Papéis

outro dia nas aulas percebi que não havia colocado nenhum conteúdo sobre papel por aqui.

por isso vou deixar minhas impressões sobre o tema, para as pessoas que não querem gastar muito com papéis especiais.

Importante lembrar que aqui estou deixando um depoimento para quem está começando, não é para uso super profissional. Até porque se quiserem pular para algo mais específico para fotografia alternativa, é só utilizar um Platinum Rag para fotografia alternativa (não é para inkjet) ou um Arches Platine. (se conseguir um Herschel melhor ainda)

Nos cursos sempre busco alternativas mais fáceis de ser encontradas e com baixo custo. Recomendo especialmente papéis neutros ou aquarela e gravura. Para os últimos dois a regra é: lavar e acidificar.

Funciona sem lavar e acidificar? até funciona. Mas se você é daqueles que gosta de sofrer ou de roleta russa. Porque todos esses papéis são muito alcalinos então vai perder alguma parte do material químico na tentativa e erro.

Tentativa e erro é uma ideia que meu irmão, por exemplo, odeia. Se quer algo preciso, não fique sofrendo muito com tentativa e erro, já que a química é precisa nesse sentido. Do contrário, é preparar um material pra ver metade do seu trabalho sumindo depois.

Papéis de desenho não são minha escolha favorita também. Pelo mesmo princípio. Mas também porque em geral as fibras são mais curtas e a resistência acaba sendo baixa.

Acidificar: 10% de ácido cítrico e seja feliz. Vai economizar uma boa parte do seu tempo com isso.

Encolar: 3% de gelatina ou cola de amido. (odeio fazer cola de amido * ) CMC também é uma opção.

A encolagem se utiliza em papéis que estão absorvendo muito químico e acabam ficando manchados.

Papéis preferidos por mim para sofrer menos e não pagar muito caro. Gosto do Canson Edition de gravura. Mas depois da pandemia está sendo mais difícil encontrar. Custo baixo para um papel com parte de algodão. Fabriannos são maravilhosos. Filiset neutro é só alegria pois não precisa de preparo. Só que é fino.

Montval em folhas é uma opção também, apesar da textura. Eu só utilizo quando não encontro outra opção.

já os de gravura, prefiro recomendar os de prova. Porque de gramatura mais alta SEMPRE requer acidificação e encolagem. São lindos, macios e ótima textura. Mas demora pra preparar, é bom ter mais experiência.

*odeio fazer cola de amido porque tem que esquentar, é difícil de fazer em aula. Coisa que eu prefiro fazer sozinha sem pressa.

Onde comprar papéis:

  • Papelaria Universitária
  • Casa do Artista
  • Fruto de Arte
  • Led encadernadora
  • Molducenter (quantidades grandes)
  • Casa do Restaurador
  • World Paper (washi)

Cítrico, CMC – lojas de confeitaria, mercadolivre, rua das essências da Sé.

Posso usar vinagre? Digo que vinagre é caro pra quantidade que vem. Prefiro usar limão se tiver que ser natureba.

Não coloquei fotos ou links porque estou montando aulas da semana e resolvi escrever sobre o assunto às pressas. A verdade é que além de estar um tanto atarefada com mudanças de espaço e reformas, também inventei de fazer uns processos difíceis.

Além de tudo também tenho uma sobrinha especial PCD. Tenho observado ela mais de perto pra entender o que ela percebe sobre imagem e ao mesmo tempo tentar fazer imagens sobre ela. A parte que tem me doído é que sei que ela pode viver pouco tempo, então quando posso fico perto dela pra de alguma forma diminuir as frustações do que ela não pode fazer.

Luis, meu amigo azul, entre vôos e mergulhos

Em 2014 Luis começou a me escrever perguntando de químicos de cianotipia. Perguntou dos preços dos kits. Alguns meses depois disse que comprou os químicos por conta e tentou fazer muitos cianotipos com muita perda de papel e químico. Ele achava que não tinha preparado o material químico do jeito correto.

Do Rio Grande do Sul, parecia que os recursos para pagar uma aula em São Paulo devia ser inviável, comecei a perguntar como estavam suas produções de cian. Resolvi naquele momento, ensiná-lo à distância, desde que ele me mostrasse seu desenvolvimento. Minha vontade sempre foi conhecer todos os Estados do Brasil, então eu tinha a esperança de um dia conhecê-lo. Nunca imaginei que desde então se tornaria um dos meus melhores amigos.

Luis, 80 e poucos anos e muitas dúvidas sobre cians. Foi entre muitas ocupações, arte educador na periferia, correu dos 50 até os 70 quando foi atropelado, desde então nadava e me escreveu que seu maior acerto na vida foi sua esposa.

Sei que você é tímido e estou expondo um pouco a sua vida mas achei que valia contar de alguma forma.

Seus cians estavam realmente um tanto fracos, mas não era nada muito absurdo. Acredito que era porque o resultado que queria precisava de um material específico, ou seu olho já estava pedindo um resultado melhor.

Nos correspodemos por oito anos, parando um pouco depois que descobriu um câncer. Luis parecia desanimado mas estava sempre nadando. Eu também não quis insistir, quando percebi que ele parecia cansado de falar da saúde que junto com a pandemia o deixava um pouco mais ansioso.

Um dia perguntei a ele sobre ideias e nomes para seu projeto com a cianotipia. O título: Vôos e mergulhos. Na justificativa me deu uma resposta típica de alguém que parece ter depressão. Não faço ideia e nunca vi uma foto de seu rosto. Mas não era algo que me incomodava. Não imagino como ele aparentava mas nunca parei para pensar muito.

Ontem eu escrevi para ele para ver se ele ia querer me responder. Agora que eu percebi que a mensagem retornou. Você deve ter já uns 89 anos, meu amigo. Espero que a doença não tenha te machucado muito. Que ainda faça muito vôos e principalmente mergulhos, que parecia que era o que você mais gostava. E espero que esteja em paz.

aqui, a primeira imagem que me enviou nos nossos estudos.

História das Técnicas Fotográficas no Pompéia e mais pra agosto

Primeira versão do curso em formato presencial êeeeee!!

E eu esqueci de anunciar aqui dessa vez, quando abriram as inscrições para credencial plena do Sesc, mas as inscrições para público geral é nesta quarta feira, pelo aplicativo ou pelo site do Sesc.

https://www.sescsp.org.br/programacao/historia-das-tecnicas-fotograficas-introducao/

dia 19 de agosto – Bazar de fotografia no Imagineiro

o legal é que apesar de ser um curso teórico a ideia é mostrar como se faz alguns exemplos no laboratório. Junta a pesquisa prática e a que eu mais gosto de passar os dias pesquisando, sobre como as técnicas foram surgindo.

E logo mais espero ter mais novidades. Agosto vai ter bazar no Imagineiro, no dia mundial da fotografia. Vamos fazer uma oficina de cianotipia em sacolas de algodão e Roger Sassaki fará mini retratos em tintypes – os gem tintypes (deve custar algo em torno de 100 reais cada atividade) pode ser que não tenhamos essas atividades 😦 EDIT: atualizado no próximo post

Teremos materiais fotográficos para venda, usados e novos como usualmente. E como cai dia 19 de agosto, vai ser um dia depois do níver do migo Roger leonino, se alguém tiver a fim de só conhecer, dar parabéns e experimentar chocolatinhos kkkkk. (fica, vai ter bolo..)

dia 25 e 26 de agosto

vou oferecer um curso de marrom van dyke no mesmo local. Rua Cardeal Arcoverde 2007. São duas tardes, das 14h às 17h. no curso já tem incluso material, papel Platinum Rag, próprio para a técnica fotográfica, papel aquarela, negativos impressos e um kit de químicos de presente para cada participante. Logo anuncio aqui com o valor, estou esperando o Roger confirmar. Acredito que as inscrições serão feitas no site do Imagineiro. Essa também está em aberto. Muitas tarefas para resolver e não deu tempo de divulgar.

AZUL – new ciano e traditional ciano

Algum tempo atrás eu achava que nunca iria colocar as mãos num oxalato férrico amoniacal.

Acabou que veio parar um na minha mão. Comprei o frasco já aberto de um fotógrafo algum tempo atrás e resolvi testar recentemente.

Quem faz cianotipia sabe que a composição é Citrato férrico amoniacal e Ferricianeto de potássio.

E sobre essa fórmula há muito o que falar, só que como pude preparar o New Ciano, fórmula do professor Mike Ware, resolvi fazer um comparativo. Cianotipia é uma pesquisa que não tem fim. Nomearei aqui este como NC e o tradicional como TC

Existem diversas variações de como de fazer fórmulas, proporções, métodos a respeito de ciano. Resumindo muito. E um método recente é o NC, que utiliza oxalato férrico amoniacal no lugar do citrato férrico amoniacal. O preparo é um tanto mais meticuloso e a filtragem é necessária. Só que este reagente não é comercializado no Brasil, sendo possível obtê-lo apenas com compras internacionais.

Das fórmulas fotográficas, o ciano é um dos processos mais lentos para formar a imagem à luz. Num sol direto aqui em São Paulo leva cerca de dez a vinte minutos de exposição. O NC em teoria é mais rápido e se ganha em contraste. Não fiz um estudo super aprofundado mas seguem minhas primeiras impressões.

a embalagem

E vou dizer que o tom de verde é apaixonante, daquele verde radioativo, fosforescente bem bonito. Tive que me conter para não deixar aberto em luz ambiente e ficar admirando um pouco mais a cor.

Tem a descrição do processo no Alternative Photography, tem no site do Mike Ware, vou resumir aqui em tradução livre 🙂

Basicamente dissolve-se 10g do Oxalato férrico amoniacal em água 20cc a 70 graus Celsius.

Em outro recipiente dissolve-se 30g do oxalato em água 3cc a 50 graus Celsius.

Adiciona o primeiro ao segundo e deixa esfriar até atingir cerca de 20 graus Celsius.

Inevitavelmente formará alguns cristais que devem ser filtrados. Adiciona-se 0,1g de dicromato de potássio. Deixar descansando por pelo menos um dia.

A parte difícil é escolher um papel que não manche as altas luzes. Todos os que eu testei velaram um pouco ou muito e ficaram bem escuro onde teria branco. Parece que essa é uma característica dessa fórmula. Ou seja, não adianta economizar no papel, tem que achar um bom papel mesmo. Num papel neutro foi a minha melhor opção até agora, mas mesmo assim não foi o melhor resultado.

esquerda TC. direita NC. Mesmo tempo e papel.

deixei esta imagem acima na janela, tempo nubladão e foi cerca de 1 hora e meia. O TC não estava nem pronto. O NC ficou mega escuro. Chutei metade do tempo para fazer as próximas. Errei completamente. (o teste não está muito bonito, a pressa de tentar testar algo enquanto tento trabalhar no dia a dia)

um teste um pouco melhor. TC ficou uma hora. NC vinte e cinco minutos. Ainda ficou bem escura e o papel neutro velou bem a alta luz.

O tom do NC ficou bem mais intenso, deve ser cerca de 1/5 a 1/6 do tempo de exposição de um ciano comum. Agora deu pra perceber um ganho de contraste. Nesse meio tempo perdi alguns papéis pra conseguir fazer esse teste razoável. Como os tempos de referência do processo são feitos com mesas de luz diferentes das minhas, não adianta muito se referenciar por aí

temos detalhes nas janelas e porta

Considerações até agora é que o azul é mais intenso e uma pena que não esteja disponível no Brasil. Nos últimos anos o preço do reagente aumentou tanto que chega a ser triste.

Gostaria de tornar essa fotografia mais acessível no Brasil, mas eu vejo que nem eu consigo acessar tantas coisas. E desde que se iniciaram mais conflitos no mundo alguns reagentes usados na fotografia estão sendo controlados de forma mais rigorosa.

Mas está aí a descrição de mais alguma opção e incrivelmente bonito na minha opinião.

Plantas e imagens fotográficas sensíveis

outro dia percebi que escrevi posts de atividades e esqueci nos rascunhos :/ :/ :/

Uma delas era sobre uma atividade que teve no Sesc Interlagos sobre anthotype.

Então pensei em escrever um pouco sobre esse processo, que já errei muito e já acertei um tanto.

Mas antes vou anunciar o novo livro na qual participo com uma contribuição junto a Simone Wicca, iniciativa de Malin Fabbri do site http://www.alternativephotography.com

É uma grande honra e um prazer, já que o site me ajudou muito desde o início das minhas empreitadas foto-alternativas.

O termo emulsões talvez seja um pouco fora do que é na verdade. Não seria bem uma emulsão que preparamos para um antotipo, mas acho que vale a carga histórica da fotografia.

O tema era Esperança. Na hora pensei na Caixa de Pandora, que parecia se encaixar um tanto com a questão pandêmica. Simone também curtiu a ideia. Mas queríamos que a esperança saísse da caixa. Nosso trabalho foi feito com o uso de serragem de pau brasil. Afinal é uma pesquisa que tenho feito bem lentamente, a respeito do uso de plantas nativas e também de plantas tintureiras.

Quinze anos se passaram desde que fiz minhas primeiras experiências com plantas. E acho que esse blog começou um pouco antes disso. Vou dizer que as minhas primeiras impressões em relação ao anthotype não mudaram tanto desde então. Tecnicamente. Mas pude ver e acompanhar muitas pessoas a descobrirem esse processo, principalmente agradeço ao Sesc por me dar essa oportunidade na maioria das vezes. Quando comecei de forma rebelde a pesquisar sobre essa vertente efêmera não tinha a menor ideia de que viraria trabalho. E sempre a Simone foi minha amiga que me empurrou para muitas coisas legais, como essa participação no livro.

Vou explicar um pouco sobre meu percurso. Era um momento em que eu perdi muita coisa numa graduação que me deixava apaixonada todo dia pela fotografia. Mas de repente perdi minha orientadora, que foi demitida. Aos poucos queriam retirar o laboratório preto e branco e colorido e os processos alternativos, com a alegação de que a fotografia seria apenas a imagem digital.

Então meu trabalho foi a respeito dos processos com plantas e sobre a efemeridade da vida e talvez até da imagem digital. Comecei meu texto citando Marx. As imagens eram sobre objetos que seriam substituídos por outros (câmera de filme), imagens de álbum de família, lugares que de certa forma foram abruptamente tomados de mim.

E depois de um pouco mais de pesquisa também pelo site alternative photography cheguei no nome de Mary Somerville, que amiga de John Herschel, troca correspondências com ele a respeito do processo. Só que em nos textos sobre o processo dificilmente seu nome aparece. Porque nesse momento as mulheres não podiam publicar estudos científicos.

Enfim me faz pensar em muitas questões sobre a mulher e a produção artística e cultural. Mas isso é tema para outra conversa, porque vai ser longo.

E enquanto eu colocava meus primeiros antotipos em cima do telhado eu ficava me perguntando o que os vizinhos iam entender se explicasse para eles. É muito fora da realidade, é coisa de gente estranha? Estudei 4 anos pra usar plantas pra fazer foto. Tô subindo no telhado pra fazer meu trabalho de conclusão.

O fato é que essa pesquisa começou com uma curiosidade e parecia algo simples de ser produzido e um conceito interessante para um primeiro contato com a ideia da formação da imagem fotossensível.

E no final acredito que seja uma ótima ferramenta para se pensar nas imagens num mundo em que vivemos conectados com a tecnologia e que as fotografias são tão instantâneas que não é preciso mais fazer nada além de deslizar os dedos pela tela de um celular para fazer ou modificar muitas imagens.

Outro dia mesmo recebi mais de cem fotografias de um treino e só guardei três.

E essa imagem fotossensível que volta o olhar para as plantas. Eu sempre ouço nas aulas que depois de ter o contato com a técnica as pessoas começam a olhar mais para as plantas na rua. Pensam se vai dar certo, experimentam. Põem-se a perceber as texturas e os cheiros. Analisam as formas e espessuras das folhas. As cores das flores começam a ter outro sentido.

E para começar a estudar o processo comecei a estudar algo além da comida, plantas não convencionais e das plantas nativas. Pensar na posição do sol no meu dia a dia, para saber quanto tempo de sol bate na janela.

Pessoas muito ansiosas precisam fazer um esforço um pouco maior para produzir imagens tão lentas. É um desafio e ao mesmo tempo um exercício de auto controle. Tentar dominar esse tempo dentro de si.

O momento mágico desse processo não é o aparecimento da imagem aos nossos olhos, como quando vemos a fotografia surgir no revelador, mas a noção de que a imagem surgiu a partir das plantas, naquele papel que colorimos com um sumo e que escancara essa reprodutibilidade ou em cima de uma folha de planta.

Quando iniciei esse estudo eu ampliava as imagens em fotolito. Ou filme gráfico. Com algumas experiências vi que a imagem bem densa seria melhor para obter algum detalhamento a mais no processo. Por isso busquei fórmulas específicas para fotolito (kodalith) e preparei um revelador próprio. Hoje em dia envio o material para a gráfica para fazer o fotolito, já que esse material que eu utilizava no laboratório não é mais fabricado.

Post a atualizar – tem muita coisa pra escrever, vou fazendo aos poucos 🙂

Agosto começou com tudo

E me atrasei pra postar aqui.

Tive um problema no meu computador e pra postar do celular é meio estranho. Mas estou tentando 😯😀 (eu falando waaa)

Amanhã já abrem as inscrições para os cursos do Sesc Pompéia. https://www.sescsp.org.br/cursos-regulares-das-oficinas-de-criatividade-retomam-este-mes/

E vai ter curso em Campinas agora dia 11/08 https://www.sescsp.org.br/programacao/experimentacoes-com-marrom-van-dyke-e-lumen-print/

Curso de História dos Processos – Adelina – Sympla

vai ter curso online no instituto Adelina novamente. São 4 encontros a partir do dia 06 de dezembro e o evento está no Sympla.

https://www.sympla.com.br/curso–historia-dos-processos-fotograficos__1408406

Neste curso apresento um recorte da história de como as técnicas fotográficas surgiram e como algumas delas funcionam. A fotografia tem seu desenvolvimento a partir de diversos materiais e procedimentos desde o início do século XIX até o começo do século XX. E a respeito dos materiais são diversos mesmo. Desde plantas a ouro. A partir de materiais que reagem com a luz pelo escurecimento ou pelo endurecimento. Em metais, papéis, gelatina ou algodão solúvel.

E comento um pouco sobre a estrutura necessária para a produção do que hoje é mais conhecido como fotografia alternativa. A ideia é também mostrar algumas fórmulas e por isso também preparei um breve manual em pdf.

A possibilidade de captar imagens fez parte do imaginário de alguns muito antes da sua invenção. Isso é descrito por poetas e escritores desde o século V. (ah, os visionários poetas…)

Dentro dessa jornada foram muitas falhas e sucessos, muitos desconhecidos e alguns famosos. Como alguns aqui sabem, eu gosto das histórias daqueles que foram esquecidos e das técnicas igualmente de pouco sucesso.

Em 4 encontros vou abordar desde o princípio da formação da fotografia, como surgiu e quais as principais técnicas, ao seu desenvolvimento como negativos e cópias em técnicas de cianotipia, papel salgado, albumina, albumina em vidro, placa úmida e placa seca. Quais materiais são necessários para se produzir essas técnicas e suas referências e como montar um espaço para se trabalhar com a fotografia alternativa. Dentro do programa falo de anthotype, de daguerreotipos, calotipos, positivo de Bayard, a fotografia de Florence, entre outros. Vou falar sobre a fotografia colorida e a película de cinema, minha atual pesquisa. Comento também sobre como monto meus equipamentos e onde se encontra os materiais.

WCD – Dia Mundial da Cianotipia

O dia foi 25 de setembro deste ano.

A Simone Wicca queria fazer uma imagem para o evento e me chamou. O tema desse ano foi Rejuvenecer. A ideia que ela deu era de fazer um tecido e expor ao sol como se ela estivesse nadando, porque era uma lembrança de sua infância e que nadar sempre remetia a esse tempo. Eu comentei com ela que quando criança não sabia nadar e que eu ia precisar de um barco para navegar nesse mar. Outra questão para mim é que não sou muito dos fotogramas, fico ligeiramente insatisfeita. Uma limitação minha. Quando posso, escolho pela imagem com negativos. Então coloquei uma foto minha com uns 7 anos de idade. Barcos de papel pra mim é muita da infância. A nossa proposta era fazer na praça, ela deitaria no tecido uns minutos e revelaríamos em seguida.

nossa imagem lá no site. 🙂

E nossa! Depois eu pensei como demorei para entrar em contato com o pessoal do alternativephotography.com . Como eu sou devagar… Foi incrível conversar com eles e logo mais teremos novidades a respeito disso.

A galeria do WCD https://www.alternativephotography.com/gallery/gallery-by-process/world-cyanotype-day-2021-gallery-rejuvenation/nggallery/page/10

O site também tem uma conta no instagram (como eu demorei pra ver isso também)  https://www.instagram.com/alternativephotography_com/

eu demorei pra ter uma conta no insta, mas a vida social é isso, se não está lá parece que a gente nem existe.

E como fizemos o processo todo:

Eu tinha um tecido de 2 metros. Inicialmente a Simone achou pouco O.o

Mas tinha e foi esse mesmo.

Fazer cianotipia em tecido. Lavei o tecido para retirar qualquer camada anti fúngica e sujeira também né. Também tem uma questão de pré encolhimento, mas neste caso nem estava preocupada com isso.

Deixei secar para não ficar pingando, mas até eu terminar de preparar um químico, já tinha secado mais do que precisava. Separei um ciano e utilizei cerca de 150ml. Coloquei numa bandeja de 50x60cm. Deixei secando no lab. Tirei fotos mas não são muito bonitas com luz fraca. Depois pequei um saco preto e levei para casa.

O clima não ajudou muito os planos da Simone de fazer um flashmob na praça. Choveu, trovejou e caiu muito granizo. Eu disse que era pra testar nossa coragem. Então como estava tudo molhado, falei pra ela que seria melhor desenhar sua silhueta no papel, porque seriam horas de exposição e que seria melhor deixar na varanda e esperamos sentados. E foi melhor mesmo. Chuviscou várias vezes, vento, nublado… somente no final do dia apareceu aquele sol depois das 16h que não ajuda muita na exposição U.V. mas contou.

Depois da exposição de 4 horas vestimos nossos aventais e luvas e fomos ao lab.

A Simone tem umas bandejas e trocamos a água umas 4 ou 5 vezes.

até a chuva quis contribuir com umas “bolhas” no fundo do mar.

tem um post da Simone sobre o assunto wiccaverna.wordpress.com

Cianotipia – verde ou marrom ?

Por um bom tempo vendi o químico do cianotipo. Tinha só verde, depois não produziram mais. Fiquei só com o marrom mas hoje estou disponibilizando as variações verde e marrom. Eu não estava satisfeita com as embalagens – acho que nunca estou – mas para não deixar muito caro não faço as modificações que gostaria.

Então estou esperando um novo frasco chegar – preto, pois protege melhor mas em compensação tenho que comprar em quantidades maiores e investir mais. Por hora preparei no frasco âmbar. A embalagem âmbar é boa para guardar mas como ela não protege da luz, precisa deixar o frasco guardado dentro de uma caixa ou embalagem escura.

Os iniciantes ou aspirantes a fotografia azul podem ficar na dúvida quanto aos diferentes tipos de material de cianotipia que encontram: verde ou marrom? (mas eu quero azul, vai ficar azul?) Então achei melhor escrever um pouco sobre esse assunto.

Todos os kits para cianotipia qualquer um ficará azul! êê!!

Mas tem duas versões mais conhecidas. o MARROM é um pouco mais lento. O VERDE mais rápido.

O kit pode ser produzido com o Citrato férrico amoniacal MARROM ou o Citrato férrico amoniacal VERDE. A cor no nome do químico se dá pela aparência do reagente mas seu resultado da imagem será sempre azul.

Qual a diferença visual? O marrom dá uma nuance mais fria. o verde é mais brilhante. (mas a diferença é bem sutil)

material para cianotipia

E o tempo de exposição? Depende. A verdade é que o citrato férrico tem uma variação enorme em relação à quantidade de ferro. E isso sempre vai variar muito de lote pra lote. Então para alguns pode dar de 30% a 50% a mais de tempo de exposição no marrom comparado ao verde. (não é um dado estatístico, na prática é mais ou menos isso, ou seja, demora um pouco mais no marrom sim)

Mas então qual que eu compro? Pra quem está começando o Verde é mais fácil. Porque ele tende a manchar menos caso escolha um papel de textura mais aparente ou um papel de qualidade mais baixa. Papéis com pouca encolagem também darão mais trabalho com o marrom. Então é mais fácil dar certo com o verde.

O marrom é mais básico, tende a dar menos problemas de conservação. O verde é mais ácido, pode dar mais problemas de conservação.

Qual que você gosta pessoalmente??? Dos dois. Não tenho filho preferido. Quando estou com pressa ou nas aulas uso o verde por garantia e comodidade, já que preciso fazer funcionar pra pelo menos umas 15 pessoas de uma vez em poucas horas. Mas pra meu trabalho gosto sim do marrom. Porque eu gosto do tom frio, ou se utilizo um bom papel e bem preparado. Ele é lento mesmo, eu também sou. Mas não uso só ele. Uso o que está na mão primeiro.

Ai… agora você me deixou mais na dúvida…

Então compra o que vai no seu coração. ou no bolso.

Por isso para quem está começando resolvi preparar embalagens menores para o custo ficar mais baixo. Esse da foto fiz com 50ml. A ideia surgiu faz um tempo, pensando que para uma pessoa começar seria um investimento mais alto mesmo, já ter 120ml na mão e sem saber se vai gostar.

Coloquei na lojinha do @rebobina.lab pra facilitar para as pessoas.

Vou colocar testes comparativos (tô devendo testes pra variar) logo atualizo esse post. (prometo, esse blog nasceu mais como uma intenção de diário/semanário)

E estou preparando kits com material para viragens também. Achei bonitinho.

Agenda do trimestre

Novidades para maio, junho e julho.

O curso de cianotipia que já comentei em maio dia 22 e 29, sábados 10h a 12h.

Programei além dele:

  • Curso Online de Papel Salgado
  • Curso Online de Dusting On
  • EDIT- Mudança de planos. Vou ter que adiar os dois cursos. – Vou ter que ficar muito tempo sentada na frente do computador nesses próximos meses.

Mas vai ter curso de História dos Processos Históricos Sesc Pompéia ê!!!! \o/ Aguardem!

Estarei participando do projeto 150 fotos para São Paulo. Doei uma imagem para venda que será para arrecadar fundos para ajudar pessoas nessa pandemia. Estamos programando um workshop também que será definido essa semana.

E uma boa oportunidade para quem curte processos históricos. O Roger Sassaki foi selecionado no edital da Funarte e vai dar um curso online sobre calotipia, placa úmida e placa seca. É gratuito, precisa ter os materiais e é um conteúdo super difícil de se encontrar. Link abaixo!