Goma

Enfim, terminamos mais um curso no Sesc Pompéia de Processos Históricos. Desta vez, juntamente com papel artesanal a proposta era adequar papel aos processos e verificar quais os melhores papéis para cada técnica.

Mas hoje experimentamos a goma bicromatada e como eu já imaginava a textura do papel muito enrugado nem sempre dá bons resultados para o início com goma. Não que fique ruim sempre, é que o processo, exige maior controle de início, sendo melhor aprendê-lo nas primeiras tentativas com papel mais liso.

Observação: explicando bem o que eu quis dizer, pensando na didática, para iniciar os primeiros experimentos com goma, não achei interessante usar papel artesanal porque como eu já imaginava, fica mais difícil obter bons resultados. Digo isso porque a maioria erra justamente quando chega na goma, independente do papel, é um processo delicado e qualquer variação faz com que fique um pouco mais difícil de aprender e tende à frustação. Não estou pensando nisso à toa. Meus primeiros testes foram com um papel artesanal e pra aprender realmente foi mais penoso, porque não sabíamos como o papel reagiria.

Mais para frente irei postar as fotos dos processos, não consigo fazer mil coisas ao mesmo tempo e tenho que terminar um projeto agora.

Segue a fórmula:

PREPARO DA GOMA
70ml goma arábica
200ml água destil.
-Algumas gotas de formol para conservar. Alguns dizem que deixar na geladeira conserva bem.
nota: tem gente que prepara a goma diluindo-a em água morna. Eu coloco a goma numa gaze como um saquinho, como ensina no Keepers of Light e deixo pendurado num pote com água. Aos poucos ela dilui, deixando as impurezas dentro do saquinho de gaze. Depois é fechar bem. Se guardar por muito tempo é bom adicionar o formol. Deixei uma vez na geladeira, mas ficou com cheiro forte mesmo assim. E quando começa os odores é ruim…

PREPARO DO DICROMATO
13g dicromato de potássio
100ml água destilada
(já vi fórmula com metade da quantidade de água para a mesma quantidade de químico, testei mas não cheguei a grandes conclusões.)

Partes iguais da solução de goma e de dicromato para uso. A quantidade de pigmento de aquarela depende de cada cor. Pode ser o pó ou em tubos.

Mistura-se primeiro o pigmento com a goma. De preferência bem macerado num pote áspero. Depois, o dicromato.

Expor: trinta segundos num sol quente de inverno de SP capital são suficientes. Na mesa de luz do lab dá uns 3 minutos em média. De acordo com a cor escolhida, não dá pra ver se o tempo foi suficiente ou não.

Revelar:
Bandeja de água limpa, deixe a cópia com o verso para cima. O dicromato se solta, junto com a goma que não foi endurecida caindo aos poucos.
Depois de alguns minutos esqueça a cópia em outra bandeja. Ela se revela lentamente.

O interessante da goma é fazer mistura de cores, até tricromia, separando os canais de cmyk para produzir uma fotografia cor.

Segue uma imagem do Edison Angeloni de Tricromia.

Marrom Van Dyke

Sol. A
33ml água destilada
9 gramas de citrato férrico amoniacal

Sol. B
33ml água destilada
1,5 gramas de ácido tartárico

Sol. C
33ml água destilada
3,8 gramas de nitrato de prata

Para preparar o marrom van dyke se mistura as três soluções SEPARADAS. Junta-se A+B depois A e B + C.
Secar e expor em luz ultravioleta. Dar uma lavada antes do fixador, vai escurecer um pouco. Fixar em solução de tiossulfato de sódio a 5%, menos de 5 minutos, se a imagem escurecer muito rápido pode retirar antes e lavagem final de 10 minutos.

Fizemos novamente esse processo no Sesc hoje, mais informações, fotos do curso e o que estamos aprontando, acesse: http://oficinas.sescsp.org.br/blog

Pinhole day – O dia de fotografar sem lentes

Semana que vem eu e o Edison Angeloni faremos o dia mundial da pinhole no Sesc Pompeia.

No sabado dia 28 e domingo dia 29 de abril tem oficina de pinhole com papel fotografico pb as 14:30h
Domingo ainda tem ao meio dia o Super Observatorio do Mundo Invertido, quando a Internet Livre se transforma numa grande camera obscura. Mais tarde, 17h convidamos a quem fez as pinholes em lata a postar no site oficial do pinhole day.

Esse eh um evento que acontece em varios paises com a ideia de fazer uma fotografia sem lentes e postar no site sua imagem.

Mais informacoes:

http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/busca.cfm?conjunto_id=9759

Cursos Sesc Pompéia 2012

Abrem hoje as inscrições no Sesc Pompéia de Cursos Regulares e dentre eles segue meu curso juntamente com a professora Helen Ikeda de papel artesanal.

CURSOS REGULARES 1. SEMESTRE DE 2012 – OFICINAS DE CRIATIVIDADE

Processos Históricos Fotográficos e Papel Artesanal

SESC Pompeia

13/03 a 03/07.
Terças, das 9h30 às 12h30.

Curso que apresenta métodos de produção de papéis artesanais nas técnicas ocidental e oriental a partir de matérias primas como algodão, curauá e bagaço de cana. Os papéis produzidos serão utilizados como suporte para processos fotográficos históricos do século XIX, em que os participantes experimentarão as técnicas de cianotipia, marrom van dyke, papel salgado e albumina. Orientação de Beth Lee e Helen Ikeda Duração: 16 encontros.

Beth Lee é formada em Fotografia pelo Senac, participou de exposições coletivas e festivais de curta metragem, como na Galeria Olido e Festival da Lapa-PR. É especialista em técnicas alternativas e históricas de revelação fotográfica. Helen Ikeda é Bacharel em História pela USP, com Especialização em Conservação de Bens Culturais Móveis (Abracor/ Escola de Belas Artes, UFRJ) e em Celulose e Papel (Escola Senai, Theobaldo de Nigris, 2005). Atua como conservadora e restauradora de papel desde 1981 e, diversas instituições como o Museu Paulista-USP, Museu de Arte Contemporânea-USP, Museu Lasar Segall e Fundação Bienal de SP. E, em ateliê particular, atua também com Papelaria Artesanal.

Inscrições: Terça, 28/2, para comerciários matriculados; Quarta, 29/2, para demais usuários.

Inscrições para vagas remanescentes a partir de 3/3, sábado, 10h, até o preenchimento total das vagas.

Não recomendado para menores de 16 anos

R$ 60,00 [inteira]
R$ 30,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 15,00 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Valores da mensalidade.

Curso Fotografia Lambe-Lambe

Com muito orgulho divulgo aqui o curso Fotografia Lambe-Lambe da Cassia Xavier e Gustavo Falqueiro no Sesc Consolação a partir de amanhã, dia 18 de outubro.
Maiores informações no site http://www.sescsp.org.br/sesc/

Fotografia lambe-lambe Gustavo Falqueiro e Cassia Xavier

Curso de Processos Fotográficos Históricos

Começa em outubro o último curso de Fotografia alternativa no Sesc Pompéia.

Inscrição pessoalmente a partir das 10h do dia 1/10, sábado, nas Oficinas de Criatividade.

O aluno aprende a fazer as técnicas de Anthotype, Cianotipia, Marrom Van Dyke, Papel Salgado, Albumina e Goma bicromatada. São 11 vagas.

Maiores detalhes acesse http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=204377

Pra tudo a gente tem que ter bom senso..

Sim. pra tudo.
Quando eu digo que precisa usar avental pra lidar com químicos, é pra evitar tragédias sim.
Luvas então nem se fala.

Tudo tem motivo nessa vida, ou assim deveria ser.

Quando manipulamos químicos precisamos tomar cuidados. Tomar cuidado nunca é demais. Evita dores de cabeça e muita peça de roupa manchada.

Quando se aventurarem a fazer processos históricos lembrem dessas pequenas atitudes que valem muito. Luva, avental e sapato fechado. Se for uma pessoa muito sensível pode ser que utilizar uma máscara seja esperto.

Pra tudo temos que ter bom senso. Se a gente não cuida do próprio corpo, quem vai cuidar?

Esse é um dos posts mais importantes sobre esses processos, e vou dizer o por que.

Quase todos os químicos utilizados em fotografia podem irritar olhos, nariz, garganta e pele.

Exposição a alguns químicos como cianetos e solventes pode causar dores de cabeça, fraqueza, tontura e confusão. Exposição prolongada a cromatos pode causar úlcera de pele. Outros químicos podem causar queimaduras em pulmões e pele devastadores, e se atingir seus olhos, causa cegueira, como ácido oxálico e nitrato de prata.

Em laboratórios fotográficos a maior causa de problemas relacionados à saúde se dá quando os artistas comem e bebem dentro do laboratório. Por isso a proibição do consumo de alimentos nesses locais.

Dicromato contém Cromo VI, cancerígeno em humanos, alergênico, irritante ocular e do trato respiratório.

Manipular químicos com as mãos desprotegidas também é bem perigoso, uma vez que podem passar pela pele e entrar na corrente sanguínea. Por isso, luvas!! Eu uso a luva nitrílica, específica para químicos.

Muito cuidado com a ventilação do local. Inalar os químicos também faz mal!!
É impossível utilizar a cozinha ou o banheiro, pense que você pode contaminar você, sua família e qualquer um que estiver visitando sua casa!

Se não há possibilidade de arranjar uma espaço apenas para isso, pense em comprar uma capela, ela é ideal.

Guarde os químicos em potes bem fechados. Eu costumo etiquetar com nome do químico, nome de quem preparou e data. Longe do alcance de crianças!

Fontes:
http://www.alternativephotography.com/wp/processes/health-and-safety
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dicromato_de_pot%C3%A1ssio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nitrato_de_prata

Pinhole

Gosto muito de fotografia. Gosto mesmo.
Quando comecei a fotografar não sabia da técnica pinhole.
Se eu soubesse disso antes meu mundo seria muito mais colorido. Imagina só aprender desde criança que se pode fotografar com
uma lata? Teria feito horrores.
Demorei a aprender fotografia pela falta de grana para comprar uma câmera. Comprei a primeira, a segunda… gastei uma grana.
Depois de uns anos, só fotografava com pinholes. Nem precisava de tantas câmeras afinal…
Na época de TCC fiz umas 7 câmeras de caixa de fósforo. Tenho de caixa de madeira, de lata…
Não importa de qual material seja. Se uma 4×5, Hassel, de papelão… amo todas elas do mesmo jeito.

Brissac…

Um livro que gosto muito é o Paisagens Urbanas de Nelson Brissac. Para refletir e pensar sobre a cidade, como a vemos, como sentimos.

Estava pesquisando sobre o Rio Anhangabaú e pensei em como os rios de São Paulo não são visíveis. Difícil enxergar rios, horizontes e gentilezas nessa cidade.

“O olhar hoje é um embate com uma superfície que não se deixa perspassar.Cidades sem janelas, um horizonte cada vez mais espesso e concreto. (…) Sobreposição de inúmeras camadas de material, acúmulo de coisas que se recusam a partir. Tudo é textura: o skyline confunde-se com a calçada; olhar para cima equivale a voltar-se para o chão. A paisagem é um muro.

Paisagens Invisíveis página 13 – Nelson Brissac Peixoto

Cianótipo em Agosto no CCJ

Em agosto teremos mais uma oficina de Cianotipia no Centro Cultural da Juventude.
Com orientação da fotógrafa Patrícia Yamamoto, professora do Bacharelado em Fotografia do Senac.

Cianotipia de autoria de Patricia Yamamoto

Cianótipo de Patrícia Yamamoto

Um processo fotográfico que oferece tons azulados, podendo ser feito em papel ou tecido.