Revelação. Cor?

Amo cor.

Um dia olhando fotos de cianótipos e vandykes senti falta de magenta. Coisa estranha de se sentir.

Final de semana fui revelar dois negativos. Para aproveitar o espaço e tempo peguei um tanque que cabem cinco filmes. Resolvi revelar 4 de uma vez.

Filme colorido. A perfeição. Não resisti. A felicidade tão sublime de quinze minutos com aquele cheiro ruim me fez enrolar mais cinco filmes. Não. Espera. Dá tempo de revelar mais cinco. Porque não coloquei cinco filmes na primeira leva??

Acabei com 14 filmes revelados.

Fui contar quantos tinham ainda para revelar. Mais de 30. Que absurdo. Tem filme de 2012.

Tudo que eu acreditava foi perdido em 2012. Será que aguento ver um filme de 2012?

Naquele ano eu acreditava em justiça, em coisas reais. Eu trabalhei tanto.

Eu só quero viver a vida, pelos meus irmãos e por mim. Estudei muito. Eu perdi meu pai com 22 anos e desde então a gente se vira. Sempre tentei melhorar a vida da gente.

Mas tem sempre alguém que quer fazer mal. É aquele concorrente que quer te prejudicar. É o pai da minha sobrinha que nem vê a filha e até fugiu do país para não pagar pensão. É aquela pessoa que tenta te enganar. Aquela amiga que sofre por causa de um idiota.

Ao menos o processo de revelação do filme é algo que quero fazer. O resultado dessas imagens nem sei se quero ver. Elas são o passado.

O que vale a pena ser fotografado se a gente pode se arrepender de ver novamente?

Daí fui digitalizar os resultados. Saídas fotográficas pela Lapa. Amigos. Viagem. Até agora resultados bons. Me faz lembrar do documentário sobre Araki. Perguntado sobre as suas imagens, respondeu que ele gostava de fotografar o que ele queria lembrar.

Tá aí uma das fotos dos quatorze filmes de domingo. Pra me lembrar que nada é para sempre, nem nossas convicções sobre os outros.

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efêmeros

ok… voltando a esse post em 2021 percebi que nem escrevi sobre revelação mesmo. Vou resolver isso

Tudo se passa por ilusão especular

Escolhemos a fotografia por conta das coisas boas que ela oferece. Podemos guardar fotos de parentes e amigos, eventos dos quais queremos lembrar, acontecimentos importantes. Ela pode te chamar a atenção por ser tecnicamente incrível, com luzes super bem equilibradas, peles mais lisas que superfícies polidas. Deixa pessoas  bonitas, ou mais bonitas ou mais estranhas..

Lembro bem de ter visto uma foto publicitária e daí percebi que realmente era isso que eu queria. Queria entender como se controla a luz, e naquele tempo para se buscar uma boa foto não existia pós processamento massivo como hoje, então fui buscar esse conhecimento. Mas alguma coisa no meio do aprendizado me fez perceber que não era só isso que eu queria buscar.

Bons professores me verteram o olhar para o campo mais bonito da fotografia. O poético e a percepção da imagem.

Ministrar aulas é algo assim. A gente ensina porque quer aprender. Eu gosto de ver e acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos e o processo criativo. De certa forma, gosto de acompanhar os alunos através de suas imagens.
Nisso, vemos como a pessoa pensa, como resolve, ou como ativa sua imaginação.

Eu buscava o conhecimento técnico. E fui surpreendida com as outras questões que a fotografia lança.

Certa vez me perguntaram se não há encontros sobre crítica de fotografia. Eu não sei. Não tenho o costume de procurar muitos eventos. Pensei que seria legal enfim deixar aqui uma lista de livros que gosto de ler, já que não tenho encontros para indicar, mas pensar em crítica de fotografia nos leva a fazer leituras, e no fim elas são necessárias para compreender o uso da imagem, perceber a ilusão que pode estar contida.

Um livro que foi reeditado agora – Finalmente! – é do Arlindo Machado – Ilusão Especular. Tipo de livro: necessário.

Gosto muito do O mundo codificado – Vilém Flusser. Este é mais associado ao design, bem sensorial, porém me serviu muito para pensar na época do TCC.

Paisagens urbanas – Nelson Brissac Peixoto. Só o título já explica tudo. Muitos trabalhos no início eram de paisagem, de cidade. O primeiro trabalho que me inspirou muito foi de Alexsander Rodtchenko, por isso a leitura desse livro se fez necessária.

E por conta de paisagens e cidades acabei me deparando com As Cidades Invisíveis de Italo Calvino. Pra quem não conhece, não é um livro de fotografia, é literatura. Tem tudo a ver com paisagens, sentir as paisagens com as palavras.

Eu dou aula de processos históricos, ou seja, tem a ver com o decorrer da evolução de técnicas fotográficas. Cada uma surge num momento da fotografia e cada vez ela se tornam mais definidas e de melhor qualidade.

Começo sempre falando de história da fotografia. Uma vez ouvi de uma participante que história da fotografia é chato. Essa provavelmente será a temática do próximo post.

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Nesse Semestre, queremos muita fotografia!

Nesse semestre teremos mais uma turma de Fotografia Alternativa e outra de Sistema de Zonas no Filme Preto e Branco. O primeiro sei que já esgotou, mas o segundo ainda tem algumas vagas.

O Sistema de Zonas é uma padronização da exposição e revelação do filme – no nosso caso trabalhamos com o filme 35mm – para controle da exposição no negativo a fim de ter melhor visualização do resultado que queremos para determinados tipos de cena.

O que fazemos é basicamente algumas escalas de cinzas. A primeira escala é exposta seguindo as indicações do fabricante. A partir dessa escala ampliada descobrimos qual a alteração necessária para chegar numa escala considerada normal pelo método do Ansel Adams.

O que é uma escala normal? É uma escala que contenha 11 tons do preto ao branco total e com ela conseguimos ter uma idéia muito precisa da cena que fotografamos ( considerando o tipo de contraste da cena)

Em algumas cenas é necessário o uso de outra escala, mais ou menos contrastada, então fazemos ajustes na revelação e exposição do filme.

Gostou do conceito? A gente conversa mais sobre isso no curso, é um curso para quem tem experiência com laboratório preto e branco, manusear câmera reflex, revelar e ampliar. Estaremos no Sesc Pompéia aos sábados das 14:30h até 17:30h a partir do dia 12 de setembro de 2015 até dia 05 de dezembro de 2015.

Sobre as inscrições tem informações aqui

Sobre o curso tem no site do Sesc, aqui

Sou eu e o Serginho Ferreira que trabalhamos juntos nessa turma.

Sergio identificando a escala

Sergio identificando a escala

Sobre a minha experiência com o estudo, é uma base que levo para vida toda, seja no filme ou no digital.

Eu costumo associar com o estudo da música. Se você sabe as notas fica mais fácil entender o que é necessário para tirar o som.

E compreender os limites do seu equipamento – digital ou analógico – é sempre vantajoso quando você precisa justamente daquele ponto a mais de exposição, daquele limiar de detalhe da textura visível no filme.

Mudando um pouco de assunto, no curso de Fotografia Alternativa vai ter novidades. Nesse semestre vamos praticar algumas técnicas com suporte de vidro. Vou colocar mais fotos logo logo.

Mês passado fiz algumas oficinas de Quimigrama no Sesc Belenzinho, para pais e filhos. Vão surgir mais atividades sobre Quimigrama logo mais! Vai ter Pinhole, vai ter Quimigrama e Retrato logo mais!

Construção de câmeras pinhole no Sesc Ipiranga – Da foto ao objeto

Certa vez pensei sobre a possibilidade de inventar uma câmera que fosse uma outra coisa – eu tenho essa mania, de aproveitar coisas e materiais e de fazer objetos com mais de uma utilidade – e na fotografia não há nada melhor que a pinhole para unir essas inventices.

Baseado na ideia e trabalho de Jochen Dietrich, que montou câmeras em relógios e fez algumas oficinas sobre o tema, em que uma delas uma menina constrói sua câmera utilizando sua bota para fotografar.

Daí tive essa oportunidade de trabalhar dentro de um contêiner câmera e como ele foi transformado em câmera, porque não transformar outros objetos em câmera também?

Surgiu essa proposta e o curso começa amanhã no Sesc Ipiranga.

Eu só vou mostrar a minha no curso, que nem câmera ela parece.

Da foto ao objeto – Quinta e sexta 18 e 19/6 e 25 e 26/6 19h Container Sesc Ipiranga

A formação de uma imagem pode ser realizada em qualquer compartimento vedado à luz. Neste curso, o participante fotografará com câmeras feitas com objetos, construindo a sua própria câmera a partir de algum material de uso do seu cotidiano com a finalidade de elaborar uma narrativa sobre si.  As câmeras serão testadas para verificar seu funcionamento e, as fotografias, reveladas pelos participantes em laboratório montado no interior do local. Ao final dos encontros, o desafio será deixar a câmera fotografando por seis meses, técnica chamada de solargrafia, na qual o papel ‘autorrevela-se’ após esse longo período de exposição

Link do Sesc

Curso Fotografia Alternativa e Sistema de Zonas 2015

É com muito prazer que divulgo os cursos desse semestre e teremos Fotografia Alternativa às terças à noite e um novo curso Sistema de Zonas Preto e Branco em parceria com o fotógrafo e laboratorista Sergio Ferreira – um dos meus mestres – que chamo carinhosamente de Serginho.

Na Fotografia Alternativa vamos fazer Cianotipia, Marrom Van Dyke e Papel Salgado. A partir desses processos trabalharemos com viragens e tonalizações possíveis no lab e até mesmo interações entre esses processos.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

mais informações sobre esse curso aqui

O Sistema de Zonas é uma parte da fotografia que eu amo e acho incrível. E fazer esse curso com quem eu aprendi é muito mais que gratificante. Serginho foi meu mestre no laboratório preto e branco e na fotografia cor. Foram dois anos de acompanhamento e agradeço de coração a todo o ensinamento que tive. Claro que tive muitos outros mestres, mas o Sergio virou amigo, de compartilhar gostos musicais (ouvi mais Nina Simone por causa dele) e na época eu fazia kung fu e daí ele também se empolgou em voltar para as artes marciais. Aprendi o Sistema de Zonas quando havia Grupos de Estudo no Senac e isso era uma atividade extra. O grupo era comandado pelo Paulo Rossi e Sergio e de fato o Paulo teve muita paciência comigo para eu entender esse processo todo. Como ele não mora mais em SP vai aqui minha homenagem, se estivesse aqui provavelmente seria ele e o Serginho – a dupla dinâmica.

Saíamos à tarde pela Lapa para fazer imagens para o estudo no grupo e não esqueço e acho que vai ser difícil esquecer aqueles dias que o preto e branco ficou mais claro e divertido para mim. (eu sou bem nerds nesse sentido e com orgulho)

Minha gratidão ao Paulo Rossi e Serginho.

Maiores informações sobre o Sistema de Zonas no Sesc aqui

As inscrições começam hoje. Me perdoem a demora na divulgação, mas para quem não é comerciário ainda dá tempo de se programar, pois é amanhã o dia de ficar na fila.

INSCRIÇÕES:

Terça, 17/3, das 18h30 às 21h30:

Para trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes.

Quarta, 18/3, das 18h30 às 21h30:

Para interessados em geral.

2ª CHAMADA:

Sábado, 21/3, das 10h às 17h: para todos os interessados que não tenham se inscrito em nenhum curso.

VAGAS REMANESCENTES:

A partir de domingo, 29/3, das 10h às 17h, recomeçam as inscrições para todos os interessados nos cursos que ainda tenham vagas disponíveis. É a oportunidade para quem já se inscreveu em um curso se inscrever em outro(s). Até o fim das vagas.

Mensalidade:

  • Credencial Plena: R$ 15,00
  • Meia: R$ 30,00
  • Inteira: R$ 60,00

Dusting on process – Revelação a pó

em 2005 vi um amigo da faculdade fazendo esse processo e me encantei.

É uma técnica a partir de mel ou açucar que se revela a seco, com pigmento em pó.

A graça é que pode-se facilmente usar vidro, cerâmica ou metal como suporte.

Buscando a fórmula nos livros a finalização descrita se dá somente em retornar a foto para a exposição de luz e o resíduo químico continua lá. Daí em 2007 fiz vários testes para conseguir limpar essa imagem com água gelada.

 

Atualização 19.04.17

O processo segundo as bibliografias abaixo tem um misto das pesquisas de vários nomes, Vacquelin, Ponton, Becquerel, Talbot Archer, Garnier, Salmon e Poitevin.

Vacquelin no final de 1700 e Suckow em 1832 em relação aos cromatos. Mungo Ponton em 1839 faz um estudo sobre a sensibilidade do dicromato de potássio à luz. Em seguida Becquerel em 1840 percebe a reação do dicromató com amidos utilizados em encolagens de papéis.

Alphonse Poitevin em 1855 aplica dicromatos na produção de cópias fotomecânicas. Em 1858 utiliza uma solução coloidal com dicromato, mel e goma arábica. É o primeiro a adicionar pigmento no processo.

Henri Garnier e Alphonse Salmon em 1858 fazem pesquisa com citratos férricos mas abandonam para uma fórmula com dicromató de amônio e açúcar que posteriormente se utiliza para transferência em superfícies cerâmicas.

Um positivo é necessário para a técnica. As partes protegidas de luz U.V. continuam grudentas e o pigmento em pó fica grudado nessas áreas.

fonte: Christopher James – The Book of photographic alternative processes – 3. edição

Kent Wade – Alternative photographic processes

 

 

 

 

Curso de Fotografia Alternativa – 2º semestre 2014

 

O curso desse semestre já lotou e nem consegui avisar antes. Fiquei meio atrapalhada com algumas coisas novas que surgiram nesses últimos meses e não coloquei a divulgação aqui.

Mas é com grande prazer que estou lá nas Terças à noite para mais uma turma de Fotografia Alternativa.

Ainda tem algumas vagas remanescentes em outros cursos de várias áreas nas Oficinas.

 

Acesse: oficinas.sescsp.org.br

 
Captura de tela 2014-08-14 11.37.02

cianotipia, cianotipie, cyanotype, cianotipija, cianotip

Esta técnica que oferece tons azuis num papel é feita a partir de dois químicos, citrato férrico amoniacal verde e ferricianeto de potássio. Junta-se os dois e está pronta uma solução sensível ao espectro de luz ultra violeta. 

Simples assim, com um pouco de sol e vualá! Lava-se com água e terá um resultado bem bonito.

Quando comecei a estudar fotografia ( lá vou eu pros primórdios) eu havia lido sobre a técnica e não tinha entendido nada de como fazia. Parecia tudo muito secreto e escondido e eu imaginava que um dia ia entender melhor. A questão era que esse tipo de informação fui procurar em português e na época pouca coisa tinha disponível na internet. 

Mas é simples assim como a luz que nos “alumia” e complicado assim como com as coisas que a gente não entende. 

Fórmula:

A- 25 g citrato férrico amoniacal verde + 100ml água

B- 10 g ferricianeto de potássio + 100ml água

Guarde separado. Para uso misture 1 parte A + 1 parte B ( ex:20ml A+20mlB) – já faz bastante foto, acredite.

Expor em mesa de luz UV ou no sol. O tempo varia de acordo com a intensidade de UV. 

Lave a imagem por uns 3 minutos. Muita água faz a imagem ficar mais fraca e você gasta mais água.

 

Daí tem gente que não gosta do azul. Isso não é de hoje, historicamente considerado de baixa qualidade.

Tem a possibilidade de fazer viragens, caso enjoe da cor. Muita gente faz com ácido tânico, encontrado em alguns chás, daí viragem no chá, no café, com seiva de plantas..

Fiz uma vez a viragem que deixa com tons roxos, a partir de ácido gálico.

Resolvi escrever sobre esta técnica porque achei uma foto de oficina em Sorocaba no Sesc de lá e fizemos com o sol.

 

Imagem

um fotograma tomando solzinho..

 

Imagem

depois as imagens prontas secando.

 

Aproveitando para linkar uma coisa na outra, semana que vem tem curso de cianotipia em Pinheiros-SP com a Simone Wicca

dia 7 de julho 20h e seguem informações maiores aqui: wiccaverna 

e assim o mundo me afeta..

 

minha casa, meu trabalho

minha casa, meu trabalho

Em mês de pinholeday me inspirei em fazer a imagem aparecer nas paredes de casa.

Daí fui colocar o tecido blackout na janela. Algum vizinho deve ter estranhado. “A moça colocou uma cortina furada?” Não não… não é para tapar toda a luz bonita daquela manhã inspiradora. Para organizar seus raios de forma que invadissem o escritório de um jeito que se pudesse perceber o que está lá fora. E que de certa forma me atinge e me faz entender o que é a essência.

Daí depois desse episódio sinto que o vizinho me olha meio incerto…