AZUL – new ciano e traditional ciano

Algum tempo atrás eu achava que nunca iria colocar as mãos num oxalato férrico amoniacal.

Acabou que veio parar um na minha mão. Comprei o frasco já aberto de um fotógrafo algum tempo atrás e resolvi testar recentemente.

Quem faz cianotipia sabe que a composição é Citrato férrico amoniacal e Ferricianeto de potássio.

E sobre essa fórmula há muito o que falar, só que como pude preparar o New Ciano, fórmula do professor Mike Ware, resolvi fazer um comparativo. Cianotipia é uma pesquisa que não tem fim. Nomearei aqui este como NC e o tradicional como TC

Existem diversas variações de como de fazer fórmulas, proporções, métodos a respeito de ciano. Resumindo muito. E um método recente é o NC, que utiliza oxalato férrico amoniacal no lugar do citrato férrico amoniacal. O preparo é um tanto mais meticuloso e a filtragem é necessária. Só que este reagente não é comercializado no Brasil, sendo possível obtê-lo apenas com compras internacionais.

Das fórmulas fotográficas, o ciano é um dos processos mais lentos para formar a imagem à luz. Num sol direto aqui em São Paulo leva cerca de dez a vinte minutos de exposição. O NC em teoria é mais rápido e se ganha em contraste. Não fiz um estudo super aprofundado mas seguem minhas primeiras impressões.

a embalagem

E vou dizer que o tom de verde é apaixonante, daquele verde radioativo, fosforescente bem bonito. Tive que me conter para não deixar aberto em luz ambiente e ficar admirando um pouco mais a cor.

Tem a descrição do processo no Alternative Photography, tem no site do Mike Ware, vou resumir aqui em tradução livre 🙂

Basicamente dissolve-se 10g do Oxalato férrico amoniacal em água 20cc a 70 graus Celsius.

Em outro recipiente dissolve-se 30g do oxalato em água 3cc a 50 graus Celsius.

Adiciona o primeiro ao segundo e deixa esfriar até atingir cerca de 20 graus Celsius.

Inevitavelmente formará alguns cristais que devem ser filtrados. Adiciona-se 0,1g de dicromato de potássio. Deixar descansando por pelo menos um dia.

A parte difícil é escolher um papel que não manche as altas luzes. Todos os que eu testei velaram um pouco ou muito e ficaram bem escuro onde teria branco. Parece que essa é uma característica dessa fórmula. Ou seja, não adianta economizar no papel, tem que achar um bom papel mesmo. Num papel neutro foi a minha melhor opção até agora, mas mesmo assim não foi o melhor resultado.

esquerda TC. direita NC. Mesmo tempo e papel.

deixei esta imagem acima na janela, tempo nubladão e foi cerca de 1 hora e meia. O TC não estava nem pronto. O NC ficou mega escuro. Chutei metade do tempo para fazer as próximas. Errei completamente. (o teste não está muito bonito, a pressa de tentar testar algo enquanto tento trabalhar no dia a dia)

um teste um pouco melhor. TC ficou uma hora. NC vinte e cinco minutos. Ainda ficou bem escura e o papel neutro velou bem a alta luz.

O tom do NC ficou bem mais intenso, deve ser cerca de 1/5 a 1/6 do tempo de exposição de um ciano comum. Agora deu pra perceber um ganho de contraste. Nesse meio tempo perdi alguns papéis pra conseguir fazer esse teste razoável. Como os tempos de referência do processo são feitos com mesas de luz diferentes das minhas, não adianta muito se referenciar por aí

temos detalhes nas janelas e porta

Considerações até agora é que o azul é mais intenso e uma pena que não esteja disponível no Brasil. Nos últimos anos o preço do reagente aumentou tanto que chega a ser triste.

Gostaria de tornar essa fotografia mais acessível no Brasil, mas eu vejo que nem eu consigo acessar tantas coisas. E desde que se iniciaram mais conflitos no mundo alguns reagentes usados na fotografia estão sendo controlados de forma mais rigorosa.

Mas está aí a descrição de mais alguma opção e incrivelmente bonito na minha opinião.

Plantas e imagens fotográficas sensíveis

outro dia percebi que escrevi posts de atividades e esqueci nos rascunhos :/ :/ :/

Uma delas era sobre uma atividade que teve no Sesc Interlagos sobre anthotype.

Então pensei em escrever um pouco sobre esse processo, que já errei muito e já acertei um tanto.

Mas antes vou anunciar o novo livro na qual participo com uma contribuição junto a Simone Wicca, iniciativa de Malin Fabbri do site http://www.alternativephotography.com

É uma grande honra e um prazer, já que o site me ajudou muito desde o início das minhas empreitadas foto-alternativas.

O termo emulsões talvez seja um pouco fora do que é na verdade. Não seria bem uma emulsão que preparamos para um antotipo, mas acho que vale a carga histórica da fotografia.

O tema era Esperança. Na hora pensei na Caixa de Pandora, que parecia se encaixar um tanto com a questão pandêmica. Simone também curtiu a ideia. Mas queríamos que a esperança saísse da caixa. Nosso trabalho foi feito com o uso de serragem de pau brasil. Afinal é uma pesquisa que tenho feito bem lentamente, a respeito do uso de plantas nativas e também de plantas tintureiras.

Quinze anos se passaram desde que fiz minhas primeiras experiências com plantas. E acho que esse blog começou um pouco antes disso. Vou dizer que as minhas primeiras impressões em relação ao anthotype não mudaram tanto desde então. Tecnicamente. Mas pude ver e acompanhar muitas pessoas a descobrirem esse processo, principalmente agradeço ao Sesc por me dar essa oportunidade na maioria das vezes. Quando comecei de forma rebelde a pesquisar sobre essa vertente efêmera não tinha a menor ideia de que viraria trabalho. E sempre a Simone foi minha amiga que me empurrou para muitas coisas legais, como essa participação no livro.

Vou explicar um pouco sobre meu percurso. Era um momento em que eu perdi muita coisa numa graduação que me deixava apaixonada todo dia pela fotografia. Mas de repente perdi minha orientadora, que foi demitida. Aos poucos queriam retirar o laboratório preto e branco e colorido e os processos alternativos, com a alegação de que a fotografia seria apenas a imagem digital.

Então meu trabalho foi a respeito dos processos com plantas e sobre a efemeridade da vida e talvez até da imagem digital. Comecei meu texto citando Marx. As imagens eram sobre objetos que seriam substituídos por outros (câmera de filme), imagens de álbum de família, lugares que de certa forma foram abruptamente tomados de mim.

E depois de um pouco mais de pesquisa também pelo site alternative photography cheguei no nome de Mary Somerville, que amiga de John Herschel, troca correspondências com ele a respeito do processo. Só que em nos textos sobre o processo dificilmente seu nome aparece. Porque nesse momento as mulheres não podiam publicar estudos científicos.

Enfim me faz pensar em muitas questões sobre a mulher e a produção artística e cultural. Mas isso é tema para outra conversa, porque vai ser longo.

E enquanto eu colocava meus primeiros antotipos em cima do telhado eu ficava me perguntando o que os vizinhos iam entender se explicasse para eles. É muito fora da realidade, é coisa de gente estranha? Estudei 4 anos pra usar plantas pra fazer foto. Tô subindo no telhado pra fazer meu trabalho de conclusão.

O fato é que essa pesquisa começou com uma curiosidade e parecia algo simples de ser produzido e um conceito interessante para um primeiro contato com a ideia da formação da imagem fotossensível.

E no final acredito que seja uma ótima ferramenta para se pensar nas imagens num mundo em que vivemos conectados com a tecnologia e que as fotografias são tão instantâneas que não é preciso mais fazer nada além de deslizar os dedos pela tela de um celular para fazer ou modificar muitas imagens.

Outro dia mesmo recebi mais de cem fotografias de um treino e só guardei três.

E essa imagem fotossensível que volta o olhar para as plantas. Eu sempre ouço nas aulas que depois de ter o contato com a técnica as pessoas começam a olhar mais para as plantas na rua. Pensam se vai dar certo, experimentam. Põem-se a perceber as texturas e os cheiros. Analisam as formas e espessuras das folhas. As cores das flores começam a ter outro sentido.

E para começar a estudar o processo comecei a estudar algo além da comida, plantas não convencionais e das plantas nativas. Pensar na posição do sol no meu dia a dia, para saber quanto tempo de sol bate na janela.

Pessoas muito ansiosas precisam fazer um esforço um pouco maior para produzir imagens tão lentas. É um desafio e ao mesmo tempo um exercício de auto controle. Tentar dominar esse tempo dentro de si.

O momento mágico desse processo não é o aparecimento da imagem aos nossos olhos, como quando vemos a fotografia surgir no revelador, mas a noção de que a imagem surgiu a partir das plantas, naquele papel que colorimos com um sumo e que escancara essa reprodutibilidade ou em cima de uma folha de planta.

Quando iniciei esse estudo eu ampliava as imagens em fotolito. Ou filme gráfico. Com algumas experiências vi que a imagem bem densa seria melhor para obter algum detalhamento a mais no processo. Por isso busquei fórmulas específicas para fotolito (kodalith) e preparei um revelador próprio. Hoje em dia envio o material para a gráfica para fazer o fotolito, já que esse material que eu utilizava no laboratório não é mais fabricado.

Post a atualizar – tem muita coisa pra escrever, vou fazendo aos poucos 🙂

Imagens em pau-brasil – anthotype

Enquanto pesquisava sobre plantas e pancs e fazer algum trabalho que tivesse algum significado pra mim, resolvi utilizar plantas nativas do Brasil para a produção de antotipias. Vez ou outra comento nas aulas, nos cafés e encontros com as pessoas que para o processo cheguei a estudar um tanto de tingimento natural e acho que nessa pesquisa de procurar comida, cor e verdade com significado só fazia sentido pesquisar o nativo.

Então num curso online resolvi investir no pau-brasil. Até então tive mudas dele mas não tinha pensado em usar para o anthotype. Comprei uma serragem e fiz alguns testes. É tão bonito que dá vontade de sair colorindo tudo mesmo.

Não lembro se comentei que papéis diferentes dão cores diferentes. Tem a ver com ph do papel. Peguei dois papéis abandonados no lab e passei o sumo.

Mesmo sumo. Papéis diferentes

A parte desvantajosa de utilizar papéis abandonados é que depois pra fazer de novo é quase impossível. Os papéis não eram meus e ficaram pelo menos uns três anos numa gaveta. Essa questão do pH é algo que sempre comento na aula mas muitas vezes eu acho que as pessoas só percebem quando vêem o resultado, ou seja, a cor.

Então montei esses com imagens.

No estúdio não tenho sol direto. Então deixo na janela um tempo e quando lembro vou olhar.

Seis dias depois retirei a imagem da esquerda.

Dá pra ver a diferença de cor apesar das imagens não estarem calibradas (foto de celular né)

E o resultado

O outro papel ainda está no sol. Fotografei hoje pra saber como estava, só que ainda está em processo.

vou deixar mais uns dias 🙂

Esse mês de julho vai ter oficina, em breve volto aqui.

Fico me perguntando certas vezes sobre essa produção de antotipias quando alguém aponta a durabilidade da fotografia. Afinal foi uma questão pontuada no meu TCC de graduação. Nossas imagens efêmeras nos cercam todo dia. Nos stories de Instagram, daquelas que a gente nunca mais vai ver se não clicar naquele dia.

As imagens da cidade que se alteram constantemente e logo um graffiti ou luminoso pode ser trocado ou substituído. As nossas paisagens diárias mudam conforme mudamos de endereço. E todo dia não sinto que continuamos os mesmos.

Curso Materiais Sensíveis – Sesc Pompéia

post atrasado um pouquinho.

Hoje abriram as inscrições para os cursos regulares das Oficinas no Sesc Pompéia.

atrasado justamente porque as inscrições abriram para Credencial Plena às 14h. Masss as inscrições para público geral abrem dia 23 de fevereiro de 2022 às 14h. Link: bit.ly/inscricoes-sescpompeia 

https://www.sescsp.org.br/programacao/atividade-presencial-fotografia-com-material-fotossensivel-introducao/

Acima o Link do meu curso

é um curso que de início eu pensei em formato online, para quem nunca fez experiências fotográficas fotossensíveis. É uma mistura de conteúdo histórico com experiência fotoquímicas que deu vontade de fazer.

é aquela mancha que te faz pensar

Neste momento pandemia recebi dúvidas ao longo dos meses de pessoas que nuca fizeram nenhum processo analógico / histórico e estavam tentando por conta. Conversando aqui e ali com amigos, falando sobre as dificuldades de uma pessoa entender essas primeiras experiências sensíveis me fez pensar em algo meio além das técnicas, de forma a despertar mais essa noção de que as coisas de modificam com a luz.

É claro que vai ter muita história pra contar aí, nem só de prática vivemos. A vontade veio um pouco também das aulas de história online e da falta de poder tocar e mostrar as mudanças nos materiais que mencionava. Então não deixa de ser sobre a história da fotografia pra mim.

Hoje eu entrei no lab depois de dois anos. E estou tão acostumada com ele que parece que nem foi tanto tempo assim. Enfim, lab está lindão lá, espero que cada vez mais cheio nos próximos meses.

Agradeço demais ao Sesc por confiar no meu trabalho. 🙂

Curso de História dos Processos – Adelina – Sympla

vai ter curso online no instituto Adelina novamente. São 4 encontros a partir do dia 06 de dezembro e o evento está no Sympla.

https://www.sympla.com.br/curso–historia-dos-processos-fotograficos__1408406

Neste curso apresento um recorte da história de como as técnicas fotográficas surgiram e como algumas delas funcionam. A fotografia tem seu desenvolvimento a partir de diversos materiais e procedimentos desde o início do século XIX até o começo do século XX. E a respeito dos materiais são diversos mesmo. Desde plantas a ouro. A partir de materiais que reagem com a luz pelo escurecimento ou pelo endurecimento. Em metais, papéis, gelatina ou algodão solúvel.

E comento um pouco sobre a estrutura necessária para a produção do que hoje é mais conhecido como fotografia alternativa. A ideia é também mostrar algumas fórmulas e por isso também preparei um breve manual em pdf.

A possibilidade de captar imagens fez parte do imaginário de alguns muito antes da sua invenção. Isso é descrito por poetas e escritores desde o século V. (ah, os visionários poetas…)

Dentro dessa jornada foram muitas falhas e sucessos, muitos desconhecidos e alguns famosos. Como alguns aqui sabem, eu gosto das histórias daqueles que foram esquecidos e das técnicas igualmente de pouco sucesso.

Em 4 encontros vou abordar desde o princípio da formação da fotografia, como surgiu e quais as principais técnicas, ao seu desenvolvimento como negativos e cópias em técnicas de cianotipia, papel salgado, albumina, albumina em vidro, placa úmida e placa seca. Quais materiais são necessários para se produzir essas técnicas e suas referências e como montar um espaço para se trabalhar com a fotografia alternativa. Dentro do programa falo de anthotype, de daguerreotipos, calotipos, positivo de Bayard, a fotografia de Florence, entre outros. Vou falar sobre a fotografia colorida e a película de cinema, minha atual pesquisa. Comento também sobre como monto meus equipamentos e onde se encontra os materiais.

Químicos novos para ciano e como começar

Preparei químicos novos para cianotipia, versões solução única e separado em parte A e parte B. Atualmente só vou fazer os reagentes com o citrato verde. Com 50ml, 100ml e 250ml de solução única. E 100+100ml, 250+250ml de solução em duas partes.

Resolvi fazer a solução única porque praticando um pouco no lab, fiquei feliz de achar um frasco com o químico pronto e não ter que misturar na hora. Pensei que para uma pessoa começar a fazer o processo deve ser mais fácil, sem precisar medir.

Desenhei rótulos novos que ainda não estão do jeito que eu gostaria mas pelo menos está melhor que antes

Eu tento fazer uma embalagem que proteja bem sem encarecer o produto, para fazer frascos personalizados em formato eu precisaria pedir uma quantidade muito grande, que além de ser um investimento grande para um produto que não é super popular, também tem a questão de armazenamento. Guardar 5 mil frascos por sei lá quanto tempo não me parece uma boa opção.

Muitas vezes quando preparo esse material para distribuir também fica a dúvida de como seria melhor escrever as instruções de uso. Como eu faço o processo há bastante tempo, preciso pensar nas dúvidas que as pessoas teriam fazendo o ciano em casa, sozinhos.

Nessa parte, meu manual de instruções está bem sucinto, mas conforme as perguntas das pessoas vão surgindo, vou desenhando um jeito melhor de fazer esse material.

Mas se você é uma dessas pessoas que está na dúvida de como começar, vou tentar organizar aqui os primeiros passos.

1. Estabeleça se quer começar com negativos ou fotogramas. Se for negativo vai precisar mandar fazer ou comprar transparências para impressora. Se for fotogramas, separar os objetos que quer utilizar, como folhas, objetos pequenos e planos facilita, tecidos, recortes.

2. Separe os materiais: papel de arte, aquarela, gravura. Qualquer papel que aguente lavagens. Vou dar mais detalhes sobre papéis depois. Pincel para passar o químico. Pote para colocar o químico, como uma vasilha ou becker. Eu recomendo utilizar uma base para proteger a mesa de trabalho e um papel toalha ou jornal em cima dele. Só para não virar um lugar todo manchado e contaminado. Uma bandeja para fazer a lavagem. Luvas e um avental são uma norma de segurança. Esses itens não só servem para te proteger mas também para proteger o processo todo. É uma boa prática se você tem interesse em técnicas mais rigorosas no futuro. Gordura e sujeira da mão não facilitam em nada o trabalho num laboratório. Vai precisar também de uma placa de vidro e uma base para prensar tudo junto com vidro. Presilhas.

Um secador de cabelos ajuda. Se você quer secar os papéis para utilizar logo. Tenha em mente que quanto maior a temperatura do ar de secagem, maior a influência no contraste da cópia.

3. Um local com pouca luz, lâmpada incandescente ou led para iluminar. Fluorescentes evitem uv que vai só deixar seu papel velado. É bom ter um local para estender as cópias molhadas. Você vai precisar de água corrente e área com sol para expor os papéis.

4. Para quem quer fazer com negativos, precisa mandar fazer ou imprimir. Eu indico a ZAP fotolitos na Lapa, pois eles já estão acostumados a fazer esse material pra muita gente na fotografia. Na Galeria do rock também tem as impressões de silk que funcionam super bem, mas eu nunca mandei fazer lá. Se fizer em casa pode comprar transparências para sua impressora e tentar.

5. Químicos. Eu tenho à venda, mas também tem do Labclube no Rio de Janeiro e do Retratista. Tem alguns importados também. Quando tem parte A e B, é só juntar em partes iguais, exemplo: 10ml de A + 10ml de B.

Começando a deixar tudo azul:

Trabalhe numa iluminação baixa. Sem luz do sol muito próxima, de preferência luz rebatida na parede. Uma iluminação baixa como luz de velas por exemplo seria o suficiente. Misture o químico no recipiente. Separe seu papel.

Dica importante: anote data no verso do papel e alguns detalhes como nome do papel. Se vc tiver ou não sucesso, vai ser um jeito de você estabelecer um diário de trabalho.

Passe o químico no papel. Estou torcendo para que tenha lembrado da minha dica de utilizar uma base para esse passo, com um jornal ou algum papel que você possa sujar embaixo do seu papel lindo escolhido. Tente fazer uma chamada uniforme,

Secar o papel. Secar completamente. Ele não pode estar úmido, secar de verdade.

Com folhas secas ou negativo, prensar papel sensibilizado com a matriz escolhida dentro do vidro e placa junto com as presilhas.

Deixar no sol. O tempo de exposição vai variar de acordo com muitas condições mas no sol direto pode ser de dez minutos a vinte. Nublado pode ser de 1 hora a muitas horas.

Tirar do sol e lavar na bandeja. Até três minutos é suficiente. A base esverdeada deve sair por completo. Se demorar mais que isso, talvez seu papel não seja o ideal.

Secar e admirar seu trabalho. 😉

(depois eu anexo fotos) claro que tem muitos detalhes de todos os passos, mas aqui tentei fazer uma lista para quem quer começar e nunca fez, porque recebi algumas dúvidas nos últimos meses e se for útil para alguém, agradeço se puder me avisar. 🙂

WCD – Dia Mundial da Cianotipia

O dia foi 25 de setembro deste ano.

A Simone Wicca queria fazer uma imagem para o evento e me chamou. O tema desse ano foi Rejuvenecer. A ideia que ela deu era de fazer um tecido e expor ao sol como se ela estivesse nadando, porque era uma lembrança de sua infância e que nadar sempre remetia a esse tempo. Eu comentei com ela que quando criança não sabia nadar e que eu ia precisar de um barco para navegar nesse mar. Outra questão para mim é que não sou muito dos fotogramas, fico ligeiramente insatisfeita. Uma limitação minha. Quando posso, escolho pela imagem com negativos. Então coloquei uma foto minha com uns 7 anos de idade. Barcos de papel pra mim é muita da infância. A nossa proposta era fazer na praça, ela deitaria no tecido uns minutos e revelaríamos em seguida.

nossa imagem lá no site. 🙂

E nossa! Depois eu pensei como demorei para entrar em contato com o pessoal do alternativephotography.com . Como eu sou devagar… Foi incrível conversar com eles e logo mais teremos novidades a respeito disso.

A galeria do WCD https://www.alternativephotography.com/gallery/gallery-by-process/world-cyanotype-day-2021-gallery-rejuvenation/nggallery/page/10

O site também tem uma conta no instagram (como eu demorei pra ver isso também)  https://www.instagram.com/alternativephotography_com/

eu demorei pra ter uma conta no insta, mas a vida social é isso, se não está lá parece que a gente nem existe.

E como fizemos o processo todo:

Eu tinha um tecido de 2 metros. Inicialmente a Simone achou pouco O.o

Mas tinha e foi esse mesmo.

Fazer cianotipia em tecido. Lavei o tecido para retirar qualquer camada anti fúngica e sujeira também né. Também tem uma questão de pré encolhimento, mas neste caso nem estava preocupada com isso.

Deixei secar para não ficar pingando, mas até eu terminar de preparar um químico, já tinha secado mais do que precisava. Separei um ciano e utilizei cerca de 150ml. Coloquei numa bandeja de 50x60cm. Deixei secando no lab. Tirei fotos mas não são muito bonitas com luz fraca. Depois pequei um saco preto e levei para casa.

O clima não ajudou muito os planos da Simone de fazer um flashmob na praça. Choveu, trovejou e caiu muito granizo. Eu disse que era pra testar nossa coragem. Então como estava tudo molhado, falei pra ela que seria melhor desenhar sua silhueta no papel, porque seriam horas de exposição e que seria melhor deixar na varanda e esperamos sentados. E foi melhor mesmo. Chuviscou várias vezes, vento, nublado… somente no final do dia apareceu aquele sol depois das 16h que não ajuda muita na exposição U.V. mas contou.

Depois da exposição de 4 horas vestimos nossos aventais e luvas e fomos ao lab.

A Simone tem umas bandejas e trocamos a água umas 4 ou 5 vezes.

até a chuva quis contribuir com umas “bolhas” no fundo do mar.

tem um post da Simone sobre o assunto wiccaverna.wordpress.com

Cianotipia – verde ou marrom ?

Por um bom tempo vendi o químico do cianotipo. Tinha só verde, depois não produziram mais. Fiquei só com o marrom mas hoje estou disponibilizando as variações verde e marrom. Eu não estava satisfeita com as embalagens – acho que nunca estou – mas para não deixar muito caro não faço as modificações que gostaria.

Então estou esperando um novo frasco chegar – preto, pois protege melhor mas em compensação tenho que comprar em quantidades maiores e investir mais. Por hora preparei no frasco âmbar. A embalagem âmbar é boa para guardar mas como ela não protege da luz, precisa deixar o frasco guardado dentro de uma caixa ou embalagem escura.

Os iniciantes ou aspirantes a fotografia azul podem ficar na dúvida quanto aos diferentes tipos de material de cianotipia que encontram: verde ou marrom? (mas eu quero azul, vai ficar azul?) Então achei melhor escrever um pouco sobre esse assunto.

Todos os kits para cianotipia qualquer um ficará azul! êê!!

Mas tem duas versões mais conhecidas. o MARROM é um pouco mais lento. O VERDE mais rápido.

O kit pode ser produzido com o Citrato férrico amoniacal MARROM ou o Citrato férrico amoniacal VERDE. A cor no nome do químico se dá pela aparência do reagente mas seu resultado da imagem será sempre azul.

Qual a diferença visual? O marrom dá uma nuance mais fria. o verde é mais brilhante. (mas a diferença é bem sutil)

material para cianotipia

E o tempo de exposição? Depende. A verdade é que o citrato férrico tem uma variação enorme em relação à quantidade de ferro. E isso sempre vai variar muito de lote pra lote. Então para alguns pode dar de 30% a 50% a mais de tempo de exposição no marrom comparado ao verde. (não é um dado estatístico, na prática é mais ou menos isso, ou seja, demora um pouco mais no marrom sim)

Mas então qual que eu compro? Pra quem está começando o Verde é mais fácil. Porque ele tende a manchar menos caso escolha um papel de textura mais aparente ou um papel de qualidade mais baixa. Papéis com pouca encolagem também darão mais trabalho com o marrom. Então é mais fácil dar certo com o verde.

O marrom é mais básico, tende a dar menos problemas de conservação. O verde é mais ácido, pode dar mais problemas de conservação.

Qual que você gosta pessoalmente??? Dos dois. Não tenho filho preferido. Quando estou com pressa ou nas aulas uso o verde por garantia e comodidade, já que preciso fazer funcionar pra pelo menos umas 15 pessoas de uma vez em poucas horas. Mas pra meu trabalho gosto sim do marrom. Porque eu gosto do tom frio, ou se utilizo um bom papel e bem preparado. Ele é lento mesmo, eu também sou. Mas não uso só ele. Uso o que está na mão primeiro.

Ai… agora você me deixou mais na dúvida…

Então compra o que vai no seu coração. ou no bolso.

Por isso para quem está começando resolvi preparar embalagens menores para o custo ficar mais baixo. Esse da foto fiz com 50ml. A ideia surgiu faz um tempo, pensando que para uma pessoa começar seria um investimento mais alto mesmo, já ter 120ml na mão e sem saber se vai gostar.

Coloquei na lojinha do @rebobina.lab pra facilitar para as pessoas.

Vou colocar testes comparativos (tô devendo testes pra variar) logo atualizo esse post. (prometo, esse blog nasceu mais como uma intenção de diário/semanário)

E estou preparando kits com material para viragens também. Achei bonitinho.

Curso online Antotipia no Sesc Pompeia – FestA

Dia 17 de março abrem as inscrições para o FestA – Festival de Aprender e neste ano farei a atividade online dia 20 e 27 de março, das 10 a 12h de antotipia para o sesc.

Dias 20 e 27/3, sábados, das 10h às 12h
Fotografia Artesanal: Antotipia
Com Beth Lee
O curso é baseado numa técnica inventada no século XIX feita a partir do uso de sumo de flores, frutos, plantas em geral para a produção de uma cópia fotográfica. Por se tratar de materiais naturais, não existe um método de fixar a imagem permanentemente. O Anthotype é um processo positivo-positivo, para a técnica é necessário o uso de uma imagem matriz positiva. Beth Lee é bacharel em Fotografia Aplicada pelo Centro Universitário Senac, fotógrafa e laboratorista. Ministra aulas em cursos técnicos e livres de fotografia. Tem como pesquisa processos fotográficos históricos, analógicos e artesanais. Participou de algumas exposições coletivas.
Você vai precisar de: papel para desenho, gravura e/ou aquarela; transparências para impressora ou papel vegetal e imagens digitais de alto contraste; objetos planos como folhas ou flores secas de plantas; placa de vidro ou acrílico; placa plana de mdf ou qualquer placa para ser usada junto ao vidro com o objetivo de prensar papéis e matrizes (transparências ou folhas secas); presilhas para segurar as placas; pincel; suporte ou vasilha para macerar as plantas (algo parecido com um pilão); pedaço de tecido para filtrar o sumo; plantas, flores e/ou raízes; água ou álcool. Estimativa de gastos com material: R$30,00.
Onde? Plataforma Zoom
Inscrições a partir das 14h do dia 17/3 em sescsp.org.br/inscricoes
Informações: Sesc Pompeia
Vagas limitadas. 14 anos. Grátis.

Segue o Link para as atividades de cursos:

https://www.sescsp.org.br/online/artigo/15166_A+PROGRAMACAO+DO+FESTA+FESTIVAL+DE+APRENDER+2021+ESTA+AQUI##cursos

E segue o link de inscrições que só abre dia 17!

https://inscricoes.sescsp.org.br/online/#/inscricao

Além disso o Sesc preparou um almanaque super bonito e pode ser baixado neste link:

https://sesc.digital/conteudo/artes-visuais/almanaque-festa

Antotipia – Anthotype – anthos e flores

Quando eu comecei esse blog eu lembro bem. Exatamente o dia. Foi num momento em que eu estava na faculdade e divagava sobre o mito da caverna e sobre tantas coisas que eu gostaria de escrever. Só de pensar na ilusão dava muitas ideias. A ideia de juntou com a perspectiva de enxergar os espectros invisíveis então deu mais surrealidade para a imaginação de uma pisciana com Sol casa 5.

Um belo dia achei um texto sobre uma possibilidade de produzir fotografias com sumo de plantas e minha alma hippie (deve ser uns 20%) não resistiu. Isso foi em 2007 e obviamente tentei com as flores que eu tinha.

Escrevo mais uma vez aqui sobre anthotype. Este processo maravilhoso descrito pela primeira vez por John Herschel, cientista e astrônomo que, como eu, era pisciano e provavelmente vivia no mundo da lua como eu vivo. um pouco… :/

Aviso também que logo teremos um curso sobre a técnica – online. E avisarei por aqui. Espero que tenham interessados.

A técnica se resume em macerar plantas, flores, folhas ou frutos. Sementes, raízes. Passar no papel e expor ao sol com alguma matriz – foto ou fotograma

anthotype em papel – amoras Esta foi uma das primeiras imagens publicadas aqui

Mas as flores – sim! as flores que dão o nome à técnica – é sobre o que gostaria de discorrer aqui. Ideias e o que eu testei ou está na lista para testar.

Anthos vem do grego para flores. anthotype se refere a flores. No entanto como homenagem ao Herschel eu me refiro a todo tipo de fotografia com plantas de antotipia.

Flores de cores mais intensa em geral oferecem melhor resultado. Já me perguntaram muitas vezes se é possível usar flores brancas. Até onde eu sei não funciona. Mas não testei muitas vezes.

Comecei a plantar muita clitoria ou feijão borboleta. Ela é azul e muito usada para fazer um chá por causa de sua cor. Sequei algumas e fiz meu estoque. Plantei capuchinha mas assim que vieram as primeiras flores, quem disse que eu consegui usar pra anthotype?

Outra planta que despertou uma curiosidade para esta técnica é a grumixama, nesse caso o fruto. Grumis, como eu costumo chamar, planta nativa que dá esse fruto que lembra uma cereja mistura de jabuticaba (pra mim né). Eu gosto tanto. Conheci pelo blog na Neide Rigo. Plantei duas mudas mas dei de presente. Sinto uma falta tremenda das plantas.

E será que dá pra fazer com espada de São Jorge? é o que tenho aqui.

Se der certo posto aqui.