aplicar.

Curiosamente, essas histórias são com meninos. Gostaria que fosse com meninas também, mas foram com meninos. De alguma forma eu sempre me senti um moleque na idade deles, porque eu fui criada apenas por meu pai e queria ser como ele, e era muito próxima do meu irmão, então eu parecia um menino até uns 13 anos acho. ( e também porque era meu jeito de me defender nesse mundo me escondendo um pouco) Acho que eu me realizo de novo, na vivência dessas crianças.

Outro relato que achei muito lindo na época e talvez já tenha escrito aqui. Uma vez fui dar curso de pinhole no Sesc Sorocaba e apareceu um pai com uma filha de talvez 20 e tantos anos. Ela fez a câmera calmamente e na hora de ir embora comentou que estava estudando em SP e que passava na casa dos pais nos fins de semana. Estava estudando medicina na Santa Casa e quando podia aproveitava para fazer alguma atividade do tipo para “lembrar que ainda é uma pessoa.”:)

Bazar 23 de Fevereiro no Imagineiro

Estamos organizando mais uma vez o Bazar de Fotografia ( especialmente analógica) para dia 23 de fevereiro de 2025, no atelier Imagineiro do Roger Sassaki. Mais uma vez estaremos com materiais do Celso Eberhardt também, filmes, materiais para lab e câmeras e objetivas.

Dia 23/02/25 10h às 17h Domingo

Rua Cardeal Arcoverde, 2007. Bairro Pinheiros – Cidade de São Paulo – SP – Brasil

A estação do metrô mais próxima é a Faria Lima. Saindo da estação, sentido Pedroso de Morais dá pra subir a Teodoro até a Rua Lacerda Franco, esquerda. Chegando na Cardeal, à direita.

– dá pra estacionar nas ruas próximas, já que é num domingo

Dos materiais do Celso tentamos fazer uma seleção mais pra Nikon, Canon. Muitas câmeras são mais para retirada de peças ou pra quem se anima consertar. Tem algumas objetivas Mamiya ou Pentax. Vamos ter materiais novos de laboratório como sempre, filmes e material para revelação.

Também o bazar acaba sendo uma oportunidade para conversar sobre fotografia, encontrar gente, falar bobagens ou coisas importantes.