cianotipia, cianotipie, cyanotype, cianotipija, cianotip

Esta técnica que oferece tons azuis num papel é feita a partir de dois químicos, citrato férrico amoniacal verde e ferricianeto de potássio. Junta-se os dois e está pronta uma solução sensível ao espectro de luz ultra violeta. 

Simples assim, com um pouco de sol e vualá! Lava-se com água e terá um resultado bem bonito.

Quando comecei a estudar fotografia ( lá vou eu pros primórdios) eu havia lido sobre a técnica e não tinha entendido nada de como fazia. Parecia tudo muito secreto e escondido e eu imaginava que um dia ia entender melhor. A questão era que esse tipo de informação fui procurar em português e na época pouca coisa tinha disponível na internet. 

Mas é simples assim como a luz que nos “alumia” e complicado assim como com as coisas que a gente não entende. 

Fórmula:

A- 25 g citrato férrico amoniacal verde + 100ml água

B- 10 g ferricianeto de potássio + 100ml água

Guarde separado. Para uso misture 1 parte A + 1 parte B ( ex:20ml A+20mlB) – já faz bastante foto, acredite.

Expor em mesa de luz UV ou no sol. O tempo varia de acordo com a intensidade de UV. 

Lave a imagem por uns 3 minutos. Muita água faz a imagem ficar mais fraca e você gasta mais água.

 

Daí tem gente que não gosta do azul. Isso não é de hoje, historicamente considerado de baixa qualidade.

Tem a possibilidade de fazer viragens, caso enjoe da cor. Muita gente faz com ácido tânico, encontrado em alguns chás, daí viragem no chá, no café, com seiva de plantas..

Fiz uma vez a viragem que deixa com tons roxos, a partir de ácido gálico.

Resolvi escrever sobre esta técnica porque achei uma foto de oficina em Sorocaba no Sesc de lá e fizemos com o sol.

 

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um fotograma tomando solzinho..

 

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depois as imagens prontas secando.

 

Aproveitando para linkar uma coisa na outra, semana que vem tem curso de cianotipia em Pinheiros-SP com a Simone Wicca

dia 7 de julho 20h e seguem informações maiores aqui: wiccaverna 

achei uns cursos no MIS e aquele que se escondia de si mesmo

Em tempos de Copa abri algumas vezes o wordpress pensando em escrever algo aqui e não conseguia alimentar o blog com algo que eu realmente quisesse escrever. 

Daí recebi um email sobre uns cursos do MIS, que talvez valha a pena conferir.

Cursos no MIS

Tem Curso Completo de Fotografia e Photography as (re)ssource. Não conheço os professores, mas me chamou a atenção, os conteúdos parecem bacanas, dei uma passada de olho apenas, mas vai que interessa a alguém.

Tem um curso que me chamou a atenção um bocado mais, O Photoshop na Construção Poética da Imagem. Só pelo título senti que é algo que honestamente tamo precisando de curso, e achei a ideia genial.

 

Mas o assunto é outro também. Assisti um bocado do jogo enquanto tentava ler receitas e só levantava os olhos para dizer que estava assistindo, para o Edison não se sentir sozinho ao ver a partida. Daí ao final do jogo vi um jogador conversando com outro e para ninguém entender o que estavam conversando tapavam suas bocas enquanto andavam pelo gramado. Imaginei que deve ser chato não ter privacidade sendo famoso, (sei que é óbvio) ou seja, ser “anônimo” tem suas vantagens.. 

Me lembrei de quando comecei a estudar fotografia. Em 2000 fizemos uma saída no Minhocão num domingo quente que me fez andar com protetor labial e solar na mochila quase sempre. Era começo de janeiro e aprendi muito com aquela saída. E procurávamos assuntos, mas a mente jovem procura assuntos mais inusitados e nem sempre fica satisfeita. Enfim a saída acabou e o sol rachando nossas cabeças cerca de meio dia. Voltamos para a Praça Roosevelt e vi uma cena bonita que eu queria muito captar, mas eu estava longe e usei o terrível zoom.

Mas lá do outro lado da Consolação tinha uma figura debaixo de uma árvore enorme e parecia quase que meditar. Ou lamentar. 

Sei que apontei a câmera para ele e assim que tirei a foto o homem se sentiu incomodado e de longe parecia desaprovar o uso de sua imagem. Na hora queria apagar a foto do filme, mas se o fizesse perderia algumas outras abrindo a minha pequena Pentax K1000. Ele ficou incomodado e eu não queria que sentisse assim. Daí que vi que mesmo sendo um anônimo acabou por alguns instantes perdendo sua privacidade a partir do momento que eu buscava uma imagem da sua situação. E observando-o mais um tempo ele parecia chateado com alguma coisa e por isso estava lá. E ele não queria estar ali.

Daí que fiquei tão chateada quanto e sua foto nunca mostrei a ninguém. Pensei em jogar fora, mas me fazia lembrar dela mesmo se não quisesse. 

Está aí a imagem, devidamente escurecida, mas só resolvi postá-la agora porque tenho certeza que foi um momento de reflexão, minha e dele, e espero que qualquer sejam as aflições que passou naquele momento tenham sido desfeitas agora. Para mim foi.

 

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e assim o mundo me afeta..

 

minha casa, meu trabalho

minha casa, meu trabalho

Em mês de pinholeday me inspirei em fazer a imagem aparecer nas paredes de casa.

Daí fui colocar o tecido blackout na janela. Algum vizinho deve ter estranhado. “A moça colocou uma cortina furada?” Não não… não é para tapar toda a luz bonita daquela manhã inspiradora. Para organizar seus raios de forma que invadissem o escritório de um jeito que se pudesse perceber o que está lá fora. E que de certa forma me atinge e me faz entender o que é a essência.

Daí depois desse episódio sinto que o vizinho me olha meio incerto…

 

 

Pinhole day 2014

 

capa-pinhole2014

Oi oi!

 

esse final de semana já tem alguma atividades ligadas ao PinholeDay de 2014 no Sesc Pompéia.

dia 19 e 20 de abril construção de câmera pinhole de caixa de fósforo das 14h às 17h. Essas oficinas são comigo, e vou mostrar como se faz a revelação do filme.

mais informações:  http://oficinas.sescsp.org.br/curso/pinhole-de-caixa-de-fosforo

 

 

Dia 26 e 27 tem atividades o dia todo, de observar o mundo invertido na Internet Livre do Sesc, a fotografar com latas e depois postar as imagens no site oficial do pinholeday.org

 

gostaria de agradecer muito ao Cláudio Rocha pelo folder que contém várias imagens, a arte aí de cima faz parte desse impresso.

Fiquei emocionada de ver o trabalho tão bem apresentado.

 

 

Leve o que te convém

Como prometido, escrevo sobre a escolha das câmeras.

“qual câmera eu compro?”

 

uma das primeiras perguntas que eu recebo é sempre essa. Em alguns cursos, falamos sobre o uso da compacta, mas sempre tem alguém que fica na dúvida se essa é a melhor, ou aquela “grandona”.

Como eu digo, tudo depende do uso que você vai fazer.

Mas já vou adiantando uma frase que sempre digo, quando me indagam sobre qual a melhor câmera: Independente do modelo, tipo, fabricante, resolução, lente, pixels, a melhor câmera é aquela que você tem nas mãos. 

Sim. e não é pegadinha não. Se você tem uma câmera, qualquer que seja, e pratica e entende como ela funciona, sabe onde estão todos os botões que necessita, você é capaz de fazer o que for necessário com ela. Claro que há limitações, cabe a você entender os limites dela também.

Para complementar: A melhor câmera também é aquela que cabe no seu orçamento. Não adianta pensar que a câmera x é melhor que a y nem a z. Assim você nunca será feliz. Se você consegue pagar já está de bom tamanho. Quem faz a foto ficar boa é o fotógrafo, que entende como a câmera funciona.

E outra e não menos importante: Nada disso serve se você não entender como ela funciona. Então, a ideia é xeretar e entendê-la.

 

É claro que tem câmera que é muito bacana. A ideia aqui não é indicar modelos, nem marcas. Cada um busca o que achar mais interessante para si.

Vamos ver se algumas dicas funcionam:

Tamanho pode não ser documento, mas é volume. Se a intenção é viajar, você não vai querer levar muito peso. Lembre que câmera compacta tem um motivo para ser compacta.

Para aprender a fotografar. Eu sou do analógico. Indicaria uma câmera de filme. Mas para entender como a fotografia funciona não tem nada melhor que uma câmera reflex, digital ou filme.

Se quer uma câmera pequena e não pode/consegue levar tanto peso de uma câmera reflex, aconselho as câmeras mirrorless, que são pequenas mas possuem a agilidade de uma reflex. Você acha o tipo de câmera pesquisando também por MicroFourThird.

Se você quer fotografar sem entender como ela funciona, tem muitas câmeras que fazem o trabalho automaticamente de um jeito muito bacana. É legal testar nas lojas e dar uma olhada nas câmeras de amigos. mas não compre sem pesquisa.

Verifique se o tipo de cartão é vantajoso na hora de passar as imagens para o computador. Para quem tem notebook, alguns já tem entrada para algum tipo de cartão de memória.

Antes de comprar, busque saber vantagens e desvantagens. Tem fóruns de fotografia, pesquise na internet. Existe um site que faz avaliação das câmeras, o dpreview.com

Mais para frente vou escrever um pouco sobre como passar as imagens para o pc, tenho ouvido muito essa dúvida.

que curso de fotografia?

Muita gente me pergunta qual curso fazer para aprender fotografia.

A minha resposta é: depende do que você procura.

Existem muitos cursos esporádicos sobre fotografia abordando temas pontuais ou apenas introdução. Mas muitas vezes percebo que surgem algumas pessoas que buscam por algo mais extenso.

Em São Paulo tem uma variedade enorme de cursos, não conheço todas, mas posso escrever sobre as que conheço.

Sobre cursos livres tem a Focus que fica no Centro de São Paulo. O Enio é um professor muito dedicado, há muito tempo fiz aulas com ele, quando estava começando a entrar a era digital.

Tem também a Fullframe com algumas unidades em diferentes regiões. Não conheço todos os professores, mas um curso que tenho vontade de fazer é o de retrato com a Helô Bortz, que domina a técnica com excelência e com muito carinho.

Um local que frequentei muito e onde aprendi a fotografar foi o Foto Cine Clube Bandeirante, na Augusta. Não visito há tempos, sempre foi um bom espaço de fotografia, recomendo o lugar. Mas tem algo entre eu e a rua Augusta que ficou no passado, cresci lá, meu pai trabalhou por uns 30 anos na região.

Existe o curso técnico do Senac que tem um custo benefício razoável e tem Etecs que oferecem o curso de fotografia. São cursos de mais de 3 semestres, é necessário um bom tempo de dedicação.

Tem gente que acha que é muuuito tempo. Na minha opinião, se quer mesmo estudar e trabalhar com fotografia, não dá para parar de estudar, como em todas as áreas do conhecimento.

Um pouquinho mais extenso é o curso de bacharelado. Vou contar minha experiência, porque a escolha era algo que eu queria  e foi muito legal. Alguns também acha que é muuuito tempo mesmo para estudar SÓ fotografia.

Mas quem está no ramo sabe a complexidade que pode haver dentro dessa área.

Aproveitei bem a graduação, aprendi em quatro anos uma parte do conhecimento sobre fotografia de cento e setenta e cinco anos de invenções, pesquisas e produção de imagem, que não conseguiria buscar sozinha em uma década ou duas. O Senac como qualquer graduação não é uma escola perfeita. Mas para mim o curso foi apaixonante.

Todo ano tínhamos aula de projeto, que foi essencial. Dois anos de laboratório preto e branco, praticamente quatro anos de estúdio, estagiei por seis meses no lab e estúdios que são duas atividades que amo. Tive a oportunidade de estagiar no Sesc Videobrasil e a experiência foi muito legal, porque éramos os fotógrafos do evento. E com a ajuda do professor Eder Chiodetto em parceria com a Fernanda Calfat participei da edição de 2007 do SPFW, fotografando depois para mais duas edições. Fui pela quarta vez, mas não foi pelo Senac diretamente, fotografamos para uma revista. Com a ajuda do mesmo professor, participei do Novos Talentos da Fnac.

 

Assistimos palestra da Helouise Costa, Klaus Mitteldorf, Millard Schiller, Fernando de Tacca, Rubens Fernandes Jr, e aulas com Thales Trigo, Sergio Ferreira, Paulo Rossi, João Pregnolato, João Fávero, Kenji Ota, Wladimir Fontes, Paula Palhares, Denise Camargo e os finados Eduardo Massami e Jairo Botelho, entre muito outros que não vou lembrar de todos agora. Toda essa diversidade de docentes fez a diferença, e todos foram ótimos. Tivemos disciplinas de Tratamento digital, fotografia de arquitetura, fotojornalismo, científica, edição, vídeo, direito, marketing, antropologia visual, imagem digital, história da fotografia, filosofia, fotografia de produto, retrato, história de arte, fotografia cor, iluminação, processos alternativos, conservação, elaboração de exposição, fotografia de shows, e isso é o que eu lembro de cabeça agora. Fora os grupos de estudos que tínhamos antes, frequentei Fotografia Cor e Sistema de Zonas, e queria fazer Poéticas Visuais mas não tive tempo.

Consegui também uma bolsa de estudos para auxiliar a Prof Paula Palhares, mas quando minha irmã engravidou, tive que desistir da bolsa, pois eu voltei a trabalhar o dia todo.

Acha muito tempo para estudar fotografia ainda? Talvez para alguns não valha a pena, mas para mim que escolhi passar isso para frente, foi mais do que válido. 

Independente do curso escolhido, o que importa mesmo é a dedicação do estudante/fotógrafo. Qualquer curso que seja pode ficar bom, ótimo, excelente especialmente se você quiser.

Coloquei alguns nomes, podem pesquisar sobre eles e verão muitas coisas legais. Aconselho visitar as escolas para ter uma noção de como é o espaço antes de decidirem se matricular, vale a pena para tirar dúvidas.

Comecei esse ano pensando em escrever sobre as dúvidas que aparecem para mim. No próximo post falo sobre a famosa escolha das câmeras.

Kits de Fotografia Alternativa

Em toda atividade de fotografia alternativa sempre indicamos locais para compra dos químicos, não apenas eu mas todos aqueles que fazem esse tipo de processo. Percebi ao longo dos anos que a quantidade acaba se tornando proibitiva, afinal, 500g de um  500g de outro e a casa de cada um viraria um arsenal de químicos, sendo necessária uma estrutura grande para comportar tudo. Por sorte eu disponho de um espaço bom para isso, mas confesso que tem mais coisas do que posso guardar. Penso que seria muito mais legal termos material de fotografia mais acessível, pois foi algo que levei muito tempo para conseguir.Pensando nisso resolvi montar kits para alguns processos. Já preparados, prontos para uso.

Atualização 02.06.2016 – resolvi dar uma parada com os kits. A minha intenção nunca foi de lucrar com isso, mas de tornar os processos que tanto amo mais acessíveis.

Só que me tomam um tempo pra fazer e agora estou com novos projetos pela frente. Nesse meio tempo entraram em contato pessoas de várias partes do país e fiquei feliz de saber que há um interesse sobre as técnicas. Hoje, depois de ver os resultados de uma turma numa escola fazer cianotipia  e ver que isso foi o resultado de um professor muito dedicado, acho que já valeu muito a pena. Já posso parar por aqui.

Estou partindo para novas pesquisas, então a quantidade de químicos que vou comprar vai diminuir. Penso que já fiz meus tributos a Herschel, a Poitevin, a Talbot. Falei tanto e tanto sobre cianotipia, sobre papel salgado, sobre goma bicromatada. Escavei Wedgwood e nas aulas dei meu reconhecimento sobre sua pesquisa, porque para mim a história da fotografia devia ser contada a partir dele sim. Só não falo mais sobre a história em aulas porque não tenho abertura para isso, mas eu teimo em olhar para aqueles que ficaram transparentes, escondidos embaixo das experiências sem reconhecimento que fizeram.

É o que eu preciso continuar. Arrastar o tapete e procurar o que ficou para trás.

Agradeço a todos que confiaram nos meus kits, sempre fiz com carinho.

Goma bicromatada – no limiar da resistência

Faz duas semanas que estamos produzindo gomas no Sesc Pompéia. Quando chegamos nesta etapa digo que é quando a relação com os processos alternativos muda, porque incrivelmente aqueles que se dão bem com o cianótipo e van dyke por exemplo não curtem muito a goma, e aqueles que não tiveram bons resultados com as outras técnicas, conseguem fazer uma goma bonita. Não é uma regra, varia de acordo com cada um. Tem aqueles que se dão bem com qualquer tipo de químico.

Não é como a fotografia preto e branco, existem muitas variáveis extras, como qual o papel que utilizamos, o negativo que fazemos, a fonte  de luz, às vezes até o espaço onde trabalhamos influi. Se há muita umidade ou é muito quente, pois papel absorve umidade, alguns químicos também.

Com a goma entra uma diferença que é esticar a goma, para ficar mais uniforme. E a maioria das vezes o erro é na quantidade de pigmento também. Eu sei porque eu tive todas as dificuldades possíveis. E no final acabo conseguindo analisar o que dá errado justamente por isso, senão eu não saberia consertar.

Hoje faremos a goma mais uma vez e o vandyke. Só no final do semestre lembro de colocar alguns resultados aqui.

a fotografia e o poder.. da memória

Eu tinha um tanto de filmes para revelar e revelei compulsivamente semana passada. Daí digitalizei quase tudo, algo que tenho feito por muito tempo nesses últimos dias, com a intenção de organizar melhor meus arquivos.

E vi fotos que nem lembrava, obviamente. Foi duro ver as imagens do meu finado cão aparecerem, das alegrias de uma saída fotográfica na praia, de lugares que visitei que parecia outro país… e era o centro de SP, que lugar lindo… Revelei ao menos 3 praias diferentes, um rio, 3 saídas fotográficas, duas cidades do interior, e um monte de retratos.

Fiquei pensando se alguém gostaria de fazer isso comigo. Revelar filmes coloridos.

No ano de 2000 aprendi a revelá-los na mão. Dá um pouco de trabalho. Mas é uma felicidade só.

Quem sabe mais para frente aparece um curso desses por aí..

 

Foto: Paraty com Foco Flow! Pinhole 35mm revelado na unha!

Pinhole Paraty Beth Lee