Jaqueta branca de Melville

Hoje é a pré-venda do livro de Herman Melville, Jaqueta branca pela editora Carambaia.

O projeto é do Estúdio Margem e eu entrei com a produção das capas para o livro. Foram mil cianotipias em oito desenhos de capas diferentes. Como é um processo artesanal, praticamente todas as capas são únicas.

captura-de-tela-2017-02-02-19-18-17

https://carambaia.com.br/jaqueta-branca

provavelmente terão informações sobre o processo no blog da editora e o lançamento é semana que vem.

Trabalho feito com uma enorme ajuda do Edison Angeloni e do Washington Sueto.

Sobre o processo.

já escrevi algumas vezes por aqui e no Câmera Preta, o cianotipo é um processo fotográfico a partir de sais de ferro. De todas as técnicas é o mais simples e um dos mais lentos na exposição à luz ultravioleta.

Um fator que nunca vejo em nenhum livro ou site é que o tempo de exposição dos processos varia de acordo com o papel, além do tom de azul, que por vezes tem alguma variação. No caso desses cianotipos do livro o uso da água oxigenada ajudou bastante a deixar o azul mais intenso.

Fiz testes de lavagem e exposição por mais de três meses para afirmar isso e mesmo assim o processo sempre me dá surpresas.

Outra questão importante é a quantidade de químico que o papel absorve. Alguns papéis demoram a absorver o químico então muitas vezes se chega num resultado de azul mais profundo reforçando com uma segunda camada. Para essas capas eu passei duas vezes.

Pesquisei muito sobre cianotipia e conservação. Já sabia que ele é melhor conservado em meio ácido. E se um dia ele enfraquecer o azul é só deixa-lo no escuro que ele volta. Uma característica do cianótipo que me faz refletir, pois parece que ele está sempre reagindo e se transformando.

Estava eu num azul profundo no fim de ano…

Masss..

Pro mês de março temos mais umas novidades com os cursos de cianotipia e outros processos da fotografia alternativa. (muita coisa de cianotipia em vista) Semana que vem conto tudo.

 

Dica importante: sempre use luvas e material de proteção individual.

 

 

Cianotipando na Vila Mariana

Estamos firmes e fortes com as produções de cianotipia. Nos primeiros dias foi um pouco mais difícil nos acertarmos com a nova estrutura mas semana que vem voltamos a produzir algumas imagens mais.

Semana passada fomos eu a a mesa de luz para lá. O Edison me ajudou e tirou algumas fotos. Sem a ajuda dele eu não conseguiria mostrar alguns registros aqui. Arigatô!

dsc_0036

Eu a minha pequena

A parte novidade legal é que para esse curso ganhamos um envelope de papéis Hahnemuhle Platinum Rag, cortesia da Dina Fotográfica.

20160908_110242 eis aí o envelope! A foto vai pequena pois não ficou grandes coisas, mas o papel é realmente muito bom.

Pra mim foi bem interessante utilizar esse papel pois a gente se acostuma a adaptar produtos de outras áreas, tendo que lavar, encolar e aí o papel te responde com algumas surpresas. No entanto o Hahn (como eu costumo chamar) foi bem mais fácil de utilizar.

dsc_0061

cianotipos prontos para receber luz

Como lá a estrutura é adaptada, a gente sofre e entende algumas diferenças desde o começo. Minha mala U.V. funcionava bem com 10 minutos em casa. Chegando lá percebemos que ela não funcionava igual. Depois percebi que tinha a ver com o papel também. Em casa testei com papel mais fino e foi mais rápido, por isso eu teria que deixar mais tempo na mesa no local de aula.

Essas coisas só acontecem quando é um ambiente diferente do que estamos acostumados. E valeu como experiência, pois até então não tinha percebido necessidade de tempos diferentes de acordo com o tipo do papel.

Chegando em casa fui fazer um teste e era isso mesmo. Deixei um Filiperson 90g e um Fine Face 140g ao sol. O Filiperson funcionou bem com o tempo que sempre deixo, mas o Fine Face (é um papel de desenho) sumiu inteirinho. Antes de acreditar que ele não serviria, pois eu já tinha usado ele e sabia que funcionava, deixei com mais tempo de exposição ao sol e ele ficou lindão. Na verdade eu recomendo esses papéis para quem está começando a utilizar esses processos porque são baratos, mas gosto mais dos papéis de gravura e aquarela. A diferença é que esses papéis demandam mais preparo inicial.

A vantagem do Platinum é que o tempo de exposição não foi muito maior e não requer preparo.

Com esse novo papel aproveitei para fazer testes que faz tempo estava ensaiando e comecei a fazer uma pesquisa maior relacionada a lâmpadas.

Eu compro um monte de papéis para ficar testando, logo mais postarei os resultados que fiz até agora. Até para o anthotype o Rag deu cor mais intensa ao sumo. (isso logo mais, logo mais eu mostrarei)

Eu logo mais também terei o papel para revenda e esse mês volto a montar os kits de fotografia alternativa / processos históricos. E ainda vai ter mais novidade em relação a esses produtos. Resolvi montar esses kit porque queria tornar mais acessível, mas ainda preciso rever embalagens, ainda não achei o que me agradasse.

Antes que me esqueça, essa atividade no Vila Mariana está ligada a expo do Arno Rafael, vale a pena visitar a expo dele. Tive a oportunidade de ser ouvinte no workshop dele e o jeito como ele analisa o trabalho do pessoal foi muito inspirador. Ainda preciso aprender muita coisa… mas não porque era ele. Muito do modo como ele analisou os portfólios me lembrou muitos professores que tive e lembro das aulas sempre com muito carinho.

E mês passado estive no Foco crítico com o Guilherme Maranhão e Fausto Chermont, quem quiser dar uma espiada lá no periscope https://www.periscope.tv/w/1YqJDbgopZNKV

Santos, Vila Mariana e Pompéia

 

20160616_150515

Material fotográfico da aula de Campinas

Esse semestre teremos algumas atividades de processos alternativos espalhados por SP.

Em breve teremos mais.

 

Mas por enquanto está assim:

Sesc Santos – Antotipia

Sextas feiras – 12 de agosto a 02 de setembro – 19h a 22h

 

Sesc Santos – Cianotipia

Sextas feiras – 23 de setembro a 14 de outubro – 19h a 22h

 

Sesc Santos – Van Dyke

Sextas feiras – 28 de outubro a 18 de novembro – 19h a 22h

 

Sesc Vila Mariana – Cianotipia

Quartas feiras – 17, 24 e 31 de agosto e 14 e 21 de setembro das 19:30h a 21:30h

 

Sesc Pompéia – Curso Regular de Processos Históricos

Quartas feiras – 14 de setembro a 14 de dezembro – 10h a 13h  – 12 encontros

 

Em breve provavelmente teremos mais outros cursos em outros espaços bonitos.

Desculpem o post curto, o resfriado está castigando um pouco agora, além do que tenho colocado mais atividades e fotos na página Câmera Preta no facebook já que é a página onde eu e o Edison colocamos nossas atividades , tanto em conjunto quanto individual, até aceitei criar um instagram (!!!) @camerapreta

São tantas contas que não sei como lidar com isso.

Mas a gente que faz aula, pesquisa, faz foto, paga conta, tenta escrever um projeto de mestrado e faz a própria divulgação, tem que aprender a vincular tudo isso, estou tentando.

E ainda teremos mais novidades!!!

 

em dias de sol intenso saiu um lumen print

Papel PB Kodak. Papel velado. Foi jogado fora. Achei na lata de lixo.

Recolhi. Voltei aquelas folhas amareladas no saco preto e retornei elas com carinho à caixa amarela. Pensei – um dia acharei uma imagem para vocês.

 

Resolvi fazer um teste antes de viajar para um trabalho. Aquelas folhas já estavam mais de três anos no envelope, desde que foram jogadas.

Minha vontade de reaproveitar as coisas é impossível. Como eu tinha um fixador bem usado aproveitei o fix para o teste também.

Exposição ao sol: 2 horas. Acho. (esqueci a foto no telhado e saí para resolver outros assuntos) Quando cheguei passei no fix. Lavei e sequei.

Eis meu resultado:

lumenbethlee-2016001

Dusting on process – Revelação a pó

em 2005 vi um amigo da faculdade fazendo esse processo e me encantei.

É uma técnica a partir de mel ou açucar que se revela a seco, com pigmento em pó.

A graça é que pode-se facilmente usar vidro, cerâmica ou metal como suporte.

Buscando a fórmula nos livros a finalização descrita se dá somente em retornar a foto para a exposição de luz e o resíduo químico continua lá. Daí em 2007 fiz vários testes para conseguir limpar essa imagem com água gelada.

 

Atualização 19.04.17

O processo segundo as bibliografias abaixo tem um misto das pesquisas de vários nomes, Vacquelin, Ponton, Becquerel, Talbot Archer, Garnier, Salmon e Poitevin.

Vacquelin no final de 1700 e Suckow em 1832 em relação aos cromatos. Mungo Ponton em 1839 faz um estudo sobre a sensibilidade do dicromato de potássio à luz. Em seguida Becquerel em 1840 percebe a reação do dicromató com amidos utilizados em encolagens de papéis.

Alphonse Poitevin em 1855 aplica dicromatos na produção de cópias fotomecânicas. Em 1858 utiliza uma solução coloidal com dicromato, mel e goma arábica. É o primeiro a adicionar pigmento no processo.

Henri Garnier e Alphonse Salmon em 1858 fazem pesquisa com citratos férricos mas abandonam para uma fórmula com dicromató de amônio e açúcar que posteriormente se utiliza para transferência em superfícies cerâmicas.

Um positivo é necessário para a técnica. As partes protegidas de luz U.V. continuam grudentas e o pigmento em pó fica grudado nessas áreas.

fonte: Christopher James – The Book of photographic alternative processes – 3. edição

Kent Wade – Alternative photographic processes

 

 

 

 

Kits de Fotografia Alternativa

Em toda atividade de fotografia alternativa sempre indicamos locais para compra dos químicos, não apenas eu mas todos aqueles que fazem esse tipo de processo. Percebi ao longo dos anos que a quantidade acaba se tornando proibitiva, afinal, 500g de um  500g de outro e a casa de cada um viraria um arsenal de químicos, sendo necessária uma estrutura grande para comportar tudo. Por sorte eu disponho de um espaço bom para isso, mas confesso que tem mais coisas do que posso guardar. Penso que seria muito mais legal termos material de fotografia mais acessível, pois foi algo que levei muito tempo para conseguir.Pensando nisso resolvi montar kits para alguns processos. Já preparados, prontos para uso.

Atualização 02.06.2016 – resolvi dar uma parada com os kits. A minha intenção nunca foi de lucrar com isso, mas de tornar os processos que tanto amo mais acessíveis.

Só que me tomam um tempo pra fazer e agora estou com novos projetos pela frente. Nesse meio tempo entraram em contato pessoas de várias partes do país e fiquei feliz de saber que há um interesse sobre as técnicas. Hoje, depois de ver os resultados de uma turma numa escola fazer cianotipia  e ver que isso foi o resultado de um professor muito dedicado, acho que já valeu muito a pena. Já posso parar por aqui.

Estou partindo para novas pesquisas, então a quantidade de químicos que vou comprar vai diminuir. Penso que já fiz meus tributos a Herschel, a Poitevin, a Talbot. Falei tanto e tanto sobre cianotipia, sobre papel salgado, sobre goma bicromatada. Escavei Wedgwood e nas aulas dei meu reconhecimento sobre sua pesquisa, porque para mim a história da fotografia devia ser contada a partir dele sim. Só não falo mais sobre a história em aulas porque não tenho abertura para isso, mas eu teimo em olhar para aqueles que ficaram transparentes, escondidos embaixo das experiências sem reconhecimento que fizeram.

É o que eu preciso continuar. Arrastar o tapete e procurar o que ficou para trás.

Agradeço a todos que confiaram nos meus kits, sempre fiz com carinho.

Goma bicromatada – no limiar da resistência

Faz duas semanas que estamos produzindo gomas no Sesc Pompéia. Quando chegamos nesta etapa digo que é quando a relação com os processos alternativos muda, porque incrivelmente aqueles que se dão bem com o cianótipo e van dyke por exemplo não curtem muito a goma, e aqueles que não tiveram bons resultados com as outras técnicas, conseguem fazer uma goma bonita. Não é uma regra, varia de acordo com cada um. Tem aqueles que se dão bem com qualquer tipo de químico.

Não é como a fotografia preto e branco, existem muitas variáveis extras, como qual o papel que utilizamos, o negativo que fazemos, a fonte  de luz, às vezes até o espaço onde trabalhamos influi. Se há muita umidade ou é muito quente, pois papel absorve umidade, alguns químicos também.

Com a goma entra uma diferença que é esticar a goma, para ficar mais uniforme. E a maioria das vezes o erro é na quantidade de pigmento também. Eu sei porque eu tive todas as dificuldades possíveis. E no final acabo conseguindo analisar o que dá errado justamente por isso, senão eu não saberia consertar.

Hoje faremos a goma mais uma vez e o vandyke. Só no final do semestre lembro de colocar alguns resultados aqui.

Mini Curso de Cianotipia e Van Dyke Brown – Sesc Santana

Estou cá novamente! Dia 17 começa o curso no Sesc Santana, faremos duas técnicas no Quiosque.

O cianótipo que confere tons azulados às imagens e o Van Dyke de tons marrons.

Cianotipia é um dos processos fotográficos mais simples e como sua fixação seria apenas lavar em água corrente, fica mas fácil para aqueles que estão começando. Publicado por Sir John F. W. Herschel em 1842. Inicialmente não era usado para fins fotográficos. Alguns artistas começaram a utilizar a técnica para reproduzir negativos a partir de 1850. Por sua simplicidade, era usado para fazer provas de negativos, quando em trabalho de campo. Fonte: Coming into Focus – John Barnier

E o vandyke? Falo sobre ele mais tarde…

Dia(s) 17/07, 19/07, 24/07, 26/07
Terças e quintas, das 14h30 às 16h30.

Mais informações:
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=224140

Goma

Enfim, terminamos mais um curso no Sesc Pompéia de Processos Históricos. Desta vez, juntamente com papel artesanal a proposta era adequar papel aos processos e verificar quais os melhores papéis para cada técnica.

Mas hoje experimentamos a goma bicromatada e como eu já imaginava a textura do papel muito enrugado nem sempre dá bons resultados para o início com goma. Não que fique ruim sempre, é que o processo, exige maior controle de início, sendo melhor aprendê-lo nas primeiras tentativas com papel mais liso.

Observação: explicando bem o que eu quis dizer, pensando na didática, para iniciar os primeiros experimentos com goma, não achei interessante usar papel artesanal porque como eu já imaginava, fica mais difícil obter bons resultados. Digo isso porque a maioria erra justamente quando chega na goma, independente do papel, é um processo delicado e qualquer variação faz com que fique um pouco mais difícil de aprender e tende à frustação. Não estou pensando nisso à toa. Meus primeiros testes foram com um papel artesanal e pra aprender realmente foi mais penoso, porque não sabíamos como o papel reagiria.

Mais para frente irei postar as fotos dos processos, não consigo fazer mil coisas ao mesmo tempo e tenho que terminar um projeto agora.

Segue a fórmula:

PREPARO DA GOMA
70ml goma arábica
200ml água destil.
-Algumas gotas de formol para conservar. Alguns dizem que deixar na geladeira conserva bem.
nota: tem gente que prepara a goma diluindo-a em água morna. Eu coloco a goma numa gaze como um saquinho, como ensina no Keepers of Light e deixo pendurado num pote com água. Aos poucos ela dilui, deixando as impurezas dentro do saquinho de gaze. Depois é fechar bem. Se guardar por muito tempo é bom adicionar o formol. Deixei uma vez na geladeira, mas ficou com cheiro forte mesmo assim. E quando começa os odores é ruim…

PREPARO DO DICROMATO
13g dicromato de potássio
100ml água destilada
(já vi fórmula com metade da quantidade de água para a mesma quantidade de químico, testei mas não cheguei a grandes conclusões.)

Partes iguais da solução de goma e de dicromato para uso. A quantidade de pigmento de aquarela depende de cada cor. Pode ser o pó ou em tubos.

Mistura-se primeiro o pigmento com a goma. De preferência bem macerado num pote áspero. Depois, o dicromato.

Expor: trinta segundos num sol quente de inverno de SP capital são suficientes. Na mesa de luz do lab dá uns 3 minutos em média. De acordo com a cor escolhida, não dá pra ver se o tempo foi suficiente ou não.

Revelar:
Bandeja de água limpa, deixe a cópia com o verso para cima. O dicromato se solta, junto com a goma que não foi endurecida caindo aos poucos.
Depois de alguns minutos esqueça a cópia em outra bandeja. Ela se revela lentamente.

O interessante da goma é fazer mistura de cores, até tricromia, separando os canais de cmyk para produzir uma fotografia cor.

Segue uma imagem do Edison Angeloni de Tricromia.