Exposição em Braga – Fotógrafas Experimentais 11.03.25

Dia 11/3 – abre a exposição na cidade de Braga – Portugal. Enviei minhas imagens de São Paulo em infravermelho.

Acho que essas imagens têm mais a ver com o que eu penso da cidade do que com qualquer outro tipo de técnica que eu possa inventar de fazer para representar esse lugar. Lembra um pouco sonho mas é a captação nesse espectro que não é visível aos olhos.

A convite do amigo Guilherme Maranhão, que aliás devo agradecer pelo carinho, cuidado e sempre seu profissionalismo a respeito da fotografia, que continua de alguma forma a olhar para o Brasil, mesmo estando em Portugal.

O Gui é aquela pessoa que mesmo estando muito longe sempre está perto de mim, já que por onde ando no meu estúdio tem parafusos, câmeras, filmes e peças dele ainda. 😀

Segue abaixo links e texto sobre o projeto, copiados do site a seguir.

https://braga25.pt/programa/fotografas-experimentais/

O projeto Fotógrafas Experimentais prevê a programação ao longo de 2025 no café anexo à padaria Amor&Farinha em Braga. De Fevereiro a Novembro, cada mês será dedicado aos experimentos de uma artista com uma exposição, uma conversa e uma oficina.
Fotografia é experimental desde o seu nascimento, pois é resultado de uma série de reflexões e descobertas, essas por sua vez experimentais, novas e transformadoras. Experimentar é apenas um estado de espírito perante o desconhecido e o que está prestes a se tornar novidade.
Na sua evolução, a indústria a conquistou para democratizá-la e torná-la um negócio, mas sempre existiram cientistas, artesãos e artistas criando de outra forma, a partir de outro patamar. Ao longos dos últimos anos as mulheres tem sido um expoente na Fotografia Experimental e faz sentido dedicar uma série de exposições para ressaltar esse protagonismo, especialmente numa cidade que tem uma relação tão antiga com a fotografia.
Braga hospeda o segundo festival mais antigo na Europa dedicado à Fotografia, essa programação pretende somar a ele e se espalhar pelo resto do ano.

Independente da fotografia ser digital ou analógica, o experimentalismo ainda é um caminho viável para criar novas visualidades com esse processo que existe desde o século XIX.
Os experimentos dessas 10 Fotógrafas Experimentais servem para nos mostrar sua dedicação ao processo fotográfico. Algumas optaram por ir buscar o estado da fotografia antes da indústria, outras se apropriam de ferramentas altamente refinadas por anos e anos de desenvolvimento industrial. Suas recombinações são gestos delicados e políticos. Afinal, não se render às facilidades da tecnologia atual por si só já é um gesto político.
Uma parte desse grupo de 10 fotógrafas já esteve junto em uma outra exposição com curadoria de Guilherme Maranhão, chamada Raros, Vintages e Inéditos. É dessa experiência anterior que nasce essa proposta. Os trabalhos escolhidos para ambos os momentos são pequenos de forma geral e adequados a um espaço pequeno e acolhedor como o desta proposta. Prezam pela delicadeza do gesto, convidam o observador a imaginar os gestos utilizados pela fotógrafa que fez aquelas imagens.

Amor & Farinha
Praceta André Soares 7 4715-122 Braga, Portugal

A Braga 25 é uma iniciativa cultural com a duração de um ano que decorre no concelho de Braga. A sua programação resulta da colaboração entre o Município de Braga e a Faz Cultura.

Cursos CULTSP PRO

É hoje! Abrem as vagas do programa CultSP Pro e com muita honra estarei com o curso de Fundamentos da Fotografia Digital.

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos/fundamentos-de-fotografia-digital#i

Segue link para o mapa geral de cursos.

https://www.cultsppro.org.br/br/cursos/mapa-de-cursos

Pinhole e as maneiras de se enxergar

Vou dizer que pinhole pra mim é uma técnica bonita e sensível porque permite ensino com poucos materiais e pode ser tão boa quanto uma fotografia com a melhor lente. É, como digo nas aulas, algo que se usado bem e compreendido como qualquer câmera de qualquer fabricante, um equipamento de vasto alcance. Também, acho a técnica mais democrática, justamente pelo fato de podermos construir nosso próprio equipamento.

Resolvi escrever sobre isso porque dou aula particular para uma pessoa que afirmou esses dias que não vê graça na fotografia sem lentes. Eu entendo o ponto de vista dele, para alguns realmente não faz sentido construir uma câmera. Se o que se busca é a estética e o resultado de uma câmera industrializada, pinhole é algo meio fora do comum.

Por isso que eu, com meu Urano na casa 1, acabo naturalmente nadando contra a maré em muitos sentidos e apesar de eu tentar ser meio dentro da caixinha, nunca consegui muito.

Sei que fotografar com latas, por exemplo, deve parecer muito pouco prático para alguém que já está adaptado a um equipamento pronto para fazer o que precisa fazer, com todos os controles e ajustes disponíveis. Parar pra pintar, furar e adaptar uma singela lata soa cansativo e trabalhoso, para no final talvez gerar imagens pouco precisas e com a grande possibilidade de erros sem previsão de saber o que está no quadro. Eu não acho muito prático mesmo, tem que fotografar só uma e revelar, ainda vai ficar no papel fotográfico, que nem sempre é um resultado como poderia ser num filme com mais qualidade e tons de cinza.

E dá um ar de muito trabalho mesmo se pensar no imediatismo da fotografia digital que dá pra ensinar, dá pra fotografar… mas ainda me pergunto se o digital é mesmo acessível e se só tocar a tela é suficiente pra pensar em algumas questões e desenvolver a mesma proposta de uma fotografia que está conectada a essa materialidade do fotossensível. Acho bom também esse tempo lento pra desenvolver o tato, pensar no olhar e absorver informações sobre a luz, a prata, a distância entre o papel e a lente ou o furo de agulha. Dar pausa ao cérebro para conectar a possibilidade de usar a luz, o espaço e ter esse resultado palpável e possível de ser segurado com as mãos. Me parece que se deixarmos a indústria da tecnologia fazer tudo e consumirmos tudo que querem que a gente consuma, logo não vamos saber fazer o básico.

Fotografia Pinhole de participante (Sr. Mitsuo) no Sesc Pompéia – faz tempo que já publiquei essa imagem aqui. Essa distorção própria da lata.

Oras, vá que é bem o tipo de resultado de alguém que quer ir contra todo equipamento fabricado industrialmente, construído para ser a representação bidimensional da realidade, quase perfeita. Aquele tipo de câmera ótima pra quem é bem materialista e consumista, que custa caro e muitas vezes é exibido quase como um troféu. :). – tem dessas né, cada um é feliz com uma coisa.

Só que puxei do meu pai a curiosidade com tudo e eu preciso me segurar muito pra não querer aprender e fazer de tudo. Muitas vezes eu aprendo coisas porque eu preciso. Mas se eu pudesse estudaria mais um tanto de outras.

Reforço que a proposta da camera obscura e pinhole em consequência tem pra mim maior impacto mesmo no ensino. E vi coisas muito bonitas, que honestamente, valeram todos os anos de pesquisa.

Por exemplo:

Nesta foto que foi em Registro, acho que foi quando a unidade do Sesc inaugurou

O menino na foto fez sua câmera obscura e meio sem saber o que era a atividade na verdade, chegou quieto e meio apático. Quando fomos para a área externa e ele entendeu o que estava visualizando ele pirou. Pof! Começou a associar a várias coisas, a ligar com a luz, como forma a imagem, o que dá pra fazer. Filosofou sobre a vida, basicamente. (e ele tava com a camiseta das tartarugas ninjas, eu gostava muito quando era nova 😀 – acho que o meu preferido era o Raphael)

Foi quase como quando eu fazia as lentes de óculos, que não lembro se já comentei aqui. Eu comentei sobre isso numa palestra sobre fotografia analógica na Casa da Imagem (acho) e o Fausto Chermont até acordou na hora hehehe. Mas eu cortava lentes de óculos e éramos contratados para fazer óculos para muitas crianças. Uma empresa de seguros pagava tudo, eu só tinha que ir no mesmo dia que os médicos para fazer as medições e depois testar tudo nas crianças. Fiz isso também para empresas que cuidam de rodovias, muitos caminhoneiros com graus altíssimos… Enfim

Acontecia de crianças terem grau muito alto e a família nem sabia que precisava de óculos. Na fila tinha um menino com cara de sono, cansado. Não concentrava o olhar em nada. Ele sentou na minha frente e coloquei os óculos já ajustados no seu rosto, era um grau entre 5 a 8 graus talvez.. Ele finalmente me olhou naquele momento, bastante tempo me olhando, como se tivesse despertado e eu percebi que ele realmente começou a enxergar pela primeira vez na vida. E começou a scanear todo o ambiente com o olhar, percebia as formas, as pessoas, os objetos. A partir daquele momento eu sabia que todo aquele trabalho que eu não gostava de fazer, valeu a pena. E eu também sabia que eu precisava ir para outra área. Sem querer ou não, acabei trabalhando com os olhos e modos de ver em muitas atividades hehehe.

A reação do menino da foto e do menino dos óculos foram muito parecidas para mim.

Quando aprendi pinhole não tive esse encantamento, sei lá porque, mas queria ter aprendido antes. Vejo técnicas como ferramentas, não importa pra mim muito o tipo, o preço. Tento entender como funciona e aplicar.

Curiosamente, essas histórias são com meninos. Gostaria que fosse com meninas também, mas foram com meninos. De alguma forma eu sempre me senti um moleque na idade deles, porque eu fui criada apenas por meu pai e queria ser como ele, e era muito próxima do meu irmão, então eu parecia um menino até uns 13 anos acho. ( e também porque era meu jeito de me defender nesse mundo me escondendo um pouco) Acho que eu me realizo de novo, na vivência dessas crianças.

Outro relato que achei muito lindo na época e talvez já tenha escrito aqui. Uma vez fui dar curso de pinhole no Sesc Sorocaba e apareceu um pai com uma filha de talvez 20 e tantos anos. Ela fez a câmera calmamente e na hora de ir embora comentou que estava estudando em SP e que passava na casa dos pais nos fins de semana. Estava estudando medicina na Santa Casa e quando podia aproveitava para fazer alguma atividade do tipo para “lembrar que ainda é uma pessoa.”:)

Era uma vez um filme 3200…

Algum tempo atrás comecei a dar aulas para uma pessoa que tinha comprado muitos filmes 120 de ISO3200. Isso ficou na geladeira, depois ele fotografou alguns e ao iniciar as aulas foi um dos primeiros filmes que revelamos. Os filmes não foram o objetivo principal. Ele aprendeu fotografia sozinho por muitos anos e sentia que faltava alguma coisa no aprendizado, então fui tentando complementar o conhecimento (apesar de eu sentir que ele foge um pouco das aulas).

Se alguém já teve experiência com um filme desse, guardado por muito tempo, sabe do que estou falando. Chega um momento que a textura do papel aparece nas imagens, fora o véu de base que ocorre.

Então foi um desânimo, um chororô e ele achou que havia perdido tudo. (detalhe: ainda tem muitos desses filmes para ele fotografar, conservados na geladeira) Filmes e filmes batidos em viagens… Eu deixei ele absorver um pouco a informação e, bom, fui atrás de melhorar o lote. Mas sabem, eu acabo trabalhando muito e demoro pra finalizar as coisas. Então final do ano passado eu tinha realizado alguns testes com filmes muito vencidos e já vislumbrava uma opção para pelo menos obter melhores resultados.

A parte difícil de ministrar aulas para quem já tem uma certa experiência sendo autodidata é que fica difícil descobrir onde estão as lacunas de aprendizado que precisamos preencher. E também levei um bom tempo para compreender qual a parte do ensino que ele necessitava. Já faz um ano que estamos em aulas particulares e só agora começo a entender melhor qual é a questão. (mas não foi um ano ininterrupto, compromissos de ambas as partes acabaram afetando a continuidade)

Pra começar que filme 3200 pra mim é uma mentira hehehehe

Então o que sugeri foi bater duas escalas iguais de cinco pontos e revelar com benzotriazol em porções diferentes. Aí foi parte do nosso diálogo na última aula: (BL: eu, AL: aluno)

BL: Vamos bater o filme como 3200, 2 pontos pra cima, zero e 2 pontos pra baixo, revelar com D76 1:1 com benzo a 1% e 2%.

AL: Mas não vamos revelar sem o adicional (benzo) pra saber como fica?

BL: Não, porque já vimos o resultado nas revelações anteriores. Fotografamos a mesma cena, com objetos de cores diferentes. Duas escalas no mesmo filme 120, corto no meio e revelo com essa diferença no químico. (a parte de fotografar cores diferentes nem era tão necessário neste teste, mas como já faríamos uma escala, seria bom pra mim ver também até onde ele entendia sobre cores)

AL: Mas como você vai saber onde cortar?

BL: Não vou. Vou medir no meio (no escuro total) e cortar. por isso no meio das escalas deixaremos um frame sem imagem, pra saber onde uma começa e a outra termina. E porque escala? Todo teste de revelação requer uma escala. Assim, saberemos qual seria a melhor exposição para esse filme.

E o que é benzotriazol? É um material que diluído em proporção muito ínfima nos reveladores auxilia no véu de base de papéis fotográficos especialmente. Em muito último caso utilizo nos filmes, filmes vencidos que estão muito escuros. Ou seja, aproveitamento de papel vencido será fácil com ele. E qual a proporção?

Solução de estoque: 1g de benzotriazol para 100ml de água.

Para cada litro de revelador, utilizamos 1ml desta solução de estoque.

Sim, só isso mesmo.

Enfim, revelamos. (eu né 😀 ) E verificamos os resultados. Como eu já imaginava, 2% seria muito. Mas 1% não acabaria com todas as manchas que ocorrem com esse tipo de filme.

Essa textura visível no canto inferior esquerdo. O filme ficaria inteiro com esse problema sem o benzo. Mas ficou somente em alguns frames.

Daria para experimentar outros reveladores, diluições, mas não posso ficar gastando filme de aluno com os testes que eu quero fazer 😀

E pela escala também deu para verificar que o melhor resultado seria fotografar com 2 a 3 pontos a mais. ( eu diria pra ele subrevelar mas só vou falar e explicar se ele parar de fugir das minhas aulas) 😀

Não é demais? Eu adoro o benzo. A fotografia química é essa compreensão dos materiais e objetos fotográficos que reagem e contam essa história do que já se inventou e fabricou. E resolver e fazer funcionar é tão bonito. E damos um jeito dessa técnica se encaixar no que queremos ver e obter.

Algum tempo atrás coloquei nos stories do instagram uma frase que o William Crawford coloca no livro dele que eu achei lindo. Esqueci de colocar antes aqui (eu comecei a fazer stories na pandemia porque eu me senti muito triste e sozinha, acabou sendo meu diário de atividades e pensamentos que na verdade eu devia colocar aqui, mas também tem muita bobagem minha :D)

“Look it up, right now, and you will see the shell around you. It is the limit of your visual field. You can climb to the roof and make the shell expand by miles. You can stretch it and change its shape as you move through the world, but you cannot crack it. Only photographt can crack it.” W. Crawford – Keepers of Light.

Mover e esticar essa ação fotoquímica nos materiais tem um pouco pra mim de tentar essa expansão do olhar, que vai além do visual, de dominar como um alquimista o poder de ver as coisas e fazer essa concha funcionar mais além (Flusser meu parça) pelos materiais e estender até a idade (anti-aging kkkk) dos produtos industrializados da fotografia.

ciano = a + b ou a ou b ?

Algum tempo atrás, enquanto eu preparava uma aula para o Sesc Pompéia e peguei um frasco de reagente para cianotipia, vi que tinha três frascos com datas de validade muito diferentes. Pra garantir que funcionaria naquele momento da aula, peguei o que sabia que estava bom mas surgiu a dúvida sobre os outros dois.

Aí num dia, enquanto aguardava os inscritos no curso chegarem provavelmente, resolvi preparar alguns mililitros de cada um para passar em um papel e fazer o teste. Terminou o curso, guardei o papel, esqueci na pasta. Virou o ano e ainda não tinha feito o teste.

Com a minha última mudança ficou um monte de material pra organizar. E sexta-feira estava organizando todos os meus resultados e papéis para utilizar. Achei esse papel e pensei – este final de semana é um bom momento para isso. Agosto e setembro começaram meio lentos de trabalho externo por aqui. Mas outubro mal começou e enfim tenho novos projetos que sei que tomarão mais dedicação minha.

Num papel neutro apliquei o reagente de 2014, 2003 e 2020. Coloquei um negativo qualquer e deixei exposto ao sol por um tempo.

pela diferença de tonalidade após a exposição parecia que ia dar diferença
acima 2014, meio 2003 e embaixo 2020

Ou seja, qualquer um dos três daria algum resultado. Então posso utilizar sem risco de não dar algo certo quanto aos seus funcionamentos. Levando-se em conta que foi um papel preparado na pressa e as quantidades em cada pedaço do papel não estão exatamente iguais.

Agora a explicação.

Muitos anos atrás eu ficava me perguntando algo que acredito que todo mundo que faz essa técnica há algum tempo deve ter se questionado. Precisa das duas partes? E se tiver só parte A? E se tiver só B? e se colocar mais de A ou mais de B?

E a esse respeito já explico faz um bom tempo durante as aulas. Existem várias formulações com proporções diferentes, existem variações de reagentes, fora o que já comentei sobre fatores externos que podem influenciar no resultado.

A verdade é que esta técnica pode ser realizada com os reagentes isolados, porém não funcionarão tão bem como da forma mais comum, parte A e parte B.

Neste teste utilizei apenas o ferricianeto de potássio (sim) que solo, vai demorar muitas horas mas forma o azul, de tonalidade talvez mais clara, tempo de exposição muito mais longo mesmo.

Então hoje eu acordei, vi o sol saindo e já coloquei lá fora. Voltei 18h para casa e processei a imagem.

Art Emulsion

Acho que no começo da faculdade eu experimentei com o liquid light mas estava muito vencido e por um tempo não pensei em tentar fazer algo parecido. Liquid light é um produto fotossensível que pode ser aplicado em superfícies diversas para fazer imagens fotográficas.

Aí um belo dia uma amiga, Juliana, me pergunta se não quero ficar com uma emulsão que ela pediu pra um parente do Japão trazer. O Art Emulsion da Fuji, que aparentemente só vende por lá. Ela não conseguiu fazer imagem com o produto, então como o produto estava vencido, podia muito não dar certo comigo também.

no começo a gente ganha manchas 🙂

Testei em papel e vidro. Preparei da forma como informava no manual mas não gostei muito num primeiro momento dessas pinceladas, que era o método de aplicação indicado.

já com o primeiro teste de manchas percebi que o tempo deveria ser encurtado

Modifiquei o tempo de exposição e tomei mais cuidado com a luz. Só que na ansiedade não limpei os primeiros vidros direito então dois descolaram nas bordas, o que se pode verificar na imagem acima. Mas foi o suficiente pra me deixar bem feliz com o resultado. Desta vez tentei no vidro primeiro, mas quero testar em diversas superfícies.

usei os refugos de vidro para os primeiros testes.

ainda não entendi o ISO aproximado do produto mas farei testes mais adequados. Por hora, esse primeiro contato foi só pra saber se daria algo certo e colocarei meu passo-a-passo logo mais.

Fiquei feliz de poder alcançar algo que nem sabia que existia da Fuji. Pena que esses materiais nunca chegam por aqui.

sobre Conservação no Sesc CPF com Sandra Baruki

Em julho eu participei de um curso com a Sandra Baruki no Sesc 14 Bis – CPF – sobre conservação de acervos de fotografia.

A Sandra trabalhou na Funarte e uma das pessoas responsáveis pela preservação de muito material público importante. Por se tratar de um assunto ligado ao meu na fotografia, fui lá marcar minha presença.

Sandra à esquerda. Ela apresentou diversos tipos de processos durante o curso.
um ambrotipo em moldura. Acervo da Sandra Baruki
uma cópia em platina
Acima gelatina e prata com viragem a ouro. Abaixo, colodio com platina e ouro.

Sobre esses eventos às vezes eu coloco algumas infos nos stories mas percebi que eu precisava deixar isso registrado de outra forma. E por causa da minha proposta de fazer álbuns fazia todo o sentido começar a olhar para esse campo da conservação com mais seriedade. Tenho pesquisado muito sobre papéis. Desde que fiz o trabalho das capas de livro percebi que esse ramo industrial do papel acaba sendo um tema importante pra eu entender, visto que todas as alterações nos papéis complicam a minha vida no laboratório.

Sobre álbuns

comecei a fazer álbuns por uma questão de simples resgate das memórias que nem são minhas. Acho que em parte é uma tentativa de resgatar a história da família que nem conheço. Quando vi os álbuns do bisavô da Fabi percebi que existia algo a ser preservado lá, porque a encadernação era artesanal, diferente dos álbuns atuais que parece muito plástico e que justamente por ter sido produzido por alguém me pareceu que o cuidado era bem diferente e bem majestoso.

Eu não tive álbuns assim na minha família. Só lembro de alguns bons anos atrás ter comprado um álbum e não gostei muito da solução. Cheio de plástico e somente para tamanhos 10x15cm, ou seja, não serve para todas as imagens que gostaria de colocar.

adoro essas fotos desfocadas. eu e meus irmãos, grudados desde sempre.
e esse plástico que não dá pra saber se é próprio.

Também me surgiu outra questão. Eu não tenho imagens dos últimos dez anos da minha própria família. Bom, nos quase dez anos eu na verdade não vivi com meus irmãos e minha sobrinha. Me separei faz pouco tempo. Ainda assim tenho poucas imagens em suporte material e olhando hoje vi que não tenho fotos impressas da minha sobrinha dos últimos dez anos.

Bom, lado pessoal da coisa, minha sobrinha é uma menina PCD. Eu sei que a chance dela viver até a fase adulta é muito pequena. E o aprendizado dela é lento, com as crises de epilepsia percebo que as palavras que ela pouco aprendeu, esquece muito rápido. Desde os seus nove meses tenho imagens de celular, muitas, porque quando ela via que eu ia tirar foto com meu Sony Ericsson ela sorria. São tantas imagens que nem sei como vou fazer. às vezes acho que vou fazer um álbum para durar mais que ela. Tenho pensado nessa questão da duração das imagens. Por isso resolvi fazer atividades sobre álbuns, para fazer as pessoas produzirem álbuns para preservar essas imagens das pessoas importantes nas suas vidas.

Já se passaram dois encontros no curso do Sesc Pompéia. Esta semana iniciaremos a montagem dos primeiros álbuns.

Mas já vamos pensar onde guardamos as fotos da família? não me diga que é na caixa de sapato.

Sobre Revelação de filmes

Passou o curso no Sesc Belenzinho e percebi que apesar de trabalhar com isso eu não coloquei nada sobre revelação de filmes PB (que eu me lembre) por aqui. Como eu havia prometido para o pessoal que frequentou o último curso, vou colocar etapas básicas. Mas claro que aqui não consigo colocar e mostrar todos os detalhes como demonstro nas aulas. Fica como material de consulta.

Eis um basicão por aqui enton.

Etapas: Em geral são sempre no mínimo 3 etapas de químicos e uma lavagem. É possível aplicar uma etapa pré lavagem com o auxiliar de lavagem e depois um finalizador. Para quem está começando muitas vezes essas etapas extras parecem ser mais complicadas, mas com o tempo vai perceber que funciona melhor no resultado final.

  • Revelador
  • Interruptor
  • Fixador
  • Lavagem

Como eu faço:

  • Pré lavagem com água, encher o tanque com o filme já na espiral, deixar alguns minutos para primeiro hidratar essa camada de “emulsão” e também retirar materiais que não vamos precisar mais uma vez que o filme foi batido. Se a água estiver perto de 20 graus seria melhor.
  • Revelador – tempo varia de acordo com o tipo, marca e revelador. Sempre revelei a 20 graus, e com D76 a diluição que utilizo é 1:1 – a mais famosa. Primeiro minuto de agitação constante, minutos restantes intercalando agitação de 10 a 15 segundos a cada 50, 45 segundos de repouso.
  • Interruptor – 1 minuto – também perto da temperatura indicada. Prefiro fazer uma leve lavagem antes do fixador quando é possível.
  • Fixador – 6 minutos – primeiro minuto agitação constante, outros 5 em 15segundos de agitação e 45s de repouso
  • Lavagem de um minuto e verificação do filme
  • Auxiliar de Lavagem – Sulfito de sódio em estoque a 10%, utilizar 1 parte dessa solução para 5 de água.
  • Lavagem – 15 minutos em água corrente – Mas eu acho isso um desperdício de água, prefiro fazer algo mais econômico, como a lavagem recomendada da Ilford ou mesmo deixar ir trocando a água.
  • Finalizador– Photoflo ou um abrilhantador de louças que possui a mesma composição do primeiro, cuja função é de evitar manchas de secagem no filme.
  • Secagem – local seco e mais livre de pó possível, caso contrário o pó gruda no filme e é difícil retirar.

Quando temos um espaço próprio para isso é bem mais fácil, mas adaptar um lugar também é possível.

Editando… 12/08/24

Como saber o tempo de revelação

tem tabelas obedecendo tempo, temperatura e tipo de revelador. O mais recomendado pelas pessoas que eu conheço é esse: https://www.digitaltruth.com/devchart.php

De acordo com o ISO do filme e marca escolhida, dá pra buscar na lista do chart e selecionar o tipo de revelador utilizado.

Sobre revelador, para começo dessa conversa o mais fácil de se pensar é o D76, interruptor pode ser o ácido cítrico 20 gramas para cada litro e fixador vai a gosto do cliente. Tem gente que prefere Ilford, tem gente que ama Kodak… – para quem está começando eu digo a mesma coisa sobre a escolha de marca de câmeras: o melhor fix é aquele que vc tem na mão.

Use Luvas. Prefiro usar avental sim. Contaminação é um negócio chato, prefiro ser profissional com a minha saúde do que ser desleixada. Existe um motivo para se utilizar Equipamentos de Proteção Individual e o ser humano evoluiu muito desde então hehehehe

continua…