Construção de câmeras pinhole no Sesc Ipiranga – Da foto ao objeto

Certa vez pensei sobre a possibilidade de inventar uma câmera que fosse uma outra coisa – eu tenho essa mania, de aproveitar coisas e materiais e de fazer objetos com mais de uma utilidade – e na fotografia não há nada melhor que a pinhole para unir essas inventices.

Baseado na ideia e trabalho de Jochen Dietrich, que montou câmeras em relógios e fez algumas oficinas sobre o tema, em que uma delas uma menina constrói sua câmera utilizando sua bota para fotografar.

Daí tive essa oportunidade de trabalhar dentro de um contêiner câmera e como ele foi transformado em câmera, porque não transformar outros objetos em câmera também?

Surgiu essa proposta e o curso começa amanhã no Sesc Ipiranga.

Eu só vou mostrar a minha no curso, que nem câmera ela parece.

Da foto ao objeto – Quinta e sexta 18 e 19/6 e 25 e 26/6 19h Container Sesc Ipiranga

A formação de uma imagem pode ser realizada em qualquer compartimento vedado à luz. Neste curso, o participante fotografará com câmeras feitas com objetos, construindo a sua própria câmera a partir de algum material de uso do seu cotidiano com a finalidade de elaborar uma narrativa sobre si.  As câmeras serão testadas para verificar seu funcionamento e, as fotografias, reveladas pelos participantes em laboratório montado no interior do local. Ao final dos encontros, o desafio será deixar a câmera fotografando por seis meses, técnica chamada de solargrafia, na qual o papel ‘autorrevela-se’ após esse longo período de exposição

Link do Sesc

Curso Fotografia Alternativa e Sistema de Zonas 2015

É com muito prazer que divulgo os cursos desse semestre e teremos Fotografia Alternativa às terças à noite e um novo curso Sistema de Zonas Preto e Branco em parceria com o fotógrafo e laboratorista Sergio Ferreira – um dos meus mestres – que chamo carinhosamente de Serginho.

Na Fotografia Alternativa vamos fazer Cianotipia, Marrom Van Dyke e Papel Salgado. A partir desses processos trabalharemos com viragens e tonalizações possíveis no lab e até mesmo interações entre esses processos.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

Meus humildes primeiros pincéis, era o que eu podia pagar na época.

mais informações sobre esse curso aqui

O Sistema de Zonas é uma parte da fotografia que eu amo e acho incrível. E fazer esse curso com quem eu aprendi é muito mais que gratificante. Serginho foi meu mestre no laboratório preto e branco e na fotografia cor. Foram dois anos de acompanhamento e agradeço de coração a todo o ensinamento que tive. Claro que tive muitos outros mestres, mas o Sergio virou amigo, de compartilhar gostos musicais (ouvi mais Nina Simone por causa dele) e na época eu fazia kung fu e daí ele também se empolgou em voltar para as artes marciais. Aprendi o Sistema de Zonas quando havia Grupos de Estudo no Senac e isso era uma atividade extra. O grupo era comandado pelo Paulo Rossi e Sergio e de fato o Paulo teve muita paciência comigo para eu entender esse processo todo. Como ele não mora mais em SP vai aqui minha homenagem, se estivesse aqui provavelmente seria ele e o Serginho – a dupla dinâmica.

Saíamos à tarde pela Lapa para fazer imagens para o estudo no grupo e não esqueço e acho que vai ser difícil esquecer aqueles dias que o preto e branco ficou mais claro e divertido para mim. (eu sou bem nerds nesse sentido e com orgulho)

Minha gratidão ao Paulo Rossi e Serginho.

Maiores informações sobre o Sistema de Zonas no Sesc aqui

As inscrições começam hoje. Me perdoem a demora na divulgação, mas para quem não é comerciário ainda dá tempo de se programar, pois é amanhã o dia de ficar na fila.

INSCRIÇÕES:

Terça, 17/3, das 18h30 às 21h30:

Para trabalhadores no comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes.

Quarta, 18/3, das 18h30 às 21h30:

Para interessados em geral.

2ª CHAMADA:

Sábado, 21/3, das 10h às 17h: para todos os interessados que não tenham se inscrito em nenhum curso.

VAGAS REMANESCENTES:

A partir de domingo, 29/3, das 10h às 17h, recomeçam as inscrições para todos os interessados nos cursos que ainda tenham vagas disponíveis. É a oportunidade para quem já se inscreveu em um curso se inscrever em outro(s). Até o fim das vagas.

Mensalidade:

  • Credencial Plena: R$ 15,00
  • Meia: R$ 30,00
  • Inteira: R$ 60,00

Dusting on process – Revelação a pó

em 2005 vi um amigo da faculdade fazendo esse processo e me encantei.

É uma técnica a partir de mel ou açucar que se revela a seco, com pigmento em pó.

A graça é que pode-se facilmente usar vidro, cerâmica ou metal como suporte.

Buscando a fórmula nos livros a finalização descrita se dá somente em retornar a foto para a exposição de luz e o resíduo químico continua lá. Daí em 2007 fiz vários testes para conseguir limpar essa imagem com água gelada.

 

Atualização 19.04.17

O processo segundo as bibliografias abaixo tem um misto das pesquisas de vários nomes, Vacquelin, Ponton, Becquerel, Talbot Archer, Garnier, Salmon e Poitevin.

Vacquelin no final de 1700 e Suckow em 1832 em relação aos cromatos. Mungo Ponton em 1839 faz um estudo sobre a sensibilidade do dicromato de potássio à luz. Em seguida Becquerel em 1840 percebe a reação do dicromató com amidos utilizados em encolagens de papéis.

Alphonse Poitevin em 1855 aplica dicromatos na produção de cópias fotomecânicas. Em 1858 utiliza uma solução coloidal com dicromato, mel e goma arábica. É o primeiro a adicionar pigmento no processo.

Henri Garnier e Alphonse Salmon em 1858 fazem pesquisa com citratos férricos mas abandonam para uma fórmula com dicromató de amônio e açúcar que posteriormente se utiliza para transferência em superfícies cerâmicas.

Um positivo é necessário para a técnica. As partes protegidas de luz U.V. continuam grudentas e o pigmento em pó fica grudado nessas áreas.

fonte: Christopher James – The Book of photographic alternative processes – 3. edição

Kent Wade – Alternative photographic processes

 

 

 

 

A fotografia no Brasil

Estava escrevendo ( e consequentemente lendo) alguma coisa sobre fotografia e em algum momento eu precisava escrever sobre a fotografia no Brasil. Daí que me dei conta que não achava um bom texto sobre o uso da fotografia por aqui no século XIX. Uma coisa que preciso pesquisar mais profundamente. Está certo que há livros bons, como a pesquisa de Boris Kossoy sobre a fotografia de Hercules Florence, mas técnicas, empresas, uso, fabricação de câmeras ainda está em aberto para mim.

Vou procurando, um dia acho.

Até hoje temos dificuldades em acessar algumas coisas relacionadas a fotografia nestas terras. E isso é histórico, Florence sentiu desde lá atrás. Recentemente perdemos a fabricação nacional do filme gráfico da IBF, ou seja, novamente algum material que só podemos comprar lá fora. Ano passado fui comprar filmes da Fuji e assim me disseram que agora somente chegará o filme importado.

Gosto muito dos livros de Vilém Flusser. Esta semana fui tentar comprar o livro dele e não tem! Só nas Europas.

Ao menos de anthotype a produção pode ser nacional…

 

Curso de Fotografia Alternativa – 2º semestre 2014

 

O curso desse semestre já lotou e nem consegui avisar antes. Fiquei meio atrapalhada com algumas coisas novas que surgiram nesses últimos meses e não coloquei a divulgação aqui.

Mas é com grande prazer que estou lá nas Terças à noite para mais uma turma de Fotografia Alternativa.

Ainda tem algumas vagas remanescentes em outros cursos de várias áreas nas Oficinas.

 

Acesse: oficinas.sescsp.org.br

 
Captura de tela 2014-08-14 11.37.02

cianotipia, cianotipie, cyanotype, cianotipija, cianotip

Esta técnica que oferece tons azuis num papel é feita a partir de dois químicos, citrato férrico amoniacal verde e ferricianeto de potássio. Junta-se os dois e está pronta uma solução sensível ao espectro de luz ultra violeta. 

Simples assim, com um pouco de sol e vualá! Lava-se com água e terá um resultado bem bonito.

Quando comecei a estudar fotografia ( lá vou eu pros primórdios) eu havia lido sobre a técnica e não tinha entendido nada de como fazia. Parecia tudo muito secreto e escondido e eu imaginava que um dia ia entender melhor. A questão era que esse tipo de informação fui procurar em português e na época pouca coisa tinha disponível na internet. 

Mas é simples assim como a luz que nos “alumia” e complicado assim como com as coisas que a gente não entende. 

Fórmula:

A- 25 g citrato férrico amoniacal verde + 100ml água

B- 10 g ferricianeto de potássio + 100ml água

Guarde separado. Para uso misture 1 parte A + 1 parte B ( ex:20ml A+20mlB) – já faz bastante foto, acredite.

Expor em mesa de luz UV ou no sol. O tempo varia de acordo com a intensidade de UV. 

Lave a imagem por uns 3 minutos. Muita água faz a imagem ficar mais fraca e você gasta mais água.

 

Daí tem gente que não gosta do azul. Isso não é de hoje, historicamente considerado de baixa qualidade.

Tem a possibilidade de fazer viragens, caso enjoe da cor. Muita gente faz com ácido tânico, encontrado em alguns chás, daí viragem no chá, no café, com seiva de plantas..

Fiz uma vez a viragem que deixa com tons roxos, a partir de ácido gálico.

Resolvi escrever sobre esta técnica porque achei uma foto de oficina em Sorocaba no Sesc de lá e fizemos com o sol.

 

Imagem

um fotograma tomando solzinho..

 

Imagem

depois as imagens prontas secando.

 

Aproveitando para linkar uma coisa na outra, semana que vem tem curso de cianotipia em Pinheiros-SP com a Simone Wicca

dia 7 de julho 20h e seguem informações maiores aqui: wiccaverna 

achei uns cursos no MIS e aquele que se escondia de si mesmo

Em tempos de Copa abri algumas vezes o wordpress pensando em escrever algo aqui e não conseguia alimentar o blog com algo que eu realmente quisesse escrever. 

Daí recebi um email sobre uns cursos do MIS, que talvez valha a pena conferir.

Cursos no MIS

Tem Curso Completo de Fotografia e Photography as (re)ssource. Não conheço os professores, mas me chamou a atenção, os conteúdos parecem bacanas, dei uma passada de olho apenas, mas vai que interessa a alguém.

Tem um curso que me chamou a atenção um bocado mais, O Photoshop na Construção Poética da Imagem. Só pelo título senti que é algo que honestamente tamo precisando de curso, e achei a ideia genial.

 

Mas o assunto é outro também. Assisti um bocado do jogo enquanto tentava ler receitas e só levantava os olhos para dizer que estava assistindo, para o Edison não se sentir sozinho ao ver a partida. Daí ao final do jogo vi um jogador conversando com outro e para ninguém entender o que estavam conversando tapavam suas bocas enquanto andavam pelo gramado. Imaginei que deve ser chato não ter privacidade sendo famoso, (sei que é óbvio) ou seja, ser “anônimo” tem suas vantagens.. 

Me lembrei de quando comecei a estudar fotografia. Em 2000 fizemos uma saída no Minhocão num domingo quente que me fez andar com protetor labial e solar na mochila quase sempre. Era começo de janeiro e aprendi muito com aquela saída. E procurávamos assuntos, mas a mente jovem procura assuntos mais inusitados e nem sempre fica satisfeita. Enfim a saída acabou e o sol rachando nossas cabeças cerca de meio dia. Voltamos para a Praça Roosevelt e vi uma cena bonita que eu queria muito captar, mas eu estava longe e usei o terrível zoom.

Mas lá do outro lado da Consolação tinha uma figura debaixo de uma árvore enorme e parecia quase que meditar. Ou lamentar. 

Sei que apontei a câmera para ele e assim que tirei a foto o homem se sentiu incomodado e de longe parecia desaprovar o uso de sua imagem. Na hora queria apagar a foto do filme, mas se o fizesse perderia algumas outras abrindo a minha pequena Pentax K1000. Ele ficou incomodado e eu não queria que sentisse assim. Daí que vi que mesmo sendo um anônimo acabou por alguns instantes perdendo sua privacidade a partir do momento que eu buscava uma imagem da sua situação. E observando-o mais um tempo ele parecia chateado com alguma coisa e por isso estava lá. E ele não queria estar ali.

Daí que fiquei tão chateada quanto e sua foto nunca mostrei a ninguém. Pensei em jogar fora, mas me fazia lembrar dela mesmo se não quisesse. 

Está aí a imagem, devidamente escurecida, mas só resolvi postá-la agora porque tenho certeza que foi um momento de reflexão, minha e dele, e espero que qualquer sejam as aflições que passou naquele momento tenham sido desfeitas agora. Para mim foi.

 

Imagem

 

 

e assim o mundo me afeta..

 

minha casa, meu trabalho

minha casa, meu trabalho

Em mês de pinholeday me inspirei em fazer a imagem aparecer nas paredes de casa.

Daí fui colocar o tecido blackout na janela. Algum vizinho deve ter estranhado. “A moça colocou uma cortina furada?” Não não… não é para tapar toda a luz bonita daquela manhã inspiradora. Para organizar seus raios de forma que invadissem o escritório de um jeito que se pudesse perceber o que está lá fora. E que de certa forma me atinge e me faz entender o que é a essência.

Daí depois desse episódio sinto que o vizinho me olha meio incerto…

 

 

Pinhole day 2014

 

capa-pinhole2014

Oi oi!

 

esse final de semana já tem alguma atividades ligadas ao PinholeDay de 2014 no Sesc Pompéia.

dia 19 e 20 de abril construção de câmera pinhole de caixa de fósforo das 14h às 17h. Essas oficinas são comigo, e vou mostrar como se faz a revelação do filme.

mais informações:  http://oficinas.sescsp.org.br/curso/pinhole-de-caixa-de-fosforo

 

 

Dia 26 e 27 tem atividades o dia todo, de observar o mundo invertido na Internet Livre do Sesc, a fotografar com latas e depois postar as imagens no site oficial do pinholeday.org

 

gostaria de agradecer muito ao Cláudio Rocha pelo folder que contém várias imagens, a arte aí de cima faz parte desse impresso.

Fiquei emocionada de ver o trabalho tão bem apresentado.