que curso de fotografia?

Muita gente me pergunta qual curso fazer para aprender fotografia.

A minha resposta é: depende do que você procura.

Existem muitos cursos esporádicos sobre fotografia abordando temas pontuais ou apenas introdução. Mas muitas vezes percebo que surgem algumas pessoas que buscam por algo mais extenso.

Em São Paulo tem uma variedade enorme de cursos, não conheço todas, mas posso escrever sobre as que conheço.

Sobre cursos livres tem a Focus que fica no Centro de São Paulo. O Enio é um professor muito dedicado, há muito tempo fiz aulas com ele, quando estava começando a entrar a era digital.

Tem também a Fullframe com algumas unidades em diferentes regiões. Não conheço todos os professores, mas um curso que tenho vontade de fazer é o de retrato com a Helô Bortz, que domina a técnica com excelência e com muito carinho.

Um local que frequentei muito e onde aprendi a fotografar foi o Foto Cine Clube Bandeirante, na Augusta. Não visito há tempos, sempre foi um bom espaço de fotografia, recomendo o lugar. Mas tem algo entre eu e a rua Augusta que ficou no passado, cresci lá, meu pai trabalhou por uns 30 anos na região.

Existe o curso técnico do Senac que tem um custo benefício razoável e tem Etecs que oferecem o curso de fotografia. São cursos de mais de 3 semestres, é necessário um bom tempo de dedicação.

Tem gente que acha que é muuuito tempo. Na minha opinião, se quer mesmo estudar e trabalhar com fotografia, não dá para parar de estudar, como em todas as áreas do conhecimento.

Um pouquinho mais extenso é o curso de bacharelado. Vou contar minha experiência, porque a escolha era algo que eu queria  e foi muito legal. Alguns também acha que é muuuito tempo mesmo para estudar SÓ fotografia.

Mas quem está no ramo sabe a complexidade que pode haver dentro dessa área.

Aproveitei bem a graduação, aprendi em quatro anos uma parte do conhecimento sobre fotografia de cento e setenta e cinco anos de invenções, pesquisas e produção de imagem, que não conseguiria buscar sozinha em uma década ou duas. O Senac como qualquer graduação não é uma escola perfeita. Mas para mim o curso foi apaixonante.

Todo ano tínhamos aula de projeto, que foi essencial. Dois anos de laboratório preto e branco, praticamente quatro anos de estúdio, estagiei por seis meses no lab e estúdios que são duas atividades que amo. Tive a oportunidade de estagiar no Sesc Videobrasil e a experiência foi muito legal, porque éramos os fotógrafos do evento. E com a ajuda do professor Eder Chiodetto em parceria com a Fernanda Calfat participei da edição de 2007 do SPFW, fotografando depois para mais duas edições. Fui pela quarta vez, mas não foi pelo Senac diretamente, fotografamos para uma revista. Com a ajuda do mesmo professor, participei do Novos Talentos da Fnac.

 

Assistimos palestra da Helouise Costa, Klaus Mitteldorf, Millard Schiller, Fernando de Tacca, Rubens Fernandes Jr, e aulas com Thales Trigo, Sergio Ferreira, Paulo Rossi, João Pregnolato, João Fávero, Kenji Ota, Wladimir Fontes, Paula Palhares, Denise Camargo e os finados Eduardo Massami e Jairo Botelho, entre muito outros que não vou lembrar de todos agora. Toda essa diversidade de docentes fez a diferença, e todos foram ótimos. Tivemos disciplinas de Tratamento digital, fotografia de arquitetura, fotojornalismo, científica, edição, vídeo, direito, marketing, antropologia visual, imagem digital, história da fotografia, filosofia, fotografia de produto, retrato, história de arte, fotografia cor, iluminação, processos alternativos, conservação, elaboração de exposição, fotografia de shows, e isso é o que eu lembro de cabeça agora. Fora os grupos de estudos que tínhamos antes, frequentei Fotografia Cor e Sistema de Zonas, e queria fazer Poéticas Visuais mas não tive tempo.

Consegui também uma bolsa de estudos para auxiliar a Prof Paula Palhares, mas quando minha irmã engravidou, tive que desistir da bolsa, pois eu voltei a trabalhar o dia todo.

Acha muito tempo para estudar fotografia ainda? Talvez para alguns não valha a pena, mas para mim que escolhi passar isso para frente, foi mais do que válido. 

Independente do curso escolhido, o que importa mesmo é a dedicação do estudante/fotógrafo. Qualquer curso que seja pode ficar bom, ótimo, excelente especialmente se você quiser.

Coloquei alguns nomes, podem pesquisar sobre eles e verão muitas coisas legais. Aconselho visitar as escolas para ter uma noção de como é o espaço antes de decidirem se matricular, vale a pena para tirar dúvidas.

Comecei esse ano pensando em escrever sobre as dúvidas que aparecem para mim. No próximo post falo sobre a famosa escolha das câmeras.

Kits de Fotografia Alternativa

Em toda atividade de fotografia alternativa sempre indicamos locais para compra dos químicos, não apenas eu mas todos aqueles que fazem esse tipo de processo. Percebi ao longo dos anos que a quantidade acaba se tornando proibitiva, afinal, 500g de um  500g de outro e a casa de cada um viraria um arsenal de químicos, sendo necessária uma estrutura grande para comportar tudo. Por sorte eu disponho de um espaço bom para isso, mas confesso que tem mais coisas do que posso guardar. Penso que seria muito mais legal termos material de fotografia mais acessível, pois foi algo que levei muito tempo para conseguir.Pensando nisso resolvi montar kits para alguns processos. Já preparados, prontos para uso.

Atualização 02.06.2016 – resolvi dar uma parada com os kits. A minha intenção nunca foi de lucrar com isso, mas de tornar os processos que tanto amo mais acessíveis.

Só que me tomam um tempo pra fazer e agora estou com novos projetos pela frente. Nesse meio tempo entraram em contato pessoas de várias partes do país e fiquei feliz de saber que há um interesse sobre as técnicas. Hoje, depois de ver os resultados de uma turma numa escola fazer cianotipia  e ver que isso foi o resultado de um professor muito dedicado, acho que já valeu muito a pena. Já posso parar por aqui.

Estou partindo para novas pesquisas, então a quantidade de químicos que vou comprar vai diminuir. Penso que já fiz meus tributos a Herschel, a Poitevin, a Talbot. Falei tanto e tanto sobre cianotipia, sobre papel salgado, sobre goma bicromatada. Escavei Wedgwood e nas aulas dei meu reconhecimento sobre sua pesquisa, porque para mim a história da fotografia devia ser contada a partir dele sim. Só não falo mais sobre a história em aulas porque não tenho abertura para isso, mas eu teimo em olhar para aqueles que ficaram transparentes, escondidos embaixo das experiências sem reconhecimento que fizeram.

É o que eu preciso continuar. Arrastar o tapete e procurar o que ficou para trás.

Agradeço a todos que confiaram nos meus kits, sempre fiz com carinho.

Goma bicromatada – no limiar da resistência

Faz duas semanas que estamos produzindo gomas no Sesc Pompéia. Quando chegamos nesta etapa digo que é quando a relação com os processos alternativos muda, porque incrivelmente aqueles que se dão bem com o cianótipo e van dyke por exemplo não curtem muito a goma, e aqueles que não tiveram bons resultados com as outras técnicas, conseguem fazer uma goma bonita. Não é uma regra, varia de acordo com cada um. Tem aqueles que se dão bem com qualquer tipo de químico.

Não é como a fotografia preto e branco, existem muitas variáveis extras, como qual o papel que utilizamos, o negativo que fazemos, a fonte  de luz, às vezes até o espaço onde trabalhamos influi. Se há muita umidade ou é muito quente, pois papel absorve umidade, alguns químicos também.

Com a goma entra uma diferença que é esticar a goma, para ficar mais uniforme. E a maioria das vezes o erro é na quantidade de pigmento também. Eu sei porque eu tive todas as dificuldades possíveis. E no final acabo conseguindo analisar o que dá errado justamente por isso, senão eu não saberia consertar.

Hoje faremos a goma mais uma vez e o vandyke. Só no final do semestre lembro de colocar alguns resultados aqui.

a fotografia e o poder.. da memória

Eu tinha um tanto de filmes para revelar e revelei compulsivamente semana passada. Daí digitalizei quase tudo, algo que tenho feito por muito tempo nesses últimos dias, com a intenção de organizar melhor meus arquivos.

E vi fotos que nem lembrava, obviamente. Foi duro ver as imagens do meu finado cão aparecerem, das alegrias de uma saída fotográfica na praia, de lugares que visitei que parecia outro país… e era o centro de SP, que lugar lindo… Revelei ao menos 3 praias diferentes, um rio, 3 saídas fotográficas, duas cidades do interior, e um monte de retratos.

Fiquei pensando se alguém gostaria de fazer isso comigo. Revelar filmes coloridos.

No ano de 2000 aprendi a revelá-los na mão. Dá um pouco de trabalho. Mas é uma felicidade só.

Quem sabe mais para frente aparece um curso desses por aí..

 

Foto: Paraty com Foco Flow! Pinhole 35mm revelado na unha!

Pinhole Paraty Beth Lee

 

 

Curso de Processos Alternativos de Fotografia

Quinta feira a noite dia 29 de agosto começa mais um curso no Pompéia. Desta vez faremos cianotipia, papel salgado e goma bicromatada.
Desta vez além de fazer o negativo em filme gráfico vamos imprimir alguns negativos também, vou deixar minha impressora xodó para usarem por lá.

O curso em Limeira foi adiado. Logo mais aviso as novas datas.

Cursos para o Semestre que vem

Notícias quentinhas para uma semana não tão quentinha assim…

A coisa boa é que teremos o curso de novo no Sesc Pompéia de Processos Alternativos. Dessa vez será quinta à noite das 19h às 22h. Mais detalhes logo mais..

e estarei em Limeira com o Edison para duas Oficinas de Retrato e Light Painting nas Oficinas Culturais, que colocarei no outro blog camerapreta.com. Dias 30 e 31 de agosto.

Anteontem fiz a penúltima aula no Sesc Belenzinho do módulo II-As imagens, luz e tempo. Fizemos Retratos com iluminação de estúdio. A turma gostou tanto que teremos repeteco.
Não sei quando terá o módulo III novamente.

Já que a aula era sobre retrato, vai um retrato / auto-retrato que fiz da Lu, minha amiga, para ilustrar um pouco o post.

BethLee-Lu2008

Sesc Belenzinho – Módulo II – As imagens, a luz e o tempo

Começo de julho abrem as inscrições para o módulo II.

Esse é um curso que gosto muito, escrevi pensando na reflexão sobre as imagens e de quebra podemos falar um pouco sobre a técnica envolvida.
Acho que com essas três palavras dá pra discutir bastante coisa sobre fotografia não?

É um curso para iniciantes, e não necessariamente precisa ter feito o primeiro módulo para entrar na turma.

Ainda não vi o link no site do Sesc, assim que tiver posto aqui.

A novidade do ano é que deixarei o material e referências desses cursos aqui no blog para o pessoal.

Sesc Belenzinho

Semana que vem tô no Sesc Belenzinho para falar mais uma vez de Imagem Digital e Tratamento.

E mês de julho tem o segundo módulo As imagens, a luz e o tempo.

Nesta atividade, o participante entra em contato com os princípios do manuseio da câmera e ensino de seus controles básicos. A partir, da explicação sobre o funcionamento de captação da imagem digital, será demonstrada a óptica das lentes, formação da imagem e teoria das cores – RGB e CMYK. Além dos tipos de sensores, qualidade e resolução da imagem. Material obrigatório: câmera digital com ajustes manuais. Orientação: Elizabeth Lee. Duração: 6 encontros. Acima de 16 anos. 20 vagas. 1º Pavimento. Inscrições: dia 04/06 [TERÇA], pessoalmente, a partir das 14h, no estacionamento. Havendo disponibilidade de vagas, as inscrições seguirão no 1º pavimento a partir de 05/06 [QUARTA], às 11h.

http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=249150

SESC Belenzinho

18/06 a 04/07.
Terças e quintas, das 19h às 21h.

Revelação Cor

Revelar o próprio filme sempre foi uma das minhas vontades. Revelar filme colorido então era algo como o caminho a se seguir, quase como uma filosofia de vida. Fazer o que faço com os processos históricos então, é a própria vida, que faz sentido para mim.

Recentemente surrupiaram minha câmera digital, mas nem fiquei tão triste como achei que ficaria. Triste foi perder as fotos de documentação das minhas aulas, que tinha tirado dois dias antes do acontecimento, e da palestra do mestre Kenji, que não consegui nem ver.
Mas isso me fez perceber que o mais importante nunca vão levar, que é justamente meu trabalho, os conhecimentos que acumulo.

Vou documentar minhas aulas com filme.

A revelação cor se diferencia em alguns pontos da revelação preto e branco. A química é bem diferente. Temos o Revelador C-41 para filmes negativos, em seguida o Branqueador e o Fixador. O processo é feito numa temperatura maior, 38 graus Celsius, e de preferência separamos tanques que não são utilizados para PB, para se ter maior controle.
Para revelar cromos usamos um banho chamado E-6, e são seis químicos para esse processo, que num próximo post pode ser mais bem descrito.

Esses químicos são mais tóxicos, deve-se tomar maior cuidado utilizando equipamento de segurança adequados. Máscaras preferencialmente com filtros de ar, luvas, óculos e avental, e manusear em local ventilado.

Podem ser comprados na Revela Photo na Barão de Itapetininga 216 e algumas vezes se encontra na http://www.dinashop.com.br os kits da Tetenal.

A agitação é bem diferente. Não se deve criar bolhas, como fazemos no PB, giramos o tanque para passar pelo filme.

E seguem os tempos:

Em banho-maria a 38 graus
Pré lavagem – 1minuto e 15segundos
Revelador – 3 minutos e 15 segundos
Branqueador – 4 minutos
Lavagem – 2 minutos
Fixador 4 minutos
Lavagem 4 minutos

Deve passar ao final um produto chamado Estabilizador, funciona como um Photoflo.

Existem algumas máquinas que fazem todo esse processo, a mais bonita é a Jobo.

Olha que linda... jobo do senac

Olha que linda… jobo do senac

Foto de Câmera Descartável:

Bom Retiro - 2012 - BethLee

Bom Retiro – 2012 – BethLee