Esta semana começa mais um curso no Sesc Pompéia e desta vez, pensei em fazer captação em câmeras de grande formato para o pessoal produzir negativos.
Nessa ideia, coloco na roda minha câmera de madeira, que acredito ser de um período entre final do século XIX a início do XX. E minha câmera ‘frankenstein’ que fui montando com peças de diferentes períodos históricos.
Demorei pra fazer a postagem, mas pra constar segue aí a atividade:
Não vai ter essas câmeras moderninhas da foto, tá hehehehe
Ando bem ocupada com alguns projetos novos e pretendo contar novidades por aqui logo logo.
Nessa mesma linha de atividade, na sexta-feira passada participei da Semana da Fotografia no Campus Senac. Não divulguei porque não sabia se era aberto ao público geral (geral-geral de fora do senac ou se era só aberto para senaquenses em geral) Fiz a demonstração com a grande formato e papel salgado.
Algum tempo atrás fui convidada a participar desta publicação que será lançada dia 18 de setembro, 18h. A obra foi organizada por Eriel Araújo, Michel de Oliveira e Renata Voss e reúne textos de 7 pesquisadores sobre a fotografia.
O link da live colocarei aqui depois.
Agradeço muito pelo convite dos organizadores e foi uma surpresa muito bonita ver a minha foto na capa 🙂
Ontem eu li uma dissertação que falava sobre história da fotografia porque eu estava procurando referências sobre história né, afinal. Já que tinha a palavra-chave de fotografia internacional fiquei buscando algo sobre Ásia – sabendo que provavelmente não teria. E não tinha mesmo.
Também apesar de pesquisar uma coisa aqui e ali percebi que nunca escrevi sobre o assunto neste blog. Desde uma palestra em 2005 comecei a pesquisar timidamente algo sobre processos históricos no Japão e Coreia – mas naquele momento não tinha muito acesso a material sobre o assunto. (vou comentar e apresentar mais sobre o contexto da palestra depois, já que preciso procurar minhas anotações da época)
Esta imagem na palestra foi atribuída a Felice Beato, achei hoje num site que diz que é cópia em albumina, cerca de 1880. Outro site dizia ser de 1900.
Muitos elementos me fizeram pensar sobre a imagem. É uma cena quase teatral, nesse período histórico algumas imagens eram produzidas no Japão para serem vendidas a estrangeiros. O recorte é típico de imagem estereoscópica, mas talvez não fosse esse o caso, com o arco acima. Lembro-me que na palestra foi comentado sobre o registro da chuva serem riscos na própria imagem o que aplica mais ainda a noção de algo teatral. A colorização sempre me confundiu um pouco. Até que ponto a ideia de aplicar cor em cima de uma fotografia ajuda ou não na leitura da imagem, sendo que cores nesse momento histórico deviam ter uma carga social, no sentido de que muitos tecidos eram caríssimos devido ao tingimento especial e às vezes até associado a um tipo de status (não pesquisei isso muito a fundo ainda). Também, não sei até onde a colorização ajuda a distrair sobre uma realidade e história fotográfica, tenho pensado sobre isso.
Mas essa foi uma das primeiras imagens que me levaram a refletir sobre as imagens especialmente do leste asiático.
Quero só iniciar uma pequena conversa e apresentar algumas imagens, já que tem sido importante para mim apresentar que houve uma história da fotografia neste contexto geográfico, mesmo que trazida pelos europeus. E que de certa forma algumas leituras sobre a Ásia têm me incomodado. Mas isso vou deixar para uma próxima postagem.
Aqui no Brasil eu sempre me senti fora do ninho – como qualquer asiático-brasileiro se sente – para os brasileiros somos o outro, para os asiáticos somos o outro – uma vez na Europa o europeu achou estranho que eu era brasileira e ficou inconformado. Ou seja não somos nada para alguns outros, então me reservo no direito de me considerar bem brasileira. Sempre vai ter aquele que te exclui. Assim como sempre vai ter aquele que te agrega. Acredito que o modo como te tratam diz muito como a própria pessoa inquisidora se enxerga.
Como não tive muitos familiares, agreguei minha família de outras formas, justamente por aqueles que nunca me viram como o outro. (muito obrigada à minha família pernambucana e minha família cigana, não temos laços biológicos mas temos outros muito mais fortes)
Desde criança também as pessoas amigas mais próximas acabaram sendo em grande parte muitos descendentes de japoneses. Talvez por causa da escola, muitas vezes, muitos amigos sempre foram eles. Os descendentes de japoneses me ajudaram e foram pela minha família ajudados. Por isso vou misturar um pouco as etnias aqui.
Por todos esses fatores fica difícil para mim somente falar de imagens de um país ou outro. Ainda acho que a história da fotografia coreana tem pouco alcance para mim. Nesse sentido comecei a refletir sobre algo que tenho estudado faz alguns anos mas que ainda estou engatinhando nesse assunto.
Na área do fotojornalismo, tem uma imagem que quero compartilhar. Esta abaixo, é uma foto histórica, tirada pelo jornalista canadense Frederick Arthur MacKenzie em 1907 que mostra o Exército dos Justos da Coreia – momento histórico lindamente retratado de modo ficcional baseado em fatos históricos na série do Netflix “Mr. Sunshine” – que era composto por civis e lutavam nesse momento para defender o país. Na história do país sempre surgia um momento em que os civis entravam como exército adicional e o jornalista buscou apresentar a história de luta.
Digitalizado do livro do jornalista Frederick Arthur MacKenzie. Wikipedia
Claro que estou só fazendo uma pequena introdução sobre algumas das imagens que me levaram a fazer essa pesquisa e por isso não estou obedecendo temas ou períodos históricos específicos, todas essas imagens merecem mais atenção e pesquisa ( que é o que eu estou fazendo mas estudar com próprio patrocínio requer tempo e organização)
Pilot, 1952 – da fotógrafa chinesa Niu Weiyu
Tenho pesquisado mulheres fotógrafas e admiro muito o trabalho desta fotojornalista. Ela inicia seu trabalho na década de 40.
E um fotógrafo mais ou menos da mesma época que Niu Weiyu, Han Young Soo.
Numa aula esse mês foi colocado o trabalho do Robert Frank e o pós guerra nos Estados Unidos. Eu fiquei pensando muito nas imagens de pós guerra do Japão e nessas imagens do mesmo período na China e na Coreia. Por isso resolvi postar algo sobre imagens do Leste Asiático.
Fotografia do fotógrafo japonês Daido Moriyama. também desse período histórico.
Só uma pincelada sobre o que tenho estudado e tenho reunido material sobre. Me desejem sorte nessa empreitada.
O curso do Sesc Pompéia inicia em agosto – agora – e as inscrições serão no dia 6/8 para credencial plena e 13/8 para público geral. Sempre a partir das 14h
O curso vai ser um pouco diferente neste semestre. Serão 8 aulas, resolvi fazer técnicas mais possíveis de refazer em casa. E o curso começa bem no dia da fotografia então estou pensando se consigo fazer algo para comemorar a data com o pessoal nesse dia 🙂
Aproveitando que tem dia mundial da antotipia e dia mundial da cianotipia logo mais, seria interessante pro pessoal praticar essas técnicas nesse momento do ano.
Este mês ministrei mais aulas de fotografia digital do que de fotografia analógica. Costumo dizer que gosto das duas igual – é verdade – muitas coisas e tipos de foto é mais fácil de fazer com um determinado equipamento (como eu gosto de infrared mas é difícil comprar filme então digital é minha felicidade nesses momentos)
Fico imaginando que o pessoal que fez curso digital comigo deve achar outro mundo esses processos alternativos e câmeras analógicas. Como finalizei o semestre dia 15, resolvi bater uma foto em 4×5 da última turma com papel PB porque queria mostrar pra ele a diferença de cálculo de ISO e os pontos necessários para o tipo de suporte que escolhi. aqui o vídeo da revelação da foto da turma.
finalização do curso com as fotos impressas (ou reveladas) engraçado como o ponto de maior felicidade foi ter as fotos em papel. Fez toda a diferença no curso.
foto com a turma no Oswald – só fiz essa porque alguém lembrou de tirar foto da turma (eu tô sempre ligada no 220V pensando no conteúdo que até esqueço de fazer fotos)
Tenho me perguntado por vezes se o digital é mais fácil pra ensinar, ou se o analógico. A questão pra mim é que eu tenho a sensação que com o digital, especialmente com celulares, fica difícil falar de alguns conceitos técnicos porque alguns modelos já corrigem luz, brilho do rosto, automaticamente. Daí parece que o que eu falei (que ficou escuro, distorção) era mentira hehehe. Ou seja, na tentativa de facilitar para o público que não sabe a técnica, o próprio aparelho controla cada vez mais a imagem. (Flusser iria adorar discorrer sobre isso)
Enquanto isso volto à minha realidade e me deparo com minhas próprias experiências. Recentemente adquiri uma câmera de madeira toda surrada, foi praticamente de bônus por ter comprado uma outra câmera mais inteira. Na hora eu não achei que ficaria com ela, mexi um pouco e o fole estava soltando todo. Mas algo nela, de formato semelhante a 13x18cm (que é minha proporção favorita), me fez pensar que posso colocá-la para enxergar de novo. Lembrei de uma objetiva que ficou largada, quase foi ao lixo, e vi que ela encaixava nessa cam. Senti como se criasse algo de volta à vida, ela me lembrou o Frankenstein de Mary Shelley, o ser que só queria ser amado. (muita gente se referencia como um monstro a esse personagem, mas no livro dela ele não é só isso) Tem um personagem do Dragon Ball que é um andróide inspirado no Franks (eu já dando apelido) que é o Andróide 8 e Goku o apelida de Hacchan (Hachi=8 chan=terminação carinhosa, quando se tem familiaridade, enfim, não vou conseguir explicar essa parte direito :))
Esta semana depois da aula no Sesc Pompéia fui ver a expo que acontece no Museu da Imagem e do Som. Já queria ir para ver a exposição permanente de câmeras e do German Lorca que estava adiando e dei uma corrida lá na terça-feira (que aliás é entrada gratuita neste dia da semana)
Eu sabia que teria a exposição de alguns itens do acervo e de processos históricos. Fiz stories no instagram e muita gente me perguntou onde era, apesar de eu ter marcado o Museu. (especialmente pela parte das câmeras) Pelo que entendi, fica até dia 22 de junho de 2025. Não consegui colar o link do site deles aqui – não permite visualizar por link incorporado. Segue endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa São Paulo – SP – Brasil CEP 01449-000
Adorei ver as imagens em albumina das represas da Cantareira – eu amo esse lugar – uma sala com a fala do Boris Kossoy sobre o trabalho do Hercules Florence, que acho que a gente devia dar mais atenção a ele. Os autocromos são necessários, as estereoscopias devem ser legais de ser vistas, gostaria de poder enxergar em 3D, minha mais nova mania.
Mais uma vez estarei nos cursos do programa CultSP neste semestre.
Desta vez a turma de curso introdutório se divide em 2; o primeiro é para quem não fez nenhum curso, a segunda é pro pessoal que terminou o Fundamentos I no mês passado.
Fundamentos I – Terças-feiras das 19h às 22h Dia 10/6 a 15/7
Fundamentos II – Segundas-feiras das 19h às 22h Dia 09/6 a 14/7
Eu tenho um carinho especial por esse curso porque história é muito legal.
Acredito que entender um pouco sobre o que se fez e como surgiu faz sentido para pensar em criar algo para o futuro. Ainda mais nesse país que teve um inventor da fotografia que ficou há muito tempo sem créditos.
Neste semestre o curso do Pompéia será terças na parte da manhã, a partir do dia 29/04 até 16/6 das 9:30h às 12:30h Serão 8 encontros e teremos 3 técnicas.
Para quem tem credencial plena a inscrição se inicia dia 09/04 a partir das 14h e público geral dia 16/04 14h