Curso Materiais Sensíveis – Sesc Pompéia

post atrasado um pouquinho.

Hoje abriram as inscrições para os cursos regulares das Oficinas no Sesc Pompéia.

atrasado justamente porque as inscrições abriram para Credencial Plena às 14h. Masss as inscrições para público geral abrem dia 23 de fevereiro de 2022 às 14h. Link: bit.ly/inscricoes-sescpompeia 

https://www.sescsp.org.br/programacao/atividade-presencial-fotografia-com-material-fotossensivel-introducao/

Acima o Link do meu curso

é um curso que de início eu pensei em formato online, para quem nunca fez experiências fotográficas fotossensíveis. É uma mistura de conteúdo histórico com experiência fotoquímicas que deu vontade de fazer.

é aquela mancha que te faz pensar

Neste momento pandemia recebi dúvidas ao longo dos meses de pessoas que nuca fizeram nenhum processo analógico / histórico e estavam tentando por conta. Conversando aqui e ali com amigos, falando sobre as dificuldades de uma pessoa entender essas primeiras experiências sensíveis me fez pensar em algo meio além das técnicas, de forma a despertar mais essa noção de que as coisas de modificam com a luz.

É claro que vai ter muita história pra contar aí, nem só de prática vivemos. A vontade veio um pouco também das aulas de história online e da falta de poder tocar e mostrar as mudanças nos materiais que mencionava. Então não deixa de ser sobre a história da fotografia pra mim.

Hoje eu entrei no lab depois de dois anos. E estou tão acostumada com ele que parece que nem foi tanto tempo assim. Enfim, lab está lindão lá, espero que cada vez mais cheio nos próximos meses.

Agradeço demais ao Sesc por confiar no meu trabalho. 🙂

Câmera de madeira Roque com pola pinhole

sim! demorei pra fazer um post sobre essa câmera.

Na continuação das câmeras pinhole de madeira portuguesa, o próximo capítulo seria mostrar a reforma da Fá (a câmera para chassi 4×5) mas a verdade é que minha “oficina de marcenaria” inexiste e cada semana me deparo com algum desafio estrutural

Um belo dia eu olhei para a Roque, largada na minha bancada tentando respirar em meio ao pó e percebi que eu estava demorando muito para testar sua visão.

A Roque (Ro) foi feita para fotografar com polaroid, segundo a Fátima. Então como não deixa de ser uma homenagem que faço a ela, eu precisava terminar o projeto do jeito que deve ser. Para quem não leu os posts sobre a câmera de madeira portuguesa, essas câmeras eram de uma fotógrafa, Fátima Roque, que mandou fazê-las em Portugal e foram feitas por um artesão de lá. Mas elas nunca foram terminadas pois tinham alguns erro de projeto e a Fátima deixou as câmeras comigo e eu disse que ia consertar. Minha intenção era consertar para ela usar. Eu não imaginava que eu não ia conseguir retornar as pinholes para a Fátima, que faleceu alguns anos atrás e fiquei um tempo sem saber o que fazer.

Um dia achei que seria um desperdício ficar só na tristeza com as câmeras inacabadas e então tudo que faço com elas é uma intenção de continuar viva a memória dessa fotógrafa e prestar de algum modo uma homenagem.

ela é quase quadrada, o que dificulta um pouco o projeto

A dificuldade com essa câmera é que a proporção é muito diferente para um back polaroid. Eu teria que preencher um espaço de tal forma que não prejudicasse seu design de câmera artesanal. Coisa que eu ainda não consegui resolver.

Mas segui a mesma linha de pensamento para a Fa, de testar a câmera provisoriamente e ver se é necessário o ajuste de distância. Cortei uma parte dela, fiz uma parte de foamboard e encaixei o back com fita isolante. O furo feito na madeira é muito pequeno para uma parede tão grossa. Tive que aumentar a abertura de um jeito não muito bonito e fiz um pinhole provisório.

penso em cortar uma peça circular para a frente e fazer um furo em alumínio preto. mas por hora serve assim

Fiz o cálculo de distância entre o filme e furo, calculei a tabela de exposição e carreguei o chassi polaroid. Eu ainda tenho um Fp100C para back hasselblad. São meus últimos filmes. Depois disso acabou pra sempre provavelmente. Talvez eu converta para um back médio formato da mamiya ou para chassi de grande formato, já que a chance de conseguir mais pola é quase nula.

primeira foto

O dia estava nublado e o filme já está vencido. Por isso o desvio de cor eu já esperava ser grande. Conta também que pode estar entrando luz em alguma parte da câmera e isso pode afetar a cor. Deixei um minuto e meio e claro que eu não queria nem ficar com a cabeça parada esse tempo todo.

Temperatura 20 graus, a revelação é de 2 minutos. Só puxar a lingueta e esperar. Fiquei bem feliz com o resultado apesar de estar escuro, porque o dia estava bem escuro e chovendo muito. Eu precisava de algo pra me dar algum ânimo, já que esse ano não foi nada fácil.

fui no Parque Augusta para fotografar com ela.

Resolvi testar mais um dia. Mas novamente estava chovendo e nublado. Ainda assim quis testar e fui pra rua.

Parque vazio.
resultado.

Um minuto de exposição, 2 minutos de revelação a 20 graus. Agora vou testar com um filtro laranja ou magenta pra cortar um pouco desse azul e coloco mais fotos aqui. Eu queria colocar o passo a passo de como modifiquei mas ainda estou nesse processo de ao mesmo tempo não ter um lugar de trabalho definitivo e ficou com um projeto de câmera impreciso e bagunçado. Testando materiais e etc. Estou pensando em terminar com partes de aço ou alumínio. Uma indecisão sem fim

Curso de História dos Processos – Adelina – Sympla

vai ter curso online no instituto Adelina novamente. São 4 encontros a partir do dia 06 de dezembro e o evento está no Sympla.

https://www.sympla.com.br/curso–historia-dos-processos-fotograficos__1408406

Neste curso apresento um recorte da história de como as técnicas fotográficas surgiram e como algumas delas funcionam. A fotografia tem seu desenvolvimento a partir de diversos materiais e procedimentos desde o início do século XIX até o começo do século XX. E a respeito dos materiais são diversos mesmo. Desde plantas a ouro. A partir de materiais que reagem com a luz pelo escurecimento ou pelo endurecimento. Em metais, papéis, gelatina ou algodão solúvel.

E comento um pouco sobre a estrutura necessária para a produção do que hoje é mais conhecido como fotografia alternativa. A ideia é também mostrar algumas fórmulas e por isso também preparei um breve manual em pdf.

A possibilidade de captar imagens fez parte do imaginário de alguns muito antes da sua invenção. Isso é descrito por poetas e escritores desde o século V. (ah, os visionários poetas…)

Dentro dessa jornada foram muitas falhas e sucessos, muitos desconhecidos e alguns famosos. Como alguns aqui sabem, eu gosto das histórias daqueles que foram esquecidos e das técnicas igualmente de pouco sucesso.

Em 4 encontros vou abordar desde o princípio da formação da fotografia, como surgiu e quais as principais técnicas, ao seu desenvolvimento como negativos e cópias em técnicas de cianotipia, papel salgado, albumina, albumina em vidro, placa úmida e placa seca. Quais materiais são necessários para se produzir essas técnicas e suas referências e como montar um espaço para se trabalhar com a fotografia alternativa. Dentro do programa falo de anthotype, de daguerreotipos, calotipos, positivo de Bayard, a fotografia de Florence, entre outros. Vou falar sobre a fotografia colorida e a película de cinema, minha atual pesquisa. Comento também sobre como monto meus equipamentos e onde se encontra os materiais.

Químicos novos para ciano e como começar

Preparei químicos novos para cianotipia, versões solução única e separado em parte A e parte B. Atualmente só vou fazer os reagentes com o citrato verde. Com 50ml, 100ml e 250ml de solução única. E 100+100ml, 250+250ml de solução em duas partes.

Resolvi fazer a solução única porque praticando um pouco no lab, fiquei feliz de achar um frasco com o químico pronto e não ter que misturar na hora. Pensei que para uma pessoa começar a fazer o processo deve ser mais fácil, sem precisar medir.

Desenhei rótulos novos que ainda não estão do jeito que eu gostaria mas pelo menos está melhor que antes

Eu tento fazer uma embalagem que proteja bem sem encarecer o produto, para fazer frascos personalizados em formato eu precisaria pedir uma quantidade muito grande, que além de ser um investimento grande para um produto que não é super popular, também tem a questão de armazenamento. Guardar 5 mil frascos por sei lá quanto tempo não me parece uma boa opção.

Muitas vezes quando preparo esse material para distribuir também fica a dúvida de como seria melhor escrever as instruções de uso. Como eu faço o processo há bastante tempo, preciso pensar nas dúvidas que as pessoas teriam fazendo o ciano em casa, sozinhos.

Nessa parte, meu manual de instruções está bem sucinto, mas conforme as perguntas das pessoas vão surgindo, vou desenhando um jeito melhor de fazer esse material.

Mas se você é uma dessas pessoas que está na dúvida de como começar, vou tentar organizar aqui os primeiros passos.

1. Estabeleça se quer começar com negativos ou fotogramas. Se for negativo vai precisar mandar fazer ou comprar transparências para impressora. Se for fotogramas, separar os objetos que quer utilizar, como folhas, objetos pequenos e planos facilita, tecidos, recortes.

2. Separe os materiais: papel de arte, aquarela, gravura. Qualquer papel que aguente lavagens. Vou dar mais detalhes sobre papéis depois. Pincel para passar o químico. Pote para colocar o químico, como uma vasilha ou becker. Eu recomendo utilizar uma base para proteger a mesa de trabalho e um papel toalha ou jornal em cima dele. Só para não virar um lugar todo manchado e contaminado. Uma bandeja para fazer a lavagem. Luvas e um avental são uma norma de segurança. Esses itens não só servem para te proteger mas também para proteger o processo todo. É uma boa prática se você tem interesse em técnicas mais rigorosas no futuro. Gordura e sujeira da mão não facilitam em nada o trabalho num laboratório. Vai precisar também de uma placa de vidro e uma base para prensar tudo junto com vidro. Presilhas.

Um secador de cabelos ajuda. Se você quer secar os papéis para utilizar logo. Tenha em mente que quanto maior a temperatura do ar de secagem, maior a influência no contraste da cópia.

3. Um local com pouca luz, lâmpada incandescente ou led para iluminar. Fluorescentes evitem uv que vai só deixar seu papel velado. É bom ter um local para estender as cópias molhadas. Você vai precisar de água corrente e área com sol para expor os papéis.

4. Para quem quer fazer com negativos, precisa mandar fazer ou imprimir. Eu indico a ZAP fotolitos na Lapa, pois eles já estão acostumados a fazer esse material pra muita gente na fotografia. Na Galeria do rock também tem as impressões de silk que funcionam super bem, mas eu nunca mandei fazer lá. Se fizer em casa pode comprar transparências para sua impressora e tentar.

5. Químicos. Eu tenho à venda, mas também tem do Labclube no Rio de Janeiro e do Retratista. Tem alguns importados também. Quando tem parte A e B, é só juntar em partes iguais, exemplo: 10ml de A + 10ml de B.

Começando a deixar tudo azul:

Trabalhe numa iluminação baixa. Sem luz do sol muito próxima, de preferência luz rebatida na parede. Uma iluminação baixa como luz de velas por exemplo seria o suficiente. Misture o químico no recipiente. Separe seu papel.

Dica importante: anote data no verso do papel e alguns detalhes como nome do papel. Se vc tiver ou não sucesso, vai ser um jeito de você estabelecer um diário de trabalho.

Passe o químico no papel. Estou torcendo para que tenha lembrado da minha dica de utilizar uma base para esse passo, com um jornal ou algum papel que você possa sujar embaixo do seu papel lindo escolhido. Tente fazer uma chamada uniforme,

Secar o papel. Secar completamente. Ele não pode estar úmido, secar de verdade.

Com folhas secas ou negativo, prensar papel sensibilizado com a matriz escolhida dentro do vidro e placa junto com as presilhas.

Deixar no sol. O tempo de exposição vai variar de acordo com muitas condições mas no sol direto pode ser de dez minutos a vinte. Nublado pode ser de 1 hora a muitas horas.

Tirar do sol e lavar na bandeja. Até três minutos é suficiente. A base esverdeada deve sair por completo. Se demorar mais que isso, talvez seu papel não seja o ideal.

Secar e admirar seu trabalho. 😉

(depois eu anexo fotos) claro que tem muitos detalhes de todos os passos, mas aqui tentei fazer uma lista para quem quer começar e nunca fez, porque recebi algumas dúvidas nos últimos meses e se for útil para alguém, agradeço se puder me avisar. 🙂

WCD – Dia Mundial da Cianotipia

O dia foi 25 de setembro deste ano.

A Simone Wicca queria fazer uma imagem para o evento e me chamou. O tema desse ano foi Rejuvenecer. A ideia que ela deu era de fazer um tecido e expor ao sol como se ela estivesse nadando, porque era uma lembrança de sua infância e que nadar sempre remetia a esse tempo. Eu comentei com ela que quando criança não sabia nadar e que eu ia precisar de um barco para navegar nesse mar. Outra questão para mim é que não sou muito dos fotogramas, fico ligeiramente insatisfeita. Uma limitação minha. Quando posso, escolho pela imagem com negativos. Então coloquei uma foto minha com uns 7 anos de idade. Barcos de papel pra mim é muita da infância. A nossa proposta era fazer na praça, ela deitaria no tecido uns minutos e revelaríamos em seguida.

nossa imagem lá no site. 🙂

E nossa! Depois eu pensei como demorei para entrar em contato com o pessoal do alternativephotography.com . Como eu sou devagar… Foi incrível conversar com eles e logo mais teremos novidades a respeito disso.

A galeria do WCD https://www.alternativephotography.com/gallery/gallery-by-process/world-cyanotype-day-2021-gallery-rejuvenation/nggallery/page/10

O site também tem uma conta no instagram (como eu demorei pra ver isso também)  https://www.instagram.com/alternativephotography_com/

eu demorei pra ter uma conta no insta, mas a vida social é isso, se não está lá parece que a gente nem existe.

E como fizemos o processo todo:

Eu tinha um tecido de 2 metros. Inicialmente a Simone achou pouco O.o

Mas tinha e foi esse mesmo.

Fazer cianotipia em tecido. Lavei o tecido para retirar qualquer camada anti fúngica e sujeira também né. Também tem uma questão de pré encolhimento, mas neste caso nem estava preocupada com isso.

Deixei secar para não ficar pingando, mas até eu terminar de preparar um químico, já tinha secado mais do que precisava. Separei um ciano e utilizei cerca de 150ml. Coloquei numa bandeja de 50x60cm. Deixei secando no lab. Tirei fotos mas não são muito bonitas com luz fraca. Depois pequei um saco preto e levei para casa.

O clima não ajudou muito os planos da Simone de fazer um flashmob na praça. Choveu, trovejou e caiu muito granizo. Eu disse que era pra testar nossa coragem. Então como estava tudo molhado, falei pra ela que seria melhor desenhar sua silhueta no papel, porque seriam horas de exposição e que seria melhor deixar na varanda e esperamos sentados. E foi melhor mesmo. Chuviscou várias vezes, vento, nublado… somente no final do dia apareceu aquele sol depois das 16h que não ajuda muita na exposição U.V. mas contou.

Depois da exposição de 4 horas vestimos nossos aventais e luvas e fomos ao lab.

A Simone tem umas bandejas e trocamos a água umas 4 ou 5 vezes.

até a chuva quis contribuir com umas “bolhas” no fundo do mar.

tem um post da Simone sobre o assunto wiccaverna.wordpress.com

Vira vira cianotipia 2

Tempos atrás fiz um post sobre viragens.

Naquela época eu tentava mostrar apenas os procedimentos possíveis com materiais mais acessíveis. Chá, café.

Com o passar do tempo, refleti a respeito dessa opção de utilizar alimentos. Ainda é bem mais acessível do que comprar os reagentes mas ainda fico pensando.. devo tomar o café, oferecer pro santo ou passar no ciano?

Recebi um ácido tânico e resolvi fazer viragens, claro. Há possibilidade de utilizar cascas de árvores, especialmente daquelas que contém mais tanino. Os chás são utilizados justamente por isso. Mas é um tanino mais fraco.

Só que as medidas dos livros não funcionam muito bem para mim. Reage muito rápido e não dá tempo para acompanhar o desvanecer do azul e controlar o tom desejado.

Viragem ácido tânico – marrom avermelhado

Vou dar as medidas em colher de chá porque neste caso a quantidade é pequena, vai ser mais fácil do que medir.

Primeira parte: Rebaixador

Meia colher de chá para o carbonato de sódio em meio litro de água. Coloque a cópia nessa solução, aos poucos ela vai perder o azul. Se não tiver carbonato pode utilizar amônia que se vende em farmácia. Algumas gotas são suficiente. Ela é bem rápida para retirar o azul. Mas lembre que tem um cheiro bem forte.

Segunda parte: ácido tânico

Cerca de uma colher de chá de ácido tânico para 500ml de água. Eu começo assim. Então se for muito lento coloco mais. Dessa forma controlo melhor a intensidade de azul que quero deixar na cópia. Essa tende a ser mais lenta, cerca de vinte minutos. O resultado é visual, vai de acordo com a mudança de cor que se deseja.

Viragem roxa com ácido gálico. Pequenas paisagens

Viragem roxa

Primeira parte: Rebaixador

Igual ao anterior.

Segunda parte: ácido gálico

Cerca de meia colher de chá de ácido gálico. Com esse reagente a mudança de cor será muito mais rápida. Em poucos minutos a imagem ficará mais escura.

Nos dois tipos, após a viragem eu só lavo o papel por no máximo três minutos e deixo secar.

Viragem roxa é algo que faço há tempos, mas não sabia onde eu queria utilizar. Fiquei um tempo pensando nessa cor.

O roxo tem muito a ver com o azul. Historicamente e em alguns pigmentos são similares em sua estrutura.

Pensando nas ideias sobre azul, o roxo fez muito sentido para mim a fim de intensificar seus significados. Esse azul que tem algo de tão intenso e magnífico e que de certa forma pode parecer tão triste e introspectivo.

Eu estava lendo um livro sobre percepção da imagem. O livro começa sobre a importância do vazio na imagem. Próximo post vou escrever sobre isso.

O ácido gálico foi um dos primeiros reagentes utilizados como reveladores na fotografia.

Demonstrações de processos online

O Roger Sassaki está com atividades relacionadas à bolsa da Funarte e esse mês até o começo de outubro estão disponíveis algumas demonstrações online e gratuitas de calotipia, placa seca de gelatina e colodio úmido.

São três atividades e é possível se inscrever em todas para acompanhar a produção dos processos. Se alguém quiser fazer junto tem seis vagas disponíveis para acompanhamento durante as atividades e esses contemplados recebem o manual.

É uma oportunidade única e se alguém tiver o mínimo de estrutura, recomendo tentar. Para quem não tem os reagentes e tem a vontade de fazer, posso repassar os químicos que eu tenho, a preço de custo. Para a calotipia deu cerca de R$40 reais exceto o nitrato de prata que não tenho o suficiente pra repassar. (É uma média porque calculei meio rápido e não vi exatamente quanto precisa de fixador e revelador, nem valores de embalagens que não são caras)

Para a placa seca não calculei, até onde me lembro tenho todos os reagentes, inclusive a gelatina importada e se alguém se interessar também posso fazer o mesmo esquema. Só o nitrato de prata que deve ser comprado em casa de químico. Para de ter uma ideia, 15g de gelatina adox dá R$30 reais. Até placas de vidro já tenho cortadas e posso doar algumas.

Já aconteceu uma atividade de apresentação das técnicas.

https://www.imagineiro.com.br/introducao-a-producao-de-matrizes-fotograficas-do-seculo-19-calotipo-placa-umida-de-colodio-e-placa-seca-de-gelatina-com-roger-sassaki/?fbclid=IwAR2aE14rwPMwScsKu_fnP_XIzeJrX2z5DH2r4T8g1z2MB8UqjWElZ_qqzWk

Seria muito legal ver alguém aproveitando essa pesquisa e ficaria feliz de poder contribuir de alguma forma nesse processo. A calotipia foi um dos primeiros processos que tentei fazer sozinha. Mas na época não consegui terminar a pesquisa e acabei deixando de lado. Tenho esses materiais mas com certeza não vou usar tudo. É só me contatar. 🙂

Cianotipia – verde ou marrom ?

Por um bom tempo vendi o químico do cianotipo. Tinha só verde, depois não produziram mais. Fiquei só com o marrom mas hoje estou disponibilizando as variações verde e marrom. Eu não estava satisfeita com as embalagens – acho que nunca estou – mas para não deixar muito caro não faço as modificações que gostaria.

Então estou esperando um novo frasco chegar – preto, pois protege melhor mas em compensação tenho que comprar em quantidades maiores e investir mais. Por hora preparei no frasco âmbar. A embalagem âmbar é boa para guardar mas como ela não protege da luz, precisa deixar o frasco guardado dentro de uma caixa ou embalagem escura.

Os iniciantes ou aspirantes a fotografia azul podem ficar na dúvida quanto aos diferentes tipos de material de cianotipia que encontram: verde ou marrom? (mas eu quero azul, vai ficar azul?) Então achei melhor escrever um pouco sobre esse assunto.

Todos os kits para cianotipia qualquer um ficará azul! êê!!

Mas tem duas versões mais conhecidas. o MARROM é um pouco mais lento. O VERDE mais rápido.

O kit pode ser produzido com o Citrato férrico amoniacal MARROM ou o Citrato férrico amoniacal VERDE. A cor no nome do químico se dá pela aparência do reagente mas seu resultado da imagem será sempre azul.

Qual a diferença visual? O marrom dá uma nuance mais fria. o verde é mais brilhante. (mas a diferença é bem sutil)

material para cianotipia

E o tempo de exposição? Depende. A verdade é que o citrato férrico tem uma variação enorme em relação à quantidade de ferro. E isso sempre vai variar muito de lote pra lote. Então para alguns pode dar de 30% a 50% a mais de tempo de exposição no marrom comparado ao verde. (não é um dado estatístico, na prática é mais ou menos isso, ou seja, demora um pouco mais no marrom sim)

Mas então qual que eu compro? Pra quem está começando o Verde é mais fácil. Porque ele tende a manchar menos caso escolha um papel de textura mais aparente ou um papel de qualidade mais baixa. Papéis com pouca encolagem também darão mais trabalho com o marrom. Então é mais fácil dar certo com o verde.

O marrom é mais básico, tende a dar menos problemas de conservação. O verde é mais ácido, pode dar mais problemas de conservação.

Qual que você gosta pessoalmente??? Dos dois. Não tenho filho preferido. Quando estou com pressa ou nas aulas uso o verde por garantia e comodidade, já que preciso fazer funcionar pra pelo menos umas 15 pessoas de uma vez em poucas horas. Mas pra meu trabalho gosto sim do marrom. Porque eu gosto do tom frio, ou se utilizo um bom papel e bem preparado. Ele é lento mesmo, eu também sou. Mas não uso só ele. Uso o que está na mão primeiro.

Ai… agora você me deixou mais na dúvida…

Então compra o que vai no seu coração. ou no bolso.

Por isso para quem está começando resolvi preparar embalagens menores para o custo ficar mais baixo. Esse da foto fiz com 50ml. A ideia surgiu faz um tempo, pensando que para uma pessoa começar seria um investimento mais alto mesmo, já ter 120ml na mão e sem saber se vai gostar.

Coloquei na lojinha do @rebobina.lab pra facilitar para as pessoas.

Vou colocar testes comparativos (tô devendo testes pra variar) logo atualizo esse post. (prometo, esse blog nasceu mais como uma intenção de diário/semanário)

E estou preparando kits com material para viragens também. Achei bonitinho.

Câmera portuguesa – pinhole Fá teste inicial

Então voltando aos resultados da câmera pinhole.

Eu fiz um teste com a câmera no Minhocão. Lembram que precisava ser reformada? Pois bem, para ter certeza do que era necessário ser feito, testei. Tinha uma chapa extra vencida de T64. E queria mostrar também o que a câmera enxerga, exatamente do jeito que recebi.

E o resultado:

Então a entrada de luz já era esperada. A faixa branca do lado direito já imaginava que teria. O que eu não sabia era o tamanho da vinheta. Essa aparência de olhando por um buraco se deu pela espessura da madeira onde está o furo.

Percebe a semelhança da vinheta?

Como a espessura é muito funda, ela limita a formação da imagem. O correto é ser mais fina. Então preciso ou aumentar o furo na madeira, ou diminuir a espessura ao redor.

O furo fiz com alumínio de latinha de bebida. Pode ser que seja trocado, já que provavelmente vou alterar um pouco a distância.

E claro, farei um “obturador” de madeira ou metal. Para testar fiz um temporário de fita isolante e plástico preto.

Azul… blue, bleu, paran, ao e cianotipia

Azul é o tema de hoje. Faz tempo quero escrever sobre o que ando lendo sobre azul. E Claro!! Cianotipia

Pra começar, o cianotipo é uma técnica que resulta numa imagem azul. No entanto seus reagentes são de cor marrom, verde e laranja.

São duas partes mais conhecidas: o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio. O primeiro é sintetizado como marrom e como verde, sendo este último mais sensível à luz. o ferricianeto é laranja.

Porém John Herschel ao pesquisar e inventar a fórmula a fez com o citrato marrom. A variação verde só foi inventada mais pra frente, como logo vou explicar. E como aqui nessas terras maravilhosas tupiniquins não encontramos mais o citrato verde a um preço razoável (pensar que o cianotipo seria o processo mais barato) eu tenho usado o marrom mesmo. De acordo com o papel utilizado ele acaba manchando mais portanto nem sempre é adorado. E realmente demora mais tempo na exposição então não é bom pra quem tem pressa ou pra quem está acostumado com o citrato verde.

Muitas vezes quando em contato com pessoas que vêem um cianotipo pela primeira vez ocorre um estranhamento pela imagem azul. No laboratório do Sesc já vi muito nariz torcido, porém muito encantamento por outros.

Por volta de 1998 eu procurei informações sobre fotografia e me deparei com um texto sobre cianotipia e queria saber mais. Na época não consegui e acabei deixando pra lá depois de um tempo, pois estava bem difícil. Mas acabei encontrando com ele novamente na faculdade e meu mundo estava lá, nessas fórmulas aplicadas em vidros e papéis estranhos.

Vamos aos dados interessantes? John Herschel descobre essa técnica em 23 de abril de 1842.

E o trabalho mais interessante e conhecido da época foi o livro de Anna Atkins

No século XIX muitos profissionais não aceitavam o ciano (vou chamar assim carinhosamente) e alguns eram bem críticos em relação ao processo azul.

No one but a vandal would print a landscape in red, or in cyanotype.”

E o azul é o que para você?

Alvin Langdon Coburn simplesmente não o aceitava.

Pra mim qualquer processo fotográfico me chama a atenção. E talvez seja uma questão de entender o que funciona melhor como imagem. Também a questão de custo seja algo a se considerar num processo criativo. Sempre foi uma questão para mim pensar no processo e imaginar que suas características podem conversar com a ideia da imagem. É algo que penso e sempre falo: o que é importante para você mostrar numa fotografia?

O azul já foi algo raro. Alguns o associam com tristeza, outros não. Eu escutava muito Billie Holiday e nas músicas dela o azul de “Blue Moon” me dava a sensação de tristeza. Eu sou apaixonada pelas suas músicas mas teve um momento que precisei parar de escutar tanto, já que sua vida foi rodeada de tristeza.

Assisti um curta francês Chien Bleu. A história é sobre um senhor que não sai de casa porque tem medo e ele se cerca de azul porque acredita que estará protegido. O seu filho de certa forma é a conexão com o lado de fora. O filho encontra uma moça com um lenço azul e a convivência com ela transforma o olhar da família. Depois uma pessoa que morou na França me explicou que o azul lá tem a ver com a tristeza também.

Escrevi “paran” no título porque é azul em coreano. Paransek. Nas roupas tradicionais se utilizam cinco cores. No caso do azul ele representa o leste, primavera, árvore, fígado, deleite e benevolência.

“ao” porque é o nome da cor em japonês. Na verdade eu coloquei pra eu lembrar que existem memórias tristes e felizes em relação a cor. E em relação ao Japão pra mim é a mesma questão. Acho que não cabe no tema agora explicar.

Já tive muitas roupas azuis mas percebia pelo espelho que não combinava tanto comigo, então parei de comprar roupas azuis.

Curiosamente, esses processos históricos são mais sensíveis ao azul.

A palavra ciano vem do grego Kyaneos que significa azul escuro.

O pigmento azul da Prússia já era uma cor importante cem anos antes do surgimento do cianotipo, segundo Ware.

O pigmento surge no século XVIII e é um dos primeiros pigmentos sintéticos da história.

Niepce antes de inventar seu processo fotográfico trabalhou com tingimento índigo.

Basicamente o que temos como resultado do cianotipo é azul da Prússia.

ions ferrosos + ions ferricianeto — azul da prússia

Segundo Ware, nas observações de Herschel existem cerca de quinze variações para produzir imagens com o azul da Prússia.

Durante essa semana, ops mês vou fazer uns vídeos sobre cianotipia e antotipia e vou colocar no youtube pra colocar aqui. E também para o curso que estou ministrando neste mês. Num curso de ciano não dá pra falar metade do que eu gostaria de cianotipia, mas vou tentar colocar pelo menos alguma coisa aqui e ali.

O que diferencia a fórmula com citrato marrom ou verde? Pois é, antes eu pensava que colocar mais citrato marrom era melhor mas errei completamente. Como o marrom tem mais ferro o correto seria colocar menos dele.

Como eu comentei, o processo de Herschel foi iniciado com o citrato marrom. Somente em 1897 que a substância verde surge por Eduard Valenta (1857-1937) O citrato férrico amoniacal verde é mais ácido e mais sensível à luz, portanto mais rápido. Mas além dessa diferença, Ware também apresenta alguns dados interessantes.

Em relação ao azul, o marrom seria um tom mais frio e o citrato verde seria mais brilhante. (por isso também que gosto do citrato marrom, esse tom frio acho bonito) Em relação à resistência da imagem o citrato marrom é mais estável, quando o verde tende a se apagar um pouco.

Quem gritou de alegria quando a cor azul surgiu?

Pablo Neruda 1904-1973 – citado por Ware 2020 – p122

Costumo chamar o ciano como processo de cópia. Não aprendi assim, com o tempo precisei de termos para explicar as diferenças até pra ficar mais fácil para mim. Porque não é uma técnica que comumente se faz em câmera. É mais utilizada para produzir cópias de um negativo.

Mas parando para pensar no uso do ciano, realmente uma paisagem não é tanto para ele. Lá em cima coloquei uma citação. Acho que o ciano pode ser muito mais profundo, realmente deep blue.

Dá pra refletir muito em relação a sua profundidade de azul, sobre a paisagem interna. Eu tenho realizado uma série sobre um sonho que tive, relacionado à pandemia. E para mim é esse azul que fala mais do que a gente pode enxergar.