Pinhole e as maneiras de se enxergar

Vou dizer que pinhole pra mim é uma técnica bonita e sensível porque permite ensino com poucos materiais e pode ser tão boa quanto uma fotografia com a melhor lente. É, como digo nas aulas, algo que se usado bem e compreendido como qualquer câmera de qualquer fabricante, um equipamento de vasto alcance. Também, acho a técnica mais democrática, justamente pelo fato de podermos construir nosso próprio equipamento.

Resolvi escrever sobre isso porque dou aula particular para uma pessoa que afirmou esses dias que não vê graça na fotografia sem lentes. Eu entendo o ponto de vista dele, para alguns realmente não faz sentido construir uma câmera. Se o que se busca é a estética e o resultado de uma câmera industrializada, pinhole é algo meio fora do comum.

Por isso que eu, com meu Urano na casa 1, acabo naturalmente nadando contra a maré em muitos sentidos e apesar de eu tentar ser meio dentro da caixinha, nunca consegui muito.

Sei que fotografar com latas, por exemplo, deve parecer muito pouco prático para alguém que já está adaptado a um equipamento pronto para fazer o que precisa fazer, com todos os controles e ajustes disponíveis. Parar pra pintar, furar e adaptar uma singela lata soa cansativo e trabalhoso, para no final talvez gerar imagens pouco precisas e com a grande possibilidade de erros sem previsão de saber o que está no quadro. Eu não acho muito prático mesmo, tem que fotografar só uma e revelar, ainda vai ficar no papel fotográfico, que nem sempre é um resultado como poderia ser num filme com mais qualidade e tons de cinza.

E dá um ar de muito trabalho mesmo se pensar no imediatismo da fotografia digital que dá pra ensinar, dá pra fotografar… mas ainda me pergunto se o digital é mesmo acessível e se só tocar a tela é suficiente pra pensar em algumas questões e desenvolver a mesma proposta de uma fotografia que está conectada a essa materialidade do fotossensível. Acho bom também esse tempo lento pra desenvolver o tato, pensar no olhar e absorver informações sobre a luz, a prata, a distância entre o papel e a lente ou o furo de agulha. Dar pausa ao cérebro para conectar a possibilidade de usar a luz, o espaço e ter esse resultado palpável e possível de ser segurado com as mãos. Me parece que se deixarmos a indústria da tecnologia fazer tudo e consumirmos tudo que querem que a gente consuma, logo não vamos saber fazer o básico.

Fotografia Pinhole de participante (Sr. Mitsuo) no Sesc Pompéia – faz tempo que já publiquei essa imagem aqui. Essa distorção própria da lata.

Oras, vá que é bem o tipo de resultado de alguém que quer ir contra todo equipamento fabricado industrialmente, construído para ser a representação bidimensional da realidade, quase perfeita. Aquele tipo de câmera ótima pra quem é bem materialista e consumista, que custa caro e muitas vezes é exibido quase como um troféu. :). – tem dessas né, cada um é feliz com uma coisa.

Só que puxei do meu pai a curiosidade com tudo e eu preciso me segurar muito pra não querer aprender e fazer de tudo. Muitas vezes eu aprendo coisas porque eu preciso. Mas se eu pudesse estudaria mais um tanto de outras.

Reforço que a proposta da camera obscura e pinhole em consequência tem pra mim maior impacto mesmo no ensino. E vi coisas muito bonitas, que honestamente, valeram todos os anos de pesquisa.

Por exemplo:

Nesta foto que foi em Registro, acho que foi quando a unidade do Sesc inaugurou

O menino na foto fez sua câmera obscura e meio sem saber o que era a atividade na verdade, chegou quieto e meio apático. Quando fomos para a área externa e ele entendeu o que estava visualizando ele pirou. Pof! Começou a associar a várias coisas, a ligar com a luz, como forma a imagem, o que dá pra fazer. Filosofou sobre a vida, basicamente. (e ele tava com a camiseta das tartarugas ninjas, eu gostava muito quando era nova 😀 – acho que o meu preferido era o Raphael)

Foi quase como quando eu fazia as lentes de óculos, que não lembro se já comentei aqui. Eu comentei sobre isso numa palestra sobre fotografia analógica na Casa da Imagem (acho) e o Fausto Chermont até acordou na hora hehehe. Mas eu cortava lentes de óculos e éramos contratados para fazer óculos para muitas crianças. Uma empresa de seguros pagava tudo, eu só tinha que ir no mesmo dia que os médicos para fazer as medições e depois testar tudo nas crianças. Fiz isso também para empresas que cuidam de rodovias, muitos caminhoneiros com graus altíssimos… Enfim

Acontecia de crianças terem grau muito alto e a família nem sabia que precisava de óculos. Na fila tinha um menino com cara de sono, cansado. Não concentrava o olhar em nada. Ele sentou na minha frente e coloquei os óculos já ajustados no seu rosto, era um grau entre 5 a 8 graus talvez.. Ele finalmente me olhou naquele momento, bastante tempo me olhando, como se tivesse despertado e eu percebi que ele realmente começou a enxergar pela primeira vez na vida. E começou a scanear todo o ambiente com o olhar, percebia as formas, as pessoas, os objetos. A partir daquele momento eu sabia que todo aquele trabalho que eu não gostava de fazer, valeu a pena. E eu também sabia que eu precisava ir para outra área. Sem querer ou não, acabei trabalhando com os olhos e modos de ver em muitas atividades hehehe.

A reação do menino da foto e do menino dos óculos foram muito parecidas para mim.

Quando aprendi pinhole não tive esse encantamento, sei lá porque, mas queria ter aprendido antes. Vejo técnicas como ferramentas, não importa pra mim muito o tipo, o preço. Tento entender como funciona e aplicar.

Curiosamente, essas histórias são com meninos. Gostaria que fosse com meninas também, mas foram com meninos. De alguma forma eu sempre me senti um moleque na idade deles, porque eu fui criada apenas por meu pai e queria ser como ele, e era muito próxima do meu irmão, então eu parecia um menino até uns 13 anos acho. ( e também porque era meu jeito de me defender nesse mundo me escondendo um pouco) Acho que eu me realizo de novo, na vivência dessas crianças.

Outro relato que achei muito lindo na época e talvez já tenha escrito aqui. Uma vez fui dar curso de pinhole no Sesc Sorocaba e apareceu um pai com uma filha de talvez 20 e tantos anos. Ela fez a câmera calmamente e na hora de ir embora comentou que estava estudando em SP e que passava na casa dos pais nos fins de semana. Estava estudando medicina na Santa Casa e quando podia aproveitava para fazer alguma atividade do tipo para “lembrar que ainda é uma pessoa.”:)

Pinhole Day

Vai ter no Lab da Simone Wicca na Lapa, dia 30 de abril – turma da manhã eu estarei. Na turma da tarde será Wicca e Angeloni

Tem material incluso, dá pra fazer fotos e postar no site do Dia Mundial Da Pinhole!

E gosto desse evento porque talvez quase sem querer nada, acabou virando trabalho. Nesta edição fazemos uma homenagem a nossa amiga Fatima Roque.

https://pinholeday.org/events/?id=4034

Para se inscrever é só preencher o formulário:

https://forms.gle/GTiDkJ1etFjjTfEL7

Na turma da manhã estarei eu e Simone e na parte da tarde é com ela e com Edison.

nosite oficial será onde postaremos a imagem pinhole produzida no dia

As experiências que não cabem num blog

acontece tanta coisa no cotidiano de uma pessoa lenta como eu que não consigo dar conta de me expressar a tempo.

Nesses tempos pandêmicos me peguei pensando e me cobrando muitos erros e quando voltaram as atividades presenciais eu fiquei num misto de insegurança e timidez junto com alívio e vontade de ver as pessoas. E digo que deu alívio de ver até quem eu não gostava. E mesmo não gostando muito de alguém tenho tentado entender mais esses outros personagens da nossa vida.

As últimas atividades que realizei foram tão interessantes que gostaria de compartilhar um pouco por aqui. Não que as atividades passadas não fossem, só que percebi que não escrevo muito sobre o que fiz.

A primeira viagem mais longa que fiz depois do começo da pandemia foi para Registro, para o curso especial de fotografia no programa do Curumim de lá. Eu gosto de Registro porque foi em 2016 que a unidade do Sesc inaugurou no prédio do KKKK e fomos fazer oficinas de fotografia. Poucos meses antes de fechar o trabalho eu tive um sonho. No sonho eu viajava para o Japão e era noite, chegava naquele lugar diferente. Só que chegando no hotel tinha um Sesc. Daí eu pensei – uau, tem Sesc no Japão! 🙂 Poucos meses depois fui parar em Registro, que tem muita influência dos imigrantes japoneses. Quando lembrei do sonho achei muito divertido.

E no Curumim a proposta era atividade pinhole para comemorações do aniversário de cem anos do prédio KKKK. Fizemos fotografia com latinhas junto a fotografia de celular para as crianças de 7 a 12 anos.

o portal indica o local por onde desembarcaram os imigrantes japoneses

Apesar de ter sido construído para uso dos imigrantes japoneses o projeto segue uma estética inglesa e foi projetado por um argentino. Nos dias de foto pinhole choveu muito e não deu para explorar tanto ângulos e distâncias. Quando percebemos que a semana seria de muita chuva, preparamos de backup os tubinhos de filme, que deveriam ter um tempo menor de exposição comparado às latas que temos, de cerca de seis centímetros de diâmetro.

O Sesc Registro KKKK

Com crianças, com chuva, com pinhole – a tarefa não seria fácil, ainda mais revelando com apenas uma pequena caixa de revelação. Deixamos os furos de agulha um pouco maiores e testamos tudo antes. Mesmo assim uma ou outra foto não saiu.

O que usamos para a atividade pinhole:

  • caixa de revelação – feita por mim. Parece uma casinha de gato. 🙂
  • bandejas e pinças para revelador e fixador (não tem espaço para interruptor)
  • latinhas prontas pinhole – essas compramos a lata, furamos, pintamos, fizemos furo em alumínio e vedamos bem.
  • papel Ilford PB – neste caso foi o brilhante, porque é mais fácil de sentir qual o lado certo sem enxergar a superfície lisa. pré cortado, guardado em caixa pequena.
  • Revelador e fixador – eu que fiz – Dektol e F24 – podia ser parodinal e outro fixador
  • lâmpada vermelha – porque para carregar as câmeras e testar usamos o quarto do hotel mesmo como laboratório. coloquei o cobertor na janela – que não tinha blackout – ligamos a lâmpada meio longe e ficamos no chão para revelar. Se fosse fazer tudo na caixa demoraria muito.

As aulas eram terças e quintas, então tinha a quarta para fazer ajustes e consertar alguma coisa. Só à noite tinha uma aula de fotografia de celular para empresas então dava pra revisar e se preparar para essa aula durante a tarde.

A construção da pinhole pode ser feita de forma bem lúdica, só fazendo furo de agulha, vedando qualquer outra entrada de luz e pronto. No entanto, para ter um controle dos resultados e não ter muitas decepções pode-se calcular o tamanho de acordo com a distância entre o furo e o plano em que ficará o papel. Existem diversas tabelas de cálculos. Mas toda vez que falo de cálculos nas aulas de fotografia tem gente que já começa a tremer o olho, ter tique, até esquece de respirar. (no começo achava isso muito fora do comum, porque meu irmão era da física e minha irmã se fala uns números perto dela, porcentagens, ela já calcula tudo de cabeça quase nunca precisa de calculadora.)

latinhas em cima da caixa de revelação. Elas apontam para Shakira – Ela quem dá a vez da fala do Curumim

E na atividade estava projetada a fotografia com celular. O que achei curioso é que pensei que as crianças fotografavam muito mais com um celular mas percebi que no caso dessa turma não era bem assim.

quando vê a imagem positiva achou mágica de novo

Ao explicar sobre essa fotografia as respostas sobre o funcionamento foram relacionadas às ciências por alguns. Outros diziam que era mentira, que a gente colocou uma imagem no papel antes, mágica. Essa relação ciência / misticismo – nem vou me ater a isso. Só que quando eu voltei pra São Paulo eu percebi que errei. Em nenhum momento elas viram a imagem como arte e eu não enfatizei isso.

Porque falando em arte fiquei procurando nas horas vagas algum lugar que vendesse a produção local da cidade, artesanal ou produção da própria cidade, já que o Mercado Municipal estava em reforma. Foi difícil achar alguém que soubesse que eu não queria coisas da China… da primeira vez que fui à cidade encontrei uma loja que vendia o chá produzido na região porém não me recordava onde era. Depois encontrei!

Imagem do Google – não tem mais a plaquinha mas tem a loja ainda sim

A Casa Watanabe fica ao lado do Sesc. A placa não existe mais e a loja fica aberta por poucas horas por dia. Os donos estão bem idosos e as filhas cuidam deles. Lá encontrei o chá artesanal da região.

achados da Watanabe – tem muita banana em Registro – a fruta que mais gosto

É uma família incrível. Dona Conceição tem uns 90 anos e adora drama coreano. Ela e sua filha Ana viraram minhas amigas em poucas horas de conversa e já tenho saudades delas. Todos os filhos de Conceição têm alguma relação com arte; desenham, pintam, tocam instrumentos musicais mas nunca seguiram profissionalmente.

Ela diz que odeia o balcão (da loja) porque passou muito tempo lá. Eu entendo. Quando a gente se sente preso a algo que não gosta é como um enclausuramento. Ana disse que quando os pais falecerem ela não vai querer mais tocar a loja. Por um lado não deixa de ser uma perda, pois o local parece quase um patrimônio da cidade. Mas posso compreender sua decisão.

No meio disso estava com a atividade de Retratos em Pinhole no Sesc Bom Retiro aos sábados, 10 e 24 de setembro. Este último seria Dia do Cianotipo e planejava fazer algo junto a Simone mais uma vez.

Aí encontrei a loja Das Manas, produtos regionais do Vale.

então dia 17 poderíamos fazer o cian já que dia 24 voltaria ao Bom Retiro para a atividade ligada à expo do Penna.

Eu levei a câmera Fa pra fotografar comigo. A pinhole de madeira. Como eu sabia que não teria muita luz, tive que fazer umas adaptações nela, senão o tempo de exposição seria catastrófico.

Tive que modificar o pinhole e aumentar bastante a entrada de luz. Compremeteria a nitidez mas era ambiente interno e eu sabia que mesmo com luz artificial seria bastante tempo de exposição.

Arte também salva. ela tem me salvado 🙂

Era para ser realizada na entrada da unidade só que alteraram o local. Por isso imaginei que eu tivesse menos luz do que o espaço principal. E foi isso mesmo. Apesar de parecer que não, a intensidade de luz era bem menor. Tenho optado por aproveitar o máximo a luz do sol possível nesse retorno pós começo de pandemia. Antes eu levava fontes de luz muito fortes, mas as pessoas se assustavam muito com a luz do flash.

Quinze segundos

Bom, sobre o cian com a Simone, ficará para o próximo post. Essa acima foi a última foto da atividade no Bom Retiro. Vieram dois amigos e tirei a foto dos dois. Depois um resolveu que queria dar uma foto para a avó, acho, e mais uma para a namorada. Então tirei fotos individuais. Eles ficaram super empolgados em fazer as fotos e ficaram próximo na hora da revelação. Na pressa, acabei riscando um pouco a chapa. O RX risca fácil.

Esse primeiro contato com a imagem analógica e um tanto experimental sempre me traz as mesmas frases em locais diferentes. Sempre ouço algo do tipo “foto antiga” ou “como era antigamente”. Mas das crianças eu não ouço esse tipo de frase. É um descobrimento, algo novo, fora do comum. E quando alguém fala que algo é antigo percebo que fico o dia todo pensando. O que é antigo?

Queria poder ter mostrado a eles a revelação na luz vermelha, que nessa atividade nem luz vermelha teve. Revelei dentro de um tanque escuro a imagem das pessoas que foram atingidas pela luz num determinado momento em determinado espaço e espero tê-las atingido de alguma forma, não somente como a pessoa que faz umas fotos antigas (que estão sendo feitas naquele momento, então não entendo a palavra antiga). Como essa fotografia nunca saiu de mim eu não entendo dessa forma.

Eu espero que a experiência de ser fotografado e mesmo que numa atividade tão rápida sobreviva na memória e que em algum momento isso ajude a pensar e refletir sobre a própria vida, o tempo e talvez no próprio eu.

Retratos Pinhole e Curumim em Registro

Hoje estou aqui para uma notícia urgente. Vai ter sábado uma atividade no Sesc Bom Retiro em que farei retratos em pinhole, dias 10 e 24/09 das 12h às 16h – sendo que a última hora é mais pra eu revelar e o pessoal pode buscar depois.

É uma atividade ligada à exposição do Penna Prearo que está acontecendo na unidade. Me procuraram para fazer uma oficina de pinhole e baseado na info de que teria a expo dele, pensei em fazer retratos, primeiro porque eu gosto de retratos, segundo porque algum tempo atrás Penna e Guilherme Maranhão faziam uma intervenção que era fotografar as pessoas em raio X e os retratados eram convidados a serem retratados com sacos de papel na cabeça. Minha ideia é de fotografar as pessoas em pinhole e depois o retratado vai buscar a foto. Mas ela tem que se reconhecer no meio dos negativos expostos no varal. Será que dá certo? Não deixa de ser um exercício e uma brincadeira.

Vamo trabalhar Fa
Está com obturador de Holga

Ganhei a frente de uma Holga e acoplei nela. Hoje terminei os detalhes e parafusei tudo. Amanhã vou testar a luz que preciso para iluminar as pessoas. E sobre essa modificação ainda vou escrever mais, já que estou terminando algumas adaptações em câmeras de madeira.

Outra atividade mas que não será aberta ao público acontece em Registro – SP. Junto com o Edison Angeloni faremos atividades em comemoração ao aniversário do prédio KKKK onde funciona o Sesc Registro e serão aulas de pinhole para o programa Curumim. Aliado a ideia da imagem estenopeica vamos utilizar o celular e falar um pouco sobre algumas possibilidades da tecnologia em smartphones. Ministraremos também aulas de fotografia de celular para empresas parceiras do Sesc.

Fomos a esse Sesc quando inaugurou e fizemos duas atividades para o público. E retornar a unidade para um especial voltado a arquitetura do espaço é algo que me deixa muito feliz, já que tem a ver com a história do local.

Fico contente quando alguém me diz que procura alguma informação e acha meu blog. Melhor ainda é quando alguém me mostra que fez algo a partir das informações aqui e deu certo! Nos últimos meses foram três situações em que comentaram sobre o blog. Eu preciso rever o que já postei e verificar o que está faltando, o que farei após outubro.

Câmera de madeira Roque com pola pinhole

sim! demorei pra fazer um post sobre essa câmera.

Na continuação das câmeras pinhole de madeira portuguesa, o próximo capítulo seria mostrar a reforma da Fá (a câmera para chassi 4×5) mas a verdade é que minha “oficina de marcenaria” inexiste e cada semana me deparo com algum desafio estrutural

Um belo dia eu olhei para a Roque, largada na minha bancada tentando respirar em meio ao pó e percebi que eu estava demorando muito para testar sua visão.

A Roque (Ro) foi feita para fotografar com polaroid, segundo a Fátima. Então como não deixa de ser uma homenagem que faço a ela, eu precisava terminar o projeto do jeito que deve ser. Para quem não leu os posts sobre a câmera de madeira portuguesa, essas câmeras eram de uma fotógrafa, Fátima Roque, que mandou fazê-las em Portugal e foram feitas por um artesão de lá. Mas elas nunca foram terminadas pois tinham alguns erro de projeto e a Fátima deixou as câmeras comigo e eu disse que ia consertar. Minha intenção era consertar para ela usar. Eu não imaginava que eu não ia conseguir retornar as pinholes para a Fátima, que faleceu alguns anos atrás e fiquei um tempo sem saber o que fazer.

Um dia achei que seria um desperdício ficar só na tristeza com as câmeras inacabadas e então tudo que faço com elas é uma intenção de continuar viva a memória dessa fotógrafa e prestar de algum modo uma homenagem.

ela é quase quadrada, o que dificulta um pouco o projeto

A dificuldade com essa câmera é que a proporção é muito diferente para um back polaroid. Eu teria que preencher um espaço de tal forma que não prejudicasse seu design de câmera artesanal. Coisa que eu ainda não consegui resolver.

Mas segui a mesma linha de pensamento para a Fa, de testar a câmera provisoriamente e ver se é necessário o ajuste de distância. Cortei uma parte dela, fiz uma parte de foamboard e encaixei o back com fita isolante. O furo feito na madeira é muito pequeno para uma parede tão grossa. Tive que aumentar a abertura de um jeito não muito bonito e fiz um pinhole provisório.

penso em cortar uma peça circular para a frente e fazer um furo em alumínio preto. mas por hora serve assim

Fiz o cálculo de distância entre o filme e furo, calculei a tabela de exposição e carreguei o chassi polaroid. Eu ainda tenho um Fp100C para back hasselblad. São meus últimos filmes. Depois disso acabou pra sempre provavelmente. Talvez eu converta para um back médio formato da mamiya ou para chassi de grande formato, já que a chance de conseguir mais pola é quase nula.

primeira foto

O dia estava nublado e o filme já está vencido. Por isso o desvio de cor eu já esperava ser grande. Conta também que pode estar entrando luz em alguma parte da câmera e isso pode afetar a cor. Deixei um minuto e meio e claro que eu não queria nem ficar com a cabeça parada esse tempo todo.

Temperatura 20 graus, a revelação é de 2 minutos. Só puxar a lingueta e esperar. Fiquei bem feliz com o resultado apesar de estar escuro, porque o dia estava bem escuro e chovendo muito. Eu precisava de algo pra me dar algum ânimo, já que esse ano não foi nada fácil.

fui no Parque Augusta para fotografar com ela.

Resolvi testar mais um dia. Mas novamente estava chovendo e nublado. Ainda assim quis testar e fui pra rua.

Parque vazio.
resultado.

Um minuto de exposição, 2 minutos de revelação a 20 graus. Agora vou testar com um filtro laranja ou magenta pra cortar um pouco desse azul e coloco mais fotos aqui. Eu queria colocar o passo a passo de como modifiquei mas ainda estou nesse processo de ao mesmo tempo não ter um lugar de trabalho definitivo e ficou com um projeto de câmera impreciso e bagunçado. Testando materiais e etc. Estou pensando em terminar com partes de aço ou alumínio. Uma indecisão sem fim

Câmeras de madeira portuguesas sim senhor

A história é longa.  Vou fazer por partes.

Hoje escrevo um pouco sobre duas portuguesas. As câmeras pinhole (que deveriam ser pinhole) que recebi da Fátima Roque. Vou começar pelas câmeras.

Esta é a Roque, da esquerda. Da direita é minha pinhole polaroid.
Esta é a Fátima. Junto com o chassi de 4×5 para a qual ela foi feita.

Até onde sei ela não chegou a usar, porque as duas estavam com dois problemas de cálculo. E perfeccionista do jeito que era, acho que ela sofreu quando viu que estavam com problemas. Digo que deveriam ser câmeras pinhole (entre parênteses lá em cima)  porque não foram completadas. Faltavam detalhes, ainda nem estavam pintadas por dentro, sem acabamento, sem obturador que funcionasse, sem vedação, sem teste. Câmera sem teste ainda não é câmera.  A primeira era para polaroid mesmo, porém não sei se foi feita para um back pola específico. Resolvi adaptar para um back médio formato da hasselblad. Originalmente o back era para polaroid, mas de fato será usado com filme fuji fp100c.

A segunda câmera está linda mas o chassi ficou mais no alto, o que faz com que a câmera não alcance todo o filme no chassi. Parte dele fica “batendo” na parede de cima. Só que antes de fazer o ajuste necessário, achei melhor testar o ângulo de visão dela e depois fazer a cirurgia.

Para isso fiz um obturador temporário.

Como ela está como grande angular acho que vou fazer algum ajuste para ela ficar um pouco mais fechada, para um ângulo mais normal, com menor distorção. E fiz um pinhole para a distância que está agora.

Eu adoro agulhas de acupuntura para construir as câmeras

Essas agulhas são usadas para acupuntura das mãos, a acupuntura coreana. (Dói demais) Muito muito tempo atrás eu estudei um pouco, já que meu pai estudou e em muitos casos me ajudou bastante. Só que aplicar em mim mesma é difícil. Hoje só uso para fazer as minhas câmeras, meu tratamento artístico medicinal. 😀 mas para esta câmera usei as agulhas de costura por causa do tamanho. É um pinhole temporário. Quero arranjar um metal mais resistente para essas câmeras, para não correr risco de ficar amassado.

Até fiz um post rápido no Instagram mas para mostrar os detalhes vou colocar aqui.

Agora vou explicar um pouco sobre quem foi a Fátima Roque. Ela foi uma fotógrafa e tinha um trabalho com pinhole. A família era de Portugal, ela sempre viajava para lá e um dia encomendou para um artesão duas câmeras de madeira. Para um artesão que não está acostumado a construir câmeras é realmente difícil entender a lógica do que se precisa para realizar um trabalho desse tipo. Por isso que quando resolvi montar materiais para fotografia, fiz eu mesma. Porque mesmo explicando, desenhando, com projeto e tudo, achar alguém que tope e faça do jeito que você quer é uma tarefa árdua.

E também vai uma explicação de família. Meu papi sempre construía o que ele precisava. Eu, filha do meio e curiosa feito um detetive, perguntava de tudo. Até perguntei o motivo dele fazer e montar quase tudo o que ele precisava. Daí ele contava que a mãe dele fazia tudo. Pra ele não tinha empecilho. Se você quer algo é só ir atrás. A mãe dele fazia o tecido, costurava as roupas, fazia sapatos, fazia a comida, plantava a comida, medicava os filhos. Se não tinha remédio, coloca umas agulhas que dá certo.  Então a teimosia passou de geração em geração.

Ele aprendeu assim, de certa forma eu peguei um pouco desse pensamento. Porque na época ela não podia pedir para alguém e mesmo se tivesse como pagar nem tinha quem fizesse.  E a vida é esse acumulado de aprendizados enfim.  Eu muitas vezes até conseguiria pagar alguém para fazer. Difícil foi achar alguém que quisesse. Por exemplo na costura. Já pedi encomendas que a costureira não queria fazer de jeito nenhum. Entendo. É fora do padrão e leva mais tempo pra entender e conseguir fazer. E muitas vezes quando faz o cliente diz que não era aquilo e volta a consertar e por aí vai. Daí fui eu aprender a costurar.

A melhor ferramenta é a que você tem nas mãos. Se você consegue achar alguém que faça ou se você mesmo vai tentar, o importante é ser teimoso e construir a câmera de madeira. As minhas não chegam perto do acabamento do artesão português. Pra eu chegar nesse resultado vai demorar muito. Mas as minhas funcionaram para fotografar, então isso é o que importa.

Agora vou testar e volto para mostrar os resultados.

Aulas do Sesc adiadas… e vamos fazer pinholes?

Como muitas atividades no país, as atividades do Sesc estão pausadas.

Enquanto isso eu estava acompanhando algumas lives que o pessoal ia fazendo, alguns vídeos sobre fotografia… pensei que eu poderia contribuir com alguma atividade no cotidiano das pessoas confinadas…

Desde o início do ano eu estou arrumando várias ferramentas e materiais, jogando material sem utilidade, arrumando livros e digitalizando meus cadernos e anotações.. então ter o que fazer eu tenho de sobra. 😛

Estava vasculhando todo meu material de faculdade (sim, guardei tudo) e achei alguns textos e anotações que espero que valha a pena pra alguns, ler aqui.

E resolvi fazer uma série de vídeos junto ao Edison Angeloni em que montamos uma câmera pinhole de caixa de fósforo. Está lá no @camerapreta e estamos montando um pouco por dia. A pinhole de caixa de fósforo foi uma das primeiras atividades de cursos e oficinas que ministrei dentro do Sesc e tenho muito carinho por esse tipo de câmera, que o Edison me ensinou e tudo foi se moldando a partir da câmera obscura.

 

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Materiais pra montar a camerita de fósforo (sem fósforos)

 

E so para oficializar, FroFA somente semestre que vem.

A mesa de luz está em processo. (não esqueci) Logo mais posto aqui

 

 

Novembro: nova FRoFA, Bertioga e Osasco

Em outubro tivemos construção de câmera pinhole no Sesc Jundiaí, achei que tinha colocado aqui e esqueci. :/ :/ :/

Pelo menos ficam as fotos pra mostrar o processo.

Ainda tenho que mudar muita coisa nessa câmera, fiz esse modelo de tal forma que eu conseguisse montar com cerca de quinze a vinte pessoas em pouco tempo, por isso ela é assim. Funciona bem e logo mais posto material de como construí-la.

São quinze pessoas construindo as câmeras e terminamos a parte estrutural sexta feira, agora é testar. Deixei eles levarem as câmeras pra verificarmos se há entrada de luz. Coloquei um papel fotográfico dentro de cada uma, e elas ficam descansando até a próxima sexta, quando vou revelar os papéis e verificar se há pontos de luz.

Depois disso vou testar com eles com um pedaço de filme.

E estou organizando a feira de fotografia analógica, a FRoFA 5. Acontecerá dias 2 e 3 de novembro no IMS  Paulista, das 13h as 19h.

São dez expositores vendendo somente equipamento analógico.

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Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/1630880740379969/1638244002976976/?notif_t=plan_mall_activity&notif_id=1571503762201292

 

Estaremos em Bertioga fazendo oficina de cianotipia e oficina de pinhole dentro da programação do revela Bertioga.

https://www.sescsp.org.br/programacao/209300_REVELA+BERTIOGA?fbclid=IwAR39zMeIwxx3_mhl-3SacJUt5R6Eib3r9qpoBrD4RoUfGFOqqDS871ClkM0

 

E farei duas atividades no Sesc Osasco no final de novembro. Mais detalhes logo mais.

 

muita informação de cursos, fotos e novidades coloco na página do Facebook Câmera Preta 

E no instagram @camerapreta

e meu instagrão pessoal: @a.beth.lee

Sobre pinholes ou fotografia de buraco de agulha

Estamos finalizando uma turma de pinhole no Sesc Carmo e cada Sesc para mim é uma casa, que às vezes retorno, às vezes só passo e fica uma saudade…

É que cada um tem uma recepção diferente. No Carmo eu sempre vou tomar um café e o moço que trabalha lá pegou um papel com o nome da minha atividade. “Fotografia no buraco de agulha…” e deu um sorrisinho. Aí eu achei graça e brinquei que ele estava rindo da minha atividade. Daí já me tornei a pessoa reconhecível e desde então a gente conversa antes das aulas.

Daí eu mostrei a câmera e então ele já sabe até quem são os alunos, já que eles andaram com a câmera pendurada vez ou outra, nos dias que a gente saiu pra fotografar.

Essas conversas não me recordo de ter em outro curso com alguém que não estivesse ligado à atividade.

Então lá eu criei esse ritual. Sempre que posso, converso com ele. Mostro os resultados.

Afinal desde o começo, café e pinhole se misturam. (no meu cotidiano)

 

Eu amo fotografar pelo centro. Sempre falo isso. Porque desde criança eu ia para lá ajudar meu pai, fui muito cedo na adolescência buscar peças pra ele e eu ia sozinha. Sempre gostei de andar na praça da Sé, acho bonito. Mas como tudo no Brasil, acho que está desvalorizado, as pessoas não sabem a beleza que tem esse país.

Fiz saídas com alunos do cursos técnicos e livres do Senac, do Sesc Belenzinho, da Afpesp. Muitas vezes acompanhei as saídas do Edison com o pessoal do Sesc Pompéia. Mas saída de pinhole é melhor, porque muitas vezes as pessoas não fazem ideia do que a gente está fazendo.

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Parte do meu pensamento quando reflito sobre porque faço essas câmeras se volta quase como uma vingança. Ou uma conquista. Quando conseguimos dominar os conceitos de se produzir uma imagem com uma caixa de papel preto, com um pequeno furo. Aquele sentimento de “eu sei porque você aparece, imagem. Você está sendo compreendida (pelo menos no seu aspecto técnico) por mim.”

 

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Ao ver a reação de algumas pessoas lembro do meu vizinho. Ele foi um dos primeiros moradores da rua. Quando era tudo terra, dizia ele. Assim que o campus da Usp foi construído, o entorno foi sendo habitado pelas pessoas que trabalharam nas obras. O meu bairro, Rio Pequeno (amo também) em parte teve suas raízes nesse momento, pois fica logo atrás da Usp. Esse meu vizinho, seu Luís, nem sei se sabia ler. Desde pequena sempre brincava comigo, de vez em quando dava umas piruetas pra me fazer rir.

Era um homem tão simples, nem portão sua casa tinha. Eram tábuas de madeira desalinhadas. Acho que ele gostava assim. Antes eu não entendia. Hoje acho que entendo ele.

Certo dia eu andava com minha câmera pinhole totalmente disfarçada pela rua. E ele já sabia o que era. “Isso é uma câmera.” De longe ele afirmou. Já nos seus setenta anos ele enxergava bem de longe.

A maioria das pessoas não fazia ideia.

Sinto saudades dele. Que esteja em paz.

 

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Revelamos nossos filmes. O pessoal tira o filme da câmera e já colocamos pra revelar na aula seguinte. Pra ver que funciona mesmo!! Utilizamos o filme Ilford PanF Plus ISO 50 e aproveitei para revelar com o revelador que eu fiz, da fórmula do D-76 Kodak.

 

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é uma câmera charmosa vai!

 

Acho que eu amo muitas coisas. Também amo revelar. Tenho um relacionamento muito sério com a fotografia. Ela esteve comigo desde meus 19 anos. Nunca me deixou, nunca me decepcionou. Só felicidades. Dela não me separo nunca.

E sim! Revelar um filme TODO mundo deveria revelar um na vida!!

Se tem algo que me acalma é entrar no lab (mesmo que seja adaptado, afinal o que não é adaptado no começo, não é mesmo?) Nesse momento você precisa sentir que a imagem vai dar certo com seus dedos, só com o tato, porque precisa colocar o filme no escuro total. Até hoje me lembro do meu primeiro dia de revelação.

O que a gente pensa muitas vezes é que talvez não saia nada. De certa forma a mente fica no escuro por não saber o que pode acontecer. Também achava interessante esse equilíbrio entre luz e a falta dela. Ao mesmo tempo que precisamos de luz, precisamos do escuro. O yin e o yang ficavam rodando na minha cabeça.

Eu não sei exatamente como é aprender a revelar um filme fora de um espaço de laboratório, apesar de ter ensinado a eles assim. Talvez a magia seja diferente da que eu percebo, porque afinal, não coloco eles num quarto totalmente vedado à luz para enrolar o filme na espiral.

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O Jão vendo seu primeiro filme revelado

Por essas questões que resolvi dar aulas. A pesquisa e os procedimentos me chamam a atenção. Tudo o que eu queria fazer era ligado à leitura de técnicas e processos que na maioria das vezes tinham pouco material bibliográfico em português. E o que tem e é muito bom está nas universidades, nas dissertações.

Este blog eu comecei um belo dia, ( era um belo dia mesmo) enquanto eu estava na faculdade. Uma imagem que fiz em infravermelho me fez ter essa vontade de mostrar  “as coisas que não se vê”. E mais pra frente explico o que foi isso.

 

Deixo uma frase aqui do Flusser que foi o segundo post do blog. Eu só citei, sem analisar porque acho que não precisa. Mas se você ler isso de noite, é pra dormir bem, se ler mais cedo é pra começar bem o dia.

 

“Imaginação é a capacidade de fazer e decifrar imagens.”

 

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Foto: Elizabeth Lee

Construção de câmeras pinhole no Sesc Ipiranga – Da foto ao objeto

Certa vez pensei sobre a possibilidade de inventar uma câmera que fosse uma outra coisa – eu tenho essa mania, de aproveitar coisas e materiais e de fazer objetos com mais de uma utilidade – e na fotografia não há nada melhor que a pinhole para unir essas inventices.

Baseado na ideia e trabalho de Jochen Dietrich, que montou câmeras em relógios e fez algumas oficinas sobre o tema, em que uma delas uma menina constrói sua câmera utilizando sua bota para fotografar.

Daí tive essa oportunidade de trabalhar dentro de um contêiner câmera e como ele foi transformado em câmera, porque não transformar outros objetos em câmera também?

Surgiu essa proposta e o curso começa amanhã no Sesc Ipiranga.

Eu só vou mostrar a minha no curso, que nem câmera ela parece.

Da foto ao objeto – Quinta e sexta 18 e 19/6 e 25 e 26/6 19h Container Sesc Ipiranga

A formação de uma imagem pode ser realizada em qualquer compartimento vedado à luz. Neste curso, o participante fotografará com câmeras feitas com objetos, construindo a sua própria câmera a partir de algum material de uso do seu cotidiano com a finalidade de elaborar uma narrativa sobre si.  As câmeras serão testadas para verificar seu funcionamento e, as fotografias, reveladas pelos participantes em laboratório montado no interior do local. Ao final dos encontros, o desafio será deixar a câmera fotografando por seis meses, técnica chamada de solargrafia, na qual o papel ‘autorrevela-se’ após esse longo período de exposição

Link do Sesc