Minhas rotas de outubro e o setembro que passou

Hoje começa um curso de 4 aulas sobre Retrato no Sesc Vila Mariana. Quartas feiras das 19h às 21h

http://www.sescsp.org.br/aulas/74227_O+AUTORETRATO+NA+FOTOGRAFIA

Curso sobre Retrato

Curso sobre Retrato

Nesse mês a rota segue por São José nas quintas feiras dando continuidade ao curso de Fotografia e Imagem Alternativa. Mês que vem retornamos ao esquema quartas e quintas.

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construímos a câmera obscura Chikaoka

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assistindo a uma partida de futebol de ponta cabeça

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fizemos a câmera pinhole de caixa de fósforos. Lá atrás a bagagem teórica sobre a pinhole que eu gosto.

Aos sábados estou em companhia do Serginho Ferreira com o Sistema de Zonas no Pompéia.

muito sério esse Serginho

muito sério esse Serginho

e Terças estou no Pompéia com a Fotografia Alternativa. Ontem fizemos Marrom Van Dyke.

Mês passado fizemos Quimigramas no Sesc Santo André e Sesc Bom Retiro.

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No Sesc Santo André nos baseamos nas fotogravuras de Alex Flemming para trabalhar em cima do papel fotográfico.

Do Sesc Bom Retiro acabei ficando sem fotos para mostrar.

Aqui vai ficar só a história (adoro contar histórias) de uma das participantes do curso. Fiquei tão entretida com a turma que esqueci de registrar uma imagem.

Sabem que o Quimigrama é uma atividade basicamente de desenho em cima de papel fotográfico não é?

Pois veio o Pablo junto com sua mãe (eu não sei exatamente como escreve seu nome então não vou escrever errado aqui). Ela tem uma deficiência visual e  seu filho a ajudava a abrir as portas, sentar no lugar onde trabalhávamos e enquanto ele desenhava ela estava me contando sua história.

Ela trabalhava como desenhista de moda. E resolveu fazer um quimigrama representando ela, seu filho e seu noivo. Pablo guiava e eu também para ela saber se estava conseguindo fazer o desenho do jeito que queria.

Frequentava o Sesc antes de perder a visão, contou que Pablo descende de japoneses, coreanos e chineses, e que o trazia para a unidade desde bebê, senão ele fica no só videogame.

Seu noivo chegou e Pablo não parava de correr junto a uma menina que havia chegado com ele. Ela me contou que enxerga mais cores escuras (conseguia ver que meu cabelo era preto) e que seu noivo conseguia ver mais detalhes e mostrou seu desenho a ele.

E eles foram levar as crianças para andar de skate (ou patins) na pista adaptada em frente a unidade.

Depois que foram embora me dei conta que não registrei nenhuma imagem. Mas muitas vezes a gente nem precisa mesmo. Vai ficar na imaginação de quem ler.

Curso Fotografia Alternativa e Sistema de Zonas 2015

É com muito prazer que divulgo os cursos desse semestre e teremos Fotografia Alternativa às terças à noite e um novo curso Sistema de Zonas Preto e Branco em parceria com o fotógrafo e laboratorista Sergio Ferreira – um dos meus mestres – que chamo carinhosamente de Serginho.

Na Fotografia Alternativa vamos fazer Cianotipia, Marrom Van Dyke e Papel Salgado. A partir desses processos trabalharemos com viragens e tonalizações possíveis no lab e até mesmo interações entre esses processos.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

mais informações sobre esse curso aqui

O Sistema de Zonas é uma parte da fotografia que eu amo e acho incrível. E fazer esse curso com quem eu aprendi é muito mais que gratificante. Serginho foi meu mestre no laboratório preto e branco e na fotografia cor. Foram dois anos de acompanhamento e agradeço de coração a todo o ensinamento que tive. Claro que tive muitos outros mestres, mas o Sergio virou amigo, de compartilhar gostos musicais (ouvi mais Nina Simone por causa dele) e na época eu fazia kung fu e daí ele também se empolgou em voltar para as artes marciais. Aprendi o Sistema de Zonas quando havia Grupos de Estudo no Senac e isso era uma atividade extra. O grupo era comandado pelo Paulo Rossi e Sergio e de fato o Paulo teve muita paciência comigo para eu entender esse processo todo. Como ele não mora mais em SP vai aqui minha homenagem, se estivesse aqui provavelmente seria ele e o Serginho – a dupla dinâmica.

Saíamos à tarde pela Lapa para fazer imagens para o estudo no grupo e não esqueço e acho que vai ser difícil esquecer aqueles dias que o preto e branco ficou mais claro e divertido para mim. (eu sou bem nerds nesse sentido e com orgulho)

Minha gratidão ao Paulo Rossi e Serginho.

Maiores informações sobre o Sistema de Zonas no Sesc aqui

As inscrições começam hoje. Me perdoem a demora na divulgação, mas para quem não é comerciário ainda dá tempo de se programar, pois é amanhã o dia de ficar na fila.

INSCRIÇÕES:

Terça, 17/3, das 18h30 às 21h30:

Para trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes.

Quarta, 18/3, das 18h30 às 21h30:

Para interessados em geral.

2ª CHAMADA:

Sábado, 21/3, das 10h às 17h: para todos os interessados que não tenham se inscrito em nenhum curso.

VAGAS REMANESCENTES:

A partir de domingo, 29/3, das 10h às 17h, recomeçam as inscrições para todos os interessados nos cursos que ainda tenham vagas disponíveis. É a oportunidade para quem já se inscreveu em um curso se inscrever em outro(s). Até o fim das vagas.

Mensalidade:

  • Credencial Plena: R$ 15,00
  • Meia: R$ 30,00
  • Inteira: R$ 60,00

Dusting on process – Revelação a pó

em 2005 vi um amigo da faculdade fazendo esse processo e me encantei.

É uma técnica a partir de mel ou açucar que se revela a seco, com pigmento em pó.

A graça é que pode-se facilmente usar vidro, cerâmica ou metal como suporte.

Buscando a fórmula nos livros a finalização descrita se dá somente em retornar a foto para a exposição de luz e o resíduo químico continua lá. Daí em 2007 fiz vários testes para conseguir limpar essa imagem com água gelada.

 

Atualização 19.04.17

O processo segundo as bibliografias abaixo tem um misto das pesquisas de vários nomes, Vacquelin, Ponton, Becquerel, Talbot Archer, Garnier, Salmon e Poitevin.

Vacquelin no final de 1700 e Suckow em 1832 em relação aos cromatos. Mungo Ponton em 1839 faz um estudo sobre a sensibilidade do dicromato de potássio à luz. Em seguida Becquerel em 1840 percebe a reação do dicromató com amidos utilizados em encolagens de papéis.

Alphonse Poitevin em 1855 aplica dicromatos na produção de cópias fotomecânicas. Em 1858 utiliza uma solução coloidal com dicromato, mel e goma arábica. É o primeiro a adicionar pigmento no processo.

Henri Garnier e Alphonse Salmon em 1858 fazem pesquisa com citratos férricos mas abandonam para uma fórmula com dicromató de amônio e açúcar que posteriormente se utiliza para transferência em superfícies cerâmicas.

Um positivo é necessário para a técnica. As partes protegidas de luz U.V. continuam grudentas e o pigmento em pó fica grudado nessas áreas.

fonte: Christopher James – The Book of photographic alternative processes – 3. edição

Kent Wade – Alternative photographic processes

 

 

 

 

cianotipia, cianotipie, cyanotype, cianotipija, cianotip

Esta técnica que oferece tons azuis num papel é feita a partir de dois químicos, citrato férrico amoniacal verde e ferricianeto de potássio. Junta-se os dois e está pronta uma solução sensível ao espectro de luz ultra violeta. 

Simples assim, com um pouco de sol e vualá! Lava-se com água e terá um resultado bem bonito.

Quando comecei a estudar fotografia ( lá vou eu pros primórdios) eu havia lido sobre a técnica e não tinha entendido nada de como fazia. Parecia tudo muito secreto e escondido e eu imaginava que um dia ia entender melhor. A questão era que esse tipo de informação fui procurar em português e na época pouca coisa tinha disponível na internet. 

Mas é simples assim como a luz que nos “alumia” e complicado assim como com as coisas que a gente não entende. 

Fórmula:

A- 25 g citrato férrico amoniacal verde + 100ml água

B- 10 g ferricianeto de potássio + 100ml água

Guarde separado. Para uso misture 1 parte A + 1 parte B ( ex:20ml A+20mlB) – já faz bastante foto, acredite.

Expor em mesa de luz UV ou no sol. O tempo varia de acordo com a intensidade de UV. 

Lave a imagem por uns 3 minutos. Muita água faz a imagem ficar mais fraca e você gasta mais água.

 

Daí tem gente que não gosta do azul. Isso não é de hoje, historicamente considerado de baixa qualidade.

Tem a possibilidade de fazer viragens, caso enjoe da cor. Muita gente faz com ácido tânico, encontrado em alguns chás, daí viragem no chá, no café, com seiva de plantas..

Fiz uma vez a viragem que deixa com tons roxos, a partir de ácido gálico.

Resolvi escrever sobre esta técnica porque achei uma foto de oficina em Sorocaba no Sesc de lá e fizemos com o sol.

 

Imagem

um fotograma tomando solzinho..

 

Imagem

depois as imagens prontas secando.

 

Aproveitando para linkar uma coisa na outra, semana que vem tem curso de cianotipia em Pinheiros-SP com a Simone Wicca

dia 7 de julho 20h e seguem informações maiores aqui: wiccaverna 

Kits de Fotografia Alternativa

Em toda atividade de fotografia alternativa sempre indicamos locais para compra dos químicos, não apenas eu mas todos aqueles que fazem esse tipo de processo. Percebi ao longo dos anos que a quantidade acaba se tornando proibitiva, afinal, 500g de um  500g de outro e a casa de cada um viraria um arsenal de químicos, sendo necessária uma estrutura grande para comportar tudo. Por sorte eu disponho de um espaço bom para isso, mas confesso que tem mais coisas do que posso guardar. Penso que seria muito mais legal termos material de fotografia mais acessível, pois foi algo que levei muito tempo para conseguir.Pensando nisso resolvi montar kits para alguns processos. Já preparados, prontos para uso.

Atualização 02.06.2016 – resolvi dar uma parada com os kits. A minha intenção nunca foi de lucrar com isso, mas de tornar os processos que tanto amo mais acessíveis.

Só que me tomam um tempo pra fazer e agora estou com novos projetos pela frente. Nesse meio tempo entraram em contato pessoas de várias partes do país e fiquei feliz de saber que há um interesse sobre as técnicas. Hoje, depois de ver os resultados de uma turma numa escola fazer cianotipia  e ver que isso foi o resultado de um professor muito dedicado, acho que já valeu muito a pena. Já posso parar por aqui.

Estou partindo para novas pesquisas, então a quantidade de químicos que vou comprar vai diminuir. Penso que já fiz meus tributos a Herschel, a Poitevin, a Talbot. Falei tanto e tanto sobre cianotipia, sobre papel salgado, sobre goma bicromatada. Escavei Wedgwood e nas aulas dei meu reconhecimento sobre sua pesquisa, porque para mim a história da fotografia devia ser contada a partir dele sim. Só não falo mais sobre a história em aulas porque não tenho abertura para isso, mas eu teimo em olhar para aqueles que ficaram transparentes, escondidos embaixo das experiências sem reconhecimento que fizeram.

É o que eu preciso continuar. Arrastar o tapete e procurar o que ficou para trás.

Agradeço a todos que confiaram nos meus kits, sempre fiz com carinho.

Cursos novos de 2013

Tenho demorado a escrever aqui. Perdoem a minha falha. Vou tentar colocar mais referências e outros textos com frequencia maior.

Bom, hoje começa no Sesc Pompéia o curso de Processos Fotográficos Históricos, período noturno, como muitos já pediam há tempos.

Desta vez resolvi priorizar a ampliação de negativos em filme gráfico, acho que para termos bons resultados precisamos tentar controlar mais a matriz, pois na transparência ficamos limitados à qualidade da impressora.

Maiores detalhes oficinas.sescsp.org.br

Marrom Van Dyke

Sol. A
33ml água destilada
9 gramas de citrato férrico amoniacal

Sol. B
33ml água destilada
1,5 gramas de ácido tartárico

Sol. C
33ml água destilada
3,8 gramas de nitrato de prata

Para preparar o marrom van dyke se mistura as três soluções SEPARADAS. Junta-se A+B depois A e B + C.
Secar e expor em luz ultravioleta. Dar uma lavada antes do fixador, vai escurecer um pouco. Fixar em solução de tiossulfato de sódio a 5%, menos de 5 minutos, se a imagem escurecer muito rápido pode retirar antes e lavagem final de 10 minutos.

Fizemos novamente esse processo no Sesc hoje, mais informações, fotos do curso e o que estamos aprontando, acesse: http://oficinas.sescsp.org.br/blog

Pra tudo a gente tem que ter bom senso..

Sim. pra tudo.
Quando eu digo que precisa usar avental pra lidar com químicos, é pra evitar tragédias sim.
Luvas então nem se fala.

Tudo tem motivo nessa vida, ou assim deveria ser.

Quando manipulamos químicos precisamos tomar cuidados. Tomar cuidado nunca é demais. Evita dores de cabeça e muita peça de roupa manchada.

Quando se aventurarem a fazer processos históricos lembrem dessas pequenas atitudes que valem muito. Luva, avental e sapato fechado. Se for uma pessoa muito sensível pode ser que utilizar uma máscara seja esperto.

Pra tudo temos que ter bom senso. Se a gente não cuida do próprio corpo, quem vai cuidar?

Esse é um dos posts mais importantes sobre esses processos, e vou dizer o por que.

Quase todos os químicos utilizados em fotografia podem irritar olhos, nariz, garganta e pele.

Exposição a alguns químicos como cianetos e solventes pode causar dores de cabeça, fraqueza, tontura e confusão. Exposição prolongada a cromatos pode causar úlcera de pele. Outros químicos podem causar queimaduras em pulmões e pele devastadores, e se atingir seus olhos, causa cegueira, como ácido oxálico e nitrato de prata.

Em laboratórios fotográficos a maior causa de problemas relacionados à saúde se dá quando os artistas comem e bebem dentro do laboratório. Por isso a proibição do consumo de alimentos nesses locais.

Dicromato contém Cromo VI, cancerígeno em humanos, alergênico, irritante ocular e do trato respiratório.

Manipular químicos com as mãos desprotegidas também é bem perigoso, uma vez que podem passar pela pele e entrar na corrente sanguínea. Por isso, luvas!! Eu uso a luva nitrílica, específica para químicos.

Muito cuidado com a ventilação do local. Inalar os químicos também faz mal!!
É impossível utilizar a cozinha ou o banheiro, pense que você pode contaminar você, sua família e qualquer um que estiver visitando sua casa!

Se não há possibilidade de arranjar uma espaço apenas para isso, pense em comprar uma capela, ela é ideal.

Guarde os químicos em potes bem fechados. Eu costumo etiquetar com nome do químico, nome de quem preparou e data. Longe do alcance de crianças!

Fontes:
http://www.alternativephotography.com/wp/processes/health-and-safety
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dicromato_de_pot%C3%A1ssio
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nitrato_de_prata

Christopher James

Um autor de processos históricos que sempre cito é ele. Fotos bem legais, e um dos dois livros que foram fontes de pesquisa em anthotype. Não havia achado em mais nenhum além desses.

Capa do livro - Christopher James

Cianótipo em Agosto no CCJ

Em agosto teremos mais uma oficina de Cianotipia no Centro Cultural da Juventude.
Com orientação da fotógrafa Patrícia Yamamoto, professora do Bacharelado em Fotografia do Senac.

Cianotipia de autoria de Patricia Yamamoto

Cianótipo de Patrícia Yamamoto

Um processo fotográfico que oferece tons azulados, podendo ser feito em papel ou tecido.