esta semana estarei em São José do Rio Preto no Sesc, participando de uma atividade ligada a exposição do Eustáquio Neves, em que apresento alguns aspectos da fotografia e sua história. dia 01/11
E a fotografia começou com um objeto que era algo parecido com uma joia.
E estou aqui esse mês inventando uma atividade relacionada a essas duas atividades que pratico: foto e joalheria. É uma ideia que eu e Camila do Perséfone Lab desde 2021 estamos pensando e conversando e tentando viabilizar.
Estudo joalheria desde 2018, fiz curso no Senai, na Espmix e no Atelier Marcia Pompei. Minha ideia inicial era de ter uma opção de atividade para a minha irmã na verdade, caso fosse necessário. Também fiquei com receio na época de não ter muito trabalho relacionado aos processos históricos (eu sempre busquei opções além da fotografia porque essa é meio que a realidade, ainda mais numa área tão específica como a minha) Mas a verdade é que eu amo metais. E curiosamente, desde o primeiro contato eu tive muita facilidade para lidar com o material. Com a cerâmica tenho meus problemas (não fica reto, eu sofro muito) mas o metal é preciso.
Acabou que achei muitas semelhanças de ser ourives e laboratorista.
E então vai rolar dia 23 de setembro o workshop de cianotipia em metais. Essa é a novidade que estou matutando faz um bom tempo.
A Camila Fontana conheço do Bacharelado de Fotografia, eu sabia que ela estava com a joalheria mas quando fui fazer um curso na Espmix em 2020 não sabia que era ela que daria o curso. Aí na aula descobri que era! Foi pouco antes da pandemia que a gente conversou. Depois ela fundou sua escola (perto da minha casa, o que achei incrível) e nesse ano havia conversado com um ex colega do Senai sobre a fotografia e a joia, porque ele queria aprender o anthotype. Por isso, fiquei pensando se a ideia era viável, até porque fiz curso de galvanização para fazer daguerreotipia (tentar fazer direito) e eu tinha feito o curso com a Cris Bierrenbach de dag, mas pra ideia da joalheria a galvanização necessária pra foto era algo meio incomum. Desde 2019 estava eu fazendo testes em placas de prata pura (bem pequenas) mas – pandemia – acabou com minha coragem por um tempo e voltei a testar só ano passado. Só não postei nada porque se não gosto eu apago a imagem (é, até hoje não gostei de nada)
Enfim, tem a ver com minhas pesquisas em materiais e objetos.
Vou dizer que não foi fácil chegar nessa ideia. Lidei com muitas inseguranças e ainda lido a respeito do que faço, se é prático ou não, principalmente depois desse 2020 que tirou quase toda minha vontade de fotografar. Parei de fazer fotos de arquitetura para dar conta dos cursos. Ainda estou num hiato de organizar a mente relacionada ao processo criativo com as imagens. Tenho fotografado menos pra conseguir entender o que eu quero. Me questionei por muito tempo se eu resistiria a isso.
Então hoje um rapaz me escreve perguntando se teria indicações de lugar para começar a trabalhar com fotografia. É advogado criminalista mas desistiu da profissão para manter a saúde e a sanidade. Lá no lab e em muitos lugares onde dei aulas recebi muitas pessoas que sofriam muito com o trabalho e os médicos recomendam alguma atividade ligada a arte ou cultura. (não passou da hora da gente pensar num mundo de trabalho que a pessoa não adoeça?) Pedi seu portfolio para passar a quem eu lembrasse que precisaria de algum assistente ou algum trabalho. Resolvi ajudá-lo porque no seu currículo ele faz trabalho voluntário. Ajudo a montar portfolio, aulas que eu dava no curso técnico. Por isso, lembrei de recomendar o curso da Etec de Artes, de Processos Fotográficos, que abre as inscrições perto de abril só. Se eu pudesse criaria uma escola de fotografia gratuita mas já existe essa 🙂
Enfim, não existe uma profissão certa. Parece que a gente faz o que o coração pede. 🙂
Em 2014 Luis começou a me escrever perguntando de químicos de cianotipia. Perguntou dos preços dos kits. Alguns meses depois disse que comprou os químicos por conta e tentou fazer muitos cianotipos com muita perda de papel e químico. Ele achava que não tinha preparado o material químico do jeito correto.
Do Rio Grande do Sul, parecia que os recursos para pagar uma aula em São Paulo devia ser inviável, comecei a perguntar como estavam suas produções de cian. Resolvi naquele momento, ensiná-lo à distância, desde que ele me mostrasse seu desenvolvimento. Minha vontade sempre foi conhecer todos os Estados do Brasil, então eu tinha a esperança de um dia conhecê-lo. Nunca imaginei que desde então se tornaria um dos meus melhores amigos.
Luis, 80 e poucos anos e muitas dúvidas sobre cians. Foi entre muitas ocupações, arte educador na periferia, correu dos 50 até os 70 quando foi atropelado, desde então nadava e me escreveu que seu maior acerto na vida foi sua esposa.
Sei que você é tímido e estou expondo um pouco a sua vida mas achei que valia contar de alguma forma.
Seus cians estavam realmente um tanto fracos, mas não era nada muito absurdo. Acredito que era porque o resultado que queria precisava de um material específico, ou seu olho já estava pedindo um resultado melhor.
Nos correspodemos por oito anos, parando um pouco depois que descobriu um câncer. Luis parecia desanimado mas estava sempre nadando. Eu também não quis insistir, quando percebi que ele parecia cansado de falar da saúde que junto com a pandemia o deixava um pouco mais ansioso.
Um dia perguntei a ele sobre ideias e nomes para seu projeto com a cianotipia. O título: Vôos e mergulhos. Na justificativa me deu uma resposta típica de alguém que parece ter depressão. Não faço ideia e nunca vi uma foto de seu rosto. Mas não era algo que me incomodava. Não imagino como ele aparentava mas nunca parei para pensar muito.
Ontem eu escrevi para ele para ver se ele ia querer me responder. Agora que eu percebi que a mensagem retornou. Você deve ter já uns 89 anos, meu amigo. Espero que a doença não tenha te machucado muito. Que ainda faça muito vôos e principalmente mergulhos, que parecia que era o que você mais gostava. E espero que esteja em paz.
aqui, a primeira imagem que me enviou nos nossos estudos.
Semana passada começou a pré venda de um livro na qual tenho uma participação com duas imagens. Publicado pelo Selo Vertigem, reúne fotografias relacionadas ao grande viaduto que rasga a paisagem da zona oeste até o centro de São Paulo.
Já havia participado do livro sobre a Paulista e fiquei muito feliz de poder participar deste livro também. Nesta publicação as imagens de minha autoria foram do meu primeiro filme preto e branco, que fotografei e revelei eu mesma. Também foi a primeira saída fotográfica da qual participei na vida. (que só tinha três pessoas: eu, o professor e uma colega)
Faremos o lançamento dia 1 ou 2 de setembro ainda, por isso está com um desconto na pré venda.
Enfim, não tem muito a ver com processos fotográficos mas com um pouco do que fotografei.
é o dia e eu sempre quis fazer algo especial. Nos meus tempos de recém formada eu queria fazer várias coisas nesse dia. Fazer festival, workshops, exposições, mil eventos blabla…
Mas o possível atualmente será o bazar na rua Cardeal Arcoverde, 2007. No Imagineiro, atelier do Roger Sassaki. Nesta edição especial além dos produtos de sempre, Roger tem muito material de laboratório para venda e pensamos em alguma atividade especial.
No meu caso, quem quiser aprender a fazer ecobags com estampa de cianotipia, custa 80 reais com material, utilizando plantas como matriz. Se quiser imprimir um negativo fica 30 reais.
O Roger fará cartão estereoscópico pra quem comprar algo de no mínimo 15 reais no bazar.
E vou sortear um cofrinho em formato de bobina Ektar no bazar 🙂
Bazar Imagineiro – edição agosto
Rua Cardeal Arcoverde 2007 Pinheiros São Paulo SP
das 10h às 17h
Oficina cianobags – aprox 2 horas – 80 reais
Cartão estereoscópico – pra quem gastar no mínimo 15 reais
Primeira versão do curso em formato presencial êeeeee!!
E eu esqueci de anunciar aqui dessa vez, quando abriram as inscrições para credencial plena do Sesc, mas as inscrições para público geral é nesta quarta feira, pelo aplicativo ou pelo site do Sesc.
dia 19 de agosto – Bazar de fotografia no Imagineiro
o legal é que apesar de ser um curso teórico a ideia é mostrar como se faz alguns exemplos no laboratório. Junta a pesquisa prática e a que eu mais gosto de passar os dias pesquisando, sobre como as técnicas foram surgindo.
E logo mais espero ter mais novidades. Agosto vai ter bazar no Imagineiro, no dia mundial da fotografia. Vamos fazer uma oficina de cianotipia em sacolas de algodão e Roger Sassaki fará mini retratos em tintypes – os gem tintypes (deve custar algo em torno de 100 reais cada atividade) pode ser que não tenhamos essas atividades 😦 EDIT: atualizado no próximo post
Teremos materiais fotográficos para venda, usados e novos como usualmente. E como cai dia 19 de agosto, vai ser um dia depois do níver do migo Roger leonino, se alguém tiver a fim de só conhecer, dar parabéns e experimentar chocolatinhos kkkkk. (fica, vai ter bolo..)
dia 25 e 26 de agosto
vou oferecer um curso de marrom van dyke no mesmo local. Rua Cardeal Arcoverde 2007. São duas tardes, das 14h às 17h. no curso já tem incluso material, papel Platinum Rag, próprio para a técnica fotográfica, papel aquarela, negativos impressos e um kit de químicos de presente para cada participante. Logo anuncio aqui com o valor, estou esperando o Roger confirmar. Acredito que as inscrições serão feitas no site do Imagineiro. Essa também está em aberto. Muitas tarefas para resolver e não deu tempo de divulgar.
Este ano fui convidada para algumas atividades que nunca imaginei que começaria e por isso até fiz menos atividades relacionadas a cursos. Precisei me dedicar a leituras e acabo que sempre preciso repensar meu trabalho.
Eu sonhava há muitos anos trabalhar com cerâmica mas com o tempo desisti e fui seguindo dentro do que conseguia fazer. Acabei entrando um curso rápido em 2017 a 2018. Depois me envolvi com a joalheria, que para minha surpresa foi uma atividade que desde o início tive facilidade de lidar. Isso já faz uns cinco anos, na cerâmica, e uns 4 anos na joalheria. Depois da pandemia, voltei a trabalhar com a cerâmica com minha professora coreana. Sigo nessa onda, do barro ao metal.
Expo:
A Jornada – Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios 363. Bom Retiro
7 de julho a 29 de julho – Seg a sexta-feira -10h a 21h e sábados 10h a 17h
Sexta abriu mais uma exposição de cerâmicas na qual participo. (participei de uma ano passado mas não me senti à vontade para comentar aqui, porque eu tinha um trabalho muito pequeno) Está na Oficina Cultural Oswald de Andrade, chama-se A Jornada (amei o título). Meu trabalho lá é algo que nada tem a ver com a fotografia e de certa forma me intriga porque eu posso criar algo que eu não conseguiria fazer em imagens.
Minha professora de cerâmica é minha reconexão com a cultura da minha ascendência. Por isso o que eu tento fazer por lá de certa forma tem a ver com o que me conecta a Coreia e por isso tento fazer algo que me lembre do meu pai. Por isso, essa é a minha obra:
Meu pai pescava e ele gostava de libélulas. Quando ele falava de libélulas as descrevia com um tom que lembrava de uma criança. “Parecem helicópteros.”
Enquanto pensava em fazer algo na cerâmica um dia resolvi fazer o barco. Porque gosto de barcos e tudo relacionado a mar. Terminei o barco e fiz a baleia, tinha sobrado argila para fora do meu pacote e sem pensar muito fiz a baleia. Na verdade eu queria fazer um peixe mas a baleia é um ser misterioso pra mim. Terminei tudo e voltei outro dia, minha prof diz que minha obra está meio solitária. É, acho que eu penso assim mesmo. Então vou fazer uma libélula, mas teria que fazer de outro material. Eu pensei em fazer de titânio, com minhas técnicas de joalheria, que permite cores. Neste mês fiquei bem ocupada escrevendo um texto sobre fotografia e espero poder contar sobre isso logo mais, mas ainda não sei se vai para frente. Por isso não ficou exatamente do jeito que eu queria (a libélula), mas fiz.
Então entrego a última parte da minha obra e prof diz que falta o título. Demoro meio século pra pensar em título. Não consegui. Acho que como estava envolvida demais com o texto e com a ideia da libélula, de fazer uma, estava cansada demais. Estava sem minhas ferramentas, sem maçarico, sem politriz e não dava nem pra ir até onde eu poderia trabalhar, não daria tempo suficiente. Deixei meu trabalho de lado o dia inteiro, estava exausta e frustrada porque não consegui aplicar esmalte nessa peça. (esmalte de joalheria) Então vem o dia da abertura e minha professora pensa no melhor título. O sonho do pai.
Só posso dizer que é uma grande artista. Eu não teria feito nada sem ela.
Claro que o toque que mais lembra meu pai na obra é o durepox que cola a libélula no barco, já que ele colava tudo com durepox. Fica a parte cômica do meu melodorama. (melodrama com toques de Kdrama pra quem não entendeu)
Então não tem nada a ver com fotografia, desculpa se decepcionei alguém. Tenho me ocupado com o texto em que tento entregar um pouco da minha visão sobre a fotografia alternativa e ao mesmo tempo estudando história da cerâmica coreana (porque talvez eu dê uma aula sobre isso)
Mas para falar um pouco sobre a alternativa – por isso o título – é sobre esse tempo que a imagem que precisa. É criar algo sobre o real que não necessariamente descreve o real, que transborda o que você é. Pensar que essas ferramentas (hoje estou chamando os processos de ferramentas, porque é algo que te faz construir algo, não sei se é certo, tem feito sentido pra mim) podem abrir criações que vão além do tecnológico atual, que pode ser que funcione melhor em cima de um papel, de um metal ou até mesmo de uma cerâmica e que pode despertar um gatilho no momento certo. A argila e o metal têm me mostrado esse jeito de pensar também, que precisamos de algo fora do instantâneo pra perceber o que te sensibiliza.
(cheio de trocadilhos, foi sem querer mas gostei) 🙂
E quando eu dava aula no curso técnico eu dizia aos alunos que falavam de marcas de câmera. “qual comprar qual usar essa lente é boa” era o que eu ouvia. Muito. Eu dizia assim: ” A melhor câmera é aquela que você tem na mão.” Então pra completar eu diria: ” o melhor processo é aquele que você pode fazer, faça seu melhor” – dentro das suas possibilidades, do jeito que você consegue. (como diria Cortella)
E logo mais pode ser que role outra exposição relacionada a arte e K-pessoas.
(todos os meus textos eu dedico aos meus pais. Desejo que tenham uma vida com menos dor e sofrimento, no além, em algum planeta ou seja lá onde for)
Este ano participei com uma imagem de câmera obscura para esse calendário. Tenho para pronta entrega aqui em São Paulo, também está disponível em https://www.casadeeva.com.br/calendario-2023
O Calendário 2023 da Casa de Eva traz obras de doze artistas que trabalham com a câmera obscura. Cada obra ocupa sozinha uma página, sem interferência de texto; a impressão em papel estruturado e laminado possibilita que elas sejam guardadas ou emolduradas, permanecendo para além do tempo de vigência do calendário.
Ao final há um tutorial e molde para fabricação de uma pequena câmera de visualização. A câmera de visualização é um tipo de câmera obscura que permite apenas visualizar as imagens. A ideia é dar uma mostra do encantamento que cada artista vivencia ao produzir imagens com o auxílio de uma câmera obscura produzida por eles mesmos. E, quem sabe, incentivar a experimentação e produção artística.
A Casa de Eva promove projetos como esse para viabilizar sua agenda de exposições e cursos e divulgar as pesquisas de artistas da região de Campinas e de outras regiões do Brasil. Esta edição contou com a colaboração dos artistas Ana Angélica Costa, Luiz Alberto Guimarães, Maurício Sapata, Dirceu Maués, Monica Mansur, Elizabeth Lee, Tiago Rivaldo, Miguel Chikaoka, Paula Trope, Tatiana Altberg, Alexandre Sequeira e Angela Rolim.
É nesse carnaval que vai ter cianotipia em forma de postais e cadernos. Dia 20 e 21 de fevereiro às 10h, respectivamente. No Sesc Itaquera, retirada de ingressos meia hora antes da atividade.