Vira vira cianotipia 2

Tempos atrás fiz um post sobre viragens.

Naquela época eu tentava mostrar apenas os procedimentos possíveis com materiais mais acessíveis. Chá, café.

Com o passar do tempo, refleti a respeito dessa opção de utilizar alimentos. Ainda é bem mais acessível do que comprar os reagentes mas ainda fico pensando.. devo tomar o café, oferecer pro santo ou passar no ciano?

Recebi um ácido tânico e resolvi fazer viragens, claro. Há possibilidade de utilizar cascas de árvores, especialmente daquelas que contém mais tanino. Os chás são utilizados justamente por isso. Mas é um tanino mais fraco.

Só que as medidas dos livros não funcionam muito bem para mim. Reage muito rápido e não dá tempo para acompanhar o desvanecer do azul e controlar o tom desejado.

Viragem ácido tânico – marrom avermelhado

Vou dar as medidas em colher de chá porque neste caso a quantidade é pequena, vai ser mais fácil do que medir.

Primeira parte: Rebaixador

Meia colher de chá para o carbonato de sódio em meio litro de água. Coloque a cópia nessa solução, aos poucos ela vai perder o azul. Se não tiver carbonato pode utilizar amônia que se vende em farmácia. Algumas gotas são suficiente. Ela é bem rápida para retirar o azul. Mas lembre que tem um cheiro bem forte.

Segunda parte: ácido tânico

Cerca de uma colher de chá de ácido tânico para 500ml de água. Eu começo assim. Então se for muito lento coloco mais. Dessa forma controlo melhor a intensidade de azul que quero deixar na cópia. Essa tende a ser mais lenta, cerca de vinte minutos. O resultado é visual, vai de acordo com a mudança de cor que se deseja.

Viragem roxa com ácido gálico. Pequenas paisagens

Viragem roxa

Primeira parte: Rebaixador

Igual ao anterior.

Segunda parte: ácido gálico

Cerca de meia colher de chá de ácido gálico. Com esse reagente a mudança de cor será muito mais rápida. Em poucos minutos a imagem ficará mais escura.

Nos dois tipos, após a viragem eu só lavo o papel por no máximo três minutos e deixo secar.

Viragem roxa é algo que faço há tempos, mas não sabia onde eu queria utilizar. Fiquei um tempo pensando nessa cor.

O roxo tem muito a ver com o azul. Historicamente e em alguns pigmentos são similares em sua estrutura.

Pensando nas ideias sobre azul, o roxo fez muito sentido para mim a fim de intensificar seus significados. Esse azul que tem algo de tão intenso e magnífico e que de certa forma pode parecer tão triste e introspectivo.

Eu estava lendo um livro sobre percepção da imagem. O livro começa sobre a importância do vazio na imagem. Próximo post vou escrever sobre isso.

O ácido gálico foi um dos primeiros reagentes utilizados como reveladores na fotografia.

Demonstrações de processos online

O Roger Sassaki está com atividades relacionadas à bolsa da Funarte e esse mês até o começo de outubro estão disponíveis algumas demonstrações online e gratuitas de calotipia, placa seca de gelatina e colodio úmido.

São três atividades e é possível se inscrever em todas para acompanhar a produção dos processos. Se alguém quiser fazer junto tem seis vagas disponíveis para acompanhamento durante as atividades e esses contemplados recebem o manual.

É uma oportunidade única e se alguém tiver o mínimo de estrutura, recomendo tentar. Para quem não tem os reagentes e tem a vontade de fazer, posso repassar os químicos que eu tenho, a preço de custo. Para a calotipia deu cerca de R$40 reais exceto o nitrato de prata que não tenho o suficiente pra repassar. (É uma média porque calculei meio rápido e não vi exatamente quanto precisa de fixador e revelador, nem valores de embalagens que não são caras)

Para a placa seca não calculei, até onde me lembro tenho todos os reagentes, inclusive a gelatina importada e se alguém se interessar também posso fazer o mesmo esquema. Só o nitrato de prata que deve ser comprado em casa de químico. Para de ter uma ideia, 15g de gelatina adox dá R$30 reais. Até placas de vidro já tenho cortadas e posso doar algumas.

Já aconteceu uma atividade de apresentação das técnicas.

https://www.imagineiro.com.br/introducao-a-producao-de-matrizes-fotograficas-do-seculo-19-calotipo-placa-umida-de-colodio-e-placa-seca-de-gelatina-com-roger-sassaki/?fbclid=IwAR2aE14rwPMwScsKu_fnP_XIzeJrX2z5DH2r4T8g1z2MB8UqjWElZ_qqzWk

Seria muito legal ver alguém aproveitando essa pesquisa e ficaria feliz de poder contribuir de alguma forma nesse processo. A calotipia foi um dos primeiros processos que tentei fazer sozinha. Mas na época não consegui terminar a pesquisa e acabei deixando de lado. Tenho esses materiais mas com certeza não vou usar tudo. É só me contatar. 🙂

Cianotipia – verde ou marrom ?

Por um bom tempo vendi o químico do cianotipo. Tinha só verde, depois não produziram mais. Fiquei só com o marrom mas hoje estou disponibilizando as variações verde e marrom. Eu não estava satisfeita com as embalagens – acho que nunca estou – mas para não deixar muito caro não faço as modificações que gostaria.

Então estou esperando um novo frasco chegar – preto, pois protege melhor mas em compensação tenho que comprar em quantidades maiores e investir mais. Por hora preparei no frasco âmbar. A embalagem âmbar é boa para guardar mas como ela não protege da luz, precisa deixar o frasco guardado dentro de uma caixa ou embalagem escura.

Os iniciantes ou aspirantes a fotografia azul podem ficar na dúvida quanto aos diferentes tipos de material de cianotipia que encontram: verde ou marrom? (mas eu quero azul, vai ficar azul?) Então achei melhor escrever um pouco sobre esse assunto.

Todos os kits para cianotipia qualquer um ficará azul! êê!!

Mas tem duas versões mais conhecidas. o MARROM é um pouco mais lento. O VERDE mais rápido.

O kit pode ser produzido com o Citrato férrico amoniacal MARROM ou o Citrato férrico amoniacal VERDE. A cor no nome do químico se dá pela aparência do reagente mas seu resultado da imagem será sempre azul.

Qual a diferença visual? O marrom dá uma nuance mais fria. o verde é mais brilhante. (mas a diferença é bem sutil)

material para cianotipia

E o tempo de exposição? Depende. A verdade é que o citrato férrico tem uma variação enorme em relação à quantidade de ferro. E isso sempre vai variar muito de lote pra lote. Então para alguns pode dar de 30% a 50% a mais de tempo de exposição no marrom comparado ao verde. (não é um dado estatístico, na prática é mais ou menos isso, ou seja, demora um pouco mais no marrom sim)

Mas então qual que eu compro? Pra quem está começando o Verde é mais fácil. Porque ele tende a manchar menos caso escolha um papel de textura mais aparente ou um papel de qualidade mais baixa. Papéis com pouca encolagem também darão mais trabalho com o marrom. Então é mais fácil dar certo com o verde.

O marrom é mais básico, tende a dar menos problemas de conservação. O verde é mais ácido, pode dar mais problemas de conservação.

Qual que você gosta pessoalmente??? Dos dois. Não tenho filho preferido. Quando estou com pressa ou nas aulas uso o verde por garantia e comodidade, já que preciso fazer funcionar pra pelo menos umas 15 pessoas de uma vez em poucas horas. Mas pra meu trabalho gosto sim do marrom. Porque eu gosto do tom frio, ou se utilizo um bom papel e bem preparado. Ele é lento mesmo, eu também sou. Mas não uso só ele. Uso o que está na mão primeiro.

Ai… agora você me deixou mais na dúvida…

Então compra o que vai no seu coração. ou no bolso.

Por isso para quem está começando resolvi preparar embalagens menores para o custo ficar mais baixo. Esse da foto fiz com 50ml. A ideia surgiu faz um tempo, pensando que para uma pessoa começar seria um investimento mais alto mesmo, já ter 120ml na mão e sem saber se vai gostar.

Coloquei na lojinha do @rebobina.lab pra facilitar para as pessoas.

Vou colocar testes comparativos (tô devendo testes pra variar) logo atualizo esse post. (prometo, esse blog nasceu mais como uma intenção de diário/semanário)

E estou preparando kits com material para viragens também. Achei bonitinho.

Câmera portuguesa – pinhole Fá teste inicial

Então voltando aos resultados da câmera pinhole.

Eu fiz um teste com a câmera no Minhocão. Lembram que precisava ser reformada? Pois bem, para ter certeza do que era necessário ser feito, testei. Tinha uma chapa extra vencida de T64. E queria mostrar também o que a câmera enxerga, exatamente do jeito que recebi.

E o resultado:

Então a entrada de luz já era esperada. A faixa branca do lado direito já imaginava que teria. O que eu não sabia era o tamanho da vinheta. Essa aparência de olhando por um buraco se deu pela espessura da madeira onde está o furo.

Percebe a semelhança da vinheta?

Como a espessura é muito funda, ela limita a formação da imagem. O correto é ser mais fina. Então preciso ou aumentar o furo na madeira, ou diminuir a espessura ao redor.

O furo fiz com alumínio de latinha de bebida. Pode ser que seja trocado, já que provavelmente vou alterar um pouco a distância.

E claro, farei um “obturador” de madeira ou metal. Para testar fiz um temporário de fita isolante e plástico preto.

Azul… blue, bleu, paran, ao e cianotipia

Azul é o tema de hoje. Faz tempo quero escrever sobre o que ando lendo sobre azul. E Claro!! Cianotipia

Pra começar, o cianotipo é uma técnica que resulta numa imagem azul. No entanto seus reagentes são de cor marrom, verde e laranja.

São duas partes mais conhecidas: o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio. O primeiro é sintetizado como marrom e como verde, sendo este último mais sensível à luz. o ferricianeto é laranja.

Porém John Herschel ao pesquisar e inventar a fórmula a fez com o citrato marrom. A variação verde só foi inventada mais pra frente, como logo vou explicar. E como aqui nessas terras maravilhosas tupiniquins não encontramos mais o citrato verde a um preço razoável (pensar que o cianotipo seria o processo mais barato) eu tenho usado o marrom mesmo. De acordo com o papel utilizado ele acaba manchando mais portanto nem sempre é adorado. E realmente demora mais tempo na exposição então não é bom pra quem tem pressa ou pra quem está acostumado com o citrato verde.

Muitas vezes quando em contato com pessoas que vêem um cianotipo pela primeira vez ocorre um estranhamento pela imagem azul. No laboratório do Sesc já vi muito nariz torcido, porém muito encantamento por outros.

Por volta de 1998 eu procurei informações sobre fotografia e me deparei com um texto sobre cianotipia e queria saber mais. Na época não consegui e acabei deixando pra lá depois de um tempo, pois estava bem difícil. Mas acabei encontrando com ele novamente na faculdade e meu mundo estava lá, nessas fórmulas aplicadas em vidros e papéis estranhos.

Vamos aos dados interessantes? John Herschel descobre essa técnica em 23 de abril de 1842.

E o trabalho mais interessante e conhecido da época foi o livro de Anna Atkins

No século XIX muitos profissionais não aceitavam o ciano (vou chamar assim carinhosamente) e alguns eram bem críticos em relação ao processo azul.

No one but a vandal would print a landscape in red, or in cyanotype.”

E o azul é o que para você?

Alvin Langdon Coburn simplesmente não o aceitava.

Pra mim qualquer processo fotográfico me chama a atenção. E talvez seja uma questão de entender o que funciona melhor como imagem. Também a questão de custo seja algo a se considerar num processo criativo. Sempre foi uma questão para mim pensar no processo e imaginar que suas características podem conversar com a ideia da imagem. É algo que penso e sempre falo: o que é importante para você mostrar numa fotografia?

O azul já foi algo raro. Alguns o associam com tristeza, outros não. Eu escutava muito Billie Holiday e nas músicas dela o azul de “Blue Moon” me dava a sensação de tristeza. Eu sou apaixonada pelas suas músicas mas teve um momento que precisei parar de escutar tanto, já que sua vida foi rodeada de tristeza.

Assisti um curta francês Chien Bleu. A história é sobre um senhor que não sai de casa porque tem medo e ele se cerca de azul porque acredita que estará protegido. O seu filho de certa forma é a conexão com o lado de fora. O filho encontra uma moça com um lenço azul e a convivência com ela transforma o olhar da família. Depois uma pessoa que morou na França me explicou que o azul lá tem a ver com a tristeza também.

Escrevi “paran” no título porque é azul em coreano. Paransek. Nas roupas tradicionais se utilizam cinco cores. No caso do azul ele representa o leste, primavera, árvore, fígado, deleite e benevolência.

“ao” porque é o nome da cor em japonês. Na verdade eu coloquei pra eu lembrar que existem memórias tristes e felizes em relação a cor. E em relação ao Japão pra mim é a mesma questão. Acho que não cabe no tema agora explicar.

Já tive muitas roupas azuis mas percebia pelo espelho que não combinava tanto comigo, então parei de comprar roupas azuis.

Curiosamente, esses processos históricos são mais sensíveis ao azul.

A palavra ciano vem do grego Kyaneos que significa azul escuro.

O pigmento azul da Prússia já era uma cor importante cem anos antes do surgimento do cianotipo, segundo Ware.

O pigmento surge no século XVIII e é um dos primeiros pigmentos sintéticos da história.

Niepce antes de inventar seu processo fotográfico trabalhou com tingimento índigo.

Basicamente o que temos como resultado do cianotipo é azul da Prússia.

ions ferrosos + ions ferricianeto — azul da prússia

Segundo Ware, nas observações de Herschel existem cerca de quinze variações para produzir imagens com o azul da Prússia.

Durante essa semana, ops mês vou fazer uns vídeos sobre cianotipia e antotipia e vou colocar no youtube pra colocar aqui. E também para o curso que estou ministrando neste mês. Num curso de ciano não dá pra falar metade do que eu gostaria de cianotipia, mas vou tentar colocar pelo menos alguma coisa aqui e ali.

O que diferencia a fórmula com citrato marrom ou verde? Pois é, antes eu pensava que colocar mais citrato marrom era melhor mas errei completamente. Como o marrom tem mais ferro o correto seria colocar menos dele.

Como eu comentei, o processo de Herschel foi iniciado com o citrato marrom. Somente em 1897 que a substância verde surge por Eduard Valenta (1857-1937) O citrato férrico amoniacal verde é mais ácido e mais sensível à luz, portanto mais rápido. Mas além dessa diferença, Ware também apresenta alguns dados interessantes.

Em relação ao azul, o marrom seria um tom mais frio e o citrato verde seria mais brilhante. (por isso também que gosto do citrato marrom, esse tom frio acho bonito) Em relação à resistência da imagem o citrato marrom é mais estável, quando o verde tende a se apagar um pouco.

Quem gritou de alegria quando a cor azul surgiu?

Pablo Neruda 1904-1973 – citado por Ware 2020 – p122

Costumo chamar o ciano como processo de cópia. Não aprendi assim, com o tempo precisei de termos para explicar as diferenças até pra ficar mais fácil para mim. Porque não é uma técnica que comumente se faz em câmera. É mais utilizada para produzir cópias de um negativo.

Mas parando para pensar no uso do ciano, realmente uma paisagem não é tanto para ele. Lá em cima coloquei uma citação. Acho que o ciano pode ser muito mais profundo, realmente deep blue.

Dá pra refletir muito em relação a sua profundidade de azul, sobre a paisagem interna. Eu tenho realizado uma série sobre um sonho que tive, relacionado à pandemia. E para mim é esse azul que fala mais do que a gente pode enxergar.

Amanhã inscrições para os cursos online do Sesc Pompéia

Vai ter curso online de História das técnicas fotográficas. De 25/06 a 20/8 sextas 14h a 16h

Dia 8/6 14h inscrições http://bit.ly/inscricoes-sescpompeia
Lista de cursos http://bit.ly/oficinas-sescpompeia-2021

HISTÓRIA DAS TÉCNICAS FOTOGRÁFICAS, com Elizabeth Lee

A proposta deste curso é apresentar a história das técnicas fotográficas. A busca pelo registro fotográfico envolveu a pesquisa de diversos materiais fotossensíveis. No século XIX a invenção da fotografia foi concretizada por cientistas, pesquisadores, artistas, desenhistas, entre outros. Técnicas como cianotipia, daguerreotipia, colódio úmido, papel salgado, goma bicromatada são alguns exemplos de nomes desses processos que iremos estudar.

Datas/horário: Sextas-feiras, dias 25/06, 02, (09/7 não haverá aula – feriado SP da Revolução Const.), 16, 23, 30/07, 06, 13 e 20/08, das 14h às 16h
Vagas: 70

Câmeras de madeira portuguesas sim senhor

A história é longa.  Vou fazer por partes.

Hoje escrevo um pouco sobre duas portuguesas. As câmeras pinhole (que deveriam ser pinhole) que recebi da Fátima Roque. Vou começar pelas câmeras.

Esta é a Roque, da esquerda. Da direita é minha pinhole polaroid.
Esta é a Fátima. Junto com o chassi de 4×5 para a qual ela foi feita.

Até onde sei ela não chegou a usar, porque as duas estavam com dois problemas de cálculo. E perfeccionista do jeito que era, acho que ela sofreu quando viu que estavam com problemas. Digo que deveriam ser câmeras pinhole (entre parênteses lá em cima)  porque não foram completadas. Faltavam detalhes, ainda nem estavam pintadas por dentro, sem acabamento, sem obturador que funcionasse, sem vedação, sem teste. Câmera sem teste ainda não é câmera.  A primeira era para polaroid mesmo, porém não sei se foi feita para um back pola específico. Resolvi adaptar para um back médio formato da hasselblad. Originalmente o back era para polaroid, mas de fato será usado com filme fuji fp100c.

A segunda câmera está linda mas o chassi ficou mais no alto, o que faz com que a câmera não alcance todo o filme no chassi. Parte dele fica “batendo” na parede de cima. Só que antes de fazer o ajuste necessário, achei melhor testar o ângulo de visão dela e depois fazer a cirurgia.

Para isso fiz um obturador temporário.

Como ela está como grande angular acho que vou fazer algum ajuste para ela ficar um pouco mais fechada, para um ângulo mais normal, com menor distorção. E fiz um pinhole para a distância que está agora.

Eu adoro agulhas de acupuntura para construir as câmeras

Essas agulhas são usadas para acupuntura das mãos, a acupuntura coreana. (Dói demais) Muito muito tempo atrás eu estudei um pouco, já que meu pai estudou e em muitos casos me ajudou bastante. Só que aplicar em mim mesma é difícil. Hoje só uso para fazer as minhas câmeras, meu tratamento artístico medicinal. 😀 mas para esta câmera usei as agulhas de costura por causa do tamanho. É um pinhole temporário. Quero arranjar um metal mais resistente para essas câmeras, para não correr risco de ficar amassado.

Até fiz um post rápido no Instagram mas para mostrar os detalhes vou colocar aqui.

Agora vou explicar um pouco sobre quem foi a Fátima Roque. Ela foi uma fotógrafa e tinha um trabalho com pinhole. A família era de Portugal, ela sempre viajava para lá e um dia encomendou para um artesão duas câmeras de madeira. Para um artesão que não está acostumado a construir câmeras é realmente difícil entender a lógica do que se precisa para realizar um trabalho desse tipo. Por isso que quando resolvi montar materiais para fotografia, fiz eu mesma. Porque mesmo explicando, desenhando, com projeto e tudo, achar alguém que tope e faça do jeito que você quer é uma tarefa árdua.

E também vai uma explicação de família. Meu papi sempre construía o que ele precisava. Eu, filha do meio e curiosa feito um detetive, perguntava de tudo. Até perguntei o motivo dele fazer e montar quase tudo o que ele precisava. Daí ele contava que a mãe dele fazia tudo. Pra ele não tinha empecilho. Se você quer algo é só ir atrás. A mãe dele fazia o tecido, costurava as roupas, fazia sapatos, fazia a comida, plantava a comida, medicava os filhos. Se não tinha remédio, coloca umas agulhas que dá certo.  Então a teimosia passou de geração em geração.

Ele aprendeu assim, de certa forma eu peguei um pouco desse pensamento. Porque na época ela não podia pedir para alguém e mesmo se tivesse como pagar nem tinha quem fizesse.  E a vida é esse acumulado de aprendizados enfim.  Eu muitas vezes até conseguiria pagar alguém para fazer. Difícil foi achar alguém que quisesse. Por exemplo na costura. Já pedi encomendas que a costureira não queria fazer de jeito nenhum. Entendo. É fora do padrão e leva mais tempo pra entender e conseguir fazer. E muitas vezes quando faz o cliente diz que não era aquilo e volta a consertar e por aí vai. Daí fui eu aprender a costurar.

A melhor ferramenta é a que você tem nas mãos. Se você consegue achar alguém que faça ou se você mesmo vai tentar, o importante é ser teimoso e construir a câmera de madeira. As minhas não chegam perto do acabamento do artesão português. Pra eu chegar nesse resultado vai demorar muito. Mas as minhas funcionaram para fotografar, então isso é o que importa.

Agora vou testar e volto para mostrar os resultados.

Agenda do trimestre

Novidades para maio, junho e julho.

O curso de cianotipia que já comentei em maio dia 22 e 29, sábados 10h a 12h.

Programei além dele:

  • Curso Online de Papel Salgado
  • Curso Online de Dusting On
  • EDIT- Mudança de planos. Vou ter que adiar os dois cursos. – Vou ter que ficar muito tempo sentada na frente do computador nesses próximos meses.

Mas vai ter curso de História dos Processos Históricos Sesc Pompéia ê!!!! \o/ Aguardem!

Estarei participando do projeto 150 fotos para São Paulo. Doei uma imagem para venda que será para arrecadar fundos para ajudar pessoas nessa pandemia. Estamos programando um workshop também que será definido essa semana.

E uma boa oportunidade para quem curte processos históricos. O Roger Sassaki foi selecionado no edital da Funarte e vai dar um curso online sobre calotipia, placa úmida e placa seca. É gratuito, precisa ter os materiais e é um conteúdo super difícil de se encontrar. Link abaixo!

Curso de Cianotipia Online

Preparei uma turma para maio de cianotipia.

São dois encontros dia 22 e 29 de maio, sábados das 10h às 12h.

Pelo Sympla.

Mas para fazer o processo em casa é bom ter mais alguns materiais.

https://www.sympla.com.br/curso-online-de-cianotipia—elizabeth-lee__1201612

Neste curso vamos estudar um pouco sobre o cianotipo, processo fotográfico inventado no século XIX.

Famoso por seus tons azuis, é uma das técnicas mais fáceis de se realizar por não necessitar de uma etapa de fixador no seu processamento.

Conteúdo:

– breve história

– métodos e fórmulas

Materiais usados e possibilidades

– viragens

Acompanha uma apostila em pdf e as aulas ficarão gravadas.

Para a inscrição com material serão enviados:

– Kit cianotipo 120ml no total

– Dois papéis preparados para a primeira aula

– 6 negativos 13x18cm (o participante envia 6 imagens por email para os negativos) 

– 3 reagentes para as viragens

envio incluso

Para fazer o curso o participante deve ter os seguintes materiais:

– luvas

– bandeja para lavar as imagens

– pincel para passar o material no papel

– papéis de sua escolha (recomendo papéis que resistam à lavagem de água) De desenho, gravura ou aquarela são sugeridos

Opcionais:

Papel toalha para secar o excesso de água dos papéis – em caso de ter pouco espaço para pendurar papéis para secar.

Secador de cabelo

Acho que posso explicar várias escolhas aqui no blog.

Escolhi oferecer o curso pelo Sympla primeiro porque já tem a possibilidade de utilizar a plataforma do Zoom. Eu não tenho assinatura dele e pelos valores não compensa para mim comprar uma licença para oferecer no máximo dois cursos por mês.

Coloquei dois dias para o curso mas pode ser pouco, não sei. Gostaria de poder explicar mais coisas mas minha ideia é deixar um material gravado para o participante que tenha alguma dúvida específica. Estou vendo como resolver.

E o material dessa vez incluí o material químico e os reagente para fazer viragens. Acho que essa parte é bem legal. Além dos negativos inclusos que acho que é mais difícil de ficar procurando o lugar e o tratamento digital correto para quem está começando.

Curso online – Pinhole com filme PB

Tem um curso de pinhole para o Pinhole Day com o Edison Angeloni. É online e está incluso material para construção da câmera, que será feita com filme preto e branco 35mm e caixa de fósforos. O envio dos materiais também está incluso.

O filme é rebobinado de 36 poses Agfa ISO 100. No material também vai uma bobina vazia já invertida para câmera pinhole, a caixa de fósforo do tamanho correto para montar, fita isolante, alumínio já com pinhole e mais pedaços para quem quiser tentar fazer o furo, e papel para reforçar a câmera.

No curso será ensinado como monta uma pinhole e como fotografar com ela.

O WWPD – World Wide Pinhole Day é celebrado em todo mundo sempre no último domingo do mês. Para participar é preciso fotografar no dia 25 de abril de 2021 com uma pinhole e postar uma imagem no pinholeday.org

São dois encontros, 21 e 22 de abril das 19h às 21h. As inscrições estão disponíveis até dia 14 para dar tempo de enviar os materiais para o participante.