Azul… blue, bleu, paran, ao e cianotipia

Azul é o tema de hoje. Faz tempo quero escrever sobre o que ando lendo sobre azul. E Claro!! Cianotipia

Pra começar, o cianotipo é uma técnica que resulta numa imagem azul. No entanto seus reagentes são de cor marrom, verde e laranja.

São duas partes mais conhecidas: o citrato férrico amoniacal e o ferricianeto de potássio. O primeiro é sintetizado como marrom e como verde, sendo este último mais sensível à luz. o ferricianeto é laranja.

Porém John Herschel ao pesquisar e inventar a fórmula a fez com o citrato marrom. A variação verde só foi inventada mais pra frente, como logo vou explicar. E como aqui nessas terras maravilhosas tupiniquins não encontramos mais o citrato verde a um preço razoável (pensar que o cianotipo seria o processo mais barato) eu tenho usado o marrom mesmo. De acordo com o papel utilizado ele acaba manchando mais portanto nem sempre é adorado. E realmente demora mais tempo na exposição então não é bom pra quem tem pressa ou pra quem está acostumado com o citrato verde.

Muitas vezes quando em contato com pessoas que vêem um cianotipo pela primeira vez ocorre um estranhamento pela imagem azul. No laboratório do Sesc já vi muito nariz torcido, porém muito encantamento por outros.

Por volta de 1998 eu procurei informações sobre fotografia e me deparei com um texto sobre cianotipia e queria saber mais. Na época não consegui e acabei deixando pra lá depois de um tempo, pois estava bem difícil. Mas acabei encontrando com ele novamente na faculdade e meu mundo estava lá, nessas fórmulas aplicadas em vidros e papéis estranhos.

Vamos aos dados interessantes? John Herschel descobre essa técnica em 23 de abril de 1842.

E o trabalho mais interessante e conhecido da época foi o livro de Anna Atkins

No século XIX muitos profissionais não aceitavam o ciano (vou chamar assim carinhosamente) e alguns eram bem críticos em relação ao processo azul.

No one but a vandal would print a landscape in red, or in cyanotype.”

E o azul é o que para você?

Alvin Langdon Coburn simplesmente não o aceitava.

Pra mim qualquer processo fotográfico me chama a atenção. E talvez seja uma questão de entender o que funciona melhor como imagem. Também a questão de custo seja algo a se considerar num processo criativo. Sempre foi uma questão para mim pensar no processo e imaginar que suas características podem conversar com a ideia da imagem. É algo que penso e sempre falo: o que é importante para você mostrar numa fotografia?

O azul já foi algo raro. Alguns o associam com tristeza, outros não. Eu escutava muito Billie Holiday e nas músicas dela o azul de “Blue Moon” me dava a sensação de tristeza. Eu sou apaixonada pelas suas músicas mas teve um momento que precisei parar de escutar tanto, já que sua vida foi rodeada de tristeza.

Assisti um curta francês Chien Bleu. A história é sobre um senhor que não sai de casa porque tem medo e ele se cerca de azul porque acredita que estará protegido. O seu filho de certa forma é a conexão com o lado de fora. O filho encontra uma moça com um lenço azul e a convivência com ela transforma o olhar da família. Depois uma pessoa que morou na França me explicou que o azul lá tem a ver com a tristeza também.

Escrevi “paran” no título porque é azul em coreano. Paransek. Nas roupas tradicionais se utilizam cinco cores. No caso do azul ele representa o leste, primavera, árvore, fígado, deleite e benevolência.

“ao” porque é o nome da cor em japonês. Na verdade eu coloquei pra eu lembrar que existem memórias tristes e felizes em relação a cor. E em relação ao Japão pra mim é a mesma questão. Acho que não cabe no tema agora explicar.

Já tive muitas roupas azuis mas percebia pelo espelho que não combinava tanto comigo, então parei de comprar roupas azuis.

Curiosamente, esses processos históricos são mais sensíveis ao azul.

A palavra ciano vem do grego Kyaneos que significa azul escuro.

O pigmento azul da Prússia já era uma cor importante cem anos antes do surgimento do cianotipo, segundo Ware.

O pigmento surge no século XVIII e é um dos primeiros pigmentos sintéticos da história.

Niepce antes de inventar seu processo fotográfico trabalhou com tingimento índigo.

Basicamente o que temos como resultado do cianotipo é azul da Prússia.

ions ferrosos + ions ferricianeto — azul da prússia

Segundo Ware, nas observações de Herschel existem cerca de quinze variações para produzir imagens com o azul da Prússia.

Durante essa semana, ops mês vou fazer uns vídeos sobre cianotipia e antotipia e vou colocar no youtube pra colocar aqui. E também para o curso que estou ministrando neste mês. Num curso de ciano não dá pra falar metade do que eu gostaria de cianotipia, mas vou tentar colocar pelo menos alguma coisa aqui e ali.

O que diferencia a fórmula com citrato marrom ou verde? Pois é, antes eu pensava que colocar mais citrato marrom era melhor mas errei completamente. Como o marrom tem mais ferro o correto seria colocar menos dele.

Como eu comentei, o processo de Herschel foi iniciado com o citrato marrom. Somente em 1897 que a substância verde surge por Eduard Valenta (1857-1937) O citrato férrico amoniacal verde é mais ácido e mais sensível à luz, portanto mais rápido. Mas além dessa diferença, Ware também apresenta alguns dados interessantes.

Em relação ao azul, o marrom seria um tom mais frio e o citrato verde seria mais brilhante. (por isso também que gosto do citrato marrom, esse tom frio acho bonito) Em relação à resistência da imagem o citrato marrom é mais estável, quando o verde tende a se apagar um pouco.

Quem gritou de alegria quando a cor azul surgiu?

Pablo Neruda 1904-1973 – citado por Ware 2020 – p122

Costumo chamar o ciano como processo de cópia. Não aprendi assim, com o tempo precisei de termos para explicar as diferenças até pra ficar mais fácil para mim. Porque não é uma técnica que comumente se faz em câmera. É mais utilizada para produzir cópias de um negativo.

Mas parando para pensar no uso do ciano, realmente uma paisagem não é tanto para ele. Lá em cima coloquei uma citação. Acho que o ciano pode ser muito mais profundo, realmente deep blue.

Dá pra refletir muito em relação a sua profundidade de azul, sobre a paisagem interna. Eu tenho realizado uma série sobre um sonho que tive, relacionado à pandemia. E para mim é esse azul que fala mais do que a gente pode enxergar.

Amanhã inscrições para os cursos online do Sesc Pompéia

Vai ter curso online de História das técnicas fotográficas. De 25/06 a 20/8 sextas 14h a 16h

Dia 8/6 14h inscrições http://bit.ly/inscricoes-sescpompeia
Lista de cursos http://bit.ly/oficinas-sescpompeia-2021

HISTÓRIA DAS TÉCNICAS FOTOGRÁFICAS, com Elizabeth Lee

A proposta deste curso é apresentar a história das técnicas fotográficas. A busca pelo registro fotográfico envolveu a pesquisa de diversos materiais fotossensíveis. No século XIX a invenção da fotografia foi concretizada por cientistas, pesquisadores, artistas, desenhistas, entre outros. Técnicas como cianotipia, daguerreotipia, colódio úmido, papel salgado, goma bicromatada são alguns exemplos de nomes desses processos que iremos estudar.

Datas/horário: Sextas-feiras, dias 25/06, 02, (09/7 não haverá aula – feriado SP da Revolução Const.), 16, 23, 30/07, 06, 13 e 20/08, das 14h às 16h
Vagas: 70

Câmeras de madeira portuguesas sim senhor

A história é longa.  Vou fazer por partes.

Hoje escrevo um pouco sobre duas portuguesas. As câmeras pinhole (que deveriam ser pinhole) que recebi da Fátima Roque. Vou começar pelas câmeras.

Esta é a Roque, da esquerda. Da direita é minha pinhole polaroid.
Esta é a Fátima. Junto com o chassi de 4×5 para a qual ela foi feita.

Até onde sei ela não chegou a usar, porque as duas estavam com dois problemas de cálculo. E perfeccionista do jeito que era, acho que ela sofreu quando viu que estavam com problemas. Digo que deveriam ser câmeras pinhole (entre parênteses lá em cima)  porque não foram completadas. Faltavam detalhes, ainda nem estavam pintadas por dentro, sem acabamento, sem obturador que funcionasse, sem vedação, sem teste. Câmera sem teste ainda não é câmera.  A primeira era para polaroid mesmo, porém não sei se foi feita para um back pola específico. Resolvi adaptar para um back médio formato da hasselblad. Originalmente o back era para polaroid, mas de fato será usado com filme fuji fp100c.

A segunda câmera está linda mas o chassi ficou mais no alto, o que faz com que a câmera não alcance todo o filme no chassi. Parte dele fica “batendo” na parede de cima. Só que antes de fazer o ajuste necessário, achei melhor testar o ângulo de visão dela e depois fazer a cirurgia.

Para isso fiz um obturador temporário.

Como ela está como grande angular acho que vou fazer algum ajuste para ela ficar um pouco mais fechada, para um ângulo mais normal, com menor distorção. E fiz um pinhole para a distância que está agora.

Eu adoro agulhas de acupuntura para construir as câmeras

Essas agulhas são usadas para acupuntura das mãos, a acupuntura coreana. (Dói demais) Muito muito tempo atrás eu estudei um pouco, já que meu pai estudou e em muitos casos me ajudou bastante. Só que aplicar em mim mesma é difícil. Hoje só uso para fazer as minhas câmeras, meu tratamento artístico medicinal. 😀 mas para esta câmera usei as agulhas de costura por causa do tamanho. É um pinhole temporário. Quero arranjar um metal mais resistente para essas câmeras, para não correr risco de ficar amassado.

Até fiz um post rápido no Instagram mas para mostrar os detalhes vou colocar aqui.

Agora vou explicar um pouco sobre quem foi a Fátima Roque. Ela foi uma fotógrafa e tinha um trabalho com pinhole. A família era de Portugal, ela sempre viajava para lá e um dia encomendou para um artesão duas câmeras de madeira. Para um artesão que não está acostumado a construir câmeras é realmente difícil entender a lógica do que se precisa para realizar um trabalho desse tipo. Por isso que quando resolvi montar materiais para fotografia, fiz eu mesma. Porque mesmo explicando, desenhando, com projeto e tudo, achar alguém que tope e faça do jeito que você quer é uma tarefa árdua.

E também vai uma explicação de família. Meu papi sempre construía o que ele precisava. Eu, filha do meio e curiosa feito um detetive, perguntava de tudo. Até perguntei o motivo dele fazer e montar quase tudo o que ele precisava. Daí ele contava que a mãe dele fazia tudo. Pra ele não tinha empecilho. Se você quer algo é só ir atrás. A mãe dele fazia o tecido, costurava as roupas, fazia sapatos, fazia a comida, plantava a comida, medicava os filhos. Se não tinha remédio, coloca umas agulhas que dá certo.  Então a teimosia passou de geração em geração.

Ele aprendeu assim, de certa forma eu peguei um pouco desse pensamento. Porque na época ela não podia pedir para alguém e mesmo se tivesse como pagar nem tinha quem fizesse.  E a vida é esse acumulado de aprendizados enfim.  Eu muitas vezes até conseguiria pagar alguém para fazer. Difícil foi achar alguém que quisesse. Por exemplo na costura. Já pedi encomendas que a costureira não queria fazer de jeito nenhum. Entendo. É fora do padrão e leva mais tempo pra entender e conseguir fazer. E muitas vezes quando faz o cliente diz que não era aquilo e volta a consertar e por aí vai. Daí fui eu aprender a costurar.

A melhor ferramenta é a que você tem nas mãos. Se você consegue achar alguém que faça ou se você mesmo vai tentar, o importante é ser teimoso e construir a câmera de madeira. As minhas não chegam perto do acabamento do artesão português. Pra eu chegar nesse resultado vai demorar muito. Mas as minhas funcionaram para fotografar, então isso é o que importa.

Agora vou testar e volto para mostrar os resultados.

Agenda do trimestre

Novidades para maio, junho e julho.

O curso de cianotipia que já comentei em maio dia 22 e 29, sábados 10h a 12h.

Programei além dele:

  • Curso Online de Papel Salgado
  • Curso Online de Dusting On
  • EDIT- Mudança de planos. Vou ter que adiar os dois cursos. – Vou ter que ficar muito tempo sentada na frente do computador nesses próximos meses.

Mas vai ter curso de História dos Processos Históricos Sesc Pompéia ê!!!! \o/ Aguardem!

Estarei participando do projeto 150 fotos para São Paulo. Doei uma imagem para venda que será para arrecadar fundos para ajudar pessoas nessa pandemia. Estamos programando um workshop também que será definido essa semana.

E uma boa oportunidade para quem curte processos históricos. O Roger Sassaki foi selecionado no edital da Funarte e vai dar um curso online sobre calotipia, placa úmida e placa seca. É gratuito, precisa ter os materiais e é um conteúdo super difícil de se encontrar. Link abaixo!

Curso de Cianotipia Online

Preparei uma turma para maio de cianotipia.

São dois encontros dia 22 e 29 de maio, sábados das 10h às 12h.

Pelo Sympla.

Mas para fazer o processo em casa é bom ter mais alguns materiais.

https://www.sympla.com.br/curso-online-de-cianotipia—elizabeth-lee__1201612

Neste curso vamos estudar um pouco sobre o cianotipo, processo fotográfico inventado no século XIX.

Famoso por seus tons azuis, é uma das técnicas mais fáceis de se realizar por não necessitar de uma etapa de fixador no seu processamento.

Conteúdo:

– breve história

– métodos e fórmulas

Materiais usados e possibilidades

– viragens

Acompanha uma apostila em pdf e as aulas ficarão gravadas.

Para a inscrição com material serão enviados:

– Kit cianotipo 120ml no total

– Dois papéis preparados para a primeira aula

– 6 negativos 13x18cm (o participante envia 6 imagens por email para os negativos) 

– 3 reagentes para as viragens

envio incluso

Para fazer o curso o participante deve ter os seguintes materiais:

– luvas

– bandeja para lavar as imagens

– pincel para passar o material no papel

– papéis de sua escolha (recomendo papéis que resistam à lavagem de água) De desenho, gravura ou aquarela são sugeridos

Opcionais:

Papel toalha para secar o excesso de água dos papéis – em caso de ter pouco espaço para pendurar papéis para secar.

Secador de cabelo

Acho que posso explicar várias escolhas aqui no blog.

Escolhi oferecer o curso pelo Sympla primeiro porque já tem a possibilidade de utilizar a plataforma do Zoom. Eu não tenho assinatura dele e pelos valores não compensa para mim comprar uma licença para oferecer no máximo dois cursos por mês.

Coloquei dois dias para o curso mas pode ser pouco, não sei. Gostaria de poder explicar mais coisas mas minha ideia é deixar um material gravado para o participante que tenha alguma dúvida específica. Estou vendo como resolver.

E o material dessa vez incluí o material químico e os reagente para fazer viragens. Acho que essa parte é bem legal. Além dos negativos inclusos que acho que é mais difícil de ficar procurando o lugar e o tratamento digital correto para quem está começando.

Curso online – Pinhole com filme PB

Tem um curso de pinhole para o Pinhole Day com o Edison Angeloni. É online e está incluso material para construção da câmera, que será feita com filme preto e branco 35mm e caixa de fósforos. O envio dos materiais também está incluso.

O filme é rebobinado de 36 poses Agfa ISO 100. No material também vai uma bobina vazia já invertida para câmera pinhole, a caixa de fósforo do tamanho correto para montar, fita isolante, alumínio já com pinhole e mais pedaços para quem quiser tentar fazer o furo, e papel para reforçar a câmera.

No curso será ensinado como monta uma pinhole e como fotografar com ela.

O WWPD – World Wide Pinhole Day é celebrado em todo mundo sempre no último domingo do mês. Para participar é preciso fotografar no dia 25 de abril de 2021 com uma pinhole e postar uma imagem no pinholeday.org

São dois encontros, 21 e 22 de abril das 19h às 21h. As inscrições estão disponíveis até dia 14 para dar tempo de enviar os materiais para o participante.

Curso Online Anthotype – Sympla

Voltei aqui para divulgar meu curso online de Anthotype.

Atendendo a pedidos, elaborei um curso de 2 aulas sobre antotipia.

Tem dois tipos de inscrição. Um para as aulas somente.

Outro para quem precisa do material incluso. Para esse modo, as inscrições ficam disponíveis até dia 09/04 para dar tempo do material chegar para o interessado.

– 6 diferentes papéis de arte 18x24cm

– flores secas 

– tecido para filtrar

– 1 base composta de vidro e mdf e presilhas para expor ao sol 18x24cm

– imagens impressas em fotolito 3 imagens. (mando fazer no fotolito 3 imagens 18x24cm)

– envio do material incluso

https://www.sympla.com.br/curso-online-de-fotografia-anthotype__1167374

Caso o valor esteja um pouco apertado para você, me avise. Vamos tentar ajudar quem precisa de um desconto nesses tempos pandêmicos.

Logo vou lançar o curso de Pinhole – Porque estamos chegando perto do mês Mundial da Pinhole!! Esse vou produzir mas vai ser o Edison Angeloni que vai dar o rumo. (aprendi com ele)

Lançaremos de Fotografia analógica e revelação PB também.

Curso online Antotipia no Sesc Pompeia – FestA

Dia 17 de março abrem as inscrições para o FestA – Festival de Aprender e neste ano farei a atividade online dia 20 e 27 de março, das 10 a 12h de antotipia para o sesc.

Dias 20 e 27/3, sábados, das 10h às 12h
Fotografia Artesanal: Antotipia
Com Beth Lee
O curso é baseado numa técnica inventada no século XIX feita a partir do uso de sumo de flores, frutos, plantas em geral para a produção de uma cópia fotográfica. Por se tratar de materiais naturais, não existe um método de fixar a imagem permanentemente. O Anthotype é um processo positivo-positivo, para a técnica é necessário o uso de uma imagem matriz positiva. Beth Lee é bacharel em Fotografia Aplicada pelo Centro Universitário Senac, fotógrafa e laboratorista. Ministra aulas em cursos técnicos e livres de fotografia. Tem como pesquisa processos fotográficos históricos, analógicos e artesanais. Participou de algumas exposições coletivas.
Você vai precisar de: papel para desenho, gravura e/ou aquarela; transparências para impressora ou papel vegetal e imagens digitais de alto contraste; objetos planos como folhas ou flores secas de plantas; placa de vidro ou acrílico; placa plana de mdf ou qualquer placa para ser usada junto ao vidro com o objetivo de prensar papéis e matrizes (transparências ou folhas secas); presilhas para segurar as placas; pincel; suporte ou vasilha para macerar as plantas (algo parecido com um pilão); pedaço de tecido para filtrar o sumo; plantas, flores e/ou raízes; água ou álcool. Estimativa de gastos com material: R$30,00.
Onde? Plataforma Zoom
Inscrições a partir das 14h do dia 17/3 em sescsp.org.br/inscricoes
Informações: Sesc Pompeia
Vagas limitadas. 14 anos. Grátis.

Segue o Link para as atividades de cursos:

https://www.sescsp.org.br/online/artigo/15166_A+PROGRAMACAO+DO+FESTA+FESTIVAL+DE+APRENDER+2021+ESTA+AQUI##cursos

E segue o link de inscrições que só abre dia 17!

https://inscricoes.sescsp.org.br/online/#/inscricao

Além disso o Sesc preparou um almanaque super bonito e pode ser baixado neste link:

https://sesc.digital/conteudo/artes-visuais/almanaque-festa

Antotipia – Anthotype – anthos e flores

Quando eu comecei esse blog eu lembro bem. Exatamente o dia. Foi num momento em que eu estava na faculdade e divagava sobre o mito da caverna e sobre tantas coisas que eu gostaria de escrever. Só de pensar na ilusão dava muitas ideias. A ideia de juntou com a perspectiva de enxergar os espectros invisíveis então deu mais surrealidade para a imaginação de uma pisciana com Sol casa 5.

Um belo dia achei um texto sobre uma possibilidade de produzir fotografias com sumo de plantas e minha alma hippie (deve ser uns 20%) não resistiu. Isso foi em 2007 e obviamente tentei com as flores que eu tinha.

Escrevo mais uma vez aqui sobre anthotype. Este processo maravilhoso descrito pela primeira vez por John Herschel, cientista e astrônomo que, como eu, era pisciano e provavelmente vivia no mundo da lua como eu vivo. um pouco… :/

Aviso também que logo teremos um curso sobre a técnica – online. E avisarei por aqui. Espero que tenham interessados.

A técnica se resume em macerar plantas, flores, folhas ou frutos. Sementes, raízes. Passar no papel e expor ao sol com alguma matriz – foto ou fotograma

anthotype em papel – amoras Esta foi uma das primeiras imagens publicadas aqui

Mas as flores – sim! as flores que dão o nome à técnica – é sobre o que gostaria de discorrer aqui. Ideias e o que eu testei ou está na lista para testar.

Anthos vem do grego para flores. anthotype se refere a flores. No entanto como homenagem ao Herschel eu me refiro a todo tipo de fotografia com plantas de antotipia.

Flores de cores mais intensa em geral oferecem melhor resultado. Já me perguntaram muitas vezes se é possível usar flores brancas. Até onde eu sei não funciona. Mas não testei muitas vezes.

Comecei a plantar muita clitoria ou feijão borboleta. Ela é azul e muito usada para fazer um chá por causa de sua cor. Sequei algumas e fiz meu estoque. Plantei capuchinha mas assim que vieram as primeiras flores, quem disse que eu consegui usar pra anthotype?

Outra planta que despertou uma curiosidade para esta técnica é a grumixama, nesse caso o fruto. Grumis, como eu costumo chamar, planta nativa que dá esse fruto que lembra uma cereja mistura de jabuticaba (pra mim né). Eu gosto tanto. Conheci pelo blog na Neide Rigo. Plantei duas mudas mas dei de presente. Sinto uma falta tremenda das plantas.

E será que dá pra fazer com espada de São Jorge? é o que tenho aqui.

Se der certo posto aqui.

Revelação Cor – C41

A verdade é que eu sabia que aquilo não duraria muito tempo. Então enquanto estive nesse lab cor, usei como se fosse a última vez. E fotografei pra lembrar dele.

Essa à esquerda é a Colex, processadora de papel cor.

lá pelo começo nos anos 2000, acho que foi 2004. Fiz um curso de revelação e ampliação colorida. Tudo no processamento manual, controle de temperatura no termômetro boiando, sem enxergar direito mesmo. Tinha aluno que nem usava luvas nem pinças, ficava com a pele dos dedos toda deformada. Acho que o lab do espaço não tinha uma boa exaustão e o cheiro do químico para ampliar ficava muito forte. Acho que por isso nem me animei muito a tentar em casa. Fora que demorava o dia todo pra fazer uma foto razoável e no dia seguinte eu estava descontente com o resultado. Talvez a iluminação ambiente não fosse adequada. Ainda assim na primeira vez que vi um ampliador cor à venda comprei. Mas nem usei muito. No fim, o trabalho acabou me chamando para outras áreas.

Só que esse da foto o processamento era todo por máquinas. E sim, era a iluminação perfeita para visualizar a cor. Foi exatamente projetado para isso. O ano era 2007 e a tendência na faculdade era destruir tudo para virar sala com computador. (pensando bem, quando eu frequentava fotoclube foi a mesma coisa, acho que vivi para ver o final dessa era ser substituída por pcs feios com salas de iluminação imprópria para trabalhar com monitor – parênteses dos parênteses: aquela cor branco amarelado que atrapalha pra caramba, sabe?)

Passos para revelar filme cor C41:

pré lavagem: 1 minutos e 15s

revelador: 3 minutos e 15 s

branqueador: 4 minutos

lavagem: 2 minutos

Fixador: 4 minutos

Lavagem: 4 minutos

Estabilizador: 1 minuto

Para qualquer marca e qualquer ISO o tempo é padronizado.

ahhh E6 ! que falta que me faz

a gente preparava muito químico por semana…