Hoje abriram as inscrições para os cursos regulares das Oficinas no Sesc Pompéia.
atrasado justamente porque as inscrições abriram para Credencial Plena às 14h. Masss as inscrições para público geral abrem dia 23 de fevereiro de 2022 às 14h. Link: bit.ly/inscricoes-sescpompeia
é um curso que de início eu pensei em formato online, para quem nunca fez experiências fotográficas fotossensíveis. É uma mistura de conteúdo histórico com experiência fotoquímicas que deu vontade de fazer.
é aquela mancha que te faz pensar
Neste momento pandemia recebi dúvidas ao longo dos meses de pessoas que nuca fizeram nenhum processo analógico / histórico e estavam tentando por conta. Conversando aqui e ali com amigos, falando sobre as dificuldades de uma pessoa entender essas primeiras experiências sensíveis me fez pensar em algo meio além das técnicas, de forma a despertar mais essa noção de que as coisas de modificam com a luz.
É claro que vai ter muita história pra contar aí, nem só de prática vivemos. A vontade veio um pouco também das aulas de história online e da falta de poder tocar e mostrar as mudanças nos materiais que mencionava. Então não deixa de ser sobre a história da fotografia pra mim.
Hoje eu entrei no lab depois de dois anos. E estou tão acostumada com ele que parece que nem foi tanto tempo assim. Enfim, lab está lindão lá, espero que cada vez mais cheio nos próximos meses.
Agradeço demais ao Sesc por confiar no meu trabalho. 🙂
Neste curso apresento um recorte da história de como as técnicas fotográficas surgiram e como algumas delas funcionam. A fotografia tem seu desenvolvimento a partir de diversos materiais e procedimentos desde o início do século XIX até o começo do século XX. E a respeito dos materiais são diversos mesmo. Desde plantas a ouro. A partir de materiais que reagem com a luz pelo escurecimento ou pelo endurecimento. Em metais, papéis, gelatina ou algodão solúvel.
E comento um pouco sobre a estrutura necessária para a produção do que hoje é mais conhecido como fotografia alternativa. A ideia é também mostrar algumas fórmulas e por isso também preparei um breve manual em pdf.
A possibilidade de captar imagens fez parte do imaginário de alguns muito antes da sua invenção. Isso é descrito por poetas e escritores desde o século V. (ah, os visionários poetas…)
Dentro dessa jornada foram muitas falhas e sucessos, muitos desconhecidos e alguns famosos. Como alguns aqui sabem, eu gosto das histórias daqueles que foram esquecidos e das técnicas igualmente de pouco sucesso.
Em 4 encontros vou abordar desde o princípio da formação da fotografia, como surgiu e quais as principais técnicas, ao seu desenvolvimento como negativos e cópias em técnicas de cianotipia, papel salgado, albumina, albumina em vidro, placa úmida e placa seca. Quais materiais são necessários para se produzir essas técnicas e suas referências e como montar um espaço para se trabalhar com a fotografia alternativa. Dentro do programa falo de anthotype, de daguerreotipos, calotipos, positivo de Bayard, a fotografia de Florence, entre outros. Vou falar sobre a fotografia colorida e a película de cinema, minha atual pesquisa. Comento também sobre como monto meus equipamentos e onde se encontra os materiais.
A Simone Wicca queria fazer uma imagem para o evento e me chamou. O tema desse ano foi Rejuvenecer. A ideia que ela deu era de fazer um tecido e expor ao sol como se ela estivesse nadando, porque era uma lembrança de sua infância e que nadar sempre remetia a esse tempo. Eu comentei com ela que quando criança não sabia nadar e que eu ia precisar de um barco para navegar nesse mar. Outra questão para mim é que não sou muito dos fotogramas, fico ligeiramente insatisfeita. Uma limitação minha. Quando posso, escolho pela imagem com negativos. Então coloquei uma foto minha com uns 7 anos de idade. Barcos de papel pra mim é muita da infância. A nossa proposta era fazer na praça, ela deitaria no tecido uns minutos e revelaríamos em seguida.
nossa imagem lá no site. 🙂
E nossa! Depois eu pensei como demorei para entrar em contato com o pessoal do alternativephotography.com . Como eu sou devagar… Foi incrível conversar com eles e logo mais teremos novidades a respeito disso.
eu demorei pra ter uma conta no insta, mas a vida social é isso, se não está lá parece que a gente nem existe.
E como fizemos o processo todo:
Eu tinha um tecido de 2 metros. Inicialmente a Simone achou pouco O.o
Mas tinha e foi esse mesmo.
Fazer cianotipia em tecido. Lavei o tecido para retirar qualquer camada anti fúngica e sujeira também né. Também tem uma questão de pré encolhimento, mas neste caso nem estava preocupada com isso.
Deixei secar para não ficar pingando, mas até eu terminar de preparar um químico, já tinha secado mais do que precisava. Separei um ciano e utilizei cerca de 150ml. Coloquei numa bandeja de 50x60cm. Deixei secando no lab. Tirei fotos mas não são muito bonitas com luz fraca. Depois pequei um saco preto e levei para casa.
O clima não ajudou muito os planos da Simone de fazer um flashmob na praça. Choveu, trovejou e caiu muito granizo. Eu disse que era pra testar nossa coragem. Então como estava tudo molhado, falei pra ela que seria melhor desenhar sua silhueta no papel, porque seriam horas de exposição e que seria melhor deixar na varanda e esperamos sentados. E foi melhor mesmo. Chuviscou várias vezes, vento, nublado… somente no final do dia apareceu aquele sol depois das 16h que não ajuda muita na exposição U.V. mas contou.
Depois da exposição de 4 horas vestimos nossos aventais e luvas e fomos ao lab.
A Simone tem umas bandejas e trocamos a água umas 4 ou 5 vezes.
até a chuva quis contribuir com umas “bolhas” no fundo do mar.
Por um bom tempo vendi o químico do cianotipo. Tinha só verde, depois não produziram mais. Fiquei só com o marrom mas hoje estou disponibilizando as variações verde e marrom. Eu não estava satisfeita com as embalagens – acho que nunca estou – mas para não deixar muito caro não faço as modificações que gostaria.
Então estou esperando um novo frasco chegar – preto, pois protege melhor mas em compensação tenho que comprar em quantidades maiores e investir mais. Por hora preparei no frasco âmbar. A embalagem âmbar é boa para guardar mas como ela não protege da luz, precisa deixar o frasco guardado dentro de uma caixa ou embalagem escura.
Os iniciantes ou aspirantes a fotografia azul podem ficar na dúvida quanto aos diferentes tipos de material de cianotipia que encontram: verde ou marrom? (mas eu quero azul, vai ficar azul?) Então achei melhor escrever um pouco sobre esse assunto.
Todos os kits para cianotipia qualquer um ficará azul! êê!!
Mas tem duas versões mais conhecidas. o MARROM é um pouco mais lento. O VERDE mais rápido.
O kit pode ser produzido com o Citrato férrico amoniacal MARROM ou o Citrato férrico amoniacal VERDE. A cor no nome do químico se dá pela aparência do reagente mas seu resultado da imagem será sempre azul.
Qual a diferença visual? O marrom dá uma nuance mais fria. o verde é mais brilhante. (mas a diferença é bem sutil)
material para cianotipia
E o tempo de exposição? Depende. A verdade é que o citrato férrico tem uma variação enorme em relação à quantidade de ferro. E isso sempre vai variar muito de lote pra lote. Então para alguns pode dar de 30% a 50% a mais de tempo de exposição no marrom comparado ao verde. (não é um dado estatístico, na prática é mais ou menos isso, ou seja, demora um pouco mais no marrom sim)
Mas então qual que eu compro? Pra quem está começando o Verde é mais fácil. Porque ele tende a manchar menos caso escolha um papel de textura mais aparente ou um papel de qualidade mais baixa. Papéis com pouca encolagem também darão mais trabalho com o marrom. Então é mais fácil dar certo com o verde.
O marrom é mais básico, tende a dar menos problemas de conservação. O verde é mais ácido, pode dar mais problemas de conservação.
Qual que você gosta pessoalmente??? Dos dois. Não tenho filho preferido. Quando estou com pressa ou nas aulas uso o verde por garantia e comodidade, já que preciso fazer funcionar pra pelo menos umas 15 pessoas de uma vez em poucas horas. Mas pra meu trabalho gosto sim do marrom. Porque eu gosto do tom frio, ou se utilizo um bom papel e bem preparado. Ele é lento mesmo, eu também sou. Mas não uso só ele. Uso o que está na mão primeiro.
Ai… agora você me deixou mais na dúvida…
Então compra o que vai no seu coração. ou no bolso.
Por isso para quem está começando resolvi preparar embalagens menores para o custo ficar mais baixo. Esse da foto fiz com 50ml. A ideia surgiu faz um tempo, pensando que para uma pessoa começar seria um investimento mais alto mesmo, já ter 120ml na mão e sem saber se vai gostar.
Coloquei na lojinha do @rebobina.lab pra facilitar para as pessoas.
Vou colocar testes comparativos (tô devendo testes pra variar) logo atualizo esse post. (prometo, esse blog nasceu mais como uma intenção de diário/semanário)
E estou preparando kits com material para viragens também. Achei bonitinho.
Neste curso vamos estudar um pouco sobre o cianotipo, processo fotográfico inventado no século XIX.
Famoso por seus tons azuis, é uma das técnicas mais fáceis de se realizar por não necessitar de uma etapa de fixador no seu processamento.
Conteúdo:
– breve história
– métodos e fórmulas
Materiais usados e possibilidades
– viragens
Acompanha uma apostila em pdf e as aulas ficarão gravadas.
Para a inscrição com material serão enviados:
– Kit cianotipo 120ml no total
– Dois papéis preparados para a primeira aula
– 6 negativos 13x18cm (o participante envia 6 imagens por email para os negativos)
– 3 reagentes para as viragens
envio incluso
Para fazer o curso o participante deve ter os seguintes materiais:
– luvas
– bandeja para lavar as imagens
– pincel para passar o material no papel
– papéis de sua escolha (recomendo papéis que resistam à lavagem de água) De desenho, gravura ou aquarela são sugeridos
Opcionais:
Papel toalha para secar o excesso de água dos papéis – em caso de ter pouco espaço para pendurar papéis para secar.
Secador de cabelo
Acho que posso explicar várias escolhas aqui no blog.
Escolhi oferecer o curso pelo Sympla primeiro porque já tem a possibilidade de utilizar a plataforma do Zoom. Eu não tenho assinatura dele e pelos valores não compensa para mim comprar uma licença para oferecer no máximo dois cursos por mês.
Coloquei dois dias para o curso mas pode ser pouco, não sei. Gostaria de poder explicar mais coisas mas minha ideia é deixar um material gravado para o participante que tenha alguma dúvida específica. Estou vendo como resolver.
E o material dessa vez incluí o material químico e os reagente para fazer viragens. Acho que essa parte é bem legal. Além dos negativos inclusos que acho que é mais difícil de ficar procurando o lugar e o tratamento digital correto para quem está começando.
Quando eu comecei esse blog eu lembro bem. Exatamente o dia. Foi num momento em que eu estava na faculdade e divagava sobre o mito da caverna e sobre tantas coisas que eu gostaria de escrever. Só de pensar na ilusão dava muitas ideias. A ideia de juntou com a perspectiva de enxergar os espectros invisíveis então deu mais surrealidade para a imaginação de uma pisciana com Sol casa 5.
Um belo dia achei um texto sobre uma possibilidade de produzir fotografias com sumo de plantas e minha alma hippie (deve ser uns 20%) não resistiu. Isso foi em 2007 e obviamente tentei com as flores que eu tinha.
Escrevo mais uma vez aqui sobre anthotype. Este processo maravilhoso descrito pela primeira vez por John Herschel, cientista e astrônomo que, como eu, era pisciano e provavelmente vivia no mundo da lua como eu vivo. um pouco…
Aviso também que logo teremos um curso sobre a técnica – online. E avisarei por aqui. Espero que tenham interessados.
A técnica se resume em macerar plantas, flores, folhas ou frutos. Sementes, raízes. Passar no papel e expor ao sol com alguma matriz – foto ou fotograma
anthotype em papel – amoras Esta foi uma das primeiras imagens publicadas aqui
Mas as flores – sim! as flores que dão o nome à técnica – é sobre o que gostaria de discorrer aqui. Ideias e o que eu testei ou está na lista para testar.
Anthos vem do grego para flores. anthotype se refere a flores. No entanto como homenagem ao Herschel eu me refiro a todo tipo de fotografia com plantas de antotipia.
Flores de cores mais intensa em geral oferecem melhor resultado. Já me perguntaram muitas vezes se é possível usar flores brancas. Até onde eu sei não funciona. Mas não testei muitas vezes.
Comecei a plantar muita clitoria ou feijão borboleta. Ela é azul e muito usada para fazer um chá por causa de sua cor. Sequei algumas e fiz meu estoque. Plantei capuchinha mas assim que vieram as primeiras flores, quem disse que eu consegui usar pra anthotype?
Outra planta que despertou uma curiosidade para esta técnica é a grumixama, nesse caso o fruto. Grumis, como eu costumo chamar, planta nativa que dá esse fruto que lembra uma cereja mistura de jabuticaba (pra mim né). Eu gosto tanto. Conheci pelo blog na Neide Rigo. Plantei duas mudas mas dei de presente. Sinto uma falta tremenda das plantas.
E será que dá pra fazer com espada de São Jorge? é o que tenho aqui.
A verdade é que eu sabia que aquilo não duraria muito tempo. Então enquanto estive nesse lab cor, usei como se fosse a última vez. E fotografei pra lembrar dele.
Essa à esquerda é a Colex, processadora de papel cor.
lá pelo começo nos anos 2000, acho que foi 2004. Fiz um curso de revelação e ampliação colorida. Tudo no processamento manual, controle de temperatura no termômetro boiando, sem enxergar direito mesmo. Tinha aluno que nem usava luvas nem pinças, ficava com a pele dos dedos toda deformada. Acho que o lab do espaço não tinha uma boa exaustão e o cheiro do químico para ampliar ficava muito forte. Acho que por isso nem me animei muito a tentar em casa. Fora que demorava o dia todo pra fazer uma foto razoável e no dia seguinte eu estava descontente com o resultado. Talvez a iluminação ambiente não fosse adequada. Ainda assim na primeira vez que vi um ampliador cor à venda comprei. Mas nem usei muito. No fim, o trabalho acabou me chamando para outras áreas.
Só que esse da foto o processamento era todo por máquinas. E sim, era a iluminação perfeita para visualizar a cor. Foi exatamente projetado para isso. O ano era 2007 e a tendência na faculdade era destruir tudo para virar sala com computador. (pensando bem, quando eu frequentava fotoclube foi a mesma coisa, acho que vivi para ver o final dessa era ser substituída por pcs feios com salas de iluminação imprópria para trabalhar com monitor – parênteses dos parênteses: aquela cor branco amarelado que atrapalha pra caramba, sabe?)
Passos para revelar filme cor C41:
pré lavagem: 1 minutos e 15s
revelador: 3 minutos e 15 s
branqueador: 4 minutos
lavagem: 2 minutos
Fixador: 4 minutos
Lavagem: 4 minutos
Estabilizador: 1 minuto
Para qualquer marca e qualquer ISO o tempo é padronizado.
Ano passado fiz algumas atividades com esse processo de revelação e achei que tinha escrito algo sobre isso aqui. Só agora percebi meu erro..
Essa fiz hoje, perto de 11h.
Certo dia nas minhas invenções de fotografar retratos com van dyke senti a necessidade de algo um pouco mais rápido. Resolvi projetar uma atividade com papel pb e que alguma parte da revelação desse papel fosse possível de deixar o público visualizar a imagem aparecendo. Achei algumas fórmulas aqui e ali. A fórmula que acabei testando foi a do Jon Cleave e gostei bastante. (https://joevancleave.blogspot.com/2017/09/more-direct-positive-print-experiments.html)
É uma fórmula de peróxido de hidrogênio e ácido cítrico. Depois de revelar o papel e interromper, passa por esse rebaixador e expõe à luz. Depois, termina com o processamento comum de papéis.
Eu precisava de uma fórmula que fosse possível de processar dentro da minha caixa de revelação sem eu passar mal dentro dela. Já que essa caixa foi feita pra eu revelar papel sensível à luz e filme fotolito em qualquer lugar. Ela tem exaustor mas como o espaço é muito pequeno, sempre tem um risco de contaminação por ar, olhos ficam irritados e irrita a garganta.
Positivo direto em Papel PB
O processamento direto necessita de uma imagem latente mais densa. Cerca de 1 a 2 pontos mais densa. Para o papel que usei, Ilford Multigrade, fotometrei em ISO 6.
Processamento:
Revelador Dektol 2 minutos
Interruptor
Diluir peróxido 40 volumes 1:1 Adicionar cerca de 2 colheres de chá de ácido cítrico. 2 minutos a 4 minutos
O fato é que este curso está na minha cabeça algum tempo. Eu sempre conto nas aulas um pouco da história da fotografia a partir das técnicas que foram sendo inventadas e um pouco sobre seus personagens. A ideia do curso é dar um panorama dos materiais e processos, assim é possível compreender toda essa miscelânea de técnicas que foram surgindo.
O curso se inicia dia 30.11 segunda feira e te 4 encontros virtuais. Das 19h a 21h
Enquanto estamos nesse processo pandêmico vão surgindo mais atividades virtuais. Ainda estou aprontando outras coisas, mas acho que fica pronto só ano que vem.
Eu estou programando a FRoFA – Feira de fotografia analógica e posso avisar aqui que estou buscando lugares para a edição desse semestre. Temos instagram: @frofafotografiaanalogica
Comecei o ano refazendo e reformando móveis para a minha marcenaria e para o lab, logo mais posto fotos.
E uma história de uma mesa de luz. Anos atrás, ganhei o tampo de uma mesa de luz UV e era minha mesona gigante (17 lâmpadas ou algo assim) Essa menina me ajudou muito, mas resolvi reformar e doar para outro lugar que amo demais. Mas isso fica pra daqui a pouco.