Estarei no Sesc São José dos Campos com o curso de encadernação de álbuns junto com a Fabiana Won. Quintas-feiras dias 17, 24, 31 de outubro e 7 de novembro. 19h.

https://www.sescsp.org.br/programacao/encadernacoes-para-albuns-fotograficos-3
Estarei no Sesc São José dos Campos com o curso de encadernação de álbuns junto com a Fabiana Won. Quintas-feiras dias 17, 24, 31 de outubro e 7 de novembro. 19h.

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Algum tempo atrás, enquanto eu preparava uma aula para o Sesc Pompéia e peguei um frasco de reagente para cianotipia, vi que tinha três frascos com datas de validade muito diferentes. Pra garantir que funcionaria naquele momento da aula, peguei o que sabia que estava bom mas surgiu a dúvida sobre os outros dois.
Aí num dia, enquanto aguardava os inscritos no curso chegarem provavelmente, resolvi preparar alguns mililitros de cada um para passar em um papel e fazer o teste. Terminou o curso, guardei o papel, esqueci na pasta. Virou o ano e ainda não tinha feito o teste.
Com a minha última mudança ficou um monte de material pra organizar. E sexta-feira estava organizando todos os meus resultados e papéis para utilizar. Achei esse papel e pensei – este final de semana é um bom momento para isso. Agosto e setembro começaram meio lentos de trabalho externo por aqui. Mas outubro mal começou e enfim tenho novos projetos que sei que tomarão mais dedicação minha.
Num papel neutro apliquei o reagente de 2014, 2003 e 2020. Coloquei um negativo qualquer e deixei exposto ao sol por um tempo.


Ou seja, qualquer um dos três daria algum resultado. Então posso utilizar sem risco de não dar algo certo quanto aos seus funcionamentos. Levando-se em conta que foi um papel preparado na pressa e as quantidades em cada pedaço do papel não estão exatamente iguais.
Agora a explicação.
Muitos anos atrás eu ficava me perguntando algo que acredito que todo mundo que faz essa técnica há algum tempo deve ter se questionado. Precisa das duas partes? E se tiver só parte A? E se tiver só B? e se colocar mais de A ou mais de B?
E a esse respeito já explico faz um bom tempo durante as aulas. Existem várias formulações com proporções diferentes, existem variações de reagentes, fora o que já comentei sobre fatores externos que podem influenciar no resultado.
A verdade é que esta técnica pode ser realizada com os reagentes isolados, porém não funcionarão tão bem como da forma mais comum, parte A e parte B.
Neste teste utilizei apenas o ferricianeto de potássio (sim) que solo, vai demorar muitas horas mas forma o azul, de tonalidade talvez mais clara, tempo de exposição muito mais longo mesmo.
Então hoje eu acordei, vi o sol saindo e já coloquei lá fora. Voltei 18h para casa e processei a imagem.
Nesta quinta feira começa um novo curso que farei junto com a Fabi Won. Nós começamos a trocar ideias sobre nossos antepassados coreanos e começamos a analisar a história dentro dos objetos que nos contam algo sobre família. Essa pesquisa acabou virando curso e faremos um álbum baseado nos exemplos dos anos 30 que o bisavô dela deixou.
São 6 encontros, quintas 19-22h

https://www.sescsp.org.br/programacao/encadernacoes-para-albuns-fotograficos
Fiz esse álbum para mostrar o modelo que faremos na atividade. A ideia é também fazer uma capa que represente uma tradução de algo que representa a memória do que vai ser guardado nesse álbum. Recentemente que deparei com a questão de quanto tempo se leva para trabalhar uma imagem fotográfica alternativa e o resumo é que é um bom tempo olhando para a mesma imagem. Esse momento de contemplação é bem diferente do tempo de se olhar fotos no celular, sendo necessário perceber suas nuances, seu resultado final na matéria. A proposta de fazer um desenho para a capa vem dessa questão em parte. Contemplar um objeto de família ou uma fotografia e criar um trabalho a partir disso. Faz pensar no que a gente quer que represente algum legado que deixamos.
E parte também de uma necessidade nossa de colocar algo que tem um significado e que pode passar por gerações. Quando olho os álbuns de família eu sinto uma lacuna enorme de entender quem eram, onde e como viviam, porque essas informações se perdem e não sabemos muitas vezes quem eram as pessoas nos álbuns que guardamos.
Aliado a esses devaneios, fica o pensamento de que muita gente nem sabe mandar fazer saída de fotografia digital e como conservar e guardar essas imagens. Por isso para mim acaba sendo importante poder passar o que eu penso sobre o assunto. Então acabamos programando um curso que envolve encadernação, história, desenho, fotografia e como conservar essas imagens.
Eu e a Fabi nos conhecemos na cerâmica na Associação dos Ceramistas Coreanos no Brasil (posso ter invertido a ordem das palavras) e desde então temos trocado muitas ideias sobre a comunidade, o fazer artístico e os perrengues que a gente leva na vida. Sobre a fotografia percebemos que a forma como enxergamos essa ancestralidade tem muitas perguntas também por ser de um país tão distante com uma cultura tão diferente da que vivemos, mas também porque parece que ao mesmo tempo em que nascemos aqui temos uma necessidade de entender de onde vieram essas raízes. Posso dizer que sempre me senti muito brasileira e quanto mais conheço a cultura coreana, apesar de ser bonita, ainda gosto mais do Brasil.
Vejo de alguma forma que a vida dos meus avós e do meu pai foi marcada de tristezas e violência, já que foi em momentos de guerra que meu pai nasceu. E pelos relatos dele sempre tive a sensação de que havia um ressentimento por ter sofrido e perdido tanto, num lugar que ele nunca pensava em voltar.
A imagem do álbum é uma cianotipia de uma página do dicionário inglês-coreano que meu pai me deixou. O que ele mais gostava de fazer parecia ser aprender línguas. O papel azul da capa é um papel tingido com cianotipia. Teve momentos em que eu não conseguia pensar em produzir imagens, já que durante a pandemia senti a fragilidade de se trabalhar com que eu trabalho, parecia que meu trabalho não valia nada. Então sem querer fiz esse papéis sem imagens. Sem querer, ficou com as cores da Coreia.
outro dia nas aulas percebi que não havia colocado nenhum conteúdo sobre papel por aqui.
por isso vou deixar minhas impressões sobre o tema, para as pessoas que não querem gastar muito com papéis especiais.
Importante lembrar que aqui estou deixando um depoimento para quem está começando, não é para uso super profissional. Até porque se quiserem pular para algo mais específico para fotografia alternativa, é só utilizar um Platinum Rag para fotografia alternativa (não é para inkjet) ou um Arches Platine. (se conseguir um Herschel melhor ainda)
Nos cursos sempre busco alternativas mais fáceis de ser encontradas e com baixo custo. Recomendo especialmente papéis neutros ou aquarela e gravura. Para os últimos dois a regra é: lavar e acidificar.
Funciona sem lavar e acidificar? até funciona. Mas se você é daqueles que gosta de sofrer ou de roleta russa. Porque todos esses papéis são muito alcalinos então vai perder alguma parte do material químico na tentativa e erro.
Tentativa e erro é uma ideia que meu irmão, por exemplo, odeia. Se quer algo preciso, não fique sofrendo muito com tentativa e erro, já que a química é precisa nesse sentido. Do contrário, é preparar um material pra ver metade do seu trabalho sumindo depois.
Papéis de desenho não são minha escolha favorita também. Pelo mesmo princípio. Mas também porque em geral as fibras são mais curtas e a resistência acaba sendo baixa.
Acidificar: 10% de ácido cítrico e seja feliz. Vai economizar uma boa parte do seu tempo com isso.
Encolar: 3% de gelatina ou cola de amido. (odeio fazer cola de amido * ) CMC também é uma opção.
A encolagem se utiliza em papéis que estão absorvendo muito químico e acabam ficando manchados.
Papéis preferidos por mim para sofrer menos e não pagar muito caro. Gosto do Canson Edition de gravura. Mas depois da pandemia está sendo mais difícil encontrar. Custo baixo para um papel com parte de algodão. Fabriannos são maravilhosos. Filiset neutro é só alegria pois não precisa de preparo. Só que é fino.
Montval em folhas é uma opção também, apesar da textura. Eu só utilizo quando não encontro outra opção.
já os de gravura, prefiro recomendar os de prova. Porque de gramatura mais alta SEMPRE requer acidificação e encolagem. São lindos, macios e ótima textura. Mas demora pra preparar, é bom ter mais experiência.
*odeio fazer cola de amido porque tem que esquentar, é difícil de fazer em aula. Coisa que eu prefiro fazer sozinha sem pressa.
Onde comprar papéis:
Cítrico, CMC – lojas de confeitaria, mercadolivre, rua das essências da Sé.
Posso usar vinagre? Digo que vinagre é caro pra quantidade que vem. Prefiro usar limão se tiver que ser natureba.
Não coloquei fotos ou links porque estou montando aulas da semana e resolvi escrever sobre o assunto às pressas. A verdade é que além de estar um tanto atarefada com mudanças de espaço e reformas, também inventei de fazer uns processos difíceis.
Além de tudo também tenho uma sobrinha especial PCD. Tenho observado ela mais de perto pra entender o que ela percebe sobre imagem e ao mesmo tempo tentar fazer imagens sobre ela. A parte que tem me doído é que sei que ela pode viver pouco tempo, então quando posso fico perto dela pra de alguma forma diminuir as frustações do que ela não pode fazer.
esta semana estarei em São José do Rio Preto no Sesc, participando de uma atividade ligada a exposição do Eustáquio Neves, em que apresento alguns aspectos da fotografia e sua história. dia 01/11

https://www.sescsp.org.br/programacao/outros-navios-por-tras-das-obras/
Também terá minicurso de retratos e revelação de filme dia 01/11 e 03/11 – 19h às 22h

E a fotografia começou com um objeto que era algo parecido com uma joia.
E estou aqui esse mês inventando uma atividade relacionada a essas duas atividades que pratico: foto e joalheria. É uma ideia que eu e Camila do Perséfone Lab desde 2021 estamos pensando e conversando e tentando viabilizar.
Estudo joalheria desde 2018, fiz curso no Senai, na Espmix e no Atelier Marcia Pompei. Minha ideia inicial era de ter uma opção de atividade para a minha irmã na verdade, caso fosse necessário. Também fiquei com receio na época de não ter muito trabalho relacionado aos processos históricos (eu sempre busquei opções além da fotografia porque essa é meio que a realidade, ainda mais numa área tão específica como a minha) Mas a verdade é que eu amo metais. E curiosamente, desde o primeiro contato eu tive muita facilidade para lidar com o material. Com a cerâmica tenho meus problemas (não fica reto, eu sofro muito) mas o metal é preciso.
Acabou que achei muitas semelhanças de ser ourives e laboratorista.
E então vai rolar dia 23 de setembro o workshop de cianotipia em metais. Essa é a novidade que estou matutando faz um bom tempo.

A Camila Fontana conheço do Bacharelado de Fotografia, eu sabia que ela estava com a joalheria mas quando fui fazer um curso na Espmix em 2020 não sabia que era ela que daria o curso. Aí na aula descobri que era! Foi pouco antes da pandemia que a gente conversou. Depois ela fundou sua escola (perto da minha casa, o que achei incrível) e nesse ano havia conversado com um ex colega do Senai sobre a fotografia e a joia, porque ele queria aprender o anthotype. Por isso, fiquei pensando se a ideia era viável, até porque fiz curso de galvanização para fazer daguerreotipia (tentar fazer direito) e eu tinha feito o curso com a Cris Bierrenbach de dag, mas pra ideia da joalheria a galvanização necessária pra foto era algo meio incomum. Desde 2019 estava eu fazendo testes em placas de prata pura (bem pequenas) mas – pandemia – acabou com minha coragem por um tempo e voltei a testar só ano passado. Só não postei nada porque se não gosto eu apago a imagem (é, até hoje não gostei de nada)
Enfim, tem a ver com minhas pesquisas em materiais e objetos.
Vou dizer que não foi fácil chegar nessa ideia. Lidei com muitas inseguranças e ainda lido a respeito do que faço, se é prático ou não, principalmente depois desse 2020 que tirou quase toda minha vontade de fotografar. Parei de fazer fotos de arquitetura para dar conta dos cursos. Ainda estou num hiato de organizar a mente relacionada ao processo criativo com as imagens. Tenho fotografado menos pra conseguir entender o que eu quero. Me questionei por muito tempo se eu resistiria a isso.
Então hoje um rapaz me escreve perguntando se teria indicações de lugar para começar a trabalhar com fotografia. É advogado criminalista mas desistiu da profissão para manter a saúde e a sanidade. Lá no lab e em muitos lugares onde dei aulas recebi muitas pessoas que sofriam muito com o trabalho e os médicos recomendam alguma atividade ligada a arte ou cultura. (não passou da hora da gente pensar num mundo de trabalho que a pessoa não adoeça?) Pedi seu portfolio para passar a quem eu lembrasse que precisaria de algum assistente ou algum trabalho. Resolvi ajudá-lo porque no seu currículo ele faz trabalho voluntário. Ajudo a montar portfolio, aulas que eu dava no curso técnico. Por isso, lembrei de recomendar o curso da Etec de Artes, de Processos Fotográficos, que abre as inscrições perto de abril só. Se eu pudesse criaria uma escola de fotografia gratuita mas já existe essa 🙂
Enfim, não existe uma profissão certa. Parece que a gente faz o que o coração pede. 🙂
Semana passada começou a pré venda de um livro na qual tenho uma participação com duas imagens. Publicado pelo Selo Vertigem, reúne fotografias relacionadas ao grande viaduto que rasga a paisagem da zona oeste até o centro de São Paulo.

https://www.selovertigem.com.br/product-page/minhoc%C3%A3o-de-cima-a-baixo
Já havia participado do livro sobre a Paulista e fiquei muito feliz de poder participar deste livro também. Nesta publicação as imagens de minha autoria foram do meu primeiro filme preto e branco, que fotografei e revelei eu mesma. Também foi a primeira saída fotográfica da qual participei na vida. (que só tinha três pessoas: eu, o professor e uma colega)
Faremos o lançamento dia 1 ou 2 de setembro ainda, por isso está com um desconto na pré venda.
Enfim, não tem muito a ver com processos fotográficos mas com um pouco do que fotografei.
Primeira versão do curso em formato presencial êeeeee!!
E eu esqueci de anunciar aqui dessa vez, quando abriram as inscrições para credencial plena do Sesc, mas as inscrições para público geral é nesta quarta feira, pelo aplicativo ou pelo site do Sesc.
https://www.sescsp.org.br/programacao/historia-das-tecnicas-fotograficas-introducao/

dia 19 de agosto – Bazar de fotografia no Imagineiro
o legal é que apesar de ser um curso teórico a ideia é mostrar como se faz alguns exemplos no laboratório. Junta a pesquisa prática e a que eu mais gosto de passar os dias pesquisando, sobre como as técnicas foram surgindo.
E logo mais espero ter mais novidades. Agosto vai ter bazar no Imagineiro, no dia mundial da fotografia. Vamos fazer uma oficina de cianotipia em sacolas de algodão e Roger Sassaki fará mini retratos em tintypes – os gem tintypes (deve custar algo em torno de 100 reais cada atividade) pode ser que não tenhamos essas atividades 😦 EDIT: atualizado no próximo post
Teremos materiais fotográficos para venda, usados e novos como usualmente. E como cai dia 19 de agosto, vai ser um dia depois do níver do migo Roger leonino, se alguém tiver a fim de só conhecer, dar parabéns e experimentar chocolatinhos kkkkk. (fica, vai ter bolo..)
dia 25 e 26 de agosto
vou oferecer um curso de marrom van dyke no mesmo local. Rua Cardeal Arcoverde 2007. São duas tardes, das 14h às 17h. no curso já tem incluso material, papel Platinum Rag, próprio para a técnica fotográfica, papel aquarela, negativos impressos e um kit de químicos de presente para cada participante. Logo anuncio aqui com o valor, estou esperando o Roger confirmar. Acredito que as inscrições serão feitas no site do Imagineiro. Essa também está em aberto. Muitas tarefas para resolver e não deu tempo de divulgar.
então é 2023 e terminei o ano passado fazendo uma nova caixa.

me pediram um orçamento um belo dia e foi aprovado. Só que as lâmpadas estavam em falta no fornecedor e eu não sabia nem o que fazer. Avisei que demoraria para ficar pronta e tudo bem.
Mas as lâmpadas não chegavam nunca. Tive que buscar outro fornecedor, o que pra mim é um baita risco.
Até o começo de 2022 eu não conseguia nem pensar em aceitar um novo projeto. Mas depois de um tempo consegui me estruturar novamente. Com menos espaço é preciso pensar melhor na logística das etapas.

A parte importante era fazer uma caixa para produzir imagens de tamanho 50x60cm. Então todo o desenho foi pensando nesse tamanho. E que ela ficaria embaixo de uma bancada de ampliador com tamanho limitado de 70cm de comprimento. Aí começo com um desenho meio macarrônico e depois vou refinando as características – onde ficam reatores, qual a altura, as medidas finais, a altura de botão, ferragens necessárias. Porque não é uma caixa como um móvel. Essas lâmpadas não são feitas para serem colocadas em caixas completamente fechadas na verdade. Mas é o que eu acabo fazendo :O
O maior risco na minha opinião é deixar os reatores junto às lâmpadas. Característica que eu sempre deixei nas minhas próprias caixas por falta de opção. Mas a verdade é que não é muito bom, então para as caixas das pessoas em geral eu tento deixar em espaço separado. Nas minhas caixas eu deixava junto porque se acontecesse alguma coisa eu estava perto, poderia sanar de alguma forma. Mas caixas para outras pessoas eu não poderia ver os problemas tão logo. A primeira caixa que fiz para alguém tinha vários defeitos (por isso o custo para a pessoa nem foi tão alto, porque era total protótipo e o acabamento também :D)
Neste projeto considerei tentar fazer com leds. Mas verificando projetos dos outros da qual tive contato, percebi que ficaria caríssimo, se fosse pra fazer com a intensidade próxima de uma fluorescente. E o problema do led é que muitas vezes compramos o led numa radiação e nem sempre é aquilo que pedimos. Eu calculei que para ficar com uma qualidade próxima ao tubular devia ter pelo menos 1500 leds. Ou seja, custaria cerca de 6 vezes mais caro ou mais e ainda assim não teria certeza de que ficaria bom.
Fitas de led eu não gosto muito – se fosse para mim é uma outra questão justamente pelo fato de eu poder testar – mas eles queimam exporadicamente então para eu me comprometer com algo assim é bem arriscado. Para quem vai fazer a sua própria caixa é outra situação. Mas se eu cobro para fazer um equipamento e os leds começam a queimar, não tem como eu ficar indo trocar cada um na casa da pessoa e fica super chato também. Minha experiência com led é essa. Não estou dizendo pra não fazer com fita de led, mas que pra eu fazer isso para alguém com esse material pode me dar muitos problemas. E não sei qual a duração dos leds ainda. Tubular pode durar 20 anos tranquilamente.
Leds mais resistentes somente fazendo o circuito e soldando um a um. O que encarece a mão de obra e nem pra mim eu estou muito a fim de fazer isso. Observando caixas com led, notei que são necessários muitos leds pra ficar com o tempo próximo ao tubular. Muitos mesmo.
O tubular a especificação da radiação é garantida. Então para esse projeto foram lâmpadas de 20w de acordo com o tamanho do espaço e da imagem a ser produzida. Para ter certeza de que vai cobrir essa área necessária eu calculo por muito tempo. Pra ter certeza de que vai dar certinho. Por isso demora. porque eu quero ter certeza de que não dará problemas.

Como escolhi a estrutura. Inicialmente pensei em pedir um mdf resistente à agua e com acabamento já pronto. Não achei pronto com menos de 15mm de espessura. O problema dessa medida é que ficaria muito pesado e para a fotógrafa talvez fosse um problema, se ela precisasse mover, afinal é uma caixa de 70cmx68cm. Então preferi um compensado naval de 10mm e fiz o acabamento com tinta à base de água. Como ficaria dentro de um laboratório e embaixo de uma bancada, considerei a possibilidade de um local mais úmido dessa vez. Nos outros projetos eu vi que essa questão não era um problema. Mas nesse caso sim. E eu tenho um tanto de experiência com umidade e preferi garantir que essa caixa resistisse bem.

Como a caixa ficaria num espaço mais baixo e num lugar fixo, optei por um fechamento por imã. Não seria transportada então não precisaria de uma trava muito forte. E coloquei um pistão invertido, que faz com que a porta tenha amortecimento na hora de abrir. O que me fez querer colocar amortecimento em todas as portas da minha casa 😀

Um detalhe que eu só formatei no final é de que queria uma respiração para os reatores e por muito tempo procurei grades boas e só esse ano eu encontrei uma solução satisfatória. Consegui uma grade de alumínio para o compartimento dos reatores, que ficam separados das lâmpadas. Como é uma caixa de uso de apenas uma pessoa, uma ventoinha não é extremamente necessária, mas eu teria colocado se eu pudesse saber de antemão como era o lugar onde ela ficaria e também se eu pudesse prever melhor qual o tamanho que eu poderia aumentar para colocar a ventoinha. Como o espaço era limitado não coloquei. Também porque não adiantaria colocar para ficar muito grudado numa parede. Outra questão também era de que eu não sabia se a luz da caixa atrapalharia outras funções do lab, para colocar saída de ar é necessário mais buracos, ou seja, maior vazamento de luz. Eu poderia ter uma conversa muito mais extensa com a pessoa, mas pela foto do lugar já fiquei um bom tempo pensando nessas questões. (Sim! eu penso no espaço para as caixas de forma detalhada, se eu pudesse perguntaria muito mais coisas no projeto mas fico achando que os outros vão me achar meio maluca)


E caprichei nos refletores em cima das lâmpadas, cortei um alumínio e reforcei com outro refletor mais brilhante nas bordas. Essa parte eu não costumo tirar foto porque acho feio mesmo. Imaginem nas suas cabeças que vai ficar melhor que qualquer imagem.

Nessa última foto dá pra ver que dessa vez utilizei abraçadeiras. Porque de novo, tamanho limitado, não podia deixar mais alta ainda. Prefiro soquetes já embutidos mas eles deixam a caixa mais alta. E como a medida era pra foto muito grande, qualquer ganho de altura era importante. Eu poderia colocar mais lâmpadas mas precisaria de mais espaço da mesma forma.
Enquanto pesquisava sobre plantas e pancs e fazer algum trabalho que tivesse algum significado pra mim, resolvi utilizar plantas nativas do Brasil para a produção de antotipias. Vez ou outra comento nas aulas, nos cafés e encontros com as pessoas que para o processo cheguei a estudar um tanto de tingimento natural e acho que nessa pesquisa de procurar comida, cor e verdade com significado só fazia sentido pesquisar o nativo.
Então num curso online resolvi investir no pau-brasil. Até então tive mudas dele mas não tinha pensado em usar para o anthotype. Comprei uma serragem e fiz alguns testes. É tão bonito que dá vontade de sair colorindo tudo mesmo.
Não lembro se comentei que papéis diferentes dão cores diferentes. Tem a ver com ph do papel. Peguei dois papéis abandonados no lab e passei o sumo.
A parte desvantajosa de utilizar papéis abandonados é que depois pra fazer de novo é quase impossível. Os papéis não eram meus e ficaram pelo menos uns três anos numa gaveta. Essa questão do pH é algo que sempre comento na aula mas muitas vezes eu acho que as pessoas só percebem quando vêem o resultado, ou seja, a cor.
Então montei esses com imagens.
No estúdio não tenho sol direto. Então deixo na janela um tempo e quando lembro vou olhar.
Seis dias depois retirei a imagem da esquerda.
E o resultado
O outro papel ainda está no sol. Fotografei hoje pra saber como estava, só que ainda está em processo.
Esse mês de julho vai ter oficina, em breve volto aqui.
Fico me perguntando certas vezes sobre essa produção de antotipias quando alguém aponta a durabilidade da fotografia. Afinal foi uma questão pontuada no meu TCC de graduação. Nossas imagens efêmeras nos cercam todo dia. Nos stories de Instagram, daquelas que a gente nunca mais vai ver se não clicar naquele dia.
As imagens da cidade que se alteram constantemente e logo um graffiti ou luminoso pode ser trocado ou substituído. As nossas paisagens diárias mudam conforme mudamos de endereço. E todo dia não sinto que continuamos os mesmos.