Cianotipia e a Pesquisa Botânica – Sesc Pompéia

Teremos mais um curso no Pompéia, desta vez na programação do meio ambiente. Farei junto com a bióloga Beatriz de Castro a atividade de coleta de plantas do entorno da unidade e utilizá-las como matriz para cianotipias.

Dias 17 de janeiro sábado 14h, 21 e 22 de janeiro quarta e quinta-feira 19-22h.v

Inscrições a partir do dia 7/1 às 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/cianotipia-e-a-pesquisa-botanica

Basicamente é um estudo botânico e catalogação de plantas, o que considero uma grande e bonita lembrança do trabalho de Anna Atkins. Para isso, trabalharei em conjunto com a bióloga Beatriz de Castro e agradeço muito o pessoal do Sesc por permitir um trabalho como esse, que me permite olhar para a ciência e a fotografia, lembrando de uma botanista/fotógrafa, primeira a publicar um livro de fotografias.

Curso 2º Semestre 2025 – Sesc Pompéia

O curso do Sesc Pompéia inicia em agosto – agora – e as inscrições serão no dia 6/8 para credencial plena e 13/8 para público geral. Sempre a partir das 14h

https://www.sescsp.org.br/programacao/anthotype-lumen-print-e-cianotipia-processos-fotograficos-artesanais

O curso vai ser um pouco diferente neste semestre. Serão 8 aulas, resolvi fazer técnicas mais possíveis de refazer em casa. E o curso começa bem no dia da fotografia então estou pensando se consigo fazer algo para comemorar a data com o pessoal nesse dia 🙂

Aproveitando que tem dia mundial da antotipia e dia mundial da cianotipia logo mais, seria interessante pro pessoal praticar essas técnicas nesse momento do ano.

Exposição Suportes da Memória – MIS

Esta semana depois da aula no Sesc Pompéia fui ver a expo que acontece no Museu da Imagem e do Som. Já queria ir para ver a exposição permanente de câmeras e do German Lorca que estava adiando e dei uma corrida lá na terça-feira (que aliás é entrada gratuita neste dia da semana)

Eu sabia que teria a exposição de alguns itens do acervo e de processos históricos. Fiz stories no instagram e muita gente me perguntou onde era, apesar de eu ter marcado o Museu. (especialmente pela parte das câmeras) Pelo que entendi, fica até dia 22 de junho de 2025. Não consegui colar o link do site deles aqui – não permite visualizar por link incorporado. Segue endereço: Av. Europa, 158, Jd. Europa
São Paulo – SP – Brasil
CEP 01449-000

Adorei ver as imagens em albumina das represas da Cantareira – eu amo esse lugar – uma sala com a fala do Boris Kossoy sobre o trabalho do Hercules Florence, que acho que a gente devia dar mais atenção a ele. Os autocromos são necessários, as estereoscopias devem ser legais de ser vistas, gostaria de poder enxergar em 3D, minha mais nova mania.

a sala com o vídeo do Boris Kossoy

Os negativos em vidro

Tem a exposição permanente de câmeras

Breve História das Técnicas Fotográficas – Sesc Belenzinho

Em maio inicia um curso que eu gosto muito e dessa vez vai ser no Belenzinho.

As inscrições abriram ontem e é possível se inscrever pelo site ou app para credencial plena e para público geral será amanhã.

Datas: 29/05/2025 a 26/06/2025v quintas-feiras

Das 19h às 22h

https://www.sescsp.org.br/programacao/breve-historia-das-tecnicas-fotograficas

Eu tenho um carinho especial por esse curso porque história é muito legal.

Acredito que entender um pouco sobre o que se fez e como surgiu faz sentido para pensar em criar algo para o futuro. Ainda mais nesse país que teve um inventor da fotografia que ficou há muito tempo sem créditos.

Ciano, Antotipo e Foto PB no Belenzinho

Mês de abril tem mais um curso de fotografia no Sesc Belenzinho (Maio também tem)

Desta vez convidei o João Moreira pra falar um pouco sobre suas experiências e compartilhar o conhecimento sobre fotografia que ele têm pesquisado. O João é fotógrafo e ainda não trabalhava com fotografia até então, mas eu estou incentivando ele não somente como professora mas também porque vejo que ele é um pesquisador da fotografia. Vamos desenvolver quatro projetinhos neste curso: caderno com capa de ciano, marca-páginas a partir de antotipia, postal com lúmen print e fazer um retrato em papel PB.

Dia 24/4 a 22/5 – exceto dia 1º de Maio – das 19-22h

Sesc Belenzinho

https://www.sescsp.org.br/programacao/ciano-antotipo-e-fotografia-pb

ciano = a + b ou a ou b ?

Algum tempo atrás, enquanto eu preparava uma aula para o Sesc Pompéia e peguei um frasco de reagente para cianotipia, vi que tinha três frascos com datas de validade muito diferentes. Pra garantir que funcionaria naquele momento da aula, peguei o que sabia que estava bom mas surgiu a dúvida sobre os outros dois.

Aí num dia, enquanto aguardava os inscritos no curso chegarem provavelmente, resolvi preparar alguns mililitros de cada um para passar em um papel e fazer o teste. Terminou o curso, guardei o papel, esqueci na pasta. Virou o ano e ainda não tinha feito o teste.

Com a minha última mudança ficou um monte de material pra organizar. E sexta-feira estava organizando todos os meus resultados e papéis para utilizar. Achei esse papel e pensei – este final de semana é um bom momento para isso. Agosto e setembro começaram meio lentos de trabalho externo por aqui. Mas outubro mal começou e enfim tenho novos projetos que sei que tomarão mais dedicação minha.

Num papel neutro apliquei o reagente de 2014, 2003 e 2020. Coloquei um negativo qualquer e deixei exposto ao sol por um tempo.

pela diferença de tonalidade após a exposição parecia que ia dar diferença
acima 2014, meio 2003 e embaixo 2020

Ou seja, qualquer um dos três daria algum resultado. Então posso utilizar sem risco de não dar algo certo quanto aos seus funcionamentos. Levando-se em conta que foi um papel preparado na pressa e as quantidades em cada pedaço do papel não estão exatamente iguais.

Agora a explicação.

Muitos anos atrás eu ficava me perguntando algo que acredito que todo mundo que faz essa técnica há algum tempo deve ter se questionado. Precisa das duas partes? E se tiver só parte A? E se tiver só B? e se colocar mais de A ou mais de B?

E a esse respeito já explico faz um bom tempo durante as aulas. Existem várias formulações com proporções diferentes, existem variações de reagentes, fora o que já comentei sobre fatores externos que podem influenciar no resultado.

A verdade é que esta técnica pode ser realizada com os reagentes isolados, porém não funcionarão tão bem como da forma mais comum, parte A e parte B.

Neste teste utilizei apenas o ferricianeto de potássio (sim) que solo, vai demorar muitas horas mas forma o azul, de tonalidade talvez mais clara, tempo de exposição muito mais longo mesmo.

Então hoje eu acordei, vi o sol saindo e já coloquei lá fora. Voltei 18h para casa e processei a imagem.

processos químicos são precisos. O restante é imprevisível

Muitas vezes só vemos o que os outros produzem e parece tudo tão fácil e lindo. Mas a verdade é que tem muito trabalho envolvido. Vamos falar sobre as falhas e pensar nessas questões que fogem ao nosso controle?

Neste semestre aconteceram alguns fatos bem curiosos nas aulas de cianotipia, Osasco e Paulista. Imagens sumiram e voltaram, sumiram completamente. Acho que aconteceu pra eu escrever sobre isso.

Teve dia que tivemos problemas com papel, com luz, com tempo de exposição. A verdade é que é por isso que eu passo todos os dias. Dias bons e muitos dias ruins.

Já tive perda de mais de 40% do trabalho por causa de tipo de papel, sempre comento que teve turma de outros professores que num dia nada deu certo por causa de alguma contaminação. E tem gente que acha que a gente guarda segredo quando conseguimos fazer o processo. Neste fim de semana mesmo, resolvi mostrar o ciano em papel na aula do Paulista. Fiz um exemplo na hora e o pessoal foi fazer. Não sei o motivo, mas teve uma pessoa que não saiu o resultado de jeito nenhum, mesmo papel, mesma água, mesmo negativo. Simplesmente não saiu.

E por isso a escolha do papel acaba sendo bem importante. Mas fato é que muitas vezes na mesma folha podemos ter pontos com problemas, no mesmo tipo ou lote.

E quando isso acontece em aula é bom justamente para saber e identificar o problema na hora. Como a Carina, educadora do Sesc Osasco disse, é bom que aconteça pra gente poder entender os problemas. Não adianta ficar tudo mastigado e depois não saber resolver depois. Esta é a última semana do curso por lá e produzimos muitas imagens boas.

Quando faço um trabalho são cerca de duas semanas que preciso para fazer uma boa cópia, no mínimo, para um determinado papel. Entre preparar, tratar, testar, testar e testar negativo. Acertar contraste, densidade, controle de tons. Para montar um curso são testes de pelo menos dois meses. E muitas vezes por mais que eu teste e deixe tudo redondo, quando chega o curso sempre ocorrem imprevistos. E por quê? Bom, o ambiente é outro, a água muda, a iluminação eu não controlo e principalmente, nem sempre eu consigo acompanhar todo mundo em todos os passos. Até o tempo de exposição das caixas de luz muda, de acordo com o ambiente e uso da energia. Eu sei porque uma vez estava fazendo uma atividade ao lado do palco, o show começou e o tempo de exposição mais que dobrou, foi bem nítida a diferença.

Reações químicas são precisas como a matemática. Muitas vezes eu vejo tutoriais em que a pessoa não usa luvas. Se a ideia é fazer um controle adequado do processo, a luva também é o que vai garantir que não se terá contaminação de gordura ou sujeira que levamos nas mãos, além de proteger seu organismo de maiores exposições a reagentes. Todos esses fatores podem contar como problemas na imagem; papel (e nunca dá pra saber o que se coloca no papel hoje em dia), água, processamento, onde se apoia o suporte, antes e depois do processamento, contaminação pode acontecer.

foram no mínimo 5 tentativas para chegar nessa. uma tarde inteira.

Neste domingo teremos o último dia de atividade em ciano. Hoje percebo que exagerei em testar tantos materiais em tão pouco tempo. Mas minha ideia inicial é de que só seria prática e eu não explicaria coisas teóricas. Mas no final acabo explicando porque me perguntam e não dá muito tempo de fazer as coisas do jeito que eu quero. Mas enfim, condições ambiente que não posso controlar, temperatura e umidade, luz e água são os meus fatores imprevisíveis. Dá certo, só não fica perfeito. Verdadeiramente, é exatamente do jeito que eu faço sozinha, sem segredos, tentando múltiplas vezes e buscando soluções.

🙂

Papéis

outro dia nas aulas percebi que não havia colocado nenhum conteúdo sobre papel por aqui.

por isso vou deixar minhas impressões sobre o tema, para as pessoas que não querem gastar muito com papéis especiais.

Importante lembrar que aqui estou deixando um depoimento para quem está começando, não é para uso super profissional. Até porque se quiserem pular para algo mais específico para fotografia alternativa, é só utilizar um Platinum Rag para fotografia alternativa (não é para inkjet) ou um Arches Platine. (se conseguir um Herschel melhor ainda)

Nos cursos sempre busco alternativas mais fáceis de ser encontradas e com baixo custo. Recomendo especialmente papéis neutros ou aquarela e gravura. Para os últimos dois a regra é: lavar e acidificar.

Funciona sem lavar e acidificar? até funciona. Mas se você é daqueles que gosta de sofrer ou de roleta russa. Porque todos esses papéis são muito alcalinos então vai perder alguma parte do material químico na tentativa e erro.

Tentativa e erro é uma ideia que meu irmão, por exemplo, odeia. Se quer algo preciso, não fique sofrendo muito com tentativa e erro, já que a química é precisa nesse sentido. Do contrário, é preparar um material pra ver metade do seu trabalho sumindo depois.

Papéis de desenho não são minha escolha favorita também. Pelo mesmo princípio. Mas também porque em geral as fibras são mais curtas e a resistência acaba sendo baixa.

Acidificar: 10% de ácido cítrico e seja feliz. Vai economizar uma boa parte do seu tempo com isso.

Encolar: 3% de gelatina ou cola de amido. (odeio fazer cola de amido * ) CMC também é uma opção.

A encolagem se utiliza em papéis que estão absorvendo muito químico e acabam ficando manchados.

Papéis preferidos por mim para sofrer menos e não pagar muito caro. Gosto do Canson Edition de gravura. Mas depois da pandemia está sendo mais difícil encontrar. Custo baixo para um papel com parte de algodão. Fabriannos são maravilhosos. Filiset neutro é só alegria pois não precisa de preparo. Só que é fino.

Montval em folhas é uma opção também, apesar da textura. Eu só utilizo quando não encontro outra opção.

já os de gravura, prefiro recomendar os de prova. Porque de gramatura mais alta SEMPRE requer acidificação e encolagem. São lindos, macios e ótima textura. Mas demora pra preparar, é bom ter mais experiência.

*odeio fazer cola de amido porque tem que esquentar, é difícil de fazer em aula. Coisa que eu prefiro fazer sozinha sem pressa.

Onde comprar papéis:

  • Papelaria Universitária
  • Casa do Artista
  • Fruto de Arte
  • Led encadernadora
  • Molducenter (quantidades grandes)
  • Casa do Restaurador
  • World Paper (washi)

Cítrico, CMC – lojas de confeitaria, mercadolivre, rua das essências da Sé.

Posso usar vinagre? Digo que vinagre é caro pra quantidade que vem. Prefiro usar limão se tiver que ser natureba.

Não coloquei fotos ou links porque estou montando aulas da semana e resolvi escrever sobre o assunto às pressas. A verdade é que além de estar um tanto atarefada com mudanças de espaço e reformas, também inventei de fazer uns processos difíceis.

Além de tudo também tenho uma sobrinha especial PCD. Tenho observado ela mais de perto pra entender o que ela percebe sobre imagem e ao mesmo tempo tentar fazer imagens sobre ela. A parte que tem me doído é que sei que ela pode viver pouco tempo, então quando posso fico perto dela pra de alguma forma diminuir as frustações do que ela não pode fazer.

Luis, meu amigo azul, entre vôos e mergulhos

Em 2014 Luis começou a me escrever perguntando de químicos de cianotipia. Perguntou dos preços dos kits. Alguns meses depois disse que comprou os químicos por conta e tentou fazer muitos cianotipos com muita perda de papel e químico. Ele achava que não tinha preparado o material químico do jeito correto.

Do Rio Grande do Sul, parecia que os recursos para pagar uma aula em São Paulo devia ser inviável, comecei a perguntar como estavam suas produções de cian. Resolvi naquele momento, ensiná-lo à distância, desde que ele me mostrasse seu desenvolvimento. Minha vontade sempre foi conhecer todos os Estados do Brasil, então eu tinha a esperança de um dia conhecê-lo. Nunca imaginei que desde então se tornaria um dos meus melhores amigos.

Luis, 80 e poucos anos e muitas dúvidas sobre cians. Foi entre muitas ocupações, arte educador na periferia, correu dos 50 até os 70 quando foi atropelado, desde então nadava e me escreveu que seu maior acerto na vida foi sua esposa.

Sei que você é tímido e estou expondo um pouco a sua vida mas achei que valia contar de alguma forma.

Seus cians estavam realmente um tanto fracos, mas não era nada muito absurdo. Acredito que era porque o resultado que queria precisava de um material específico, ou seu olho já estava pedindo um resultado melhor.

Nos correspodemos por oito anos, parando um pouco depois que descobriu um câncer. Luis parecia desanimado mas estava sempre nadando. Eu também não quis insistir, quando percebi que ele parecia cansado de falar da saúde que junto com a pandemia o deixava um pouco mais ansioso.

Um dia perguntei a ele sobre ideias e nomes para seu projeto com a cianotipia. O título: Vôos e mergulhos. Na justificativa me deu uma resposta típica de alguém que parece ter depressão. Não faço ideia e nunca vi uma foto de seu rosto. Mas não era algo que me incomodava. Não imagino como ele aparentava mas nunca parei para pensar muito.

Ontem eu escrevi para ele para ver se ele ia querer me responder. Agora que eu percebi que a mensagem retornou. Você deve ter já uns 89 anos, meu amigo. Espero que a doença não tenha te machucado muito. Que ainda faça muito vôos e principalmente mergulhos, que parecia que era o que você mais gostava. E espero que esteja em paz.

aqui, a primeira imagem que me enviou nos nossos estudos.

História das Técnicas Fotográficas no Pompéia e mais pra agosto

Primeira versão do curso em formato presencial êeeeee!!

E eu esqueci de anunciar aqui dessa vez, quando abriram as inscrições para credencial plena do Sesc, mas as inscrições para público geral é nesta quarta feira, pelo aplicativo ou pelo site do Sesc.

https://www.sescsp.org.br/programacao/historia-das-tecnicas-fotograficas-introducao/

dia 19 de agosto – Bazar de fotografia no Imagineiro

o legal é que apesar de ser um curso teórico a ideia é mostrar como se faz alguns exemplos no laboratório. Junta a pesquisa prática e a que eu mais gosto de passar os dias pesquisando, sobre como as técnicas foram surgindo.

E logo mais espero ter mais novidades. Agosto vai ter bazar no Imagineiro, no dia mundial da fotografia. Vamos fazer uma oficina de cianotipia em sacolas de algodão e Roger Sassaki fará mini retratos em tintypes – os gem tintypes (deve custar algo em torno de 100 reais cada atividade) pode ser que não tenhamos essas atividades 😦 EDIT: atualizado no próximo post

Teremos materiais fotográficos para venda, usados e novos como usualmente. E como cai dia 19 de agosto, vai ser um dia depois do níver do migo Roger leonino, se alguém tiver a fim de só conhecer, dar parabéns e experimentar chocolatinhos kkkkk. (fica, vai ter bolo..)

dia 25 e 26 de agosto

vou oferecer um curso de marrom van dyke no mesmo local. Rua Cardeal Arcoverde 2007. São duas tardes, das 14h às 17h. no curso já tem incluso material, papel Platinum Rag, próprio para a técnica fotográfica, papel aquarela, negativos impressos e um kit de químicos de presente para cada participante. Logo anuncio aqui com o valor, estou esperando o Roger confirmar. Acredito que as inscrições serão feitas no site do Imagineiro. Essa também está em aberto. Muitas tarefas para resolver e não deu tempo de divulgar.