ciano = a + b ou a ou b ?

Algum tempo atrás, enquanto eu preparava uma aula para o Sesc Pompéia e peguei um frasco de reagente para cianotipia, vi que tinha três frascos com datas de validade muito diferentes. Pra garantir que funcionaria naquele momento da aula, peguei o que sabia que estava bom mas surgiu a dúvida sobre os outros dois.

Aí num dia, enquanto aguardava os inscritos no curso chegarem provavelmente, resolvi preparar alguns mililitros de cada um para passar em um papel e fazer o teste. Terminou o curso, guardei o papel, esqueci na pasta. Virou o ano e ainda não tinha feito o teste.

Com a minha última mudança ficou um monte de material pra organizar. E sexta-feira estava organizando todos os meus resultados e papéis para utilizar. Achei esse papel e pensei – este final de semana é um bom momento para isso. Agosto e setembro começaram meio lentos de trabalho externo por aqui. Mas outubro mal começou e enfim tenho novos projetos que sei que tomarão mais dedicação minha.

Num papel neutro apliquei o reagente de 2014, 2003 e 2020. Coloquei um negativo qualquer e deixei exposto ao sol por um tempo.

pela diferença de tonalidade após a exposição parecia que ia dar diferença
acima 2014, meio 2003 e embaixo 2020

Ou seja, qualquer um dos três daria algum resultado. Então posso utilizar sem risco de não dar algo certo quanto aos seus funcionamentos. Levando-se em conta que foi um papel preparado na pressa e as quantidades em cada pedaço do papel não estão exatamente iguais.

Agora a explicação.

Muitos anos atrás eu ficava me perguntando algo que acredito que todo mundo que faz essa técnica há algum tempo deve ter se questionado. Precisa das duas partes? E se tiver só parte A? E se tiver só B? e se colocar mais de A ou mais de B?

E a esse respeito já explico faz um bom tempo durante as aulas. Existem várias formulações com proporções diferentes, existem variações de reagentes, fora o que já comentei sobre fatores externos que podem influenciar no resultado.

A verdade é que esta técnica pode ser realizada com os reagentes isolados, porém não funcionarão tão bem como da forma mais comum, parte A e parte B.

Neste teste utilizei apenas o ferricianeto de potássio (sim) que solo, vai demorar muitas horas mas forma o azul, de tonalidade talvez mais clara, tempo de exposição muito mais longo mesmo.

Então hoje eu acordei, vi o sol saindo e já coloquei lá fora. Voltei 18h para casa e processei a imagem.

Art Emulsion

Acho que no começo da faculdade eu experimentei com o liquid light mas estava muito vencido e por um tempo não pensei em tentar fazer algo parecido. Liquid light é um produto fotossensível que pode ser aplicado em superfícies diversas para fazer imagens fotográficas.

Aí um belo dia uma amiga, Juliana, me pergunta se não quero ficar com uma emulsão que ela pediu pra um parente do Japão trazer. O Art Emulsion da Fuji, que aparentemente só vende por lá. Ela não conseguiu fazer imagem com o produto, então como o produto estava vencido, podia muito não dar certo comigo também.

no começo a gente ganha manchas 🙂

Testei em papel e vidro. Preparei da forma como informava no manual mas não gostei muito num primeiro momento dessas pinceladas, que era o método de aplicação indicado.

já com o primeiro teste de manchas percebi que o tempo deveria ser encurtado

Modifiquei o tempo de exposição e tomei mais cuidado com a luz. Só que na ansiedade não limpei os primeiros vidros direito então dois descolaram nas bordas, o que se pode verificar na imagem acima. Mas foi o suficiente pra me deixar bem feliz com o resultado. Desta vez tentei no vidro primeiro, mas quero testar em diversas superfícies.

usei os refugos de vidro para os primeiros testes.

ainda não entendi o ISO aproximado do produto mas farei testes mais adequados. Por hora, esse primeiro contato foi só pra saber se daria algo certo e colocarei meu passo-a-passo logo mais.

Fiquei feliz de poder alcançar algo que nem sabia que existia da Fuji. Pena que esses materiais nunca chegam por aqui.

sobre Conservação no Sesc CPF com Sandra Baruki

Em julho eu participei de um curso com a Sandra Baruki no Sesc 14 Bis – CPF – sobre conservação de acervos de fotografia.

A Sandra trabalhou na Funarte e uma das pessoas responsáveis pela preservação de muito material público importante. Por se tratar de um assunto ligado ao meu na fotografia, fui lá marcar minha presença.

Sandra à esquerda. Ela apresentou diversos tipos de processos durante o curso.
um ambrotipo em moldura. Acervo da Sandra Baruki
uma cópia em platina
Acima gelatina e prata com viragem a ouro. Abaixo, colodio com platina e ouro.

Sobre esses eventos às vezes eu coloco algumas infos nos stories mas percebi que eu precisava deixar isso registrado de outra forma. E por causa da minha proposta de fazer álbuns fazia todo o sentido começar a olhar para esse campo da conservação com mais seriedade. Tenho pesquisado muito sobre papéis. Desde que fiz o trabalho das capas de livro percebi que esse ramo industrial do papel acaba sendo um tema importante pra eu entender, visto que todas as alterações nos papéis complicam a minha vida no laboratório.

Sobre álbuns

comecei a fazer álbuns por uma questão de simples resgate das memórias que nem são minhas. Acho que em parte é uma tentativa de resgatar a história da família que nem conheço. Quando vi os álbuns do bisavô da Fabi percebi que existia algo a ser preservado lá, porque a encadernação era artesanal, diferente dos álbuns atuais que parece muito plástico e que justamente por ter sido produzido por alguém me pareceu que o cuidado era bem diferente e bem majestoso.

Eu não tive álbuns assim na minha família. Só lembro de alguns bons anos atrás ter comprado um álbum e não gostei muito da solução. Cheio de plástico e somente para tamanhos 10x15cm, ou seja, não serve para todas as imagens que gostaria de colocar.

adoro essas fotos desfocadas. eu e meus irmãos, grudados desde sempre.
e esse plástico que não dá pra saber se é próprio.

Também me surgiu outra questão. Eu não tenho imagens dos últimos dez anos da minha própria família. Bom, nos quase dez anos eu na verdade não vivi com meus irmãos e minha sobrinha. Me separei faz pouco tempo. Ainda assim tenho poucas imagens em suporte material e olhando hoje vi que não tenho fotos impressas da minha sobrinha dos últimos dez anos.

Bom, lado pessoal da coisa, minha sobrinha é uma menina PCD. Eu sei que a chance dela viver até a fase adulta é muito pequena. E o aprendizado dela é lento, com as crises de epilepsia percebo que as palavras que ela pouco aprendeu, esquece muito rápido. Desde os seus nove meses tenho imagens de celular, muitas, porque quando ela via que eu ia tirar foto com meu Sony Ericsson ela sorria. São tantas imagens que nem sei como vou fazer. às vezes acho que vou fazer um álbum para durar mais que ela. Tenho pensado nessa questão da duração das imagens. Por isso resolvi fazer atividades sobre álbuns, para fazer as pessoas produzirem álbuns para preservar essas imagens das pessoas importantes nas suas vidas.

Já se passaram dois encontros no curso do Sesc Pompéia. Esta semana iniciaremos a montagem dos primeiros álbuns.

Mas já vamos pensar onde guardamos as fotos da família? não me diga que é na caixa de sapato.

Encadernação de álbuns no Pomps!

a boa notícia é que curso de encadernação foi pro Sesc Pompéia, terças na parte da noite, das 19h às 22h. Desta vez, faremos mais modelos de álbuns.

A verdade é que não sou uma pessoa especializada em encadernação mas usei um pouco desse conhecimento aliado ao interesse pela fotografia para pensar em álbuns. Com o tempo a ideia de encontrar e fazer um objeto que fizesse mais sentido do que os álbuns com plásticos e industrializados que não duraram nada em casa ou que se deterioraram muito rápido se fez importante para armazenar as minhas próprias memórias.

Ainda estou refletindo também sobre um jeito mais fácil de guardar meus trabalhos em papel em diversos formatos. Pastas e caixas não estão me satisfazendo muito nesse sentido.

Nesta semana abrem inscrições para público em geral. Dia 8/8 a partir das 14h pelo site ou aplicativo sesc

https://www.sescsp.org.br/programacao/encadernacoes-para-albuns-fotograficos-2

Sobre Revelação de filmes

Passou o curso no Sesc Belenzinho e percebi que apesar de trabalhar com isso eu não coloquei nada sobre revelação de filmes PB (que eu me lembre) por aqui. Como eu havia prometido para o pessoal que frequentou o último curso, vou colocar etapas básicas. Mas claro que aqui não consigo colocar e mostrar todos os detalhes como demonstro nas aulas. Fica como material de consulta.

Eis um basicão por aqui enton.

Etapas: Em geral são sempre no mínimo 3 etapas de químicos e uma lavagem. É possível aplicar uma etapa pré lavagem com o auxiliar de lavagem e depois um finalizador. Para quem está começando muitas vezes essas etapas extras parecem ser mais complicadas, mas com o tempo vai perceber que funciona melhor no resultado final.

  • Revelador
  • Interruptor
  • Fixador
  • Lavagem

Como eu faço:

  • Pré lavagem com água, encher o tanque com o filme já na espiral, deixar alguns minutos para primeiro hidratar essa camada de “emulsão” e também retirar materiais que não vamos precisar mais uma vez que o filme foi batido. Se a água estiver perto de 20 graus seria melhor.
  • Revelador – tempo varia de acordo com o tipo, marca e revelador. Sempre revelei a 20 graus, e com D76 a diluição que utilizo é 1:1 – a mais famosa. Primeiro minuto de agitação constante, minutos restantes intercalando agitação de 10 a 15 segundos a cada 50, 45 segundos de repouso.
  • Interruptor – 1 minuto – também perto da temperatura indicada. Prefiro fazer uma leve lavagem antes do fixador quando é possível.
  • Fixador – 6 minutos – primeiro minuto agitação constante, outros 5 em 15segundos de agitação e 45s de repouso
  • Lavagem de um minuto e verificação do filme
  • Auxiliar de Lavagem – Sulfito de sódio em estoque a 10%, utilizar 1 parte dessa solução para 5 de água.
  • Lavagem – 15 minutos em água corrente – Mas eu acho isso um desperdício de água, prefiro fazer algo mais econômico, como a lavagem recomendada da Ilford ou mesmo deixar ir trocando a água.
  • Finalizador– Photoflo ou um abrilhantador de louças que possui a mesma composição do primeiro, cuja função é de evitar manchas de secagem no filme.
  • Secagem – local seco e mais livre de pó possível, caso contrário o pó gruda no filme e é difícil retirar.

Quando temos um espaço próprio para isso é bem mais fácil, mas adaptar um lugar também é possível.

Editando… 12/08/24

Como saber o tempo de revelação

tem tabelas obedecendo tempo, temperatura e tipo de revelador. O mais recomendado pelas pessoas que eu conheço é esse: https://www.digitaltruth.com/devchart.php

De acordo com o ISO do filme e marca escolhida, dá pra buscar na lista do chart e selecionar o tipo de revelador utilizado.

Sobre revelador, para começo dessa conversa o mais fácil de se pensar é o D76, interruptor pode ser o ácido cítrico 20 gramas para cada litro e fixador vai a gosto do cliente. Tem gente que prefere Ilford, tem gente que ama Kodak… – para quem está começando eu digo a mesma coisa sobre a escolha de marca de câmeras: o melhor fix é aquele que vc tem na mão.

Use Luvas. Prefiro usar avental sim. Contaminação é um negócio chato, prefiro ser profissional com a minha saúde do que ser desleixada. Existe um motivo para se utilizar Equipamentos de Proteção Individual e o ser humano evoluiu muito desde então hehehehe

continua…

Câmeras e Filmes no Sesc Belenzinho

Nesta quinta começa mais um curso para quem quer ter o primeiro contato com fotografia analógica no Sesc Belenzinho.

Demorei pra escrever aqui e as vagas já esgotaram, mas fica o registro da atividade que terá duração de 4 encontros e vamos passar por 35mm, 120 e grande formato.

A proposta aqui é fotografar com 3 formatos de câmeras diferentes e revelar esse material.

Esse é o tipo de atividade que eu gosto porque é um início da experiência para muitos, que ficam na dúvida se faz algum curso mais extenso de fotografia, se compra uma câmera. É também, verdadeiramente, uma atividade que faço com muito carinho, por algo que gosto muito: laboratório.

Aos que procuravam alguma atividade do tipo aqui e não puderam se inscrever, fica minhas desculpas por não divulgar antes. Tenho me ocupado muito com estudos e a verdade é que nem consigo acompanhar muita coisa nem em redes sociais, apesar de tentar colocar um stories aqui e ali. Ainda como alguns sabem, também auxilio no grupo de artes marciais e acabei sendo responsável por algumas organizações dentro do treino.

Por isso devo organizar alguns tutoriais pra deixar aqui pra quem quer entender os princípios de revelação.

Achei ótimo que recebi uma mensagem no insta dizendo que teria uma atividade minha no Sesc Belezinha 🙂 —– não deixa de ser verdade.

processos químicos são precisos. O restante é imprevisível

Muitas vezes só vemos o que os outros produzem e parece tudo tão fácil e lindo. Mas a verdade é que tem muito trabalho envolvido. Vamos falar sobre as falhas e pensar nessas questões que fogem ao nosso controle?

Neste semestre aconteceram alguns fatos bem curiosos nas aulas de cianotipia, Osasco e Paulista. Imagens sumiram e voltaram, sumiram completamente. Acho que aconteceu pra eu escrever sobre isso.

Teve dia que tivemos problemas com papel, com luz, com tempo de exposição. A verdade é que é por isso que eu passo todos os dias. Dias bons e muitos dias ruins.

Já tive perda de mais de 40% do trabalho por causa de tipo de papel, sempre comento que teve turma de outros professores que num dia nada deu certo por causa de alguma contaminação. E tem gente que acha que a gente guarda segredo quando conseguimos fazer o processo. Neste fim de semana mesmo, resolvi mostrar o ciano em papel na aula do Paulista. Fiz um exemplo na hora e o pessoal foi fazer. Não sei o motivo, mas teve uma pessoa que não saiu o resultado de jeito nenhum, mesmo papel, mesma água, mesmo negativo. Simplesmente não saiu.

E por isso a escolha do papel acaba sendo bem importante. Mas fato é que muitas vezes na mesma folha podemos ter pontos com problemas, no mesmo tipo ou lote.

E quando isso acontece em aula é bom justamente para saber e identificar o problema na hora. Como a Carina, educadora do Sesc Osasco disse, é bom que aconteça pra gente poder entender os problemas. Não adianta ficar tudo mastigado e depois não saber resolver depois. Esta é a última semana do curso por lá e produzimos muitas imagens boas.

Quando faço um trabalho são cerca de duas semanas que preciso para fazer uma boa cópia, no mínimo, para um determinado papel. Entre preparar, tratar, testar, testar e testar negativo. Acertar contraste, densidade, controle de tons. Para montar um curso são testes de pelo menos dois meses. E muitas vezes por mais que eu teste e deixe tudo redondo, quando chega o curso sempre ocorrem imprevistos. E por quê? Bom, o ambiente é outro, a água muda, a iluminação eu não controlo e principalmente, nem sempre eu consigo acompanhar todo mundo em todos os passos. Até o tempo de exposição das caixas de luz muda, de acordo com o ambiente e uso da energia. Eu sei porque uma vez estava fazendo uma atividade ao lado do palco, o show começou e o tempo de exposição mais que dobrou, foi bem nítida a diferença.

Reações químicas são precisas como a matemática. Muitas vezes eu vejo tutoriais em que a pessoa não usa luvas. Se a ideia é fazer um controle adequado do processo, a luva também é o que vai garantir que não se terá contaminação de gordura ou sujeira que levamos nas mãos, além de proteger seu organismo de maiores exposições a reagentes. Todos esses fatores podem contar como problemas na imagem; papel (e nunca dá pra saber o que se coloca no papel hoje em dia), água, processamento, onde se apoia o suporte, antes e depois do processamento, contaminação pode acontecer.

foram no mínimo 5 tentativas para chegar nessa. uma tarde inteira.

Neste domingo teremos o último dia de atividade em ciano. Hoje percebo que exagerei em testar tantos materiais em tão pouco tempo. Mas minha ideia inicial é de que só seria prática e eu não explicaria coisas teóricas. Mas no final acabo explicando porque me perguntam e não dá muito tempo de fazer as coisas do jeito que eu quero. Mas enfim, condições ambiente que não posso controlar, temperatura e umidade, luz e água são os meus fatores imprevisíveis. Dá certo, só não fica perfeito. Verdadeiramente, é exatamente do jeito que eu faço sozinha, sem segredos, tentando múltiplas vezes e buscando soluções.

🙂

Álbuns fotográficos no Sesc Belenzinho

Nesta quinta feira começa um novo curso que farei junto com a Fabi Won. Nós começamos a trocar ideias sobre nossos antepassados coreanos e começamos a analisar a história dentro dos objetos que nos contam algo sobre família. Essa pesquisa acabou virando curso e faremos um álbum baseado nos exemplos dos anos 30 que o bisavô dela deixou.

São 6 encontros, quintas 19-22h

https://www.sescsp.org.br/programacao/encadernacoes-para-albuns-fotograficos

Fiz esse álbum para mostrar o modelo que faremos na atividade. A ideia é também fazer uma capa que represente uma tradução de algo que representa a memória do que vai ser guardado nesse álbum. Recentemente que deparei com a questão de quanto tempo se leva para trabalhar uma imagem fotográfica alternativa e o resumo é que é um bom tempo olhando para a mesma imagem. Esse momento de contemplação é bem diferente do tempo de se olhar fotos no celular, sendo necessário perceber suas nuances, seu resultado final na matéria. A proposta de fazer um desenho para a capa vem dessa questão em parte. Contemplar um objeto de família ou uma fotografia e criar um trabalho a partir disso. Faz pensar no que a gente quer que represente algum legado que deixamos.

E parte também de uma necessidade nossa de colocar algo que tem um significado e que pode passar por gerações. Quando olho os álbuns de família eu sinto uma lacuna enorme de entender quem eram, onde e como viviam, porque essas informações se perdem e não sabemos muitas vezes quem eram as pessoas nos álbuns que guardamos.

Aliado a esses devaneios, fica o pensamento de que muita gente nem sabe mandar fazer saída de fotografia digital e como conservar e guardar essas imagens. Por isso para mim acaba sendo importante poder passar o que eu penso sobre o assunto. Então acabamos programando um curso que envolve encadernação, história, desenho, fotografia e como conservar essas imagens.

Eu e a Fabi nos conhecemos na cerâmica na Associação dos Ceramistas Coreanos no Brasil (posso ter invertido a ordem das palavras) e desde então temos trocado muitas ideias sobre a comunidade, o fazer artístico e os perrengues que a gente leva na vida. Sobre a fotografia percebemos que a forma como enxergamos essa ancestralidade tem muitas perguntas também por ser de um país tão distante com uma cultura tão diferente da que vivemos, mas também porque parece que ao mesmo tempo em que nascemos aqui temos uma necessidade de entender de onde vieram essas raízes. Posso dizer que sempre me senti muito brasileira e quanto mais conheço a cultura coreana, apesar de ser bonita, ainda gosto mais do Brasil.

Vejo de alguma forma que a vida dos meus avós e do meu pai foi marcada de tristezas e violência, já que foi em momentos de guerra que meu pai nasceu. E pelos relatos dele sempre tive a sensação de que havia um ressentimento por ter sofrido e perdido tanto, num lugar que ele nunca pensava em voltar.

A imagem do álbum é uma cianotipia de uma página do dicionário inglês-coreano que meu pai me deixou. O que ele mais gostava de fazer parecia ser aprender línguas. O papel azul da capa é um papel tingido com cianotipia. Teve momentos em que eu não conseguia pensar em produzir imagens, já que durante a pandemia senti a fragilidade de se trabalhar com que eu trabalho, parecia que meu trabalho não valia nada. Então sem querer fiz esse papéis sem imagens. Sem querer, ficou com as cores da Coreia.

Papéis

outro dia nas aulas percebi que não havia colocado nenhum conteúdo sobre papel por aqui.

por isso vou deixar minhas impressões sobre o tema, para as pessoas que não querem gastar muito com papéis especiais.

Importante lembrar que aqui estou deixando um depoimento para quem está começando, não é para uso super profissional. Até porque se quiserem pular para algo mais específico para fotografia alternativa, é só utilizar um Platinum Rag para fotografia alternativa (não é para inkjet) ou um Arches Platine. (se conseguir um Herschel melhor ainda)

Nos cursos sempre busco alternativas mais fáceis de ser encontradas e com baixo custo. Recomendo especialmente papéis neutros ou aquarela e gravura. Para os últimos dois a regra é: lavar e acidificar.

Funciona sem lavar e acidificar? até funciona. Mas se você é daqueles que gosta de sofrer ou de roleta russa. Porque todos esses papéis são muito alcalinos então vai perder alguma parte do material químico na tentativa e erro.

Tentativa e erro é uma ideia que meu irmão, por exemplo, odeia. Se quer algo preciso, não fique sofrendo muito com tentativa e erro, já que a química é precisa nesse sentido. Do contrário, é preparar um material pra ver metade do seu trabalho sumindo depois.

Papéis de desenho não são minha escolha favorita também. Pelo mesmo princípio. Mas também porque em geral as fibras são mais curtas e a resistência acaba sendo baixa.

Acidificar: 10% de ácido cítrico e seja feliz. Vai economizar uma boa parte do seu tempo com isso.

Encolar: 3% de gelatina ou cola de amido. (odeio fazer cola de amido * ) CMC também é uma opção.

A encolagem se utiliza em papéis que estão absorvendo muito químico e acabam ficando manchados.

Papéis preferidos por mim para sofrer menos e não pagar muito caro. Gosto do Canson Edition de gravura. Mas depois da pandemia está sendo mais difícil encontrar. Custo baixo para um papel com parte de algodão. Fabriannos são maravilhosos. Filiset neutro é só alegria pois não precisa de preparo. Só que é fino.

Montval em folhas é uma opção também, apesar da textura. Eu só utilizo quando não encontro outra opção.

já os de gravura, prefiro recomendar os de prova. Porque de gramatura mais alta SEMPRE requer acidificação e encolagem. São lindos, macios e ótima textura. Mas demora pra preparar, é bom ter mais experiência.

*odeio fazer cola de amido porque tem que esquentar, é difícil de fazer em aula. Coisa que eu prefiro fazer sozinha sem pressa.

Onde comprar papéis:

  • Papelaria Universitária
  • Casa do Artista
  • Fruto de Arte
  • Led encadernadora
  • Molducenter (quantidades grandes)
  • Casa do Restaurador
  • World Paper (washi)

Cítrico, CMC – lojas de confeitaria, mercadolivre, rua das essências da Sé.

Posso usar vinagre? Digo que vinagre é caro pra quantidade que vem. Prefiro usar limão se tiver que ser natureba.

Não coloquei fotos ou links porque estou montando aulas da semana e resolvi escrever sobre o assunto às pressas. A verdade é que além de estar um tanto atarefada com mudanças de espaço e reformas, também inventei de fazer uns processos difíceis.

Além de tudo também tenho uma sobrinha especial PCD. Tenho observado ela mais de perto pra entender o que ela percebe sobre imagem e ao mesmo tempo tentar fazer imagens sobre ela. A parte que tem me doído é que sei que ela pode viver pouco tempo, então quando posso fico perto dela pra de alguma forma diminuir as frustações do que ela não pode fazer.